Aonde as palavras vão para morrer? Não só na metáfora gasta, na má literatura ou no verborrágico púlpito dos tribunais, mas no jogo de máscaras do discurso político. Esse é o deserto onde os signos perdem mais sentido e as palavras viram amontoados inúteis de letras.
Em “A Política e a Língua Inglesa“, célebre ensaio de 1946, George Orwell destaca a crescente perda de significado das palavras no debate político. Em tradução própria: “A palavra fascismo agora não tem significado algum, a não ser o de ‘algo não desejável’. As palavras democracia, socialismo, liberdade, patriótico, realista, justiça têm cada uma significados diferentes e contraditórios. (…) É quase universal o sentimento de que estamos elogiando um país quando o chamamos democrático. Consequentemente, defensores de todos os tipos de regimes os reivindicam ‘democráticos’ e temem que teriam que parar de usar essa palavra caso ela estivesse amarrada a um único sentido. É comum que palavras desse tipo sejam usadas de forma conscientemente desonesta. As pessoas costumam ter suas próprias definições para as palavras que usam, mas deixam o ouvinte pensar que quiseram dizer algo bastante diferente.”
Ou seja, a arma do crime que faz com que mentiras soem como verdades costuma ser um padrão moral duplo. Pensando nisso, segue um breve dicionário de platitudes com alguns exemplos recentes de palavras ou expressões que perderam o sentido nos últimos tempos.
GOLPE – A palavra ‘golpe’ está ameaçada de morte pelo seu maior propagador recente. Na boca e na pena de qualquer representante do PT, o termo vai perdendo sentido por simples incoerência. Com o golpe de 2016 consumado, o partido aceitou seguir com sua prática de coalizões com o PMDB nas eleições municipais passadas e votou junto ao núcleo golpista para a eleição da presidência da Câmara dos Deputados. Se não houver uma grande reviravolta nas reuniões internas que definirão seus candidatos para as próximas eleições na Câmara e Senado, seguirá fazendo isso em 2017 – sob orientação, inclusive, do seu pré-candidato. Ou seja, “golpe”, para o PT, corre o risco de começar a significar “auto-golpe” ou então “golpinho suave”. Não existe práxis política ou síndrome de estocolmo capaz de justificar esses apoios depois de uma rutpura institucional tão grave a de como um golpe de estado. E, como o golpe foi na democracia brasileira – e não no PT –, devemos lutar para recuperar essa palavra, com o direito inclusive de começar a chamar o próprio partido de… golpista.
FUNCIONANDO NORMALMENTE – Fruto do mesmo processo histórico, a frase “as instituições estão funcionando normalmente” foi repetida como um mantra golpista em 2016, ano de grave crise institucional. Mas talvez no Brasil, realmente o assalto à democracia seja ‘normal’. Aí seria o caso de mandar “instituições” para a vala também.
DEFENDER O PRINCÍPIO – Ontem, na sua última coletiva de imprensa, Obama cometeu a seguinte frase: “É importante que os Estados Unidos defendam o princípio básico de que países poderosos não podem ficar por aí invadindo e intimidando países menores.” Em janeiro de 2015, por ocasião da Guerra na Ucrânia, disse o mesmo. Da boca do único presidente norte-americano que passou dois mandatos inteiros em guerra contra países ‘menores’ e que, apenas no ano passado, jogou 26.171 bombas (3 por hora) neles, a frase só fará sentido se sacrificarmos a expressão gasta por um Obama prestes a entregar um aparato de espionagem e ataques remotos sem precedentes nas mãos de Donald Trump.
GARANTIA / GARANTIDO – Após a prisão do líder do MTST no cenário bárbaro de uma reintegração de posse em São Paulo, a ex-presidente Dilma Roussef apressou-se em soltar um comunicado solidarizando-se com Guilherme Boulos. Em nota intitulada “Prisão de Boulos fere democracia e criminaliza defesa dos direitos sociais” ela escreveu: “A prisão do líder do MTST, Guilherme Boulos, é inaceitável. Os movimentos sociais devem ter garantidos a liberdade e os direitos sociais, claramente expressos na nossa Constituição cidadã, especialmente, o direito à livre manifestação.” A hipocrisia seria cômica caso não fosse revoltante para quem se lembra do primeiro mandato Dilma, bastante atuante na violenta criminalização dos movimentos sociais – ao lado da grande imprensa e dos governadores do PMDB e PSDB que depois conspirariam contra ela, aliás. Entre tantos outros casos, ainda se espera nota da ex-presidente sobre o Rafael Braga. Importante dizer que não foi Dilma que inventou essa garantia ao contrário. A palavra também vem sendo massacrada por governadores como Geraldo Alckmin em frases do tipo: “A PM agiu e continuará agindo para garantir a liberdade de manifestação e o direito de ir e vir.”
