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(este texto contém atualizações)
Paisagem bucólica, campos verdejantes, clima agradável. A combinação seria perfeita para degustar um café e descansar em uma fazenda no Vale do Paraíba fluminense, não tivesse corrido ali tanto sangue. A região, enriquecida pela exploração de trabalho escravo nas fazendas cafeeiras, era conhecida também pela peculiar brutalidade com que os escravizados eram tratados. Hoje a economia na região ganhou um novo fôlego: está no mapa da cultura do Rio de Janeiro* explorando um turismo que naturaliza o racismo e a escravidão.
Se você desejar ser servido por uma pessoa negra vestida como escrava em pleno 2016, você pode visitar, por exemplo, na Fazenda Santa Eufrásia, em Vassouras, única fazenda particular tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio de Janeiro (Iphan-RJ) no Vale do Café, construída por volta do ano de 1830. A partir de 1895, sete anos após a abolição da escravatura, a propriedade teve diversos donos até ser adquirida pelo Coronel Horácio José de Lemos, cujos descendentes são até hoje proprietários da fazenda. Os planos de restauração foram aprovados em 2013 e, atualmente, a fazenda recebe visitas diárias com agendamento.
Se você desejar ser servido por uma pessoa negra vestida como uma escrava, você pode se hospedar na Fazenda Santa Eufrásia, em Vassouras, a 111 km do centro do Rio.
Foto: Igor Alecsander
Quando viajam para a Europa e visitam lugares como o Museu do Holocausto em Berlim, ou até mesmo em Curitiba, turistas se compadecem da dor sofrida pelo povo judeu, escravizado e exterminado pelos nazistas. Mas raramente fazem algum paralelo com os horrores da escravidão dos africanos. Choram, passam mal, postam indignação nas redes sociais e depois são capazes de passar um fim de semana ouvindo um sarau numa fazenda como essa, sendo servidos por pessoas vestidas de escravas e ciceroneados por sinhás, para fazer uma “volta ao passado”, sem nenhum senso crítico sobre a questão. E isso acontece porque o amanhã é priorizado em detrimento do ontem, como aconteceu no centro da capital fluminense com a construção do genérico Museu do Amanhã, erguido onde foi o ponto de chegada do maior contingente de negros e negras feitos escravos da história da humanidade. Os governos têm optado sistematicamente por enterrar essa parte da história.
“Racismo? Por causa de quê? Por que eu me visto de sinhá e tenho mucamas que se vestem de mucamas? Que isso! Não! Não faço nada racista aqui!”
“Geralmente eu tenho uma mucama, mas ela fugiu. Ela foi pro mato. Já mandei o capitão do mato atrás dela, mas ela não voltou (…) Quando eu quero pegar um vestido, eu digo: ‘duas mucamas, por favor!’. Porque ninguém alcança lá em cima.” Parece 1880, mas a frase é dita por Elizabeth Dolson, uma das bisnetas do coronel Lemos e proprietária da Fazenda Santa Eufrásia, ao receber turistas em suas terras, como pode ser visto nesse vídeo, onde ela se apresenta como se fosse uma sinhá. As visitas ainda são guiadas por ela, vestida com roupas de época, acompanhada de mulheres negras vestidas como escravas, servindo quem se disponha a pagar entre R$ 45 e R$ 65 pelo serviço.
Elizabeth Dolson, herdeira da Fazenda Santa Eufrásia, que teve a ideia de se vestir de Sinhá para atrair turistas
Foto: Igor Alecsander
Elizabeth viveu em Chicago (EUA) por 23 anos, onde trabalhava com turismo, e diz ter trazido de lá a ideia de encenar a escravidão, desconsiderando todo o debate sobre escravidão e raça feito nos EUA e Brasil. “Racismo? Por causa de quê? Por que eu me visto de sinhá e tenho mucamas que se vestem de mucamas? Que isso! Não! Não faço nada racista aqui. Qual é o problema de ter… não!”, respondeu, desconcertada, ao ser questionada sobre o racismo de seu teatro.
A sinhá tem um empregado que se veste de mucamo e contrata – de acordo com a demanda – mulheres para se vestirem de mucamas. “É um empregado, que mora aqui, que me ajuda, que se veste de mucamo também. Mas ele é branquinho! Então, a cor não tem nada a ver. Eu sou mais morena que esse empregado”, justifica.
Essa postura não é vista como um problema. Em portais com dicas de turismo é possível ver elogios como: “D. Elisabeth nos recebe com gentileza, com trajes da época e nos conta a bela história da fazenda e de sua família”.
Para o historiador Luiz Antônio Simas, colégios e universidades ensinam a pensar exclusivamente com a cabeça do ocidente. “A escola brasileira é reprodutora de valores discriminatórios e inimiga radical da transgressão necessária. Não adianta a adoção de cotas para negros e índios se o ambiente escolar continuar reproduzindo apenas uma visão de mundo branca, cristã, européia, fundamentada em conceitos pré-concebidos de civilização que negam os saberes ancestrais e as invenções de mundo afro-ameríndias”, diz.
Ou seja, os negros em Valença — assim como no resto do país — trabalharam muito, deram o sangue — literalmente — mas não conseguiram se mover na pirâmide social. Por outro lado, os donos de fazendas — que já não pagaram por trabalho — são indenizados quando suas terras são reconhecidas como terras quilombolas, aquelas onde pessoas escravizadas e seus descentes encontravam refúgio e resistiam contra a escravidão.
É caso do Quilombo São José da Serra, em Valença. “Hoje é um dia muito importante, porque hoje nós vamos ter uma vitória, que a gente já vinha atrás dela não é de hoje.” O hoje, dito por Tio Mané, foi em abril de 2015. “Sou nascido e criado aqui. Tô com 95 anos, mas nascido aqui mesmo.” Tio Mané nasceu livre, 12 anos após a abolição, na terra onde sua mãe foi escravizada e onde hoje cria filhos, netos e bisnetos. No quilombo vivem aproximadamente 200 negros, que são a sétima geração desde os primeiros africanos feitos escravos comprados para trabalhar nas lavouras de café da fazenda de mesmo nome, São José.
Há pouco mais de um ano a Justiça reconheceu a área de 159 hectares como terra quilombola. Os proprietários foram indenizados em R$ 569 mil pela área. Escravizados renderam ganho duplo: foram forçados a trabalhar por anos e, agora, rendendo indenização na terra onde foram explorados.
“Somos todos iguais.” “Sou neto de imigrantes e meus pais trabalharam muito para chegarem onde chegaram.” Não é raro se deparar com questionamentos como estes na tentativa de colocar em xeque políticas públicas de reparação – tais como a concessão de títulos de terras a descendentes de pessoas escravizadas e cotas – fazendo a comparação de que “meu pai chegou aqui sem nada e prosperou”.
Mas não é bem assim. O Brasil incentivou a vinda estrangeiros brancos por meio de políticas públicas, com o intuito cristalino de embranquecer a população, já que a negritude era vista como um problema a ser enfrentado.
Ainda na Primeira República, o Decreto nº 528, de 28 de junho de 1890, sujeitava à autorização especial do Congresso a entrada de pessoas vindas da Ásia e da África. O intuito de clarear a população foi reiterado ao longo dos anos. Projeto de lei, em 1921 deliberava que “fica proibida no Brasil a imigração de indivíduos humanos das raças de cor preta”. Dois anos depois, foi apresentado projeto que dizia: “É proibida a entrada de colonos da raça preta no Brasil e, quanto ao amarelo, será ela permitida, anualmente, em número correspondente a 5% dos indivíduos existentes no país”. Anos mais tarde, o Decreto-lei nº 7.967/1945, sobre a política imigratória do Brasil, estabelecia que o ingresso de imigrantes no país deveria se dar observando “a necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia”.
Através da imigração subvencionada, famílias brancas inteiras ganhavam passagens pagas pelo governo para emigrarem para o Brasil. Já os fazendeiros arcavam com os gastos do colono durante o seu primeiro ano de vida no país. Além disso, os colonos receberiam um salário fixo anual e mais um salário de acordo com o volume da colheita, fixado por alqueire de café produzido. Ou seja, não era só se esforçar.
Com a entrada de imigrantes, parlamentares vislumbraram a esperança de um Brasil mais branco. Congressistas começaram a articular mudanças na Constituição de 1934, com medidas que demonstrassem o que a sociedade branca e alfabetizada idealizava para a educação no Brasil, promovendo a eugenia no país.
A mesma Constituição que estabeleceu a garantia de ensino primário e sua gratuidade em todo o estado nacional brasileiro, também estabelecia, em seu artigo. 138: “estimular a educação eugênica”, ou seja, o governo estava apostando no “aperfeiçoamento da espécie humana“, através de cruzamento entre os “bem dotados biologicamente” e também o desenvolvimento de programas educacionais para a reprodução consciente de “casais saudáveis”, o cerne do nazismo. O artigo 138, estabelecia então que os mulatos, negros ou deficientes (de qualquer nível) eram limitados perante a educação, e que ações de ordem social, filantrópica ou educativas seriam apenas paliativas e não resolveriam o problema da raça.
