Previdência é um assunto complexo desde o nome. O assunto, espinhoso, refere-se ao sistema brasileiro de aposentadorias e outros benefícios garantidos pelo governo aos trabalhadores e vem ganhando espaço na mídia com a reforma previdenciária, que aguarda seu momento para ser enviada ao Congresso tão logo se conclua o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.
Para comandar esse processo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, escolheu Marcelo Abi-Ramia Caetano, um tecnocrata que critica o modelo distributivo da previdência brasileira, em que a contribuição dos trabalhadores ativos ajuda a manter a aposentadoria dos inativos, e acredita que o ideal seria cada um criar sua própria poupança para a velhice.
The Intercept Brasil debruçou-se sobre artigos, análises, estudos acadêmicos, capítulos de livro e entrevistas concedidas à imprensa por Caetano. Neles, o secretário demonstra ideias muito claras sobre como mudar o sistema de aposentadorias no Brasil, sempre amparado em estatísticas e, principalmente, em comparações com outros países.
Dificilmente você reconheceria Marcelo Caetano se o visse na rua. Aos 46 anos, o economista fez uma carreira ao longo dos últimos 19 anos como especialista em previdência. É um espécime destacado de tecnocrata. Passou boa parte de sua vida adulta estudando números a respeito do tema em uma sala comum no Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas). Vinculado ao Ministério do Planejamento, o instituto reúne ótimos pesquisadores que fazem estudos bastante relevantes, mas que não são obrigatoriamente ouvidos por quem está no comando.
Nos últimos três meses, contudo, Caetano nunca teve tanto poder nas mãos. É em seu gabinete, vinculado ao poderoso Ministério da Fazenda,, de lustradas paredes de madeira, que estão sendo gestados os detalhes das mudanças que Temer quer fazer nas aposentadorias e pensões recebidas pelos brasileiros.
Secretário da Previdência Social Marcelo Caetano (segundo da direita para a esquerda), em entrevista coletiva sobre reajustes de benefícios previdenciários, no dia 7 de julho de 2016, em Brasília.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
É um mantra do pensamento econômico liberal culpar a previdência social pela fatia mais grossa dos problemas econômicos do país. Os discursos são sempre fatalistas e trazem a palavra “rombo”. Caetano faz parte desse time. Muito se especula sobre a reforma, mas pouco de concreto foi dito. Todos os sinais apontam, no entanto, para uma pancada nos interesses dos trabalhadores que projetam suas carreiras com base nas regras atuais.
The Intercept Brasil verificou que Caetano defende o fim da aposentadoria baseada na quantidade de anos trabalhados, além de acabar com a idade diferenciada para as mulheres se aposentarem. Também empunha a bandeira da interrupção de reajuste para os aposentados com base no salário mínimo, entre outras ideias – todas já encampadas, aqui e ali, por integrantes do núcleo do governo em entrevistas.
Ao Valor Econômico na semana passada, Michel Temer deu a senha do que virá por aí. “As centrais vão acabar não apoiando, seja qual for a reforma. Se não apoiarem, vamos mandar ao Congresso e ver o que acontece”.
A expectativa é de que Temer envie sua proposta para o Congresso logo após concluído o processo de impeachment. Será a prova de fogo dele perante os que apoiaram, no mercado, sua subida ao poder e que estão sedentos por um controle maior das despesas do Estado. E também o teste para saber até que ponto ele consegue controlar sua base no Senado e na Câmara pós-Eduardo Cunha.
Na semana passada, diante do aumento das especulações sobre o grau de impacto da reforma previdenciária nas regras atuais, Valor Econômico e Folha de S.Paulo entrevistaram Marcelo Caetano para tentar pistas sobre quais mudanças o governo vai tentar fazer. Ele não disse nada de objetivo em relação ao teor da reforma – mas deixou o recado: ou a reforma é aprovada ou o governo terá de aumentar os impostos.
O Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, anunciando a posse do Marcelo Caetano, 17 de maio de 2016.
Foto: Evaristo Sa/AFP/Getty Images
Com linguagem mais eufemística que os “vagabundos” citados por Fernando Henrique Cardoso, Caetano acredita que o brasileiro tem condição de trabalhar muito mais do que hoje. Foi o que escreveu em 2014, no capítulo de um livro sobre o desenvolvimento do país, publicado pelo Ipea. Para ele, o sistema atual “induz a saída do mercado de trabalho de alguém ainda em plena capacidade para contribuir para a geração de riquezas do país“.
Ele já citou ao menos duas vezes como exemplo positivo a reforma feita na Grécia, com adoção de idade mínima de 67 anos para a aposentadoria – 12 anos a mais do que o existente, na prática, hoje no Brasil. Mais que isso, hoje, os homens, ao nascer, têm expectativa de vida de 71,6 anos, e ainda menor nas regiões Norte e Nordeste. Ou seja, num cenário grego, um trabalhador contribuinte receberia, em média, apenas quatro anos e sete meses de aposentadoria.
“Afinal, o que a Previdência tem a ver com a discriminação de gênero?”
O caso das mulheres é objeto de ainda mais crítica do secretário da Previdência. Ele aponta que, com a aposentadoria na idade média de 52 anos, isso significa que “o tempo de recebimento do benefício iguala-se ao de pagamento de contribuições; isso sem contar com o potencial período de recebimento de benefícios de risco, como as pensões por morte, aposentadorias por invalidez e salário-maternidade”.
Caetano é contra a regra que permite que as mulheres se aposentem mais cedo que os homens. Sua manifestação mais clara sobre isso veio em artigo publicado na “Folha de S.Paulo” no final de 2014.
Embora diga reconhecer argumentos em favor da diferenciação, Caetano escreveu que “problemas de mercado de trabalho devem ser resolvidos por meio de políticas laborais, e não previdenciárias”. E arremata com uma questão: “Afinal, o que a Previdência tem a ver com a discriminação de gênero?”.
Ele vai além e critica indiretamente os políticos que têm receio de mexer nesse vespeiro. “A opção por conceder uma aposentadoria especial para as mulheres é mais cômoda. Agrada ao eleitorado, joga para o futuro a questão da necessidade de financiamento, minimiza a necessidade de elevação dos gastos presentes com creches e ameniza a necessidade de enfrentar questões culturais relativas à divisão do trabalho por gênero”.
Essa diferenciação é histórica dentro do Brasil e sempre teve o viés de proteção da mulher, diante de uma cultura de dupla (ou tripla) jornada de trabalho. A diferenciação foi mantida na Constituição de 1988 e na última reforma da Previdência, feita há 18 anos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O mesmo argumento é usado também para defender o fim das diferenças entre as aposentadorias para os trabalhadores rurais e para os trabalhadores urbanos. “A Previdência rural deveria ter regras parecidas com a urbana? Acredito que sim. Uma coisa é você considerar um problema de mercado de trabalho, outra coisa é considerar um problema de Previdência”, afirmou Caetano em entrevista também à Folha em fevereiro deste ano, três meses antes de assumir o cargo no governo.
O sistema rural, que não é uma previdência tradicional, foi criado para abranger cidadãos que vivem e trabalham em regiões que continuam longe das proteções do mercado formal. Hoje, o trabalhador que vive na área rural e que vende sua produção numa feira ou que planta apenas para a subsistência de sua família não contribui da mesma maneira que o trabalhador urbano que tem carteira assinada, ou mesmo o empregado de uma empresa rural, também com carteira assinada.