Aceito contribuições para o dicionário nos comentários abaixo. O perigo é de, nos tempos que correm, perdermos todas as palavras.
PÚBLICA/PÚBLICO: Aquilo que não é de ninguém, não tem dono e pelo que ninguém se responsabiliza, ninguém administra, ninguém respeita, mas todo mundo usurpa. Aquilo cujo o bonus vai para quem deveria gerir mas não gere, e o ônus fica a cargo daqueles que deveriam ser beneficiados. Ex: Saúde pública, segurança pública, universidade pública, maracanã.
Cuenca, o que dizer desses links abaixo, desmentindo o apoio do PT aos intitulados golpistas? Isso parece ir contra sua reportagem, não?
http://ptnacamara.org.br/index.php/inicio/noticias-gerais/item/30219
http://ptnacamara.org.br/images/documentos/resolucao-pt-congresso.pdf
DIVULGUE NAS REDES
https://www.facebook.com/ptnacamara/posts/998876293546307
https://twitter.com/PTnaCamara/status/822529110354165760
Deixo a minha contribuição: george, soros, socialismo e liberdade.
Durante 13 anos – 13 anos! – certa parte da esquerda votou contra todos os projetos do governo federal junto com os partidos da direita. Junto com os golpistas. E aí, podemos dizer que eles podiam/podem falar em golpe? ;)
ABS
duas referencias essenciais sobre o tema:
Dicionario de Ideias Feitas de Gustave Flaubert
ou a
Novilíngua, feliz tradução de Newspeak. do não menos grande George Orwell em 1984.
Eu fico muito irritado com o uso da palavra “facista” como uma forma de atacar oponentes. Como o texto aponta, este tipo de uso faz a palavra perder o sentido. E uma falta de respeito aos milhoes de pessoas que perderam a vida durante o Holocausto.
Caro Cuenca,
Tenho acompanhado o trabalho do The Intercept de forma frequente. Acredito que a iniciativa do Glenn foi extraordinária. Mas fiquei muito preocupado com o seu ensaio. Eu não posso julgar suas intenções, mas confesso que fiquei meio decepcionado. A impressão é a de que você usou justamente a estratégia a qual quis criticar. Um mero jogo de palavras, misturando figuras como Obama e Alckmin, cuja a identificação nefasta é muito simples para todos nós, com uma perspectiva geral de PT e com a Presidenta Dilma. Francamente, Cuenca!
Quando abri o texto, estava esperando um artigo longo e bem estruturado, com uma reflexão profunda e detalhada sobre a questão indicada no título. Aliás, fiquei intrigadíssimo com o título e resolvi conferir os argumentos. Aí veio a surpresa, oito parágrafos, dos quais um único é utilizado para expor a questão central! Quinze linhas! Apenas precedidas por três parágrafos contendo uma análise geral, de concordância ampla para os leitores do The Intecept e sucedido por dois outros parágrafos simplórios, contendo igualmente platitudes. Mas o pior é que você ainda coloca um parágrafo, tirado do nada, apenas para atacar a Presidenta Dilma! Observe bem, você usa dezessete linhas apenas para atacar a presidenta! Critica a atitude dela de reagir a prisão do Boulos, apontando sua “hipocrisia”, falando de “criminalização dos movimentos sociais” durante seu mandato!? Para “sustentar” a sua acusação, cita o episódio de uma prisão arbitrária da PMRJ, envolvendo acusação de tráfico, numa periferia da cidade do Rio, durante as manifestações de 2013, embora tenha usado a expressão: “Entre tantos outros casos…”. Mas como tudo sempre pode ficar pior, você encerra o seu parágrafo de ataque a Presidenta, citando Alckmin. Provavelmente, a sua intenção foi insinuar que ambos são a mesma coisa!