Esse documento durou poucos anos, mas a mentalidade persistiu. Anos mais tarde, o Decreto-lei nº 7.967/1945, sobre a política imigratória do Brasil, estabelecia que o ingresso de imigrantes no país deveria se dar observando “a necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia”.
Atualmente, temos uma lei que define o crime de racismo e outra que define injúria racial, que tem penas mais brandas e é mais comumente aplicada. A aplicação eufemística da lei é mais um exemplo de como o Brasil continua a negar a existência do racismo.
Como bem disse Joaquim Nabuco: “Não basta acabar com a escravidão. É preciso destruir sua obra”. Mal acabamos com um, e estamos longe de acabar com o outro.
*ATUALIZAÇÃO:
Após a publicação do texto, a Diadorim Ideia, empresa de comunicação estratégica que idealizou o mapa da Cultura do Rio em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, entrou em contato com o The Intercept Brasil informando que a Fazenda Santa Eufrásia foi retirada do Mapa. A empresa informou que a decisão foi tomada porque o “verbete [da Fazenda] está sendo associado a práticas das quais discordamos com veemência”.
Achei meio exagerado o tom. O ideal seria q na região houvesse empregos e q as pessoas pretas tivessem a opção de participar da representação ou não! Aliás essa roupa parece até com a indumentária de frequentador de Umbanda. Esse caso me faz lembrar um caso ocorrido em BHte em q um posto contratou frentistas de biquíni (coisa comum na Argentina e até nos EUA) pagando cerca de 300 qdo o salário era de uns 100. Houve a grita feminista, especialmente de uma certa deputada e acho q o posto foi até fechado. E as moças ficaram sem o salário. A solução da questão precisa ser um obstinado empenho em melhorar a educação e o crescimento econômico (bastou um crescimentozinho na era Lula e começaram a faltar empregadas domésticas pois melhores opções surgiram). Vergonha é ter um contingente de pessoas q só podem se candidatar a um emprego de doméstica. Um ofício digno mas cuja rotina nunca tem fim, nem existe possibilidade de promoção, é um fim em si mesmo! Feio é gente q nem rica é q exige dentro da sua casa, dentro do seu mundinho q uma doméstica vista roupas iguais as de copeira de novela.
Desde q não exista nada além do relatado não vejo nada demais, mas se quer ver coisa bem cabeluda é só procurar em vários lares de classe média que são muitos mais do q a fazenda da dona em questão!
mais foco por favor pessoal..infinitamente mais grave por exemplo é o site de intercambio de acomodações airBNB exigir retratinho no perfil…todos devem ser capazes de imaginar pra que serve essa foto não é?
Tutameia, tudo é foco. E tudo é grave. A gente que milita seja pela causa negra, pela de direitos humanos, mulheres, LGBT, etc, tem que parar com a mania de achar que temos que encontrar o recorte do recorte perfeito, a maior das atrocidades cometida pelo maior dos facínoras para, aí sim, nos posicionar. Aí sim achar a “pauta válida”para luta. Isso é bobagem, divide a luta e não agrega em nada.
É close errado tentar deslegitimar a luta e o espaço de fala dxs outrxs, como assunto “menor”. Só serve para atrapalhar o rolê.
É super importante lutar contra uma Fazenda de Turismo Escravocrata BIZARRA como a Santa Efigênia e processar a insana da Elizabeth Dolson. É importante paca. Ponto. E também é importante lutar contra a AirBNB exigir foto no perfil, sim, com motivos racistas certamente. Uma coisa não deslegitima a outra, colega.
Gente, tô pasmaaa!!! Nunca pensei que um dia eu iria ver uma coisa dessas em pleno 2016: a EXTREMA GLAMOURIZAÇÃO DA ESCRAVIDÃO!!
Mais chocada ainda com o grande número de comentários defendendo este absurdo com a desculpa de “mostrar o passado para que não se repita”.
Será que mostrar um absurdo como foi a escravidão de forma glamourizada vai contribuir para que este episódio horrivel não seja esquecido e evitar “colocar a história em baixo do tapete”? Sinceramente, a única coisa que isso gera é a naturalização do racismo.
Nossa, tô pasma… pra onde este mundo está indo? Tantas coisas conquistadas com sangue, sofrimento e muita luta travadas por décadas e décadas e ver que estamos regredindo tanto em tão pouco tempo! Triste isso..
Ao meu ver essa dita empresária está fazendo uma tremenda apologia à massacrante escravidão que sofremos no passado, e continuamos sofrendo . Isso é relembrar um verdadeiro holocausto. Onde estão os ditos representantes da justiça para frear essa aberração ?
O probleminha aí nessa fazenda “escravagista” é que a escravidão é “encenada” sem qualquer problematização, como algo “natural”, tipo “seja você mesmo um senhor de escravos, veja como era bom”. Bem diferente de uma “peça teatral”, onde o assunto é geralmente abordado sob o aspecto crítico.
Relembrar os fatos da escravatura não é uma coisa agradável, mas, por outro lado, lembra-los faz com que não sejam esquecidos para que não se repitam. Evidentemente que gostaríamos que a escravidão não tivesse existido. É uma página vergonhosa na história mundial. Mas existiu e temos que lidar com isso. Colocar a história em baixo do tapete não é apenas uma infantilidade, é uma burrice porque não nos permitirá aprender com os erros do passado.
O que preocupa é o radicalismo dos grupos que promovem às claras a invasão da propriedade, conforme se pode observar no Facebook. Estão tomando ao pé da letra a frase de Joaquim Nabuco citada no texto, de que é preciso destruir a obra da escravidão no seu sentido físico, ou seja a sede da fazenda. Isso sim é um crime.
Agradeço à matéria do Intercept que forçou as organizações do mapa da cultura a retirar a fazenda do roteiro. Pelo amor de deus… como está cada vez mais intolerável esse país.
Com esse golpe, ressurgiu das entranhas dessa terra, o que temos de pior! Sinto meu estômago revirar ao ver isso! Vergonha de fazer parte desse território!
Cecília obrigada pela sua matéria fundamental. Trabalho de jornalismo lindo! Leio e releio a reportagem sentindo cada vez mais náusea e fico pasma: ABSURDO DEMAIS. Incrível a carga de racismo na fala dessa Elizabeth, certamente uma mulher louca. É doentio esse passeio turístico, esse entretenimento em cima da crueldade.
Ela mostra um instrumento de tortura sorrindo doentiamente e o cita como “presente”, visivelmente orgulhosa. Mulherzinha ridícula e do mal!
Isso sem falar no “ato falho” em que ela diz que ia mandar o capitão do mato matar a mucama que havia fugido e corrige com desfaçatez para “buscar”. O que mostra claramente que ela sabe que é racista e sabe o quão criminoso é o que ela está fazendo.
Encaminhei denúncia-crime dessa fazenda e da proprietária ao ministério público, com a reportagem anexada. E mandei cópia da denúncia para todas as entidades de defesa da cultura negra e de combate ao racismo. Espero que a sinhá-Elizabeth seja condenada à prisão! Cadeia é o mínimo para essa infeliz!
É uma encenação, um teatro ao ar livre e no interior da sede da fazenda!!! Você acha que a senhora em questão é sinhá 24hs por dia? Acorde minha filha, a escravidão existiu, queira você ou não. Vivemos numa democracia onde espetáculos não podem ser censurados. Embase melhor seus argumentos ou você acha que as atrizes travestidas de mucamas foram forçadas a desempenhar o papel sem remuneração ou deveriam ser louras de olhos azuis para não ferir suscetibilidades?
Vander, pra fazer bonito, já que nada disso é racismo e você certamente não é um tarado deplorável tentando legitimar o racismo escancarado como entretenimento, a gente pode fazer o seguinte:
A Senhora Elizabeth, você e todos os que defendem esse absurdo, essa nojeira, poderiam fazer a encenação “Um Dia de Escravo” na Fazenda Santa Efigênia. Seria assim: Você pagaria entre R$35 e R$65 para ser escravizado, humilhado, chamado de crioulo, de fedido, servisse a mesa e limpasse privada de pessoas negras muito bem-vestidas e arrumadas, ficasse no pelourinho castigado e conhecesse de perto, o outro lado dos instrumentos de tortura apresentados por ela orgulhosamente como um presente, dentre outras atividades gostosas, num cenário bucólico de teatro ao ar livre. Mas tudo encenação, é entretenimento para as pessoas negras que pagam o passeio, fique tranquilo. Só para se conhecer de perto o que houve na escravidão e se divertir.
Topa, gatinho? Aí depois a gente conversa mais.
Cara Cristina, você é focada em apenas um ponto, inclusive parte do princípio de que sou branco, apenas porque defendo o direito de expressão e por ter dito que espetáculos não podem ser censurados por vivermos numa democracia!
