Menos de um mês depois do catastrófico resultado das eleições no Rio de Janeiro, a esquerda parece já haver esquecido as duras lições que a sua derrota tinha a ensinar. Ignorando as justas comemorações dos mais pobres do estado, vários teóricos da esquerda começaram a discutir a legitimidade da celebração em torno às prisões dos ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e Sérgio Cabral. Seus argumentos têm fundamento, fazem sentido e devem ser levados em consideração, mas não havia pior momento para que fossem levantados como bandeira.
A ideia de que não é lícito comemorar tais prisões repete – e é fruto dele – o já característico distanciamento da esquerda dos anseios e sentimentos mais genuínos da população. Enquanto negros e pobres soltavam fogos nas favelas, os acadêmicos da esquerda enchiam suas redes sociais de condenações moralistas – tal como fizeram quando as urnas decretaram a vitória de Crivella.
Erigir um marco da luta anti-punitivista a partir das prisões dos ex-governadores é ignorar a memória daqueles que há anos sofrem com a política de segurança pública de Cabral e Garotinho; que sofrem nas prisões e nas favelas, e que agora são vítimas de um pacote de maldades herdado dos anos de farra com a máquina da administração pública. É assim que o recado será entendido pelo grosso da população – e a direita não tardará em explorar tal fato.
A prisão de Sérgio Cabral não é apenas uma derrota política para o ex-governador. É, antes disso, uma vitória extraordinária dos movimento sociais que deixaram em frangalhos sua reputação e o obrigaram a renunciar ao cargo em 2014. Sua prisão, na semana em que a Alerj era ocupada por manifestantes contrários ao “pacote das maldades” do governo – herança inequívoca da terrível administração Cabral – não deve ser entendida de outra maneira.
A exibição de suas fotos de cabelo raspado, sendo fichado na unidade prisional de Bangu que construiu, é errada do ponto de vista jurídico e dos direitos humanos – e portanto deve ser condenada, mas convém não exagerar na dose. O caso não é parecido com o dos milhares de homens negros que são exibidos como troféus, pelos jornais e pela própria polícia, a cada operação policial nas favelas do Rio. Não se pode, em hipótese alguma, colocar um sinal de igual entre eles. Cabral não foi espancado, não está em cela superlotada, não teve atendimento médico negado, teve direito a visitas. Essa é a exceção, não a regra.
A não observância dos direitos humanos no país também tem cor e classe social.
Uma pesquisa de 2014 mostra que apenas 20% dos brasileiros que procuram o SUS são atendidos no prazo de um mês, e 29% aguardam mais de seis meses. Se falamos especificamente dos presos, os dados são bem piores. Em 2015, o Ministério Público do Rio de Janeiro concluiu que “os presos não são sequer incluídos nas filas de espera por vagas, como também não são direcionados para atendimento nas vagas existentes”, e que “é frequente que essa demora desumana resulte em agravamento dos quadros de saúde dos internos, e mesmo em elevado número de mortes”.
Garotinho estava sendo bem atendido, com regalias que revoltaram inclusive os funcionários do hospital Souza Aguiar – acostumados com a barbárie habitual – no mesmo dia em que foi preso.
Existe, obviamente, um gravíssimo problema de direitos humanos no tratamento dos presos no Rio de Janeiro e no Brasil. Este problema, no entanto, não está claramente expresso nos casos dos ex-governadores, pelo contrário: se os tomamos como exemplos, estaremos passando a impressão de que aquela é a realidade do preso no Brasil. Por conseguinte e indiretamente, estaremos dizendo que o jovem negro e pobre preso sob suspeita de tráfico todos os dias nas favelas do estado enfrenta esta ordem de problemas. Não é disso que se trata, como mostram os dados do relatório “Você Matou Meu Filho”, da Anistia Internacional, sobre homicídios cometidos pela polícia na cidade do Rio. A regra por aqui está mais para execução sumária.
Aqui vai um rápido paralelo com os dois casos: a travesti Verônica, brutalmente torturada após ser presa, teve seus cabelos raspados e fotografias em que aparecia com os seios à mostra e totalmente desfigurada divulgadas pela polícia. Há diferença, e é urgente que se faça notá-la. A não observância dos direitos humanos no país também tem cor e classe social.
A rigor, se todos os presos do Estado passassem a ser presos nas condições em que Cabral e Garotinho foram, estaríamos longe do ideal, mas teríamos avançado décadas no cumprimento dos direitos humanos. É importante que essa linha de argumentação, da abertura de precedente, também não caia no colo da esquerda.
O que precede estas prisões é o sistemático e rotineiro desprezo pelos direitos humanos. Que o digam a auxiliar de serviços gerais Claudia Ferreira, arrastada por uma viatura da PM; o pedreiro Amarildo, torturado e ocultado pela PM; Rafael Braga, preso nos protestos de julho de 2013 por carregar um desinfetante na mochila ou os homens assassinados pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no Dia da Consciência Negra na Cidade de Deus, supostamente por envolvimento com a queda de um helicóptero que, conforme as primeiras perícias, caiu por pane e falta de manutenção. Todos morreram nas mãos da polícia comandada por Sérgio Cabral.
Policiais comemoram operação na Cidade de Deus que resultou em diversas mortes.
Foto: Reprodução Facebook
Portanto, se a esquerda resolver que este é o momento oportuno de iniciar um debate a respeito do punitivismo, defendendo por tabela dois dos maiores responsáveis pelo estado em que o Rio de Janeiro se encontra, não poderá culpar novamente os pobres daqui a dois anos, quando o novo governador for eleito.