O trabalhador rural paga uma alíquota referente ao valor comercializado de sua produção. Se ele não vende nada, também não precisa pagar nada. Esse sistema de contribuição lhe garante o direito a receber a aposentadoria do governo cinco anos mais cedo, já que sua expectativa de vida é menor do que a de quem vive na cidade. Para Caetano, essa compensação tem que ser repensada.No estudo em que sugere pontos centrais de uma reforma previdenciária que necessite de alterações na Constituição, ele aponta, além do fim da aposentadoria por tempo de serviço, a necessidade de acabar com o reajuste das aposentadorias vinculado ao crescimento do salário mínimo (“Não só estamos fazendo o contrário como estamos na contramão do mundo”) e uma revisão geral nas regras de concessão de pensão por morte.
A questão da pensão para viúvas e filhos é, entre as mudanças com necessidade de mudança na Constituição, uma das que conta com maior abertura para mudanças. Ainda assim, deve provocar intenso embate, já que pode atingir mulheres de famílias mais pobres. Para Caetano, o Brasil apresenta regras lenientes para a concessão de pensão por morte. A não exigência de um período contributivo mínimo, a possibilidade de receber pensão em qualquer idade, a ausência de necessidade de laço matrimonial ou a manutenção do benefício após novo casamento permitem que o número de beneficiários de pensão por morte seja mais expressivo do que noutras nações”, afirmou em artigo.
Outro ponto ao qual Caetano se opõe é a adoção da fórmula 85/95, sancionada no governo Dilma Rousseff, que criou uma opção de aposentadoria pela soma do tempo de contribuição e com a idade, o que permite evitar os descontos provocados pelo fator previdenciário. Assim como no caso da aposentadoria feminina, o secretário da Previdência afirma que a medida é eleitoreira.
Em comentário para reportagem da Folha, quando o assunto ainda estava em discussão no Congresso, em 2009, ele disse que “politicamente, o governo poderá dizer que atendeu ao apelo dos trabalhadores, criou uma opção menos rigorosa”. Mas ele afirma que a regra não mudaria nada na prática. Mais que isso, no longo prazo, o déficit da previdência cresceria 0,2% do PIB a cada ano.
Na essência de sua visão está a percepção de que o sistema “distributivo”, como ele mesmo coloca em seus estudos, é ruim. Em um estudo publicado em 2008 pelo Ipea, Marcelo Caetano e o colega Roberto de Rezende Rocha argumentaram que “o excesso de dispêndios” na Previdência, comparado a outros países, é, em parte, devido “ao componente distributivo da Previdência no Brasil” e também ao “número excessivo de beneficiários”.
“Ao contrário da experiência de outros países latino-americanos, o Brasil optou por manter o regime previdenciário na forma de repartição simples, ou seja, não trocou a forma de financiamento para capitalização”, escreveu.
Traduzindo, o Brasil não adotou um modelo em que os próprios trabalhadores decidem o quanto poupar para a aposentadoria, geralmente em regimes de previdência complementar. Pela lógica de repartição, atualmente em vigor no país, quem está na ativa contribui para pagar a aposentadoria de outros. No sistema de capitalização, a lógica é totalmente individualista: cada um é responsável por sua aposentadoria.
“Do ponto de vista técnico, seria interessante ter uma transição mais curta, em torno de 15 anos”
Nenhuma das mudanças planejadas por Caetano, e que podem ser encampadas politicamente tanto pelo ministro Henrique Meirelles quanto por Michel Temer e seu entourage, seria implementada do dia para a noite. Aí é que entram as também polêmicas “regras de transição”. E nisso Caetano também tem opiniões que causam urticária em sindicatos. O economista defendeu recentemente uma transição de cinco anos.
Em fevereiro deste ano, em entrevista à Folha, Caetano disse que, “do ponto de vista técnico, seria interessante ter uma transição mais curta, em torno de 15 anos”, e ressaltou que isso dependeria “de capacidade política para aprovação”. Em maio, pouco antes de assumir o cargo, ele disse ao Valor Econômico que a transição ideal seria entre cinco e dez anos.