Isso que você propõe, o tal “Um dia de Escravo”, sim é crime , pois humilhar e promover castigos físicos a qualquer cidadão, independente de credo ou raça é inconstitucional. Aliás o que existe neste planeta é a raça humana… Pense nisso e não deixe o ódio racial invadir seu coração e, caso seja uma militante da causa, o faça de modo mais consciente analisando o contexto dos fatos. Boa sorte!
Olha quantas ordens o aspirante a sinhozinho 2.0 faz: Pense, faça de modo consciente, não deixe…rsrrsrs. De chorar de rir.
Quanto a você com esse papinho manjado, mais antigo do que andar pra frente e sentar de cócoras, de que “Só existe a raça humana” transferindo a culpa do racismo para a vítima que sofre e luta contra a perpetuação dos maus tratos, e diz que “parto do pressuposto que você é branco”, meu bem, primeiro lugar: só demonstra o seu despreparo sobre o tema e escancara que não tem a menor condição de discutir racismo comigo nem com ninguém. Então, só existem duas hipóteses pra você: Ou você é um branco racista que não aceita perder um milímetro dos seus privilégios e para isso tenta calar o espaço de fala das próprias vitimas de racismo. Ou o mais digno de pena… você é um “negro da casa”, fenômeno mais do que estudado, onde o negro assume o discurso racista do opressor desesperado em busca de aprovação. Os dois casos são patéticos. Então eu não tenho um minuto mais a perder com você.
????????????, bom senso, que gente louca!!! As pessoas que lá encenam, o fazem por livre vontade! A senhora está teatralizando a história do nosso país, sim triste história, porém, a nossa história. Muito me admiro com os redatores, especialmente americanos, deplorarem tanto esse teatro, sendo que os EUA, são um dos países mais racistas das Américas, né não, TheIntercept???
Concordo com você, muito incoerente todo este contexto, principalmente estas mobilizações (públicas) para a invasão da fazenda e destruição física da “obra da escravidão”.
Parece que a autora se empolgou com a miltancia e esqueceu a contribuição que a crueza deste teatro, dá para manter a história deste periodo contribuidnod para o fortalecimento do turismo histórico e quem sabe até com segmentações para o turismo etnográfico.
Uma pena mesmo que historiadores e turismólogos não tenham sido ouvidos. No final a materia mostra apenas o desconhecimento da autora do contexto e mesmo das raizes da escravidão negra.
Agora seria interessante ver como o impacto que esta materia e a covardia da Diadorim, vai se refletir em outras iniciativas que têm o ciclo do café e a participação do negro como refer}encias.
Para reflexão: A Escravidão Islamica na África disponível em https://www.youtube.com/watch?v=tE1bjiKc6-c
um contraponto…
vimeo.com/80286244
O filme “O som ao redor” aborda as influências atuais nas relações de poder em sociedade com base escravagista como a nossa história. Vlw a dica :)
Quanta ignorância e besteira quanto a história da imigração no Brasil. Sugiro estudar um pouco a história da escravidão forçada dos colonos por fazendeiros, dos motins que italianos sofreram vários anos e São Paulo… Coluna 100? até o momento que começou a falar besteira da imigração.
Textos como este se utilizam de expedientes questionáveis, a começar pelo título, para incitar a questão racial de modo superficial, como se observa nas legendas das fotos, nas quais utiliza um tom no mínimo capcioso:
“Se você desejar ser servido por uma pessoa negra vestida como uma escrava, você pode se hospedar na Fazenda Santa Eufrásia, em Vassouras, a 111 km do centro do Rio.”
“Escrava” se prepara para servir turistas”
Turistas se divertem em meio a “escravas”
Cabe ressaltar que nunca houve hospedagem na fazenda!
Más intenções ficam patentes também na citação:
“Não basta acabar com a escravidão. É preciso destruir sua obra”, de Joaquim Nabuco – frase memorável no sentido reduzir as desigualdades raciais, principal OBRA da escravidão e tentar igualar oportunidades e garantir o princípio constitucional, e não no sentido de incitar o ódio subliminarmente.
A superficialidade e a idiotização da nossa sociedade estão tão grandes, que não consigo prever as consequências a começar por esta lamentável mobilização de ocupação da fazenda:
https://www.facebook.com/events/1841423309404033/
Caio, concordo com você a respeito da superficialidade da nossa atual sociedade, prova disso são os comentários/argumentos no Facebook, a respeito da mobilização para a invasão da propriedade em questão, tendo por base esta matéria. Realmente o país e, principalmente o estado do Rio de janeiro vão de mal a pior. Preocupante!
Só não entendi o seguinte, pois a matéria insinua, mas não deixa claro: existe alguma representação de violência racial nesta fazenda? As pessoas que trabalham lá são de fato escravizadas, ou simulam ser escravizadas em algum momento? A palavra “escravo” é utilizada para se referir aos funcionários do local?
Se a resposta para as perguntas acima é “não”, então o local não passa de uma fazenda com cenário de época. Qual a diferença entre essa fazenda e qualquer atração de época? Qual a diferença desta fazenda para qualquer hotel onde alguns funcionários são negros?
Pelo que eu entendi, separando os fatos reais das insinuações da jornalista, é apenas uma fazenda com trajes de época. Todos ali são funcionários assalariados e duvido que alguém seja humilhado por sua cor da pele ou açoitado, e duvido que essa prática ou tratamento indevido seja incentivado aos visitantes.
Gente, é apenas um hotel fazenda onde os funcionários contam a história (verdadeira) do local, usando trajes de época. E ainda retiraram toda a violência de cena. Como a proprietária afirma, ela tem funcionários negros e também brancos, mas são funcionários como qualquer mucama, camareira, cozinheira, atendente em qualquer hotel do mundo. Apenas tem um cenário rural e eles resolveram usar trajes de época.
Dizer que este é um empreendimento racista, apenas porque o local é tão antigo que existe desde o tempo da escravatura, é forçar muito a barra. Não há nenhum racismo sendo reproduzido ali. Para sua informação, ter funcionários negros em um hotel não é racismo! Racismo é discriminar ou violentar uma pessoa apenas por sua cor de pele. Me parece que não é isso que acontece ali.
Matéria enviezada demais.
O problema, Rafael, é o que a administração da fazenda NÃO faz.
Eles “revivem” a história sem uma postura crítica. A partir do momento em que a Dona Elizabeth assume a postura de “sinhá” sem fazer qualquer levantamento crítica sobre estilo de vida que essa pessoas levavam às custas dos escravos, e das condições degradantes em que viviam estes, ela está assumindo uma postura de perpetuação do racismo.
Seria muito diferente e completamente válido se a representação assumisse uma postura crítica, por exemplo, mostrando não só como era maravilhosa a vida de sinhá, mas qual era o custo em vidas humanas disso, quantos escravos viviam lá, as condições em que eles viviam, as punições que sofriam e se houvesse uma retratação dessa senhora pelos seus antepassados e uma tentativa de compensar os danos que causaram aos seus escrevos.
Olha a miopia amigo….por favor
11 milhões de homens e mulheres de reinos, impérios e cidades-estados africanos feitos trabalhadores forçados a mando dos brancos, quase metade tendo o Brasil como destino, ao longo de 350 anos no maior deslocamento forçado mais violento do mundo, mereceria ter um memorial em homenagem às milhões de vítimas da escravidão e não relembrar com orgulho a qualidade de vida dos escravizadores proporcionados por sangue, suor e lágrimas.
Um tempo atrás assisti a uma reportagem europeia comparando afro-descendentes nos EUA e no Brasil. Os afro-descendentes nos EUA falavam que no Brasil havia uma grande hipocrisia porque as pessoas diziam que “não tem preconceito”, mas tem. Eles diziam que os negros brasileiros achavam que faziam parte da sociedade, mas acabavam vivendo de uma forma estranha, como um apêndice que poderia ser cortado, sem serem ouvidos. A reportagem mostrava uma cena de uma negra andando na praia abraçada a um homem loiro e as pessoas sem prestar atenção à cena. E eles diziam: “não se incomodam tanto desde que os papeis sejam mantidos”. Esse sentimento de “boi-manso” que os negros americanos falavam que os brasileiros têm é uma das coisas que mais faz difícil para toda a classe de baixa renda chamar respeito para si. E parece que é isso que estamos vendo hoje em dia no Brasil, quando toda uma classe de baixa renda é cortada das decisões nacionais, ou seja, grande parte do país. Enquanto os negros não se unirem, pedindo respeito para si, não haverá conversa igualitária e nem país de primeiro mundo.
A cara de boa parte da oligarquia nacional; escravocrata, racista e ignorante. Vergonha alheia total.
Fico imaginando a narrativa desta visita… Chocada com os envolvidos… Lamentável e vergonhoso!
Cecilia, obrigada por seu texto.
Se eu, que tenho a pele clara, me sinto horrorizado com isso, quem dirá as pessoas de pele escura.
deixe informar ao distinto publico um fato da vida essencial que todos sabem mas quase ninguém admite: TODAS as pessoas que já pisaram sobre a terra SÃO racistas….quem diz que não é racista e mentiroso.