É importante apontar e defender a plena observância dos direitos humanos em todos os casos e para qualquer preso. É preciso, contudo, fazê-lo em perspectiva. Vamos demonstrar nossa indignação com os meninos executados da Cidade de Deus. Cabral e Garotinho definitivamente não precisam de nossa proteção. Este, aliás, já conquistou o direito de ir pra casa. A ver quanto tempo aquele ainda ficará preso. O único precedente aberto por estes casos é a prisão de ex-governadores até então intocáveis pela justiça. A vida do pobre e negro favelado continuará igual: preconceito, perseguição, morte. É contra isso que devemos mirar todas as nossas forças.
As figuras antipáticas e impopulares de Anthony Garotinho e Sérgio Cabral embotam os significados de suas prisões. Mas a identidade dos personagens (e até sua inocência) tem pouco a ver com o aspecto mais preocupante dos episódios: o exibicionismo punitivo esvaziado de conteúdos jurídicos ou morais.
A banalização do encarceramento, a humilhação pública dos réus, a pantomima da soldadesca, a verborragia agressiva dos procuradores, eis que o teatro “excepcional”da Lava Jato vai sendo naturalizado, virando uma rotina de atitudes extremas desnecessárias.
Esse costume só existe graças ao limitado leque partidário da operação. Sua isonomia negativa espelha o recorte originalmente desigual, que também explica a tolerância que a operação desfruta na cúpula do Judiciário. Se tratamentos indignos pudessem atingir lideranças do PSDB, o precedente seria cortado na primeira tentativa.
O padrão temerário da Lava Jato evidencia uma peculiar desconfiança nos ritos processuais. As cortes inferiores e as autoridades policiais parecem querer castigar os indiciados antes que se defendam, exorbitando o prejuízo para que ele fique irremediável mesmo no caso de absolvição. Preferem tolher direitos ao risco de impunidade.
Há quem considere tais direitos “privilégios”, alegando que fogem às práticas vigentes. Assim opera o que chamei de “malufismo jurídico” (abusa mas prende), um raciocínio de fachada solidária que parte das violações cotidianas sofridas por negros e pobres para chegar à tolerância com as violações praticadas contra ricos e brancos. Em vez de se rechaçar quaisquer formas de injustiça, defende-se generalizá-la.
A metáfora bélica do “combate” à corrupção explica o tom raivoso dos seus apologistas. Mas não é outro o espírito do crime organizado, nem o da polícia assassina. Em comum, a ideia de que o exercício pleno da cidadania configura um obstáculo, uma veleidade burguesa ou, pior, um subterfúgio de malfeitores.
E a narrativa guerreira é sedutora. A glamourização midiática alimenta a ostentação repressiva gratuita, que alimenta o gozo obsceno com o sofrimento de Garotinho, Cabral e outros réus. O apelo sensacionalista supre a falta de motivos para os requintes autoritários e desmoraliza, ou inibe, eventuais medidas recursivas que venham repará-los.
O comando da Lava Jato sempre buscou exatamente isso: saciar a psicose vingativa do público, instrumentalizando o espetáculo do justiciamento precoce em troca de uma popularidade que imponha as “convicções” dos acusadores. Quando fizerem o mesmo com Lula, por exemplo, todos ficarão satisfeitos e conformados.
Tipicamente fascista, o punitivismo demagógico não é apenas um sintoma da falência dos valores da democracia representativa. É, acima de tudo, elemento agravador do problema. O apoio da sociedade nunca legitimou fenômenos dessa natureza; pelo contrário, abriu caminho para tragédias históricas. Já devíamos ter aprendido a evitá-las.
http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/11/a-cidadania-criminalizada.html
“A escalada da criminalização da política, com forte apelo e articulação midiáticas, tem produzido, a pretexto da justa e necessária luta contra a corrupção, atentados contra os direitos humanos individuais e coletivos, e é objeto de preocupação desta Comissão.,,Nada justifica a espetacularização da prisão e da transferência do ex-governador, exposto à execração pública quando custodiado pelo Estado, que deveria proteger sua privacidade e direitos, e ainda mais sua saúde, integridade física e a própria vida, colocadas em risco neste episódio lamentável…centenas, milhares de cidadãos e cidadãs que, antes mesmo de formalizadas culpa e condenação, são arbitrariamente submetidos a um sistema penitenciário com mazelas internacionalmente conhecidas. Não se trata de um caso individual excepcional, mas de uma triste regra que atinge especialmente os mais pobres e desassistidos.”
Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados
Excelente texto!
Se um pobre, negro, favelado fizesse metade do piti que Garotinho fez ao resistir a prisão, na ambulância, teria tomado um tiro na cara e a PM apresentaria um belo ‘Auto de Resistência’ como justificativa à barbárie.
O raciocínio subjacente ao texto é simplório: “Seus argumentos têm fundamento, fazem sentido e devem ser levados em consideração, mas não havia pior momento para que fossem levantados como bandeira”. Qual é o “melhor momento” para defender o que é correto? Respeitar a reação emocional de quem identifica (com razão) nos dois ex-governadores responsabilidade sobre as mazelas do estado pode nos levar também a respeitar quem acha que “bandido bom é bandido morto”. E é esse slogan que esconde o caráter de classe da política repressiva. Pois o “bandido” da frase, para muitos, é o pobre, o preto, a puta e os da parte de baixo da sociedade. Não vamos sair às ruas para defender os dois, mas registrar o desrespeito ao direito deles não serem execrados pela mídia nosciva sob a complacência do judiciário fascista.
