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Para marcar o dia de hoje, 11 de setembro de 2016, preparamos um pequeno quiz.

Foto: Brad Rickerby/Reuters /Landov
A. O World Trade Center em chamas em 11 de setembro de 2001.
B. Um assassinato em massa grotesco.
C. O começo de uma vida inteira de sofrimento para todos que perderam entes queridos no World Trade Center.
D. UMA OPORTUNIDADE, UMA GRANDE OPORTUNIDADE!
A resposta correta é, obviamente, a letra D.
“Vejo oportunidades através de minhas lágrimas.”
— George W. Bush, 20 de setembro de 2001
“Se o colapso da União Soviética e o 11 de setembro demarcam um período de grande mudança de rumo na política internacional, então agora não é apenas um período de grave risco, mas também de grande oportunidade. Antes da argila secar, os EUA, nossos amigos e aliados devem tomar medidas importantes para tirar proveito dessas novas oportunidades.”

Foto: Pedro Ugarte/AFP/Getty Images
A. Al Qaeda bombardeando um hotel em Mombasa, no Quênia, em 28 de novembro de 2002.
B. O lugar onde 13 pessoas foram assassinadas por terroristas, incluindo os irmãos israelenses Noy e Dvir Anter, de 12 e 13 anos de idade.
C. O local onde, de acordo com a reportagem da CNN, “crianças aos berros, cobertas de sangue, procuravam desesperadamente por seus pais em meio aos escombros”.
D. UMA OPORTUNIDADE DE OURO!
Obviamente, a resposta é novamente a letra D.
“Os oficiais israelenses veem os ataques terroristas da semana passada (…) de forma a reforçar o argumento de que Israel e o Oriente estão lutando contra o mesmo inimigo. O então Ministro das Relações Exteriores de Israel, Benjamin Netanyahu, em reunião com a equipe ministerial após os ataques no Quênia, contou que os incidentes representavam um ‘oportunidade de ouro’ para Israel fortalecer laços estratégicos com os EUA e outros países ocidentais.”

Foto: Chris Hondros/Getty Images
A. Iraquiana de cinco anos de idade, Samar Hassan, coberta pelo sangue de seus pais, logo após serem mortos por soldados americanos em um posto de controle, em 2005.
B. O motivo pelo qual Hassan diz: “Eu sempre sonho com meu pai e minha mãe.”
C. Algo por que todo americano deve se sentir culpado até a morte.
D. UMA OPORTUNIDADE DE OURO E ÚNICA!
A resposta correta é a letra D. Obviamente.
“Atacar [as forças de ocupação dos] EUA no Iraque, em termos econômicos e de fatalidades, é uma oportunidade de ouro e única. Não a desperdice para não se arrepender mais tarde.”
É bem provável que já tenha sido claro. Mas vou continuar e ser ainda mais específico.
Para pessoas comuns, o terrorismo e a guerra são, única e exclusivamente, tragédias.
No entanto, para nossos pretensos “líderes” — de todos os países — a situação é diferente. É claro, eles fingem achar o mesmo que pessoas comuns. Fazem discursos com os olhos cheios d’água sobre tristeza e sofrimento.
Mas, por trás de suas lágrimas, parece haver outra coisa. Quando acham que não estão sendo observados, é possível perceber outro tipo de expressão em seus rostos. É difícil de acreditar. Sim, é inacreditável, mas eles estão sorrindo. Antes de os cadáveres esfriarem, antes das lágrimas de mães e pais secarem, nossos líderes já estão pensando:
Esta, realmente, é uma oportunidade fantástica.
E para eles, ela é mesmo. É uma oportunidade para fazerem tudo o que desejavam, mas não podiam. É uma oportunidade para chamar os críticos de traidores. É uma oportunidade para se tornarem ainda mais poderosos do que eram antes das guerras e para implementarem suas visões de doutrinas de choque. Líderes amam guerras. É por isso que há tanta guerra.
É compreensível que isso seja difícil de aceitar. É assustador pensar que seus líderes, na verdade, não ficariam tão tristes assim se você morresse. Basta observá-los com atenção e fica fácil notar.
Podemos mudar isso? Talvez. Mas o primeiro passo a ser tomado para alterar essa realidade é aceitá-la, mesmo que ela seja desagradável e assustadora.
Foto acima: Foto da segunda torre do World Trade Center retocada devido à poeira e arranhões
Quem viu House of Cards, também viu a que ponto de sinceridade e de cinismo chegou a maior arma ideológica do Império: sua indústria do entretenimento.
Ali desnudam-se claramente as principais características de um governo no Ocidente: lobby, chantagens, vaidade, interesses particulares acima do público, toma-la-dá-cá e a guerra como uma resposta à queda de popularidade, por exemplo. Como pode ser para conquistar campos de petróleo. Democracia e liberdade são assumidamente pretextos.
E nós, de tão anestesiados com esse tipo de sinceridade, já nem nos indignamos mais.
Fui ensinado a fazer o Bem e dizer a verdade. Procurei seguir essa diretriz em criança e parecia natural. No fim da infância e início da adolescência, alguns fantasmas/seres imaginários e boatos argumentaram forte de que eu estava sonhando mas eu resisti a isso. Será que alguém seria capaz de coisas assim hoje em dia? Finalmente, acordei do sonho para um PESADELO de egoísmos exaltados, hipocrisia consolidada no Estado e nas relações do dia-a-dia, aparelhagem “pública” governamental para controlar minha mente, conter-me e me estuprar com semblante de compaixão por mim e por nós.
Artigo provocador, contundente, visceral. Além do que diz o autor, que os líderes amam a guerra, é preciso explicar que não são eles nem os familiares deles os que vão à frente das tropas, expostos ao risco de sofrer mutilações ou morrer. Outro aspecto importante: os líderes que mais amam a guerra e que por ele optam são justamente aqueles que detêm armamentos e tecnologias superiores ao adversário/inimigo. Quando o país adversário/inimigo é tão poderoso quanto aquele que deseja a guerra, a prudência é muito maior; não por outro motivo os EUA JAMAIs declararam guerra à Rússia.
Excelente! Não conhecia o site, mas virei mais vezes.
Excelente provocação intelectual! Concordo completamente com a conclusão, no último parágrafo. Precisamos aceitar a realidade, para termos uma chance de mudá-la.
Tentei compartilhar no Facebook e apareceu a seguinte mensagem:
“Esta mensagem contém conteúdo que foi bloqueado pelos nossos sistemas de segurança.
Se você acha que está vendo isso por engano, avise-nos.”
Brilhante análise e cuidadoso levantamento das manifestações patológicas de “líderes” sem alma, coração e o mínimo senso de humanidade. O poder e a cobiça transformaram esses “seres humanos” em monstros. Impossível buscar entendimento através da razão e menos ainda do coração. São máquinas de guerra que não merecem ser classificados como humanos nem animais. Permita-me apenas uma pequena observação : no último parágrafo o articulista diz que “o primeiro passo a ser tomado para alterar essa realidade é aceitá-la”. Ao meu ver, o primeiro passo é justamente fazer o que o autor do artigo fez : denunciar, denunciar e denunciar tamanha barbaridade. Abraços a Glenn Greenwald e à toda equipe do Intercept Brasil.
Oh yeah, stick it to the man, bro. You soo cool.
Texto excelente sobre uma tragédia cujos motivos e envolvidos nunca foi totalmente explicada do meu ponto de vista. Essa resposta do Bush e da Condoleezza para mim revelam uma total indiferença sobre a dor humana e a dor das pessoas que morreram e perderam seus entes queridos.
Sem esquecer que a Condoleezza era executiva de petrolífera.