O conteúdo da reportagem, um tanto carregada nas tintas, me faz crer o quanto ainda é penoso falar sobre o assunto escravidão no país. Melhor é não vermos, melhor não sabermos e adotarmos a política de Rui Barbosa, destruir todos os registros que comprovem que um dia a exploração humana foi levada às últimas consequências. Vejo os comentários aqui falando de racismo, etc, mas enquanto adotarmos essa postura “vitimista” do negro, estamos decretando a ele a alienação na condição de escravos novos, sejam eles brancos ou pretos como menciona Gil e Caetano. Queima-se pessoas, opiniões tudo em prol desse discurso do “preconceito”, mas qual atitude de fato se toma no cotidiano para abrandar essas sensações vivenciadas não somente pelo negro, mas pelos pobres, pelos índios que são mais marginalizados inclusive por muitos que estão com esse estandarte na mão. Não dizer bom dia à faxineira, ao porteiro, ao cobrador, ao motorista e tantos outros que estão em posição segundo nossa ótica miscigenada de “inferior”, é reproduzir incessantemente e inconscientemente a mesma escravidão acima mencionada e mais ainda perpetuar esse modelo. Seria bem instrutivo se soubéssemos ver com outros olhos, os olhos de um exemplo a não ser seguido, mas para que isso aconteça temos que conhecer, estudar, esmiuçar a fundo, sendo que nem dados concretos temos pois, Rui Barbosa no seu afã cego de “libertação e vergonha”, não deixou legados para nos conhecermos. Se você não conhece seu passado a fundo, não saberá construir o futuro. Talvez seja por esse motivo que ainda os negros ganhem pouco, também estudem pouco e tenham acesso à sociedade somente por meio de cotas, já que a base da sociedade brasileira é de exclusão. Vamos excluindo ou dando cotas aos negros, aos índios, aos transsexuais, aos inválidos e o que é feito concretamente para a melhoria dessa situação? Ficamos nesse discurso inflamado e não temos a capacidade de ação para que a sociedade brasileira que ainda está seguramente pensando com a cabeça do século XVII.
Atribuem a Rui Barbosa uma intensão que não era esconder a história da escravidão no Brasil, foi sim para evitar que os ex-senhores de escravos pedissem indenizações ao governo brasileiro.
O racismo não está superado no Brasil. A fala Gilberto Freyreana da Sinhá é a mesma fala adotada por todos aqueles que tratam seus funcionarios como “servidores” numa posição sempre inferior à do chefe. Não somente o racismo étnico, mas também o de classe. A fazenda poderia ter a mesma função turistica e educativa educativa se trouxesse a reflexão crítica e a denúncia sobre a violência da escravização dos africanos, mas ela apenas reforça e recria um tempo de modo a transparecer que ali não havia conflito. What a shame!
Tem direito a bater de chicote em escravo amarrado no tronco ? Tem direito a estuprar meninas negras ? Tem direito a barbarizar e torturar negros ?
Eu imagino que você esteja muito satisfeita com o término dessa atividade, onde pessoas carentes conseguiam suplementar a sua renda quase inexistente.
Essas fazendas históricas estão, em sua maioria, arruinadas, e o turismo era uma fonte de renda.
Sua indignação racista conseguiu arruinar várias pessoas, sem, contudo, obter nenhum proveito em troca.
Parabéns, por nada!
Ah, a saborosa caridade mui cristã e mui piedosa em prol do mainstrem racista. Oremos…
Incrível que em pleno século XXI ainda temos escravocratas, bandidos do colarinho branco. Que diferença tem isso de um zoológico? Seres humanos negros, sendo atração turística por serem pretos? Para burguezinhos, brancos e filhos de uma … Dá uma raiva, dessa gente que paga para isso, dá uma raiva de negros que se sujeitam isso, dá um nojo dessa senhora, que deveria estar presa. Se fosse País sério!!
O secretário da Mesa da Presidência da Camara dos Deputados, Beto Mansur, foi condenado no começo do século em primeira instância por trabalho escravo em suas terra goianas. Mas Deus o ajudou, e o processo parou nas mãos de um ‘conhecido’ em Brasilia, onde foi inocentado, 9 lingos anos depois. Um dos trabalhadores encontrados pelo MinTrab estava em um galpão deitado, com pneumonia. Se os pares de Bero Mansur, os senhores que velam pelas leis e pela Constituição, acham normal um escravocrata sentar na mesa da Presidência da Câmara, quem somos nós escravos para pensarmos outra coisa?
Racismo puro travestido de turismo ecológico. Esta sinhá é tão equivocada quanto o nosso monarca regente. Espero que o Ministério Público leia e se pronuncie.
Sr. Kennedy seu comentário não procede, falta estofo de conhecimento histórico sobre D. Pedro II. Essa é a histórinha que te contaram para justificar por que depois de 100 anos ainda e com uma República o modelo de “racismo” que fizeram acreditar ainda encontram-se nas mesmas condições sociais, porém com uma diferença, são negros, índios, nordestinos, pobres no geral. Há de se pensar nessa retórica, para vosso entendimento D.Pedro II transformou o Brasil em um país atualizado com seu tempo, fomos o segundo país a ter energia elétrica depois de Paris, fundações de universidades e ampliação de ensino pois o monarque queria uma nação que tivesse cultura, francesa mas que tivesse. Como sempre o pensamento brasileiro distorcido e egoísta chegamos onde chegamos com uma república de meia dúzia ávidos por poder.
”universidades”.
Você deve ser daquele tipo de pessoa que acredita que a ICAR foi a instituidora da pesquisa científica na via lactea…
Cara só besteira ! Esse é um lugar de passeio e não de um viés político ideológico! Este lugar é finde de renda para várias famílias , já trabalhei lá e me orgulho disso. E houve escravidão foi porque os próprios negros vendiam seus semelhantes aos brancos. Reveja a história sua alienada.
Sunda,
Pena que você ainda continua sendo escravo de sua própria ignorância.
Leia o texto novamente e acesse os links em azul para estudar de onde saíram os estudos. Se seu antepassado foi vendido aos brancos, está na hora de você se libertar e deixar de ser ainda mercadoria.
O único alienado aqui é você que não vê o absurdo disso
Por isso que temos a juventude negra sendo assassinada diariamente no país, graças à comentários como esse. Pessoas como você são capazes de negar o holocausto e os genocídios no Congo e no Vietnã. Pessoas como você se escondem na capa do racismo disfarçando de opinião o que é puro ódio.
Excelente texto que escancara o RACISMO velado na nossa sociedade, uma barbárie asquerosa, que mostra o quão fracos e impotentes são essas pessoas que promovem essa atividade “turística” a fim de se sentirem “melhor”, pobres vermes audaciosos que mal sabem o quão miseráveis e uns nada são.
Parabéns pela matéria. Se houvesse uma visão menos “branca” e mais séria, historicamente, por parte da gestora da fazenda a proposta do lugar seria completamente outra.
Sitezinho de m%6rda esquerdista….não publicaram minha opinião. Racistas são vocês que se recusam a revisitar a história….esperar o que de esquerdóides….querem sim é continuar tratando o negro apenas como vítima, quando foram os negros que venderam os próprios negros como escravos….essa história de “somos tão bons quanto vocês com excessão de que quando somos melhores” é típica da mente paçoca de esquerdistas…jornalistinha meia-boca do psol…é isso que você é.
Meu Deus, nem dá pra entender o que você escreve… Você foi alfabetizado durante governos de esquerda, né?!
Nossa, foram os negros que venderam os próprios negros como escravos? E eles colocavam um revólver na cabeça dos brancos para que os comprassem?
Vou ali na ”roubauto” comprar um espelho novo, pois segundo seu raciocínio, nossos atos morais positivos anulam as conjunturas imorais assim como o pó de pirlimpimpim do não menos racista Lobato
Nada vai mudar significativamente em relação ao maldito legado da escravidão no Brasil enquanto os governos não saírem da postura de negação existente desde a Lei Áurea. A Alemanha faz um trabalho educacional constante nesse sentido para evitar que o desastre que foi o holocausto se repita. Os alemães não sentem nenhum orgulho dos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, apesar de haver pequenos grupos neonazistas até hoje que insistem em defender a supremacia branca, etc, etc. Eles, no entanto, não representam a ideologia da maioria. Já aqui, sempre me choco de ouvir as pessoas descendentes de senhores de escravos falarem disso com orgulho. Esse orgulho legitima a manutenção dos negros nas senzalas da sociedade moderna brasileira. Aqui, nunca se assumiu a barbárie que foi escravizar pessoas, violentá-las, matá-las, vendê-las e ainda culpá-las por não saírem da base da pirâmide social. É preciso tirar dos brancos o status de superiores. É preciso fazer com que reconheçamos nossos crimes e a nossa culpa na manutenção da desigualdade entre brancos e negros brasileiros. É pra ontem que seja ensinado nas escolas, assim como ela fez aqui na matéria, que a assinatura da Lei Áurea não foi um milagre que deixou os escravos livres e com status de iguais nessa sociedade. A casa grande deixou de ter senzalas, mas nunca deixou de desejar reavê-las. Um exemplo muito recente foi a regulamentação da profissão de empregada doméstica, que causou revolta em todas as “sinhás” que agora “não têm mais quem durma no serviço” e não conseguem admitir que a empregada tenha “horário de chegar e de sair” como qualquer outr@ profissional. Eu pus entre aspas porque realmente ouvi tais comentários de muitas sinhás modernas. É assustador e vergonhoso, mas um país que não reconhece as atrocidades da sua história, nunca poderá mudar significativamente o seu futuro.
