Falem bem, falem mal, mas falem de mim. Esse parece ser, cada vez mais, o lema do jornal carioca “Extra”, publicação gerida pela Infoglobo, que também tem sob sua gestão “O Globo”. Não é de hoje que o periódico tem apostado em capas ousadas, muitas delas tidas como brilhantes pelo senso comum das redes sociais.

Capa do "Extra" com crítica ao lento processo de Eduardo Cunha

Capa do “Extra” com crítica ao lento processo de Eduardo Cunha

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O atual alcaide da cidade também não escapou da ironia do jornal:

Capa do "Extra" na eleição de Marcelo Crivella

Capa do “Extra” na eleição de Marcelo Crivella.

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Com bem mais liberdade do que seu irmão mais velho “O Globo” para explorar o mundo das primeiras páginas sensacionais, o “Extra”, porém, tem flertado com uma linha tênue. Será que o sensacional está virando sensacionalista?  

Um momento crítico nessa postura ocorreu no mês passado com esta capa abaixo, que decretou um Rio em guerra. Até uma editoria específica foi anunciada e um selo foi criado para acompanhar as reportagens. Ou seja, criou-se uma bandeira do jornal.

Capa do "Extra" sobre "guerra no Rio"

Capa do “Extra” sobre “guerra no Rio”.

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Neste caso, a repercussão foi imediata. Até hoje, o conceito de guerra vem sendo debatido: há os que defendem com unhas e dentes a postura do jornal e os que a rechaçam de forma incisiva. Se era para gerar polêmica, botar o “Extra” na boca do povo, deu certo.

Nesta sexta (1), mais uma ousadia do jornal voltou a colocá-lo entre os temas mais comentados nas redes sociais. Envolvendo um dos assuntos mais passionais e o clube mais popular do país, o “Extra” decretou, “em nome da precisão jornalística”, em sua capa, que o goleiro do Flamengo não será mais chamado de Alex Muralha.

Capa do "Extra" sobre o goleiro Alex Muralha

Capa do “Extra” sobre o goleiro Alex Muralha

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Para o jornal, o arqueiro desmoralizou o apelido, ao levar um “frango” no último jogo do clube. Fechando a piada, também “em nome da precisão jornalística”, o “Extra” diz que pode rever sua decisão caso o goleiro “volte a fazer por merecer”.

Numa realidade onde os jornais têm perdido sucessivamente leitores nas suas versões em papel, o caminho da polêmica pode devolver às capas parte da importância perdida. Mas há que ao menos se refletir sobre até que ponto isso pode ir.

Em nome da precisão jornalística.