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Ontem, o Senador dos Estados Unidos, Bernie Sanders, denunciou duramente o impeachment da presidente do Brasil democraticamente eleita. Com a aproximação da votação final no Senado Federal no fim deste mês, Sanders explicou sua posição em uma nota publicada em sua página no site do Senado americano (versão na íntegra em português) “fazendo um apelo para que Estados Unidos tomem uma posição definitiva contra os esforços pela remoção da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, de seu cargo”. Ele acrescentou: “Para muitos brasileiros e observadores, o controverso processo de impeachment se assemelha a um golpe de estado.”
A declaração de Sanders chega em um momento em que as elites do país, praticamente unificadas em favor do impeachment de Dilma, tomaram medidas extraordinárias (além de fúteis e risíveis) para omitir a impopularidade de Temer. No mês passado, a Folha de São Paulo foi pega fabricando dados de pesquisa alegando que 50% dos brasileiros eram favoráveis a permanência de Temer, quando, na verdade, a pesquisa mostrava que uma ampla maioria (62%) queria a saída do interino e a realização de novas eleições. A Ombudsman da Folha criticou o jornal duramente. A mídia brasileira se empenhou por meses na promoção da candidatura de Temer em 2018 sem mencionar um fato fundamental: Temer havia sido condenado por um tribunal eleitoral e impedido de se candidatar por oito anos por ter violado a lei eleitoral. Porém, se viram forçados a mencionar o fato quando um promotor do Ministério Público de São Paulo chamou atenção para a inelegibilidade do interino em resposta a uma nova empreitada da mídia visando a candidatura de Temer.
O próprio Temer, temendo vaias, exigiu a quebra do protocolo para que não tivesse seu nome anunciado na cerimônia de abertura das Olimpíadas. Mas foi em vão: o interino foi vaiado intensamente quando o público se deu conta de sua presença. Portadores de ingresso pacíficos foram sistematicamente, e por vezes à força, removidos dos estádios olímpicos por soldados brasileiros por portarem cartazes com a inscrição “Fora Temer”, criando uma controvérsia internacional. Assistir ao uso de força militar para silenciar cidadãos criticando um presidente não eleito é uma imagem chocante, visto que o país sofreu por 21 anos uma ditadura militar durou até 1985. (Ontem à noite, um juiz determinou que as remoções violam a garantia constitucional de liberdade de expressão.)
Manchete: Temeroso: a covarde omissão na cerimônia de abertura das Olimpíadas no Brasil. Com medo de ser vaiado na frente de todo o mundo, o presidente interino do Brasil – que formou um governo formado por homens brancos – se esquivou de ser anunciado.Fica um pouco difícil usar corrupção como justificativa para o afastamento de uma presidente democraticamente eleita quando escândalos de corrupção muito mais graves assolam a pessoa que pretende substituí-la, e seus associados mais próximos. Mas esse sempre foi o aspecto mais absurdo desse processo antidemocrático. Conforme escreveu ontem Franklin Foer na Slate em um longo artigo sobre o Brasil: “O impeachment de Dilma foi uma farsa, tão somente porque os que a acusaram se beneficiaram de um incentivo em uma escala inimaginável, criando um espetáculo capaz de desviar as atenções de seus próprios delitos”.
A pergunta levantada em resposta à nota de Sanders diz respeito à escolha da data de publicação: por que, depois de meses de silêncio sobre a crise política no Brasil, o democrata finalmente se manifestou sobre o assunto? Uma das falhas mais graves de sua candidatura foi quase não ter tratado de política internacional, apesar de sua principal oponente ser uma defensora de guerras e uma militarista que (muito antes do surgimento de Trump) atraía o apoio de neoconservadores. Era um candidato insistente em sua mensagem. Foram feitas solicitações para que Sanders falasse sobre o Brasil durante as primárias, mas foram rejeitadas ou ignoradas.
Quando Sanders acabou por falar sobre política externa, foi para fazer críticas brandas, enquanto endossava muitos dos argumentos da guerra bipartidária contra o terror. Com respeitáveis exceções: algumas de suas declarações sobre Israel e Palestina estiveram entre as melhores vindas de qualquer dos candidatos de grandes partidos em décadas; e sua recusa em alterar algumas de suas posições mais controversas dos anos 80, quando confrontado com tentativas de acusações de comunismo. Mas de forma geral, Sanders evitou dar opiniões sobre política externa que pudessem ser taxadas de esquerdistas ou alternativas.
Com o fim de sua campanha presidencial, o Senador pode falar livremente de uma forma que não seria necessariamente bem vista politicamente pela base do Partido Democrata. Alguns de seus mais importantes apoiadores têm sido firmes na oposição ao impeachment de Dilma. Independentemente da explicação a respeito do momento da declaração, a nota de Sanders é firme e inequívoca. Talvez o aspecto mais importante de sua declaração seja seu pedido que o Governo dos EUA “exija que a disputa seja resolvida com eleições democráticas”, a solução apoiada pela grande maioria dos brasileiros como resolução para a crise política, mas que as elites antidemocráticas do país, temerosas de quem seria eleito, rejeitam vigorosamente.