Para se reconhecer algo, precisa se esmiuçar a fundo a ferida. Discursar sobre a plataforma do racismo e blá,blá,blá não muda a condição principal, como colocada pela Arina, falta-nos conhecimento e os alienados ficam no discurso vazio e um ótimo exemplo foi o das “sinhás” modernas, isso sim é um tapa na cara de todos.
Fico pensando e se a encenação fosse ao contrario? Negros vestidos de sinhozinho e colocando as pessoas Brancas no tronco para serem chicoteados e terem a experiencia de como era ser Negro naquela época? mas logo que penso ja mudo de ideia, pois nenhum ser humano merece passar por isso. E muitas pessoas Brancas ainda acham que é mimi???
http://www.mprj.mp.br/cidadao/ouvidoria/faca-sua-comunicacao-aqui
Fiz comunicado ao MPRJ. Sugiro o mesmo pra vocês.
Hipócritas. Matéria comprada por negros
Não apenas de um mau gosto tremendo, mas beirando a crime de racismo, essa senhora deve ter uns parafusos a menos, e quem vai turistar nessas terras para ter um gostinho de como é ser servido por “escravos” deve sofrer de um sadismo absurdo. Curioso como ter morado nos EUA, onde sabemos existir tensão “racial” enorme, é usado como desculpa. Nunca ouvi falar que lá esse tipo de coisa é comum, ao menos não de reproduzir situações de escravidão. O que a doida deve ter confundido são as reproduções de vilarejos da época da corrida do ouro, de faroeste. Estive em Nova Orleans duas vezes, e lá existiam as famosas plantations, sustentadas por trabalho escravo. Ninguém ousa encenar situação de escravidão com intuito de entretenimento turístico. Cadê o Ministério Público para dar um jeito nessa mulher?
Sou de Belo Horizonte-MG e morei em Vassouras por 8 meses.
O que pude observer foi apenas: sim, uma grande maioria NEGRA vivendo principalmente na zona rural (Demétrio Ribeiro, onde vivi) e quase todos manifestando fortes traços desse pensamento RACISTA.
Um senhor, em especial (pai do homem com quem eu me relacionei e meu “sogro” por assim dizer) era filho de imigrantes vindos do nordeste, trabalhava como cobrador na linha d ônibus que levava da zona rural à cidade e chamava os negros de “macacos”, oferecia bananas, entre outros comentários do tipo. Como a família era cristã evangélica (não ser de que igreja alienadora que só quer tirar dinheiro dos pobres ignorantes) ainda por cima hostilizava as pessoas católicas devotas de Nossa Senhora Aparecida, que é negra. Xingava os praticantes de religiões afrodescendentes de “macumbeiros”.
Era revoltante. Voltei de lá praticamente expulsa por essa família “religiosa” e “de bem”.
Não soube da existência dessa ” atração turística”
Isso é uma vergonha. Só no Brasil aceita essas vergonhas.Essa mulher é um monstro.
Moro no Vale do Paraíba do Sul, a última região a “libertar” (sem nenhum dinheiro ou direito) os escravos.E só os libertou porque o Imperador, pai da Princesa Izabel, ameaçou enviar as Tropas Imperiais (Exército Nacional da Época) para libertá-los à força, desapropriar as fazendas e entregá-las aos ex-escravos. Mas o racismo persiste até hoje até contra os indígenas. Valei-nos, ó bondoso Deus!
Do modo como as reformas estão avançando e a amplitude dos retrocessos sociais que se anunciam, não seria de espantar que os neo-escravocratas no Congresso (entre eles Ronaldo Caiado e Romero Jucá) consigam revogar a Lei Áurea, como aliás já há projetos tramitando que pretendem excluir alguns dos definidores que caracterizam trabalho análogo á escravidão. Não duvidem.
Estou estarrecida com a proposta “cultural” desta fazenda e com as leis tão recentes que foram postas aqui contra a população negra brasileira.
E tem quem diga que cotas não são necessárias e só basta esforço…
Chocada é a palavra no momento, chocada.
Uma vergonha…. realmente revoltante, agora escravo ninguém quer ser, só ” sinhá”… são tantas coisas horríveis neste artigo, que me deixam incomodadas, tantas situações surreais….sem palavras de tão revoltada e triste que ainda exista gente que pense assim.
Recentemente assisti horrorizado a um episódio do programa “Terra de Minas” da TV Globo Minas onde a repórter negra (!) visitava um antigo engenho de escravocratas e elogiava a piedade dos fazendeiros que obrigavam seus cativos negros a rezar todo dia! Pensamento em perfeita sintonia com o do cardeal brasileiro Dom Orani Tempesta, que também luta pela canonização do casal de fazendeiros Zélia e Jerônimo Magalhães, beatos que no século dezenove obrigavam seus escravos a professar a fé católica e rezar missa antes da lida diária. Que vontade de vomitar!
What a shockingly outrageous celebration of racism! This is unnacceptable, the place should be shut down and its owners should go to jail. Don’t support oppression, shame on people who get involved in this.
O que mais me revolta nisso tudo são esses negros que se prestam a esse papel pra ganhar uns trocados, não é possível que não haja na região ou entorno outros empregos, pra uma pessoa chegar ao ponto de se prestar a papel que “ri” na cara do passado violento, escravocrata e triste dos seus antepassados. Eu jamais me prestaria a tal, e estou certa de que dificilmente um descendente de judeu se prestaria a um papel semelhante por causa de um salário. Os escravocratas e governantes racistas brasileiros trabalharam muito bem na destruição da identidade negra do povo brasileiro. Triste e revoltante, ver que tem gente pagando pra isso, pessoas achando normal e pior ainda negros que se prestam a esse papel sem ver que isso não é nem de longe aceitável e normal.
Pois é… tem mais branco incomodado que os negros que fazem disso fonte de renda. Vão cuidar da vida de vocês cambada de desocupado!
Dona Elizabeth é uma senhora brilhante, tive a honra de conhecê-la. Ache um funcionário com queixas dela, muito querida por todos. É uma calúnia absurda isso; Não há nada de errado em se representar os costumes de uma época. Ninguém é maltratado na fazenda, ou escravizado.
Vamos ser sérios e resolver as coisas como tem que ser, na hora e pra valer? Ou vamos continuar lamentando pelos outros (pois a dor só é sentida qdo é na própria carne!).
Vamos fazer denuncias no Ministério Público do Rio de Janeiro. Se o tombamento for federal, no MPF também. http://www.mprj.mp.br/…/ouvid…/faca-sua-comunicacao-aqui
Isso sim é matéria jornalística. Muito bom!
OKAY LADIES LETS GET IN FORMATION
https://www.youtube.com/watch?v=1ZDEX2ggvao
Precisamos fechar este lugar.
Absurdo!!! Que mentalidade retrógrada…..que “governo” mesquinho e insensível a este fato tão repugnante!!! O ser humano NÃO mudará jamais,…..infelizmente!!!
INDIGNAÇÃO, TRISTEZA, PERPLEXIDADE… Simplesmente, não consigo acreditar no que li nessa BELA.matéria . Não conhecia essa fazenda, muito menos seu “turismo legal”. Impressionante.
Gravíssimo! O ideal é entrar com uma ação, pura relação colonial escravagista! Absurdo são os turistas ainda pagarem para vivenciarem essa parte horrenda da formação da estrutura colonialista … Lamentável!
Cecília, ótimo trabalho esse teatro representa bem o que o nosso país oferece aos brasileiros e o que nossos “representantes ” vem fazendo com a maioria negra e excluída
Já estive nessa fazenda, visitando o local. Fiquei indignada com o que vi. Têm quartos construídos onde era a senzala, que eles fazem questão de anunciar. O chá da tarde é servido por senhoras e jovens negras fantasiadas de escravas. Saí de lá correndo. Mal estar e indignação total.
Agora a fazenda sai do mapa da cultura, a frequência de turistas cai e as “mucamas” são demitidas. Parabéns!
Vão fazer turismo em outras fazendas, sem esta representação macabra, se ela perde outros ganham.
Parabéns ao The Intercept pelo ótimo texto, por disseminar uma crítica muito bem feita a esse tipo de turismo racista. É nauseante ver no Trip Advisor tantas opiniões completamente acríticas (nenhuma avaliação ruim ou horrível!).