O governo deve enviar a reforma ao Congresso nas próximas semanas. A promessa inicial, após a chegada da nova equipe econômica, era enviar tudo em até 30 dias. Já estamos com 90. O aumento do tempo reflete o clima político sensível com o desfecho do processo de impeachment de Dilma Rousseff e as eleições municipais. Do outro lado, contudo, há a pressão de investidores por sinais mais concretos de reformas institucionais.
Além de Marcelo Caetano, também está debruçado sobre a questão o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, de olho mais no aspecto político da questão e como a proposta poderá estremecer a base de sustentação de Temer. Um dos fiadores da subida de Temer ao poder é o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, a principal central sindical apoiadora do governo. Pelo andar da carruagem, a relação entre Paulinho e Temer passará por dias difíceis.
O grande problema do nosso sistema não reside na previdencia pública básica do INSS, limitada ao teto de R$5.189,00, a previdencia dos pobres como é conhecida. O grande déficit reside no regime dos servidores públicos que não contribuem para obterem um beneficio integral de R$20 mil R$30 mil, ou até mais quando se aposentam sem a formação de reservas matemáticas indispensáveis para a manutenção dessa renda ao longo do tempo, inclusive, com as viuvas (os) percebendo tal montante por pensão por morte. Ou se calcula atuarialmente cada beneficio a ser concedido, com participação do servidor e do Estado na formação das reservas matemáticas, ou o sistema não se aguenta resultando no déficit colossal em que se encontra nos três níveis de governo, muncipal, estadual e federal. Justiça seja feita, o governo Dilma insitituiu um fundo de previdencia complementar para os novos servidores que ingressarem no serviço público federal. Essa iniciativa deveria ser estendida aos demais níveis de governo, igualando-se todos os servidores no teto básico do INSS e para quem percebe acima desse teto, atualmente em torno de R$5.189,00 teria de contribuir para o fundo de pensão dos servidores públicos de cada setor envolvido. Isso resultaria numa formação de poupança de forma exponencial, em face dos altos salários e da forma que seria ela submetida ao regime financeiro de capitalização de suas reservas. Essa seria uma saída para o sistema brasileiro de previdencia. Não é se cortando beneficios básicos, limitados, dos pobres que se faz justiça social para os ricos. O maior beneficiário do INSS é o próprio Estado, seu maior segurado contra as convulsões sociais, a imprevidencia e o caos social que se teria sem a proteção social básica, pública e obrigatória do INSS. É o meu sentimento como estudioso e advogado militante nessa área do direito.
Pega ladrao!!!!!!!!!!!!
O objetivo dessa reforma na previdência, é ajusta la para entregar aos bancos que administram fundos previdenciário, ele apenas propala e executa a cartilha ditada por essas instituições, mas um yuppie capitalista chimfrim e vendido.
Deveríamos começar a reforma da previdência social estendendo o adicional de 25% aos aposentados por idade e ou tempo de contribuição que necessitam de cuidados permanentes, pois grande parte dos aposentados do regime geral não recebem mais do que um salário mínimo.
Ele abre mão da aposentadoria integral a quem tem direito no IPEA? O salário dele atual é de 25 mil reais (Portal da Transparência) . Se tiver coerência , faz o que prega e abre mão deste privilégio. Muito fácil falar de previdência social sem tocar nos privilégios do funcionalismo público- este sim, causador de um imenso rombo. No ano passado, o Tesouro teve que injetar R$ 130 bilhões no sistema para pagar aposentadorias públicas. Ele também não fala sobre aposentadorias milionárias do serviço pública, milhares delas acima do teto constitucional de R$ 33,7 mil. Os militares das Forças Armadas se aposentam aos 47 anos e têm rombo de mais de R$ 50 bilhões. Vão ficar de fora das mudanças? O funcionário do IPEA na fala nada sobre isso.
Sugestões de Alternativas à Idade Mínima para Aposentadoria.