The Intercept perdendo a credibilidade. Não devemos concordar com arbitrariedades contra quem gostamos e não gostamos. Texto lamentável. Não tem motivos para o Sérgio Cabral estar preso nem o Garotinho. Todos podem aguardar seus julgamentos em liberdade.
“assessoria de imprensa” é um negocio mais sórdido que advogado…o que não é fácil..convenhamos
Agora Sim!!! li um post a pouco sobre os argumentos defendendo Garotinho e Cabral pelos pseudos esquerdistas, nos quais , questionam a legitimidade da prisão de ambos ou até mesmo a forma pela qual foi realizada. Ambos merecem estar presos pelo que fizeram no governo e ainda mais pelo desrespeito com o povo.
Aos que criticam o texto, gostaria de enfatizar um trecho:
“A rigor, se todos os presos do Estado passassem a ser presos nas condições em que Cabral e Garotinho foram, estaríamos longe do ideal, mas teríamos avançado décadas no cumprimento dos direitos humanos.”
Quem o autor dessa matéria pensa que é para determinar a legitimidade do direito de defesa e do devido processo legal? Texto fraco, mal fundamentado e falacioso. Muito aquém do que se espera do Intercept. Lamentável!
Concordo com vc, Renata! Um espetáculo circense da pior qualidade! Estado de exceção, empurrando carne podre pro senso comum se divertir.
Mas a esuqerda não condenou as prisões. A esquerda criticou a forma. A forma de os juízes envolvidos e a forma que a mídia explorou.
Finalmente alguém colocou em palavras minha indignação com essa hipocrisia de alguns setores da esquerda! Que tiro no pé! Depois se surpreendem com a vitória do Crivella… Parabéns pelo artigo!
Isso não é reportagem, mas um texto de militante ultra-revoltado. Resido no Rio, próximo a favelas e reconheço as verdades descritas no texto, acerca do tratamento desumano dado aos negros e pobres. O aparelho repressor do Estado não existe para garantir a segurança das pessoas, mas sim a dominação daqueles que detêm o poder econômico e que tomam o Estado para si, com o monopólio da força.
Mas o ‘repórter’ exagera e se perde. No lugar de uma reportagem ele produziu um texto apropriado para mobilizar a militância de um partido de extrema esquerda. Digo isso com maior tranqüilidade, pois SEMPRE fui e continuo a ser de Esquerda.
Mesmo sendo o que são e tenham submetido a população do RJ ao que é descrito no texto, não podemos, em hipótese alguma, coonestar as ações ilegais e criminosas por parte daqueles cuja atribuição é respeitar, fazer cumprir, fiscalizar e aplicar a Lei, em relação aos ex-governadores Anthony Garotinho e Sérgio Cabral Filho. A Esquerda não pode agir da mesma forma que os nazifascistóides da Direita.
Para mostrar os exageros e impropriedades do texto, reproduzo abaixo uma matéria publicada no blog Tijolaço.
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O juiz “doutor” que ressuscitou Garotinho, mandando investigar até cirurgia
POR FERNANDO BRITO · 22/11/2016
laudo
O comportamento do juiz Glaucemir Oliveira que determinou a prisão de Anthony Garotinho é algo que consegue superar até mesmo a rejeição que o ex-governador tem na sociedade.
O primeiro ato, embora já seja motivo de estranheza jurídica reconhecido pela insuspeita Eliane Cantanhêde, verbalizando os comentários que recolheu no Supremo Tribunal Federal, como pode ser visto aqui ainda teve acolhida, por conta do desgaste de Garotinho e da onda do “prende todo mundo” a que insuflaram a sociedade.
Mas quando, contra a orientação médica, o juiz mandou arrancar o ex-governador do Hospital Souza Aguiar e levá-lo para Bangu. as pessoas mais lúcidas começaram a perceber-lhe o abuso, tal como percebeu a ministra Luciana Lóssio, do TSE, mandando desfazer a ordem e internar o acusado em hospital.
A cirurgia angioplástica a que ele foi submetido comprovou o acerto da decisão e o risco de morte absurdo a que o juiz submeteu Garotinho, o que é algo inaceitável para qualquer raciocínio que não esteja transformado no de um monstro.
A reação do Dr. Glaucemir foi uma estranhíssima denúncia de que, há um mês (!!!), houve duas tentativas de suborno a ele pelo político e por seu filho. Mas nenhuma explicação de porque não prendeu o subornador ou porque não pediu para a Polícia instalar câmaras e gravadores que captassem as tentativas e produzido provas da oferta escusa. Só depois de revogada sua ordem é que resolveu falar?
Mas Sua Excelência não parou por aí. Mandou uma equipe de peritos do Ministério Público ir investigar se a cirurgia não era “de mentirinha”, como se o corpo técnico de um hospital fosse uma quadrilha de atores teatrais e uma cirurgia cardíaca fosse uma “brincadeirinha”.
Desculpe o linguajar, mas Sua Excelência quebrou a cara.
O médicos do MP – imagino o constrangimento dos profissionais que se submeteram a patrulheiros de seus colegas – encontraram um laudo que indicava uma obstrução de 60% numa das coronárias de Garotinho – que já não é tão garotinho assim – e puderam assistir o vídeo da cirurgia, onde o cateter captura e faz gravar o estado obstrutivo dos vasos cardíacos.