Cuenca, se isso fosse o facebook, ou um blogue qualquer, eu iria apenas ignorar. Afinal de contas, a internet está cheia de porcaria. Mas a proposta do The Intercept é muito importante para todos os que esperam um jornalismo combativo e de qualidade, ou seja, extenso e profundo, analítico e reflexivo. Se você estivesse numa assembleia, num programa ao vivo, tudo bem. Quando falamos de improviso, os riscos de se expressar mal são muito grandes e isso acontece. Mas sentar na frente de um computador e ter a possibilidade de pensar no que se vai escrever, corrigir, refazer, pesquisar, confirmar, etc. Tudo isso precisa ser utilizado em favor de construirmos argumentos consistentes e sólidos, o que naturalmente não significa que teremos a verdade, mas que nos dão a consciência de que buscamos, com responsabilidade e seriedade, dar a melhor contribuição possível.
A minha visão pessoal sobre o The Intercept, e o que explica o meu gosto por acompanhar o trabalho do Glenn, pode ser resumido em duas ideias: honestidade intelectual (sem necessariamente academicismos) e profundidade analítica (o que não tem qualquer conexão com complexidade).
Em resumo, se você está inconformado com alguma coisa, mas não está com vontade de escrever, é melhor esperar a inspiração chegar. Publique coisas mais ligeiras, no seu blog, twitter ou página do facebook. Por mais que você tenha talento literário, isso não salva a situação.
Você crítica o texto porque é superficial, mas parece que no final das contas isso nada mais é que uma justificativa para defender a Dilma.
O texto é curto, sim, superficial, sim, mas não tem nenhuma mentira aí não.
Bruno,
Acho que eu não me fiz entender adequadamente. A minha preocupação não é se o Cuenca falou a verdade, pois a questão, num texto de opinião, não é essa. O que verdadeiramente me incomodou foi exatamente o que você também identificou: a superficialidade!
I do agree with you…perfect!
Comentário perfeito. Compartilho sua opinião.
“E, como o golpe foi na democracia brasileira – e não no PT –, devemos lutar para recuperar essa palavra, com o direito inclusive de começar a chamar o próprio partido de… golpista.” Bela síntese do surrealismo político que estamos presenciando. Aliás, não seria a morte do Ministro Teori Zavascki parte desse “golpe” que PT, PMDB, PP, PSDB e diversos outros “PQPS’ da política partidária brasileira estão dando na população?
Não entrando no jogo político, apesar de ser esquerda e acreditar que o que houve no processo da Dilma, foi uma conspiração, não golpe, uma vez que os ritos foram cumpridos. O termo conspiração me parece mais adequado . . .o que para mim é criminosa a conspiração, e como li nas frases de efeito de quem não acredita em teoria sa conspiração, não acreditará em conspiração. Feita a entrada, voltando ao campo linguístico, tenho horror a palavra “diferenciado”!!! O que leva faz crer que ter “atendimento diferenciado”, termo perpetuado por telemarketing, não é igual a ter “atendimento diferente”??? Que catzo as pessoas pensam ao usar esse termo??? Me dói ou ouvido, peguei total asco ao ouvir essa forma de discurso, se começar por ai fujo na hora
Boaventura e a necessidade de compreendermos “A difícil democracia: reinventar as esquerdas. ”
Diga mais, senão resta o álcool, as flores de Baudelaire, Rimbaud, a desesperança e o fim..
Reinventar a esquerda no Brasil seria uma proposta interessante. Eu nao entendo porque na America Latina ainda existe um certo romantismo ao redor de ideias que sao muito antigas. Ideias que ja foram descartadas em outras partes do mundo. Isto e similar ao romantismo as vezes demonstrado na direita com o periodo da ditadura militar. Como e possivel isto?
Eu nao entendo como e possivel ainda existir um partido com o nome de comunista no Brasil. Como e que um partido com este nome consegue eleger alguem? Se voce tentar explicar pra alguem do Leste Europeu (pessoas que vivenciaram o comunismo) que ainda existe um partido com este nome no Brasil, eles vao reagir com incredulidade.
Prezados leitores,
Sempre fui de Esquerda e continuo a sê-lo. É sempre bom lermos os mestres de ontem (Marx, Lênin, Trotsky…) e os de hoje (Foucault, Delleuze, Bourdieu, Piketty…). Mas jamais podemos perder o senso de realidade, sabendo identificar se, e quando, há condições históricas e sócio-políticas para ser idealista e propor uma saída revolucionária.