Tradução por Inacio Vieira
Glenn, parabéns pelo artigo.
Excelente..Materia…GOSTEI esta falano o que povo quer!!!Parabens…prescisamos de uma MIDIA e Reportagem sem maquiagem e imparcial.
Primeiro de tudo, essa mulher não foi eleita democraticamente, fraudou
nas duas eleições, portanto se a coisa fosse séria aí, estaria presa!
Na imaginação de um cego que não quer ver cabe o mundo…
Infelizmente esta não foi uma reportagem imparcial, como se propôs o grupo! Espero que não continuem tendenciosos…
Não achei a reportagem imparcial, como proposto. É tendenciosa por demais!
Não achei tão imparcial assim o teor da reportagem, matéria sutilmente tendenciosa e em desencontro ao que se propõe “The Intercept”.
É simples demais , pq o povo Brasileiro não tolera o socialismo . Perderam várias vezes em 100 anos e estão perdendo agora . Dá pra entender que democracia não engole socialismo e que quando acaba o $ de quem produz, o país se torna Cuba , Venezuela ? Estamos fora dessa
Por que Bernie está falando agora sobre isso?
Existem 70+ comentários no lado Inglês e ninguém sabe.
Ele é leal a Hillary. Ele está tentando protegê-la de alguma coisa?
Esta é minha hipótese. De quê? Eu não sei….mas boa amiga de Hillary (Madeleine Albright) reuniu com o Senador Nunes em 19 de Abril, em Washington DC….Parece que estamos assistindo Netflix ‘House of Cards’ em tempo real. É um grande mistério…
Um pouco mais informação.
A mídia global nunca falou sobre essa reunião (19 de Abril) porque eles protegem Hillary. Então a maioria das mulheres do mundo não sabem que uma feminista amiga de Hillary ajudou esta oposição racista e sexista. Madeleine não sabia que Temer selecionaria um Ministério de todo homens brancos. Isso seria um golpe devastador ao feminismo global nas mãos de Madeleine, amiga de Hillary…que ironia
Excelentes perguntas tambem estou curiso pelas respostas.
Bestializados… Povo tende sempre a se comportar como manada.
Caro Glenn: não sei se você responde ou comenta comentários feitos aqui, mas confesso que tenho sérias dúvidas sobre alguns pontos e acho que você é a pessoa indicada para responder.
1. Porque a imprensa norte americana e européia, que não se poderia chamar grosso modo de bolivariana, tanto se manifesta contra o golpe recente no Brasil?
2. Porque um Sanders, que pode ser considerado socialista nos EUA, mas não é, e prova disto é que se une a uma candidata da guerra e da opressão de quaisquer países que não aceite a “liderança” norte americana, estaria agora preocupado em defender a resistência ao golpe no Brasil?
As minhas dúvidas prendem-se ao fato que interessa sobremaneira à governança norte americana e seus países vassalos a intensificação das privatizações, a saída do Brasil e consequente enfraquecimento dos BRICS, e das instituições de integração centro e sul americanas e, em geral o retrocesso político no país.
Além disso, sabemos que a grande imprensa e demais meios de comunicação norte americanos e europeus são coadjuvantes dos interesses geopolíticos hegemônicos dos EUA, salvo honrosas exceções.
Então, afinal, me parece que alguma coisa eu deixei de entender neste labirinto. Gostaria de um pouco de informação que me permitisse alinhar o pensamento.
Thanks a lot Glenn and Intercept team!
Excellent articles! ??????????
Lots of love, from me and my activists team in Great Britain!????????????????
DEMOCRACY FOR BRAZIL/UK. ???
O jornais da época da proclamação da República afirmaram que o povo pensou que a marcha do traidor ministro da guerra de D. Pedro, Marechal Deodoro em direção ao Paço Imperial fosse uma parada militar. E mais, afirmam que o povo “assistiu a tudo, BESTIALIZADO” Bestializados em 1889, em 1937, em 1964, bestializados em 2016. O povo brasileiro, coitado, não sei se por covardia ou preguiça, jamais vai deixar de ser platéia.
o povo não consegue deixar o complexo de vira-lata pra trás.
Concordo!
Marcos, o melhor comentário. Meu palpite é que o povo brasileiro é preguiçoso. Principalmente no quesito leitura, deixa-se manipular pela imprensa televisiva. Eu já perdi as esperanças.
Teve dois problemas principais: o arrocho foi iniciado pela Dilma e a falta de regulamentação\enfrentamento dos meios de comunicação. Não adianta culpar o povo se não se oferece a ele alternativas de informação, além de fazer arrocho nas costas do mesmo.
Concordo!