O juiz agora vai investigar os médicos que investigaram os médicos?
Isso, porém, não é o mais chocante.
Inacreditável é que um homem possa ter estes arreganhos autoritários protegido pela sua condição de juiz sem que nada lhe aconteça.
Se isso não é abuso de poder, o que será? Entrar lá com a pistola que diz portar e gritar “teje preso, com catéter e tudo“?
Então um juiz pode decidir qual é o estado de saúde e uma pessoa e, inconformado com os laudos médicos, mandar investigar os médicos?
Garotinho, que merece mil críticas, sai muito mais saudável deste episódio, pelo menos politicamente.
Porque ele pode ser demagogo.
Mas seu perseguidor é um tirano.
Perfeito!
Na mosca João de Paiva! Nada como o Fernando Brito pra aclarar as coisas!
O texto tem alguns equívocos, a meu ver. O primeiro é sugerir que a esquerda, pra ter votos, passe a defender ou não criticar coisas que ela discorda. Direitos Humanos no Brasil é tema que é defendido quase que exclusivamente pela esquerda. Quem critica as ações ilegais e abusivas da PM? A direita? Não, a Esquerda!!! Todos esses casos citados (Amarildo, Claudia Ferreira, Rafael Braga, Verônica) tiveram protestos da esquerda. Portanto, criticar a espetacularização das prisões dos ex-governadores é simplesmente coerência…ou não???? OS direitos humanso para negros e pobres são tão defendidos epla esquerda, que isso pode ter sido o motivo da derrota de Freixo (ele sempre foi acusado, assim como qualquer defensor dos direitos humanos, de ‘defender bandido’).
Se a esquerda passar a ouvir os ‘anseios’ da população que assiste diariamente t a Globo e almoça vendo sangue nos programas ‘Datenescos’, aí a esquerda passará a ser direita! É isso que o articulista sugere?
Perfeito. O texto todo se constrói em cima de um equivoco, ou ressentimento: o da ultraesquerda sem voto e que se tem em altíssima conta, quase santa.
[ “no momento de transição de uma sociedade escravocrata para uma sociedade clássica liberal, o desafio era a gestão inteligente dos ressentimentos. Isso não foi feito e sequer tentado. se se desumaniza o inimigo, é mais fácil, etnicamente, suspender as sanções morais contra a sua destruição. o ajuste tácito entre os chefes policiais e as elites étnicas sobre a ordem pública determina que ela seja restabelecida sem contrapartidas, sob um novo prisma, de luta exclusiva contra a criminalidade. a demanda social e econômica das massas segregadas é qualificada como o rompimento ou a tentativa de invalidação de uma ordem natural, social, moral, étnica. surge o agrupamento por sua condição e com isso, o ressentimento… contra o Estado.
não há nada mais traumático para essas populações faveladas do que as rotineiras e brutais operações militarizadas de expulsão das áreas urbanas invadidas, sua integração e participação nas riquezas nacionais e na política, são aspectos que feririam de morte a balcanização. a neutralização da violência passou a ser considerada como um investimento de valor estratégico e militar, comercial e industrial e não como um problema social e político.
a ânsia de segurança, própria da condição humana, culmina num individualismo desesperado. a classe média, perplexa e ameaçada, inclina-se cada vez mais às saídas militaristas.” ]
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Luís Mir
‘Guerra Civil’ – Estado e trauma
pp. 101/102/147/163/164
Geração Editorial São Paulo SP 2004
http://passalidadesatuais.blogspot.com.br/2010/12/pessoas-de-pouca-importancia.html
só de existir uma discussão dessas já mostra que tem algo muito errado nessa sociedade..como pode haver polemica entre apoiar ou não a punição de bandidos??? e a opinião dos criminosos (defendendo seus comparsas) nos comentários tem o mesmo peso das demais…tem alguma coisa muito errada nisso tudo..?
“Erigir um marco da luta anti-punitivista a partir das prisões dos ex-governadores””..ô Erick meu camarada, não tem engano, equivoco ou inocência em quem faz isso…ele ganha pra isso. Do mesmo modo como a justiça levantou ontem no Rio que organizações de Direitos Humanos são fachadas do crime organizado para promover lavagem de dinheiro e prover assistência jurídica aos bandidos.
Maravilhoso texto! Crítico e contundente. As ações arbitrárias na condução das prisões dos dois ex-governadores do RJ só reforça a já conhecida, porém relegada, violência que sofre diuturnamente a população mais pobre, essencialmente negra, nas favelas, subúrbios e bairros de baixa renda no estado do RJ e no Brasil como um todo. Cabral e Garotinho não dependem e nem precisam de nossa proteção e defesa. Ambos têm ótimos advogados que saberão fazê-las. É a insurgência contra essa violência bárbara aos desvalidos que deve urgir da não observância dos direitos do indivíduo. A esquerda ou aqueles que se identificam com políticas progressistas devem fazer uso dessa arbitrariedade contra os “figurões” para reforçar a denúncia ao descalabro de barbaridades que sofrem negros, pobres, mulheres, índios, LGBTs e outras minorias a cada segundo nesse país.
mas não serão os “direitos humanos” que vão fazer isso..essas organizações não passam de fachadas do crime organizado para prover assistência jurídica a bandidos e promover a lavagem de dinheiro do crime…dinheiro que serve entre outras coisas para patrocinar sua causa na mídia.