Fico impressionado com a ingenuidade e falta de noção da parcela da Esquerda Brasileira – a que mais se identifica e se alinha com o PSOL -, sejam as pessoas que atuam na política partidária, sejam jornalistas, articulistas ou pensadores, estudiosos e formuladores acadêmicos. Embora haja pessoas de várias idades nesse ‘grupo’ que descrevi, observo uma geração de pessoas jovens (abaixo de 45 anos) que não têm a mínima capacidade de analisar a correlação de forças e os limites impostos a qualquer ação política, usando os meios democráticos.
Num momento como este é facílimo criticar qualquer decisão das bancadas do PT e do PC do B, se essas resolverem apoiar algum candidato à presidência das casas legislativas que não tenham saído das fileiras da Esquerda. Do ponto de vista idealista, eu rejeitaria sumariamente a possibilidade de apoiar qualquer candidatura que não fosse legìtimamente de Esquerda. Mas a realidade atual está muito distante desse idealismo. Se os partidos mais representativos da Esquerda lançarem uma candidatura própria, fatalmente serão derrotados e ficarão alijados das mesas e comissões importantes.
Aos jovens jornalistas colaboradores do Intercept apresento o contraponto racional da experiente Tereza Cruvinel. Tomara que com o tempo os jovens possam adquirir o discernimento necessário.
________________________________________
É legítima e consequente a participação do PT nas Mesas da Câmara e Senado
“Traição”, “indignidade”, rendição ao “cretinismo parlamentar”. Tudo isso será dito contra o PT se confirmada a tendência de suas bancadas a legitimar as eleições para as Mesas da Câmara e do Senado, apoiando um dos candidatos do bloco golpista e garantindo ao partido participação na direção dos trabalhos do Parlamento. A decisão passará pelo Diretório Nacional. Ciro Gomes já falou em traição e perda do que resta de respeitabilidade. Outras críticas estão vindo pela esquerda. Não é mesmo fácil compreender o apoio petista a um Jovair Arantes, que foi relator da aprovação do impeachment na Câmara, ou a um Eunício Oliveira, que também votou pela deposição de Dilma. Não é fácil mas a escolha será entre o realismo político e soberba. Se a questão for não participar do jogo num parlamento dominado por golpistas, não restará ao PT e à esquerda outro caminho senão renunciar as seus mandatos. Seria bonito, choveriam aplausos, mas seria consequente?
Esta é um debate que a esquerda deve travar com argumentos e até com paixão, mas sem perder aquilo que a direita conseguiu subtrair da convivência democrática no Brasil, o respeito à divergência. Acredito que os críticos da participação do PT na Mesa confundem situações distintas e não compreendem como um valor democrático a observância da proporcionalidade entre os partidos na divisão do poder dentro do Parlamento. O PT perdeu o governo num golpe mas não perdeu a condição de segundo partido mais votado para a Câmara nas eleições de 2014. Abdicar desta condição, ausentando-se da direção parlamentar, também pode significar traição a seus eleitores, deixando de exercer o poder proporcional que lhe foi delegado. Um lugar na Mesa é importante não porque garanta cargos, empregos ou boquinhas – embora isso também mova os partidos – mas porque permite a cada um deles disputar influência, dentro do Congresso e na sociedade, especialmente numa correlação de forças tão desfavorável como a enfrentada pelo PT. Mas, para isso, terá que participar da disputa com os partidos golpistas. A alternativa será lançar um candidato próprio para perder e depois ficar fora da Mesa. E daí, em que isso contribuirá para a resistência ao governo golpista e sua agenda de retrocessos?
Há uma diferença crucial entre participar do jogo parlamentar formal, entre apoiar um candidato golpista, numa composição que leva em conta a proporcionalidade, e o alinhamento político ou ideológico. Traição inominável seria o PT apoiar a PEC 55, votar a favor da mudança na regra do pré-sal e demais medidas regressivas do governo Temer, ao lado dos que derrubaram Dilma e puseram fim ao ciclo de governos populares liderados pelo partido. Na primeira vice-presidência do Senado ou na primeira-secretaria da Câmara, por exemplo, terá o PT, ou o PC do B, parceiro no dilema, muito melhores condições de influenciar na agenda parlamentar e de organizar a resistência ao tropel do atraso que está em marcha. Estas devem ser as razões que levaram o líder Carlos Zarattini a comparecer ao ato de lançamento da candidatura a presidente de Jovair Arantes (PTB), gesto pelo qual vem sendo tão criticado.