Por outro lado, o vídeo no Vimeo tem mais comentários críticos.
É nossa responsabilidade, educadores de todas as áreas, pesquisadores, jornalistas e pessoas críticas em geral, lutar pela construção de uma outra memória histórica no Brasil. Chega dessa história escrita pelos de cima…
Eu não sei o que sentir mais :(
Sinto asco pela ideia da proprietária, e tristeza em saber que há quem se disponha a pagar para “turistar” em um lugar assim.
Tudo choca! Desde a Sinhá branca que acha tudo normal até as pessoas negras que aceitam fazer o papel de escravas! Como aceitar tudo isso? Não dá…
Lamentável, mas provavelmente essas pessoas que se submetem ao trabalho não devem ter encontrado outra opção de emprego e acabaram se submetendo à esse show de horror
Não foi uma matéria, reportagem. Nada disso! Foi uma aula, um abrir de olhos pros que acham que “não há racismo no Brasil”, que somos todos da raça humana…
Parabéns! Avante!
A imbecilidade humana é um poço profundo. No Brasil, estamos descobrindo que no fundo desse poço, tem um alçapão.
Gente, sinceramente. Fui á fazenda Santa Eufrásia e vi a apresentação. Não existe nenhuma intenção de fazer apologias ao “retorno” da escravidão negra no Brasil (se é que algum dia deixou de existir). Simplesmente, o que há, é uma representação do que foi, um dia, a instituição social brasileira. Escravocrata, elitista, reacionária e desigual. Se a dona da fazenda tivesse funcionários negros servindo ás mesas, sem representação, estaria tudo bem, não é? Pois é essa a realidade atual, também, da maioria dos negros brasileiros! Os artistas trabalham normalmente, como artistas em uma peça teatral. A dona conta histórias e nos dá ideia de como foi essa época, que tanto a sociedade quer esconder. Sinceramente, é mais uma hipocrisia dessa sociedade capitalista!
Eu não acredito que isso existe!!!! Ah não, acredito sim. Isso só pode ser na Nova Ze– digo, só pode ser no Brasil.
Decisão acertadissima da secretaria de cultura.
Excelente matéria, Cecilia. Mesmo sendo um militante de esquerda, negro, me deu um embrulho no estômago. Parabéns. Dá um alívio a gente saber que existe jornalismo de qualidade, responsável e com independência. Valeu!!
Lamentável, porém não surpreende em um país em que o racismo é institucionalizado. No RJ, os negros permanecem sendo seviciados, discriminados e mortos todos os dias, assim como em todos os cantos deste Brasil. Nestas horas, dá muito vergonha e tristeza de ser brasileira.
É o MP? O que faz com isso? Não faz… Anda muito ‘preocupado em melhorar o Brasil’, né?
Na própria fala dela, no vídeo, quando explica a decadência do café com a libertação dos escravos já está dito tudo: os brancos não sabiam cultivar o café, não sabiam nada do trabalho. Isso prova uma sociedade fincada em privilégios, exploradora da força de trabalho e vida de outro ser humano. Nem com a Revolução Marxista o Brasil aprendeu. Ela quse fala tbem que já mandou o capitão do mato matar a mucama que fugiu, depois ela colocar outro termo, algo como mandou ir atrás delas. Triste.
Matéria excelente, ligou todos os pontos.
Parabéns
Q absurdo! E só dps da crítica é q resolveram tirar do mapa quando nem deveria ter aparecido.
Muito obrigada pelo excelente trabalho.
Parabéns pela matéria e pela denúncia, Cecilia!
Turismo histórico não deve ser assim de forma alguma. O mesmo deve servir para reflexão e não para se manter posturas racistas.
Vamos denunciar!
Stanley Elkins diz em seu livro “Slavery: a problem in American institutional and intellectual life”, sobre o abolicionismo nos EUA, sobre como os abolicionistas americanos usavam o Brasil como exemplo e como a cor não importava, já que no Império havia pessoas “de cor” no Brasil que ocupavam cargos importantes na administração e eram intelectuais renomados.
Talvez saibamos pouco sobre como realmente foi aquela época. E se continuarmos tentando esconder essa história, nunca saberemos!
Vendo bizarrices como esta sendo abalizadas pelo poder público é o que dá mais desespero.
Que ridículo um retrocesso de ética e respeito! O pior que tem gente que aceita o trabalho ser humilhado a tal ponto, isso deve ter seu fim imediatamente, dou total apoio e ajuda para aqueles que quiserem acabar com essa palhaçada!
Eu ficaria chocada se visse em Ouro Preto a metade do que aconteceu com os escravos das minas… Já pensou se vissem como era usado o insrumento de castração de escravos para que não crescessem? Está lá na Casa dos Contos. Vai lá tomar umas aulas.
Genteeeee, o que significa essa fazenda??? Apologia à volta da era escravidão?! Chocada!!! ???? ???? ???? ????
Em Vassouras infelizmente, é muito forte o ranço da escravidão, basta dizer que e conhecida por muitos como cidade dos barões. Devemos enxergar o quanto este tipo de atitude é prejudicial para os negros/afro descendente. Mas, devemos também entender que o fato desses cidadãos estarem se expondo desta forma, estarem dando força para que o ranço continue, não quer dizer que aceitem os maus tratos do tempo da escravidão, pois nenhum deles estão participando desses eventos nas fazendas por lazer, e sim por questões financeiras, claro que isso não muda o ponto de vista que é desfavorável, pois sentem vergonha de estarem ali encenando, se é que podemos chamar de encenação, na verdade não sei nem que nome dar a isso, pois não estão como empregados domésticos. Empregados domésticos não tem que fingir que é escravo e também se sentem diminuídos ao extremo. Fato relatado por pessoas que ja participaram. Eu da Associação Afro Descendente Cultural Jongo/Caxambu Renascer de Vassouras, creio que é fundamental investir em ações afirmativas para que neste tipo de situação, o negro atue de fato, e ganhe como um ator, pois sabemos que não é o caso, que tenha a percepção que agir assim, é estar relembrando a época da escravidão como se tivesse sido uma coisa normal, que na verdade foi a VERGONHA desse país.
Ótimo texto, Cecilia! Trouxe um panorama das hipocrisias e não apenas o fato, que em si já é racista. Ahazou muito!
Estou horrorizado. O Brasil segue superando a ficção.
Como precisava desta aula. Parabéns pela matéria. É enriquecedor a leitura de seus textos.
Somos um povo que não conhece sua história e por isso não a valoriza. A compaixão por povos que foram escravizados é seletiva. Aliás, negros não foram eram escravos, foram escravizados. Há uma diferença.
Parabéns pela matéria, Cecília! É um dedo na ferida necessário. Amei.
Típica matéria esquerdóide…não iria com certeza a tal fazenda mas ao invés de ver como uma visita ao passado, necessária até, para conhecer as condições bárbaras a que eram submetidos seres humanos…prefere fazer a velha esparrela socialistóide…por acaso os turistas vão poder açoitar pessoas? Não será contada a duríssima história dessa página nefasta da história? Depois não sabem porque a não exigência de diploma pra ser jornalista….gostaria também de saber porque as matérias que tratam de escravidão no país abordam a mesma como se de uma lado só estivessem mocinhos e de outros os bandidos…claro que a escravidão é abominável..mas quem vendia os escravos para os europeus (e antes o fizeram durante 400 anos para os árabes muçulmanos )? Eram as próprias nações africanas..aliás até hoje é o continente que mais sofre com isso. Parece que os africanos estavam curtindo uma praia e foram mandados entrar nos barcos ao que obedeceram prontamente sem sequer abrir a boca. Ou por outro lado, os europeus eram tremendamente burros indo caçar escravos no meio da mata? Isso tudo é uma bobagem descomunal. Qualquer caravela ( que tinham em média 100 tripulantes ) é avistada a quilômetros da costa…os europeus não durariam 30 minutos nas selvas…. seriam atacados por milhares de guerreiros. Ou seja, da forma como nos contam a escravidão os africanos eram covardes e/ou europeus burros com muita sorte. Não havia prisões na áfrica. Não somente reféns de guerras mas criminosos eram vendidos como escravos. Essa maneira torta de contar a história faz mal para a autoestima dos afro-brasileiros. Pois se não houvesse esse comércio ancestral, existiria a escravidão com a dimensão que teve?
Gente, isso é um absurdo, não pode ser real! A sua comparação com Auschwitz foi perfeita. Visitei este campo de concentração e a postura lá é de tristeza e profundo respeito e arrependimento. Não existe nenhum teatro, é tudo muito triste, mas a realidade é encarada. Essa mulher fingindo de sinhá é um insulto a qualquer pessoa descendente de escravos no Brasil. Que bizarrice!
Excelente reportagem, uma crítica histórico-reflexiva densa e muito bem construída.
E porque não propiciar ao turista a oportunidade de ser escravo por um dia?