Na verdade, pelo que entendi, os argumentos dos “acadêmicos de esquerda” (categoria na qual o autor certamente deveria se incluir, por honestidade, e não apontar como se fosse “outro”) criticaram as prisões de Garotinho e Cabral Filho como mais um caso de espetacularização e abuso do uso de prisão provisória numa deturpação do combate à corrupção detonada pelo discurso eleitoral tucano e prolongada pelo partidarismo judicial de Moro e Delagnhol.
No caso do Garotinho foi até mais grave, pois a filmagem da prisão pela Globo teve traços de vingança contra um inimigo político, e logo após a decisão foi revisada e ele foi devolvido ao hospital, onde passou por uma cirurgia de emergência – ou seja, a doença não era fingimento e ele poderia ter morrido na prisão. Sabe a consequência? Transformaria um corrupto num mártir. Seria um tiro no pé.
Também tenho lá minhas dúvidas se realmente foi uma vitória da mobilização popular, ou se, por acaso, não foi mais um pedacinho de circo (já que o pão está ficando mais difícil…) para nos distrair dos problemas reais. Vide as “10 medidas” do Delagnol, que apenas preparam um Estado policialesco para apoiar a imposição do neoliberalismo.
Agora, que Cabral Filho e Garotinho devem ser condenados à prisão, devolução do que roubaram e afastados da política isso para mim é ponto pacífico e não discuto. E não deixa de ser irônico que dois ex-chefes do Estado Policial fluminense caiam agora nas suas garras.
Por fim, muitos dos “acadêmicos de esquerda” que condenaram a espetacularização das prisões também criticaram, com mais veemência e sem “poréns”, o massacre na Cidade de Deus. Esse massacre, por sinal, prova que o punitivismo midiático não ajuda nem um pouquinho os pobres, parece apenas mitigar a crítica à seletividade com a prisão de alguns ex-poderosos. Que devem ser punidos pelo que fizeram é óbvio, porém sou cético que isso traga mudanças. Principalmente quando “investigações” de corrupção começam a se assemelhar às guerras de gangues, nas quais bandidos exterminam-se mutuamente e ainda acertam inocentes no fogo cruzado.
Parabéns pelo texto. Enfim alguem com argumentos lógicos e objetivos contra o absurdo que estão apregoando ao dizerem que quem ganhou foi o Estado policial e bla bla bla. Obrigada !
Erick parabéns não soh por esse artigo mas pelo canal q está mt legal. Pq vcs não fAzem em mais de uma língua? me disponho a ajudar.
li as críticas abaixo da ana e do meu xará. .. achei pertinentes também.
o importante é a gente ir abrindo caminho nesse pântano político juntando um pouco de pragmatismo com um pouco de idealismo e muita luta.
precisamos sim ver o poder simbólico dessas prisões e como isso é absorvido pela política institucional e seu diálogo com as massas, e como iremos nos inserir.
Freixo por exemplo tá só tacando mais lenha nessa fogueira que vem alimentando há anos, faz ele muito bem.
Precisamos também popularizar a questão jurídica, e pra isso acho q faz_se necessaria uma análise de como os próprios equívocos desses processos levarão à famosa pizzaria política, reduzindo o potencial de que investigações sérias tenham o resultado devido, traduzido em vitórias políticas reais, no uso adequado dos recursos publicos e de um aprimoramento institucional.
regozijo? não sei, mas que uma brisa contra a impunidade passou, passou. junto com esse friozinho no hell de Novembro, da pra sentir um pouco menos sufocado apesar de que isso também expresse a lama que é nosso sistema social e apesar dos outros lados da situação como a questão da “segurança”
Apenas mais um texto prá falar mal da “esquerda”, assim bem no abstrato, pq não há nada mais tático no horizonte de lutas que isso e mais um texto que com manobras retóricas visa esconder o regorjizo do sistema penal para alguns casos, elencando como inimigos aqueles que acham que o sistema penal não serve de regorjizo em nenhum caso.
A pessoa – o autor – começa o texto com o “um mês após o catastrófico resultado eleitoral do Rio”, como se a esquerda governasse antes a cidade ou tivesse alguma chance real de ganhar a prefeitura do Rio, como se as condições concretas entre as duas campanhas fossem as mesmas, como se o acúmulo político social fosse nivelado por cima e a esquerda tivesse perdido pelo mero debate de ideias ou erro de táticas…
Aí parte prá fetichização do “povo”, como se houvesse alguma obrigatoriedade de estar ao lado do pensamento hegemônico na massa para ser coerente ou honesto politicamente, ignora que os “acadêmicos punitivistas de direita – e do direito, rs” comemoraram tanto quanto. Até o MBL comemorou.
Isso pq tem muita lógica né dizer o quanto o povo está distanciado da esquerda acadêmica, mas é justamente na bolha do facebook que esses dois mundos se encontram ao ponto da crítica da esquerda acadêmica no facebook ser vista pela massa punitivista e ser a responsável por afastar o povo que comemora no facebook, só que não…
Ou será que essa lógica falaciosa que o autor cria não esconde o próprio incômodo dele provavelmente ter comemorado (mas ele não é esquerda acadêmica não, tais termos com intenção depreciativa é só o outro, pq né, o Intecept é um veículo das massas populares, só que não de novo) e ter visto na sua bolha recheada de esquerda acadêmica críticas pertinentes a todo o processo e a toda espetacularização e assim prá se sentir livre prá comemorar vai lá e tokeniza o povo?