Na Câmara, a tendência a apoiar Jovair Arantes tem razão tática. Ele é que encarna hoje a sublevação do baixo clero e do Centrão contra os caciques, podendo sua eleição representar para Temer o quebrar de uma perna, a fissura na unidade do bloco reacionário e majoritário na Câmara. Ademais, ele é mais reticente em relação a reformas como a previdenciária e a trabalhista, que exigirão um combate aguerrido das oposições. Rodrigo Maia teve votos no PT quando se elegeu para o mandato tampão, em substituição a Eduardo Cunha. Mas agora ele é o delfim de Temer, disposto a acionar o rolo compressor para aprovar as reformas neoliberais e antissociais. No Senado, não há escolha. Ali a proporcionalidade sempre foi melhor observada e a presidência cabe mesmo ao PMDB. O PT, apoiando Eunício, preservará o espaço que já tinha, apesar da forte oposição de Lindberg Farias e Gleisi Hoffmann ao acordo.
Assim me parece, depois de ter visto, nos últimos 30 anos, o PT cometer muitos erros no jogo das Mesas. Disputou a presidência quando era minoritário e acabou excluído. Majoritário em 2005, lançou dois candidatos e permitiu o desastre da eleição de Severino Cavalcanti. Peitou Eduardo Cunha em 2015, perdeu e ficou fora da Mesa numa conjuntura crucial, que terminou no golpe. Agora, está dividido entre o realismo que pode ajuda-lo a reunir seus cacos, e a soberba que lhe garante ficar bem na foto mas sem nenhum poder.
A propósito, a expressão “cretinismo parlamentar” cunhada por Marx, e depois utilizada também por Lênin, perdeu com o tempo seu sentido original. Foi cunhada em referência aos oportunistas que consideravam o Parlamento como espaço único e primordial da luta política, em detrimento das lutas populares, da ação política dos trabalhadores, dos movimentos sociais e de outras expressões da luta de classes. Para Marx, o “cretinismo parlamentar” era uma “forma de não dar expressão à vontade do povo, mas de bloqueá-la”, mantendo as camadas populares politicamente alienadas e frequentemente decepcionadas com seus supostos representantes. Sabe o PT que por este caminho, na atual conjuntura de triunfo conservador, estará morto. Terá que estar no parlamento, disputar espaço ali, mas sem afastar-se das lutas populares, que constituem o leito de sua história.
Melhor incluirmos na lista propostas as palavras “realidade”, “saída revolucionária” e “cretinismo parlamentar” (o PT não caberia direitinho na definição apresentada? Qual seria o “sentido atual do termo?).
Eu ainda diria, parafraseando o Windows que, depois da morte de Teori Zavaski “As definições de crime organizado foram atualizadas”.
Ótimo ponto de vista
Ótimo texto! Só gostaria de mais informações da ‘atuante presença violenta’ do primeiro mandato de Dilma contra os movimentos sociais, porque sinceramente não me recordo e vindo de alguém que lutou contra a barbaridade de uma ditadura, não me parece muito da índole dela.
Que tal um verbete para o termo “crise”?
Golpe de Estado é o que aconteceu no Brasil em 2016. Estamos vivendo sob um Estado Golpista anti democrático. Se os parlamentares do PT votarem em um Golpista para Presidente da Câmara ,estão sendo cúmplices do Golpe. Quanto às críticas à Nossa Presidenta Dilma, são tolas e ajuda aos Golpistas. Abraços.
Contra isso o melhor é o silêncio.
Texto fantástico. Parabéns!
Enquanto não houver autocrítica, reconhecimento e aceitação dos erros, nada mudará… E isso independente da corrente ideológica. Apesar das falhas é a coalizão política que consegue garantir uma certa governabilidade, e além de tudo o que deve ser questionado e corrigido, o maior desafio da esquerda será conseguir se manter genuíno dentro de um sistema que exija essas alianças. Isso porque, só conseguiu o poder com essas adesões. Quanto a inconsistência discursiva, isso não é exclusividade da ex presidente. Foram o oportunismo e a hipocrisia elementos usados por seus oponentes para sua queda. Mas como eu disse é aí que autocrítica também se faz importante…
O PT tem uma força popular ainda considerável, graças apenas ao seu maior nome. Mas começo a perceber uma debandada dos seus próprios simpatizantes. A esquerda precisa de uma vez por todas perceber e começar a criticar essa postura fisiológica que o partido assumiu há alguns anos. Aliar-se novamente ao PMDB por cadeiras na Presidência da Câmara? Isso é patético e serve exatamente para banalizar a gravidade do impeachment do ano passado.