Pois é, Roberto…rs. Bingo! Aí eles não querem…rs. Os hipócritas do discurso do não-existe-racismo não topam pagar e participar de um dia turístico de escravo, sendo humilhado…
Excelente reportagem. Só mesmo o The Intercept para nos mostrar artigos tão bem escritos .
Impressionante! Absurdo!
Texto muito bem elaborado e pesquisado. Parabéns.
Mas o q vamos fazer para acabar com isso?
Estou tentando acreditar que eu li sobre um lugar assim.
Agora o governo temer conseguiu resumir td isso na proposta de reforma da previdência. Não será mais teatro, a lei áurea virou pó.
temos que denunciar, escrever na pagina deles, ate que eles desistam desse absurdo! eu enviei um email pedindo q
Conseguimos que a Fazenda saísse do Mapa de Cultura do Rio de Janeiro!! Obrigada pela sua matéria Cecilia! Agora a luta é pra ela suma do mapa de vez.
Bom saber. Notícia ótima.
Reportagem excelente. Um absurdo .
Um país em que tem gente que acredita em meritocracia, que acha que racismo é mimimi… e o pior, o povo paga para ver “encenação” racista. E está tão arraigado na cultura, que tem gente que aceita o emprego de se vestir de escravo… para os outros acharem “legal” reviver a época aurea da violência institucionalizada.
Duas observações:
1) A autora da matéria explora (com razão) a violência moral de explorar um negócio com essas características, mas deixa de abordar, de forma crítica, as “escravas” que aceitam o papel. Usando a comparação proposta pela autora do texto, judeus não aceitariam vestir um pijama listrado e fazer o papel de “raça inferior” num suposto parque temático que reproduzisse Auschwitz. Por que as mulheres da reportagem aceitam se submeter a isso?
2) A autora não cita, mas eu citarei: a política pública racista teve seu apogeu durante a Era Vargas.
1) A autora cita, bem explicitamente, várias características que impossibilitaram a assenção social de pessoas negras. Não conheço as funcionárias para afirmar com certeza, mas não acho absurdo concluir que, tivessem elas tido oportunidade para estar em um emprego melhor, elas não aceitariam se submeter a isso.
Sem entrar no mérito da comparação entre dois crimes horríveis contra a humanidade, talvez não existam judeus que se submetessem a esse papel, hoje, porque o holocausto não teve a passada de pano em nível mundial que a escravidão teve, e muitos de seus responsáveis foram punidos, e os perseguidos e mortos reconhecidos como as vítimas que, de fato, eram.
2) O nome de Getúlio Vargas realmente não foi citado, mas não entendi o motivo disto ser relevante.
O nome realmente não. Mas a lei de 1945 sim! Ou seja…
Acho válida sua colocação, porém de certa forma a autora explica: as negras estão em situação econômica pior na cidade aonde se encontra esse empreendimento. Se você tem conta pra pagar, você se submete a uma situação humilhante pelo dinheiro mesmo. Essa é minha teoria.
1) A autora descreve com maestria o histórico de submissão social e econômica da população negra da região. Por qual motivo vc acha que as mulheres negras dali aceitam o trabalho??? Pense. É grátis.
2) Volte à matéria e verá a lei de 1945 que controlava a entrada de pessoas negras no país. Adivinha: Era Vargas!
Necessidade de ganhar uns trocados talvez, mas se o preconceito e tao arraigado que nem persebe, as novelas perpetua isso todo tempo porque os dramaturgos brasileiros ainda nao consegue deixar de atravessar a fina linha entre mostra a historia e perpetuar o racismo, preconceito e discriminacao nas dentro da suas novelas e series qdo eles nao notam que nao estao descontruindo nada.
Bom, como dizia Kant, há coisas que tem preço e se trocam por seu equivalente; outras, não. Essas têm “dignidade”.
E, por favor, chega de “vitimismo social”. Que essas mulheres levantem a cabeça, tenham dignidade, peçam demissão e vão fazer outra coisa da vida.
Não podemos culpar a vítima!!! Elas estão inseridas em uma sociedade extremamente racista… é a mesma coisa culpar a mulher por conta da violência de gênero! Não faz sentido! O culpado é o agressor, e não o agredido!
Talvez seja porque os negros estejam, em maioria, em condição sócio-econômica bem infeiror a dos judeus, devido à histórica supressão de direitos, que não foram suplantados até hoje. Fora a questão cultural, que hoje em dia vemos que está sendo mais resgatada, mas falta muito, visto termos casos como este. Até pouco tempo atrás víamos negros travestindo-se de brancos, clareando a pele, aloirando seus cabelos alisados, negando sua própria taça e cultura. Muitas questões envolvidas, de auto-estima, desvalorização da própria cultura em função de tantos maus tratos e preconceito da sociedade.
Pavel, acho que você pode encontrar a resposta à sua primeira pergunta no texto: a maior parte da população negra na região continua constituindo a camada mais pobre da sociedade local. O nível de educação formal, portanto, também não é dos melhores. Acho que isso explica a diferença entre esses descendentes de negros escravizados e os hipotéticos atores judeus alemães.
Tu tá ligado como tá a situação de emprego no Brasil né cara! Por isso elas aceitam pois infelizmente esse é o emprego que a maioria dos negros precisa se submeter. É só olhar nas universidades e ver que a quantidade de negros é super pequena ainda :( Ainda existe aquela sociedade de castas para alguns aqui no Brasil. Muito triste.
Se submetem justamente porque o tratamento histórico do ao holocausto não foi o mesmo dado à escravidão, como a autora bem apontou. Falta na educação a formação do senso crítico, falta falarmos da escravidão como alemães falam o tempo todo do holocausto (o tratamento da memória no Brasil é uma lástima, como a autora também fala), sobra na sociedade (vide novelas) reforços de que pessoas negras têm que aceitar esse tipo de coisa e, o mais importante: por não discutirmos isso suficientemente, a escravidão continua com seus ecos até hoje, então talvez essas trabalhadoras não sintam o choque que pessoas brancas da classe média (me incluo aí) sentem porque para elas não existe um contraste tão grande, porque continuam à margem da sociedade.
Se submetem justamente porque o tratamento histórico dado ao holocausto não foi o mesmo dado à escravidão, como a autora bem apontou. Falta na educação a formação do senso crítico, falta falarmos da escravidão como alemães falam o tempo todo do holocausto (o tratamento da memória no Brasil é uma lástima, como a autora também fala), sobra na sociedade (vide novelas) reforços de que pessoas negras têm que aceitar esse tipo de coisa e, o mais importante: por não discutirmos isso suficientemente, a escravidão continua com seus ecos até hoje, então talvez essas trabalhadoras não sintam o choque que pessoas brancas da classe média (me incluo aí) sentem porque para elas não existe um contraste tão grande, porque continuam à margem da sociedade.
Eles estão espalhados em vários lugares,tentando manter de pé uma construção que foi tão danosa para os negros no Brasil.Eles sentem saudade desse mal abominável que resistiu mais de três seculos.boa a matéria.
A matéria muito boa, mas chocante. Infelizmente ainda existe gente com esse tipo de mentalidade. Pessoas que naturalizam tanto o racismo que nem ao menos notam que estão sendo extremamente racistas. Obrigada por essa matéria.
Das matérias mais contundentes sobre racismo no Brasil deste ano. Mas lamentável no sentido de nos mostrar o quão presos estamos ao passado colonialista.
Essa matéria é extremamente poderosa e tão bem feita, mas dá uma tristeza no coração muito grande.
Ps. acho que tem um parágrafo repetido no corpo do texto. vale revisar!
Essa mise en scène racista, logo, criminosa, tem que ser denunciada e acabar.
Infelizmente o Brasil é, talvez, uma das culturas mais escravagistas e aristocráticas do mundo. A escravidão e o tráfico negreiro foram as principais atividades econômicas do Brasil durante séculos. O navio negreiro talvez seja a figura mais cruel da vilania humana.
Não acho correto, isso é ferida com casca ainda, foi ontem que a realidade escravizava meu povo.
pior que isso é precisar aceitar esse emprego, vê ainda temos grilhões nos forjavam.
Quando você acha que já viu de tudo nessa vida.
Estou chocada que isso exista.
A falta de bom senso atingiu a imoralidade.
Sugestão para a sinhá: ser escrava por um dia sendo tratada do jeito que os seu antepassados tratavam os escravos.
Este é um texto muito bem construído, munido de documentação que comprova aquilo que expõe. Só posso parabenizar a autora pela clareza e profundidade na argumentação.
Quanto aos que questionam o caráter exploratório de africanos por africanos, sugiro pesquisar os trabalhos do prof. Dr. Roquinaldo Ferreira, atualmente titular na Brown University (EUA); ainda textos do Prof. Dr. João José Reis. Eles demonstram como esse comércio se deu de modo complexo. Ainda, sugiro o documentário da BBC “A História do racismo” (“Racism: a History”), disponível no Youtube. São 3 episódios de 50 minutos que esclarecem muitas dúvidas, totalmente baseado em documentos oficiais.