O festival de falácias segue com a afirmação de que a prisão dos governadores são uma marco prá erigir a luta anti punivista. Migoooo, apenas pare. Quem luta nessa seara luta muito antes de vc nascer, fala disso muito antes de existir o facebook, e posta sobre como o punitivismo afeta sobretudo os trabalhadores muito antes do Intercept existir. Não faz da sua miopia histórica uma baliza prá deslegitimar a luta e reflexão alheia no tema. Ele que deve ter acordado pro tema somente a partir dessa semana – partir da intervenção dos acadêmicos de esquerda malas – e acha que se começou a falar sobre isso agora.
Aí a argumentação segue o blá blá blá maniqueísta dos fins justificam os meios, como são dois malvadões responsáveis por explorar e oprimir a classe trabalhadora é justo e válido que eles se fodam a qualquer custo e com qualquer método. Mesmo que isso não sirva em nada prá emancipar a classe que continua se fudendo nas mãos de outros governantes e empresários malvadões. Mesmo que dos 200 e tantos milhões roubados por Cabral, só 10 tenham sido bloqueados até então na conta da sua esposa (nem 5%). Isso é vitória ou vingança?
Depois cria factóides: foram as manifestações que fizeram o Cabral ser preso, pq né a revolução vem em suaves prestações e foram elas que fizeram o Cabral ter renunciado mesmo ele tendo anunciado que faria isso muito antes da eclosão de Junho de 2013 para dar chance ao Pezão prá se projetar. Factóide pior é considerar o instrumento da prisão, que é controlado pela burguesia, nesse caso usado contra parcelas dessa mesma burguesia que já estavam no ostracismo e não mais serviam à reprodução do capital como outrora, uma derrota política do Cabral e vitória do povo.
A única concordância que achei com o texto é que obviamente Cabral, como nenhum preso do colarinho branco nunca o é, está sendo tratado como os presos comuns do dia a dia o são, mas também não vi ninguém falando isso e ninguém dizendo que ele por ser branco, rico, nível superior, ex governador, não teria privilégios. Aí ele segue repetindo o que todo defensor dos direitos humanos diz e repete, não há o que criticar, fala de casos que – não conheço a trajetória de luta em DH do autor, mas infiro que esteja se oportunizando, e fazendo um chamado deveras arrogante prá que se defenda as vítimas da CDD, o Amarildo e sua família ou da travesti Verônica, quando quem sempre está na linha de frente das defesas dessas pessoas e denúncias desses casos são justamente essas pessoas que criticam desde sempre e em TODOS OS CASOS a banalização do instrumento das prisões provisórias e preventivas e termina fazendo coro ao mais coxinha dos discursos ao dizer que “Garotinho definitivamente não precisam de nossa proteção. Este, aliás, já conquistou o direito de ir pra casa. A ver quanto tempo aquele ainda ficará preso.” Ou seja, foda-se o que preconiza o CPP, deveria apodrecer na cadeia aquele imundo e deveria ter uma reforma prá retirar todas as prerrogativas do réu, o Brasil tem muito recurso e muita impunidade… só que não!
Cara você tem toda a razão. Parece que o autor e parte dos que curtiram isso levaram a serio uma ironia que vi em uma peça que dizia: “Ainda bem que as autoridades também estão com a m*rda até o pescoço, assim podemos todos andar de cabeça erguida”. Das fontes que li que criticaram o ato, são pessoas que criticam sim (ao contrario do que o autor diz) os abusos que são cometidos contras pessoas pobres, já que acreditam que o mundo não vai ser melhor trazendo os problemas contra os baixo para os de cima. E o que o autor propõe é de um populismo rasteiro, como se adotar o senso comum fosse resolver os problemas.
Sinceramente o pior artigo da pagina!
Porra Glenn, dá próxima vez chama o Bruno Mattos, enorme referência na luta pelos direitos humanos no Brasil, herdeiro da Casa do Lugar de Fala dos Oprimidos, detentor da verdade absoluta como ele demonstra nesse artigo regorjizante (sic) escrito nos comentários só que não.
O afastamento da esquerda com o povo não é o afastamento dos valores progressistas que o douto comentarista e ana s. colocam, mas sim a crise de representatividade de classe, que é global. Aqui se manifesta pela traição do PT e com a incapacidade que a nova esquerda tem de mobilizar os trabalhadores e servir de referência classista como o PT já foi um dia. Ninguém é louco de defender que a esquerda tem que fazer coro com discurso medieval só pq é o discurso hegemônico, a tia da interpretação de texto fica chateada com isso.
O diferenciado comentarista continua com sua aula deslegitimando qualquer opinião sobre direitos humanos que não venha dos fundadores do debate no Brasil. A tia fica ainda mais chateada quando ele reincide achando que o texto afirma que o pessoal dos direitos humanos não fala sobre os negros e pobres.
Em seguida fala que o texto diz que “como são dois malvadões responsáveis por explorar e oprimir a classe trabalhadora é justo e válido que eles se fodam a qualquer custo e com qualquer método” só que eu e a tia adoraríamos que ele apontasse pra gente onde ele achou essas palavras – provavelmente nas entrelinhas cheias de certezas da sua própria cabeça.