O ideal seria substituir o Fator Previdenciário e a Fórmula Progressiva pelo Fator Incentivo, e elevar o tempo mínimo de contribuição para os novos segurados.
Fator Incentivo: facultativo aos que completam o tempo de contribuição e desejarem postergar a aposentadoria, recebendo por isto um bônus para cada ano a mais de contribuição.
Alternativa B)
Soma da Idade com o Tempo de Contribuição:
90M/95H, valor normal da aposentadoria.
95M/100H, acréscimo no valor da aposentadoria.
Atende as necessidades da previdência e oferece aos contribuintes a possibilidade de melhorar a aposentadoria.
Continuando: pra alguém que diz ter estudado o assunto, é chocante ver a comparação da Grécia com a expectativa de vida AO NASCER no Nordeste. Em algum lugar dessa tua pesquisa você ter lido que o conceito relevante é a expectativa de SOBREVIDA, que é muito maior e que é o que justifica algum tipo de mudança.
Que perda de tempo esse texto.
Faltou falar que Caetano trabalhou nas reformas de Lula e Dilma também.
Também faltou falar que as propostas defendidas são exatamente as mesmas que a presidenta Dilma tinha anunciado.
No mais, achei um ataque gratuito a um servidor público que dedicou a carreira a estudar o tema. Onde estão os N trabalhos do Caetano contra privilégios dos militares e do serviço público? Vocês não acharam essas entrevistas e estudos?
Sem nem ler tudo que ele escreve, como você disse ter feito, senti falta de um tratamento mais honesto dele sobre a desvinculação do salário mínimo (que ele é contra).
Também é falso dizer que quem só quem não faz diferença ter 40 ou 50 anos de contribuição pra se aposentar. A lógica da Previdência sempre vai ser de que quem contribuir mais vai receber mais, não o contrário. A forma de cálculo certamente leva em consideração isso (como o fator previdenciário já leva). Não li tudo do cara que nem vocês, mas certamente deve ter isso em algum lugar.
Estava animado com o The Intercept, mas está ficando claro que o nível vai ser o do Brasil 247. Já sigo a Dilma Bolada, então preciso seguir o Glenn.
Muita boa a reportagem. Pelo menos o autor teve o trabalho de produzir um texto próprio, em vez de simplesmente reproduzir a lenga-lenga oficial sem nenhum questionamento. Só faltou discorrer sobre esse tão propalado “rombo” que, na opinião de muitos especialistas, simplesmente não existe. E se não existe, por que fazer reforma?????
Isso mesmo, Carlos. Quero fazer essa reportagem, sim. Mas para fazer correto, tem que fazer um trabalho profundo.
“O valor da Aposentadoria por Invalidez do segurado que necessita da assistência permanente, será acrescido de 25%”.
Lei 8.213/91
Nota-se que os Aposentados por Idade, em igual situação, não foram contemplados.
Se queremos debater e reformar a previdência social, poderímos começar por aí, pois grande parte dos aposentados do regime geral não recebem mais de um salário mínimo.
Alternativas à Idade Mínima para Aposentadoria.
O ideal seria substituir o Fator Previdenciário e a Fórmula Progressiva pelo Fator Incentivo, e elevar o tempo mínimo de contribuição para os novos segurados.
Fator Incentivo: facultativo aos que completam o tempo de contribuição e desejarem postergar a aposentadoria.
Alternativa B)
Soma da Idade com o Tempo de Contribuição:
90M/95H, valor normal da aposentadoria.
95M/100H, acréscimo no valor da aposentadoria.
Atende as necessidades da previdência e oferece aos contribuintes a possibilidade de melhorar a aposentadoria.
