Enquanto as consequências do escândalo da Cambridge Analytica se desdobram, o Facebook decidiu lançar um novo procedimento de autorização planejado para barrar anúncios políticos e perfis oficiais no Facebook que tenham a intenção de perturbar eleições. Para ser verificada, qualquer pessoa nos EUA que pretenda veicular anúncios políticos agora precisa fornecer os quatro últimos dígitos do seu número de Seguridade Social (o equivalente americano ao CPF), um documento válido, e um endereço residencial.

A página do Facebook que explica o novo procedimento alerta: “Estamos começando nos EUA e estenderemos [o processo] ao resto do mundo nos próximos meses.”

Representantes do Facebook apresentaram na terça-feira o novo procedimento de autorização para veicular anúncios políticos e criar perfis oficiais na plataforma de mídia social a funcionários da bancada do Partido Democrata na Câmara. Eles informaram aos assessores de imprensa que, a partir do meio do ano, todos os administradores de páginas dos EUA, tanto os de conteúdo orgânico quanto os de anúncios, devem obter autorização por meio do procedimento de verificação, que dura duas semanas e já está disponível. (Presume-se que todos os perfis de congressistas no Facebook se enquadrem nas regras como perfis políticos e de grande popularidade.)

Um convite para a reunião, denominada “Expandindo sua audiência com anúncios no Facebook”, informava que a apresentação seria sobre “melhores práticas para veicular anúncios em perfis oficiais”. Numa sessão de perguntas e respostas com os representantes do Facebook, alguns assessores se mostraram preocupados com a possibilidade de entregar informações pessoais à plataforma de mídia social e perguntaram como sua privacidade seria protegida e por que a mudança é necessária, segundo funcionários do Partido Democrata presentes no evento.

“É um exagero enorme do Facebook”, um dos assessores disse ao The Intercept. “Eles vão resolver o problema coletando mais dados? Para tentar descobrir se sou um robô?”

Um representante oficial do Facebook declarou que a empresa não iria usar para outros fins as informações coletadas para verificar um anunciante e que as informações são apagadas depois que o procedimento de autorização é concluído.

“É um exagero enorme do Facebook.”

O novo procedimento de verificação para ajudar a “assegurar a transparência e a autenticidade dos anúncios políticos” foi lançado sem alarde na segunda-feira e atualmente só está disponível nos EUA. Ele se aplica a qualquer pessoa que pretenda veicular anúncios políticos, que o Facebook define como: “um anúncio criado por um candidato a cargo eletivo, um partido político ou um comitê de ação política, ou em seu benefício; que preconize um resultado para uma eleição para cargo eletivo; que se relacione à votação em uma eleição para cargo eletivo; que se relacione com qualquer questão legislativa nacional de importância pública no lugar onde o anúncio está sendo veiculado; ou que seja um anúncio por qualquer outro motivo considerado político ou relacionado às eleições”.

Também se exige dos anunciantes dos EUA que divulguem quem está pagando pelo anúncio. E, para confirmar o endereço de correspondência, o Facebook enviará uma carta com um código de acesso único. É uma extensão da proposta que a empresa esboçou em outubro, ao incluir entre as etapas sugeridas para “transparência adicional” que os anunciantes que veiculam anúncios políticos fossem forçados a confirmar apenas sua localização e sua identidade. Em abril, o Facebook endureceu as regras para incluir “anúncios sobre questões de importância”, além dos anúncios relacionados às eleições.

Há apenas duas semanas, o CEO do Facebook Mark Zuckerberg depôs diante de membros do Congresso, e respondeu perguntas sobre a coleta de dados de usuários pela Cambridge Analytica, a interferência da Rússia nas eleições, o monopólio das plataformas e as práticas de privacidade, entre outras questões.

Foto principal: Mark Zuckerberg, CEO e fundador da empresa Facebook Inc., sai para o intervalo durante uma audiência conjunta dos comitês Judiciário e de Comércio do Senado, em Washington, D.C., em 10 de abril de 2018.

Tradução: Deborah Leão