Brunão, o Cabral DESAPARECEU depois que renunciou. Sumiu. Deu entrevista em 2013 pedindo por favor pro pessoal sair da frente da casa dele que já tava ficando chatão pra família. Diante da impopularidade gigantesca, até o PT saiu do barco na época, o cara se isolou politicamente e teve que antecipar a renúncia e nunca mais tinha sido visto até semana passada. Você acha que a prisão dele foi decidida numa esfera política desconectada do que aconteceu nas ruas? A luta levou ele ao isolamento político, fatal em tempos de delação premiada e lava-jato. Não reconhecer esse processo como uma vitória da esquerda – pior, chamar de factoide – revela a total incompreensão de como a luta nas ruas ainda é capaz de mudar a sociedade e deve servir de estratégia básica da esquerda.
O iluminado finaliza seu comentextão nessa atrocidade de último parágrafo só pra deixar bem claro que ele é bem arrogante, não conhece mas tem convicção do oportunismo do autor e nos brinda com sua brilhante interpretação da última frase do texto só pra deixar bem claro que leu tudo e não entendeu porra nenhuma.
Coitada da tia.
Bruno Mattos,
Você foi direto aos pontos nevrálgicos e desconstruiu, com muita competência, toda a falaciosa argumentação do autor. Apenas discordo do uso exagerado de palavrões. Sds.
Direitos humanos ou evitar mais estragos no circo de poder dos anos recentes, outras prisões de mágicos, palhaços… do pt?
O povo não quer lutar, muitas sopas desprovidas de esclarecimentos. A felicidade do povo é o do grupo globo.
VOCE EXAGEROU NA OPNIAO, NAO SOU A FAVOR DE OLHO POR OLHO E DENTE POR DENTE. MAS ESTES JOVENS QUE MORRERAM ESTAVAM ENVOLVIDOS NO TRAFICO, E SEGUNDO A POLICIA QUANDO ELES CHEGARAM LA JA HAVIA UMA GUERRA NO LOCAL ENTRE A MILICIA E TRAFICANTES LOCAIS . VOCE MISTUROU UM MONTE DE NOTICIA E DISTORCEU A INFORMACAO, E SEGUNDO O AUDIO DE UM VAGABUNDO DA AREA , A NAVE FOI ABATIDA POR ELES QUE VIBRARAM COM A QUEDA DIZENDO, DERRUBAMOS O HELECOPTERO…. FELIZ POR ISSO.
Parabéns pela analise profunda, essa nossa esquerda não vai realmente aprender a fazer valer a voz que emerge das ruas, do grito engasgado na garganta de um brasil pisado por essa elite branca e higienista, vamos sim repudiar o espetáculo midiático feito após essas prisões mas ficar gralhando dessa forma também, e de doer.
A incapacidade da esquerda de faturar politicamente certas questões nada tem a ver com seus protestos legítimos contra prisões arbitrárias e ilegais, ainda que muito mais gentis e civilizadas do que as que atingem a maioria preta e pobre. No dia em que a esquerda entender que é muito melhor eleitoralmente aplaudir o arbítrio já terá passado da hora de se bandear pra direita ou mesmo fundar um partido nazista.
Tava lendo a matéria do Guardian que Greenwald linkou sobre a forma como a direita francesa está ganhando eleitores que tradicionalmente votavam na esquerda. Uma das táticas usadas para isso: como são contra os muçulmanos, cuja perseguição a esquerda condena, colocam-se como campeões da luta contra a homofobia, a misoginia e o anti-semitismo, que atribuem ao Islã. Gays, mulheres e judeus embarcam. Bacana, né? Pela lógica do artigo acima, seria melhor a esquerda francesa aderir à islamofobia pra ficar bem na foto e ganhar uns votinhos.
Exatamente Ana. Para estar ao lado das massas brasileiras deveríamos também defender que “bandido bom é bandido morto”, que “mulher na rua de noite, no baile funk e com roupa curta tá pedindo prá ser estuprada”, que o porte de arma deveria ser liberado, pois o bandido não entrega sua arma, que o problema da democracia brasileira é o números de partidos políticos e por isso deve-se aprovar uma cláusula de barreira eliminando 2/3 deles e assim eliminando as únicas oposições reais que existem e uma série de outras falácias do senso comum e do sentimento das massas. Oportunismo puro essa lógica de devemos concordar com o senso comum da massa se não somos derrotados eleitoralmente. Se for prá concordar com o senso comum das massas a gente não constrói esquerda, prá isso tem os partidos hegemônicos da burguesia.
Ótima análise. Soa oportunismo criticar as prisões de ex-governadores, que têm acesso aos melhores advogados, e ignorar os 41% da nossa população carcerária que sequer teve a audiência com o juiz e que portanto bastaria um mero habeas corpus (que poderia ser impetrado por qualquer cidadão, desde que com o devido conhecimento) mas que a fila das defensorias públicas são longuíssimas.
O oportunismo a que me refiro é criticar oportunamente o judiciário por essas práticas contra os ricos, quando há séculos as arbitrariedades muito piores contra presos pobres são esquecidas nas cadeias e presídios e que, muito bem lembrado pelo autor, às vezes pode-se dizer que um suspeito pobre e negro ser preso, ainda que arbitraria e injustamente, possa ser considerado um privilégio. Muitos deles acabam executados pela polícia.
Parabéns Erick Dau.