Pela simples leitura ou escuta do que vomita esse tecnocrata – que mais parece um yuppie ou novo rico, destes que se costuma ver em filmes – dá para perceber que ele jamais teve de levantar cedo, pegar duas ou mais conduções para chegar ao trabalho, jamais teve de levantar antes da 5h da manhã, pegar a enxada, foice e outras ferramentas e ir para o eito. Esse Marcelo Caetano, por certo, jamais teve de andar 3 ou mais km, para chegar a uma escola (pública), seja da zona rural ou urbana. Certamente Marcelo Caetano nunca andou descalço – a não ser em badaladas praias que deve freqüentar. Se Marcelo Caetano, pelas dificuldades sócio-econômicas da família, tivesse começado a trabalhar antes dos 12 anos de idade, como é a realidade de milhões de brasileiros, sobretudo os que vivem nas regiões rurais, o mais provável é que ele tivesse opinião bem diversa da que expressa para os abutres da banca e que desejam a privatização do sistema previdenciário.
O Sr. FHC, que chamou de vagabundos os aposentados, NUNCA abriu mão de uma aposentadoria que recebe desde os 37 anos, quando lecionava na USP; mais grave: em 1979, quando a universidade lhe ofereceu de volta a cátedra que deixara, FHC não quis assumi-la; preferiu ficar aposentado. O traidor-golpista-usurpador-corrupto-cleptocrata, michel temer, é aposentado com vencimentos integrais, como procurador do estado de São paulo, desde os 55 anos (há 20 anos, já que hoje ele conta 75 anos de idade).
Marcelo Caetano é tão abutre, sem noção, ou mau que coloca como exemplo a Grécia.
Marcelo Caetano é um tecnocrata, neoliberal, um almofadinha, que acredita em planilhas, fórmulas, cálculos e estatísticas, mas que NUNCA viveu e não conhece a realidade dos brasileiros de baixa renda, dos trabalhadores rurais e urbanos com precários empregos e baixa remuneração, que não conhece a realidade das trabalhadoras pobres, que finge desconhecer a dupla ou tripla jornada de trabalho das mulheres, muitas das quais são arrimo e chefes da família.
Na reportagem há uma frase que sintetiza o que pensa esse bando de canalhas tecnocratas.
“No sistema de capitalização, a lógica é totalmente individualista: cada um é responsável por sua aposentadoria.”
Ou seja: essa gente se posiciona contra TUDO o que tenha objetivo social de distribuir de forma mais justa e equânime a renda e a riqueza produzidas no País. Eles são contra o caráter distributivo da previdência social. Aliás são tão contrários a tudo que seja social, que beneficie os mais pobres, que tiraram a palavra social como determinante de previdência e colocaram essa subjugada ao ministério da Fazenda, que trabalha com números e para a banca, nunca levando em contas as pessoas, os seres humanos, que sentem dor e têm necessidades.
Muito boa essa matéria! O interesse de grupos financeiros por essa reforma da previdência já é indício de que coisa boa para o povo é que não é…
Se você trabalhar em uma empresa privada, ao se aposentar receberá, no máximo, R$ 4.663 pelo INSS. Já se for funcionário público, dependendo da data em que foi contratado e da carreira que seguiu, ainda pode receber aposentadoria integral até um teto de cerca de R$ 33 mil (o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal).
Segundo um relatório do Tribunal de Contas da União divulgado em dezembro, o déficit da Previdência relativo ao 1 milhão de servidores públicos e militares aposentados somaria R$ 61 bilhões. No INSS, que atende mais de 20 milhões de beneficiários, o déficit é de R$ 50 bilhões.
Pelo que pude ler da matéria o Doutor Caetano só fala do déficit do INSS, ou seja dos cidadãos de 2a. classe, os de 1a., ah, esse ele nem toca… curiosa essa classificação de especialista!
Exatamente. Esse é o ponto.
Texto muito elucidativo que vale a pena ser lido, mas pode ser traduzido em:
Estamos ferrados e os bancos ficarão cada vez mais ricos.
Excelente artigo! Bastante informativo e joga luz no que está sendo arquitetado nos gabinetes desse governo ilegítimo!
Socooorro!