Silhuetas de participantes durante uma festa comemorando a eleição do candidato Republicano à presidência, Donald Trump, no hotel Hilton Midtown, em Nova York, na noite de 8 de novembro de 2016.

Silhuetas de participantes durante uma festa comemorando a eleição do candidato Republicano à presidência, Donald Trump, no hotel Hilton Midtown, em Nova York, na noite de 8 de novembro de 2016.

Foto: Andrew Harrer/Bloomberg/Getty Images

Pesquise no Google “Trump é racista?”: vai descobrir que, só na última semana, pelo menos três grandes veículos de mídia abordaram essa exata questão.

No jornal Chicago Tribune, o colunista Clarence Page pergunta: “O presidente Trump é racista, ou só age como tal?” Na CNN, Mallory Simon e Sara Sidner propõem que “Trump diz que não é racista”, mas “[n]ão é assim que os nacionalistas brancos enxergam”. E na revista New York, a manchete não esconde o jogo e declara: “A negação do racismo de Trump pelos Republicanos é um absurdo”.

Tendo a concordar. Parece que, ao longo desse último ano, finalmente se chegou a um consenso, pelo menos entre a esquerda política, de que o presidente Donald Trump é, de fato, racista. Os liberais em geral se afastaram dos eufemismos como “conteúdo racial” e “polêmica racial” e começaram a falar com todas as letras. “Apenas Digam”, era uma manchete de janeiro no New York Times. “Trump É Racista”.

Mas a discussão sobre como os políticos devem descrever os apoiadores de Trump é uma questão bem diferente. Alguns eleitores de Trump certamente são racistas, mas vale a pena para os políticos o risco estratégico de apontar os dedos para eles?

O senador Bernie Sanders, independente por Vermont, se viu em maus lençóis na semana passada, depois de dar uma declaração desastrada ao site Daily Beast dizendo que os eleitores que rejeitaram candidatos negros por serem negros talvez não sejam racistas.

A fala completa de Sanders, que não consta do artigo do Daily Beast, mas foi divulgada depois num clipe de áudio, incluiu uma dura condenação ao racismo. Ao ser indagado sobre o “viés racial” das campanhas para governo estadual conduzidas por Brian Kemp, na Geórgia, e Ron DeSantis, na Flórida, contra os candidatos afro-americanos Stacey Abrams e Andrew Gillum, respectivamente, Sanders corrigiu o repórter, dizendo: “Por que não usamos a palavra certa, em vez da expressão ‘viés racial’? Por que não dizemos ‘racista’, que tal?” Sanders prosseguiu, descrevendo Gillum como alguém que enfrentou os ataques de “racismo mais feios e descarados que presenciamos em muitos, muitos anos”.

Porém, ao debater se os eleitores, e não os candidatos, poderiam ter agido em função de seu racismo, Sanders pareceu tergiversar. “Existem muitas pessoas brancas por aí que não são necessariamente racistas, e que se sentiram desconfortáveis pela primeira vez em suas vidas sobre quererem ou não votar em uma pessoa afro-americana”, disse ele.

Obviamente, como muitos apontaram, o comentário de Sanders não faz muito sentido. Deixar de votar em um candidato em razão de sua raça é, por definição, racismo, e Sanders deveria ter sido mais criterioso antes de propor o contrário.

Porém, boa parte das críticas que se seguiram estavam centradas no que teria sido uma tendência percebida em Sanders de “minimizar” o racismo, alegação que não se sustenta pela transcrição da entrevista, nem por sua declaração subsequente: “Vou ser absolutamente claro: Donald Trump, Brian Kemp e Ron DeSantis conduziram campanhas racistas (…) Eles usaram o discurso racista para dividir a população e avançar em pautas que prejudicam a maioria dos americanos.” No mesmo dia, mais tarde, em entrevista à rede NPR, ele explicou que “não se discute que, na Geórgia e na Flórida, o racismo mostrou suas garras, e tivemos candidatos que concorreram com Gillum e concorreram com Stacey Abrams que eram racistas e fizeram tudo que estava ao seu alcance para jogar os brancos contra os negros”. Ele já foi igualmente direto em outras ocasiões, como em sua aparição na rede MSNBC em agosto, quando disse: “acho que precisamos melhorar um bocado para alcançar algumas dessas pessoas. Não vou negar nem por um segundo que alguns desses apoiadores são racistas, sexistas, homofóbicos, xenófobos. Isso é verdade.” No entanto, disse ele, “não acredito que sejam a maioria”.