É rídicula e falaciosa essa afirmação, pois o debate sobre o punitivismo estatal seletivo e a luta do abolicionismo penal não começou ontem e muito menos com a prisão do ex governadores e quem mais fala das fucking prisões preventivas e provisórias de 41% da população carcerária são os abolicionistas, os minimalistas, os garantistas penais. Esse artigo que é de um oportunismo do início ao fim. Miopia sua Gustavo e do Dau
A classificação de ridícula deixarei por sua conta, pois é uma opinião qualquer. Mas sobre ser falaciosa solicito que aponte e classifique a falácia que incorri.
Obrigado
Cristalino texto!
Bizarro seu texto Eric Dau.
Devemos deixar de defender o Estado democrático e de direito porque supostamente não vai agradar a população?
E ainda que defender que essa posição é de quem se importa com preto e favelado? Como se as pessoas que estão lutando contra o avanço do Estado policial e o autoritarismo não fossem exatamente as mesmas pessoas que estão desde sempre na linha de frente contra o que a polícia e o poder judiciário fazem nas favelas com as camadas oprimidas?
Está me dizendo que devemos tolerar o avanço de mecanismos autoritários e de um projeto autoritário, que está trucidando as garantias constitucionais e que está umbilicalmente ligado com o avanço do conservadorismo, só porque os alvos do momentos são pessoas que são detestáveis e que nos contrapomos politicamente?
Vivi pra ver a esquerda ser seduzida pelo ovo da serpente do autoritarismo penal e do estado policialesmo. Lamentável.
ps: ainda por cima dizendo que quem se contrapõe a isso é quem não entende porque Crivela venceu a eleição, quando são exatamente vocês amolfadinhas psolistas da zona sul que acusam os evangélicos de fundamentalistas e não tem a mínima proximidade e entendimento com as camadas populares, sua consciências e seus projetos.
Sua crítica tava super pertinente até o seu PS. Não sei se o autor é psolista, acho que não inclusive, mas no PSOL esse artigo encontra muita crítica a essa argumentação falaciosa que ele desenvolveu, tokenizando o sentimento das massas e fingindo que o debate abolicionista e garantista penal surgiram ontem ou essa semana com a prisão dos ex governadores, além da arrogância de querer fazer chamado prá defender os pobres que têm seus direitos suprimidos cotidianamente pelo sistema penal que é só o que essas pessoas fazem cotidianamente. Nem o PSOL é formado apenas por pessoas da zona sul, ao contrário a cada ano cresce exponencialmente nas periferias da cidade. E invisibilizar todas essas pessoas que não são da zona sul e que constroem o PSOL é mais uma violência contra elas. Nem são apenas os psolistas que acusam os evangélicos de fundamentalistas, quem é sério e responsável nas suas militâncias não generaliza grupo algum, e muito menos todos os psolistas. O artigo é muito ruim e parte final da sua crítica tbm, recorrendo inclusive ao ad hominem, o restante da sua crítica eu concordo totalmente.
Deixa ver se eu entendi: as prisões foram arbitrárias e ilegais, mas o povo ficou feliz, portanto, façamos vista grossa pra não ficar mal na foto. É isso mesmo? Tipo o mesmo oportunismo de Luciana Genro dando “vivas” à Lava Jato? Foi por não denunciarmos o tribunal de exceção presidido por Joaquim Barbosa em 2012 que hoje vivemos num Estado de Exceção de cabo a rabo. Denunciar o massacre na Cidade de Deus é preciso – e acho que os “teóricos da esquerda” estão fazendo essa denúncia. Denunciar as violências contra Cabral e Garotinho, mesmo sendo contra sua atuação, também é. O resto é oportunismo barato que só pode nos enfiar ainda mais nesse buraco sem fundo a que o golpe nos tem conduzido.
Como eu gostaria de ter morrido antes e 2016!
É isso mesmo Ana, estranho artigo do theintecept, ficou em cima do muro. Direitos humano independe se o cara é negro ou branco, favelado ou não, mendigo ou político. Independente do merecimento que me parece é bem claro. Não se deve tripudiar com a dignidade das pessoas, principalmente sabendo-se que a globosa tem motivos para tratar Garotinho como fez.
Caro Erick,
respeito sua argumentação, mas você está equivocado em todas as questões fundamentais. Para começar, ninguém falou em vítima: ninguém precisa ser uma vítima, nos mais diversos sentidos do termo, para que sua prisão seja objeto de embates centrais em torno do Estado democrático de direito, da correlação de força e dos rumos do país.
Em segundo lugar, não é verdade que as pessoas que apontaram essas questões em torno da prisão do Garotinho, por exemplo, ignorem o que se passa com pobres e favelados. Pelo contrário, em geral são exatamente as mesmas pessoas que estão na linha de frente do debate e da luta contra o que acontece com pobres e favelados, bem como dos mecanismos jurídicos que estão envolvidos nessa barbárie com essas camadas oprimidas.
Em terceiro lugar, não trata-se das mesmas pessoas que não entenderam a vitória do Crivela. Pelo contrário, quem fica acusando evangélicos de fundamentalista e não entendem o que levou o Crivela à vitória é exatamente a mesma esquerda zona sul que fica aplaudindo o avanço do estado de exceção na prisão de Garotinho e afins (pessoas, sem querer ofender, que se encaixam no seu perfil).
Por fim, não existe momento bom ou ruim para defender o estado democrático e de direito. Pelo contrário, a democracia é testada justamente nesses momentos difíceis e onde o populismo penal e o autoritarismo avança e consegue aplausos até de quem se diz de esquerda e politizado.