Excelente matéria! Complexa, mas objetiva! Senso critico apurado, como há tempos não lia na web. Parabens!!!
Parabéns pela matéria. Excelente texto!
Excelente reportagem! Parabéns, Cecília.
O sofrimento do povo, seja na esfera do preconceito racial, de classes ou de origem, é fruto de uma cultura de negligências. Essa “visita” da fazenda é mais uma forma de banalizar a nossa história de aceitação da cultura em que vivemos: pretos serviçais (como nas novelas), brancos dominantes e detentores dos meios de produção (herdados e/ou adquiridos sem méritos) e uma cultura de ver isso como a normalidade, sem contestar.
Isso reflete no mercado de trabalho, ao decidir se um branco ou preto deve ocupar uma posição superior, nas feiras e supermercados com pessoas confundindo pessoas pretas com atendentes, caixas, que são pessoas que servem e que são mal pagas (escravidão moderna).
A mudança tem que partir de dentro pra fora. Se mudar e influenciar os outros, como a Rangel que comentou sobre ser contra as cotas, até um momento em que se convenceu de que há racismo no Brasil e percebeu a necessidade delas.
Vamos desconstruir!
Parabéns pela matéria. Realmente, é um soco no estômago. As pessoas tem a impressão leviana de que no Brasil não existe racismo, porém, ele está tão entranhado que as pessoas nem sequer estranham/questionam atitudes como a dessa empresária.
Ela poderia ir pra Alemanha e abrir um campo de concentração nesses moldes aí… ¬¬
sinto desaponta-lo…mas o Arbeitslager de Auschwitz já tem uma ala de hospedaria para judeus ricos passarem a noite ha muito tempo…
Damastor, é no mínimo infeliz esse teu comentário, justo em um texto que fala de preconceito, racismo e suas terríveis consequências.
se eu falar,,,”a coisa ta preta” então!!!!! posso ser incinerado no altar do politicamente correto ou tenho chance de defesa????
Como disse outra leitora, foi um soco no estômago! Não sei como me convenci que existe racismo no Brasil só há uns 5 anos (durante uma discussão sobre cotas, que, a priori, eu era contra).
Parabéns a Cecília Olliveira.
Única coisa que ninguém te conta é que somente 3% da população livre brasileira possuía escravos no auge da escravatura. Ou seja, 97% de descendente de livres continuam sendo acusados de serem beneficiados da escravidão, sem nunca terem possuído um só.
Mas são justamente esses 3% que refletem nos dados de 2008 do IPEA:
“Três quartos da riqueza existente no Brasil está concentrada nas mãos de apenas 10% da população”.
Essas são as pessoas que detêm o Brasil nas mãos. São elas que ditam como as coisas devem ser guiadas.
Eu acredito que a pessoa que faz um passeio desses nem se da conta, na cabeça dessa pessoa o que ela está pensando, vou ver um pouco de história e de cultura, vou participar de uma representação (representação é a palavra chave aqui) de como eram as coisas naquele tempo e de como viviam as pessoas.
Seria até bom, se o passeio servisse para conscientização mas pelo visto não é essa a temática, ninguém sai de um lugar desses mais consciente de como foi a escravidão, e porque ela nunca mais pode acontecer, lamentável.
uai sô..aqui em outro preto os empregados moreninhos das pousadas sempre se vestiram assim e ninguém nunca disse nada.
“Moreninhos”?
Pelo visto, mais uma LATINA que seria considerada PORCA por aqueles a quem ela se espelha.
então tá na hora de começar a dizer alguma coisa
“Moreninhos”?!
Eu não posso ter lido isso.
ok…mas somente peço, antes de vc começar acender (não ascender, o pessoal faz muita confusão com essas coisas) a pira de sacrifício humano no altar do politicamente correto para me sapecar podia chamar o restante dos culpados pra me fazer companhia?? eu ficava muito mais feliz ao lado do moreninho Machado de Assis, que justamente escreveu um romance chamado A Moreninha…se puder trazer Mark Twain e Monteiro Lobato, outros dois culpados do mesmo crime aí minha felicidade seria completa mesmo virando um tição…opssssss…tição pode??? ou tb faz parte do index prohibitorum da novilíngua da nova inquisição????
leitura obrigatória, um primor! gratidão pelo trabalho.
Sempre aparece um para culpar a vítima, né… impressionante
“empunhando o ferro de passar, as pretas alisavam seus vestidos e as saias engomadas, deitando, como remate final, uma gota de patchouli no lencinho.
a vida doméstica decorria suave e igual…”
http://passalidadesatuais.blogspot.com.br/2011/06/no-tempo-de-dantes.html
Que matéria maravilhosa, que tema perturbador, mas necessário. Parabéns!
Bom, vamos falar sobre o negro se vendendo aos cristão, para ficar mais parecidos com os brancos, vamos falar dos escravos mantidos por Zumbi dos palmares, ou dos negros hoje em dia não saberem sequer o que é YORUBÁ sem dar um google antes.
Roberto, Roberto…. nome latino… considerado PORCO, segundo Donald Trump…
Mas vamos lá…
Você é trabalhador ou patrão? Você é rico? Você é explorador ou explorado? Porque você quer considerar a posse de escravos no século XVII? É isso?????
Século XVII a escravidão era algo absolutamente “normal”, “natural”, quanto é HOJE a exploração do homem pelo homem mediante um salário… Adivinha o que acontecia com aqueles que defendiam o fim da escravidão no século XVII? Sim, R-o-b-e-r-t-o (o porco, segundo os seguidores de Donald Trump), seriam chamados de loucos. Se já existisse o comunismo, seriam chamados de comunistas…
Tenho certeza que você defende o Capitalismo como sistema (mesmo sendo altamente exploratório, altamente violento, altamente destrutivo do corpo do trabalhador)… e se você vivesse no século XVII, Roberto, eu tenho a absoluta certeza que você defenderia o ESCRAVISMO como sistema justo e necessário.
abraços
Ana Maria, não te conheço. Mas te dedico, minha flor!
Beleza cara, tens razão, nesse mundão não salva ninguém. Mas não ache que você é grande coisa também. Sou negro, Cristão e não faço idéia do que é YORUBÁ. Mas sou trabalhador e honesto e nunca te pedi dinheiro emprestado. Dá uma minimizada nesse seu tom de acusação.
Parei de ler quando disse que não tem idéia do que é Yourubá.
Me pergunto o mesmo. Que negros são esses que se vendem para uma encenação dessas??
Gente que precisa de grana pra viver, assim como todas as outras explorações que o sistema exerce.
Pessoas que necessitam de emprego para ter o que comer.
gente que precisa do dinheiro? que precisa comer?
E será que existe escolha melhor? Podemos entrar num belo debate sobre a servidão moderna.
Necessidade, uai. Agora a responsabilidade é deles? Sendo que a ideia partiu da tal Elizabeth?
é isso que ainda não entendi. alguém foi atrás de ouvir essas pessoas? não tive “saco” pra ler tudo isso, mas até onde li, só vi frases da Sinhá Elizabeth (zzzzZ). fazer matéria é muito fácil, propor reflexão é o que pega. enquanto jornalista, já passei por isso. quando tive que fazer uma matéria sobre um projeto artístico de protesto contra desmatamento do Cerrado, e a autora do projeto se recusou a falar sobre a atuação dela mediante ao trabalhadores rurais, que possivelmente perderiam seus empregos, caso houvesse um freio na exploração do Cerrado.
Os que tem filho com fome para alimentar, serve?
Olha!Temos racistas aqui, gente!!!!!
Seres humanos que precisam de dinheiro.
Não te parece?
Num é? Se nenhum negro for trabalhar lá, acabou o problema.
Mas, você já se perguntou também se eles tem outra opção na região para adquirir renda? Ou você acha que no mundo todo não existem pessoas que precisam se submeter a empregos degradantes porque precisam se sustentar?
Quando a gente pensa estar evoluindo, vem uma dessas e nos prova que cada dia é um 7×1 diferente :(
Duro de engolir! Parabéns pela excelente reportagem.
Apenas um comentário irrelevante dentro do contxto: o porto de chegada dos escravos era o Valongo e não o local do museu do amanhã. O Valongo foi aterrado para as obras do porto no início do século mas conseguiram recuperar o piso original. Acredito que vão fazer algum tipo de museu ou monumento ali.
há sim um museu e até mesmo um centro cultural onde havia naquela mesma região um cemitério de escravos q morriam na travessia…
Isso mesmo.
Incrível como o brasileiro não consegue enxergar o que está nas entrelinhas! É ridícula a atitude desses “empreendedores”, querendo continuar a ganhar dinheiro com a escravidão, da qual pelo que li, foram patrocinadores e beneficiários.
Não consigo acreditar como pessoas negras (como eu) aceitem serem submetidas a tal situação, sob o ridículo pano de fundo de preservar as tradições. Que tradições estão querendo preservar? A da escravidão?
Essas matérias vêm como um soco no estômago bem necessário. Parabéns pela reportagem!