Em resposta, alguns críticos ainda comentaram que “em nenhuma das declarações Sanders condenou os eleitores por apoiarem candidatos racistas”. Para eles, não era suficiente que Sanders apontasse o racismo ou os políticos racistas. O teste decisivo, aparentemente, era saber se ele chamaria os eleitores de racistas. Isso reabriu um debate, já conhecido desde que Hillary Clinton chamou os eleitores de Trump de “deploráveis”, a respeito da forma como os políticos devem se referir aos eleitores racistas. Deveriam os políticos acusar os racistas, ou evitar esse confronto na esperança de construir uma coalizão mais ampla que possa atacar com mais força políticas e sistemas racistas?

O então candidato dos Democratas à presidência dos EUA, Barack Obama, aperta a mão do Republicano John McCain ao fim do último debate presidencial na Universidade Hofstra em Hempstead, Nova York, em 15 de outubro de 2008.

O então candidato dos Democratas à presidência dos EUA, Barack Obama, aperta a mão do Republicano John McCain ao fim do último debate presidencial na Universidade Hofstra em Hempstead, Nova York, em 15 de outubro de 2008.

Foto: Emmanuel Dunand/AFP/Getty Images

Os políticos precisam ser persuasivos. Eles podem ser muitas coisas para diferentes pessoas, precisam representar as massas, e alcançar milhares, talvez milhões de pessoas.

Consequentemente, deixando de lado os extremos como supremacistas brancos, terroristas e abusadores, os políticos normalmente adotam uma abordagem “o eleitor tem sempre razão”. Eles podem ser adulados, mas raramente são criticados.

Situações em que os políticos contradizem publicamente um eleitor comum são tão raras e inesperadas que se tornam icônicas, como aconteceu quando o falecido senador John McCain desajeitadamente corrigiu um de seus apoiadores, que alegava que o então senador Barack Obama era “um árabe” e por isso não merecia confiança; ou quando o candidato do Texas ao Congresso, Beto O’Rourke, verbalizou seu apoio a Colin Kaepernick para um eleitor que declarou considerar os protestos do jogador “desrespeitosos”.

É preciso coragem para contradizer um eleitor quando sua carreira depende de votos, e esses momentos de integridade política e pessoal são festejados com razão. Porém, mesmo nessas circunstâncias, O’Rourke e McCain entenderam que os eleitores precisavam ser tratados, bem, politicamente.

McCain não chamou de racista a mulher que se opunha a Obama em razão de sua (equivocada) identidade, mesmo sendo claro que é racista rejeitar um candidato por questões raciais. E O’Rourke não argumentou que a antipatia pelos protestos Black Lives Matter na NFL se fundamenta num sentimento anti-negros, embora ele tivesse motivos para fazê-lo. Em vez disso, ambos responderam com elegância estratégica. O’Rourke, particularmente, preparou o terreno para a comunicação produtiva ao conceder logo de saída que “pessoas razoáveis podem discordar sobre esse assunto”, e estabelecer que as pessoas não são “menos americanas por chegar a diferentes conclusões sobre o assunto”.

Ainda que você questione a ideia de que seja possível divergir sobre a questão da violência policial dentro da razoabilidade, é difícil negar que o argumento de O’Rourke se beneficiou dessa suavização. A abordagem dele, que para alguns é simplesmente “política bem-feita”, reconhece o que Zak Cheney-Rice observou, ao escrever sobre Sanders na revista New York, quando disse que “chamar de ‘racistas’ as pessoas brancas racistas é provavelmente uma boa forma de garantir que elas não votem em você”. Os 72% de brancos que compõem os EUA são uma parte necessária a qualquer coalizão política, e a distribuição geográfica dos grupos étnicos, combinada ao sistema de colégios eleitorais, faz com que os votos brancos tenham mais peso que os outros.

Hillary Clinton sentiu as consequências de chamar os eleitores de racistas quando sua gafe sobre os “deploráveis” se tornou uma das controvérsias mais marcantes de sua campanha presidencial em 2016. E Gillum aparentemente percebeu o risco de chamar seu oponente Republicano de racista abertamente, e por isso preferiu dizer que: “Não estou chamando o Sr. DeSantis de racista. Estou apenas dizendo que os racistas o consideram racista.” (Mas mesmo essa artimanha habilidosa pode ter prejudicado Gillum, que perdeu as eleições.)

Obama – que conseguiu operar o “terceiro trilho” da política racial americana com mais sucesso do que praticamente qualquer outro político – se recusou a confrontar os racistas diretamente. Durante seu famoso “discurso racial” em 2008, ele se esforçou ao máximo para enfatizar que, embora sua própria avó branca tenha manifestado preconceito, ela se sacrificou por ele, e o amava “mais do que qualquer coisa nesse mundo”: essa escolha de enquadramento mostra que Obama reconhecia que maiores avanços seriam possíveis ao oferecer um caminho para trazer as pessoas com opiniões preconceituosas para perto, em vez de humilhá-las. Ele venceu não por chamar os eleitores de racistas, mas por sugerir que eles poderiam se “aperfeiçoar”.

Gostando ou não, as opiniões dos eleitores brancos interessam, e os políticos precisam equilibrar a validação que as comunidades marginalizadas merecem com as ansiedades dos eleitores brancos. Como observou Cheney-Rice, é frustrante que a sensibilidade dos eleitores brancos ao ser chamados de racistas muitas vezes se torne um ponto central da discussão nacional, em detrimento das efetivas consequências de sofrer racismo.

As consequências de não levar em conta os eleitores brancos na estratégia de comunicação política são mais do que frustrantes.

Mas as consequências de não levar em conta os eleitores brancos na estratégia de comunicação política são mais do que frustrantes. Para milhões de americanos negros e pardos, LGBTQ, mulheres, imigrantes e pessoas com deficiências, essas consequências são existenciais. Apenas nos últimos dois anos, as proteções ao direito de voto foram demolidas, os direitos das pessoas transgênero foram retirados, e o déficit público explodiu para dar benefícios tributários aos ricos – e isso é só a ponta do iceberg. Se os Democratas não conseguirem vencer em 2020, as coisas só irão piorar.

O que preocupa Cheney-Rice é que uma “indisposição a alienar os eleitores racistas inevitavelmente leva a bajular esses eleitores”, e isso é uma preocupação comum. Eu diria, porém, que não há nada de inevitável a esse respeito. Na medida em que políticos colocaram os interesses dos eleitores brancos acima dos demais, isso foi uma escolha, e não algo intrínseco à formação de coalizões multirraciais.

Os políticos, incluindo os Democratas, frequentemente exploram o viés de raça para obter poder num país etnicamente diverso, embora majoritariamente branco. A estratégia de terceira via aperfeiçoada por Bill Clinton dependia do racismo de direita para manter os não brancos alinhados ao Partido Democrata enquanto o próprio Clinton fazia uma guinada ao centro. Ele assumiu o papel de candidato que defende o corte dos gastos sociais e a linha dura contra o crime, e estava tão preocupado com os eleitores “lei e ordem” que fez uma pausa em sua primeira campanha presidencial para supervisionar pessoalmente a execução de um homem negro funcionalmente lobotomizado.

Distintamente, porém, de muitos Republicanos e de alguns Democratas moderados, vários candidatos progressistas atuais buscam aumentar o alcance, oferecendo políticas de amplo espectro, universais – sem instrumentalizar a política identitária. Embora rejeitem a tirania da maioria branca em prol de uma solidariedade interracial e interclasse, são frequentemente recebidos com um ceticismo que é compreensível, embora injustificado. Palavras como “bajular”, “cortejar”, e “adular” – e novas gírias como “passar pano para os brancos” – são frequentemente mencionadas quando se questionam as motivações políticas dos eleitores brancos para além da questão do racismo.

Porém, nem toda ação política é bajulação, e cabe aos jornalistas serem diligentes com essa distinção: os sentimentos racistas ou estereótipos de um grupo estão sendo explorados, ou os interesses de vários grupos estão sendo genuinamente atendidos? Se tratarmos da mesma forma os esforços genuínos de comunicação, ainda que desastrados, e a politicagem identitária cínica, corremos o risco de frustrar os esforços para conceder o máximo de benefícios aos mais vulneráveis da sociedade. E os vulneráveis não podem correr esse risco.

Um membro da plateia veste uma camiseta onde se lê "Orgulho de Ser um Deplorável do Trump" enquanto o presidente Donald Trump discursa em um comício em Murphysboro, Illinois, em 27 de outubro de 2018.

Um membro da plateia veste uma camiseta onde se lê “Orgulho de Ser um Deplorável do Trump” enquanto o presidente Donald Trump discursa em um comício em Murphysboro, Illinois, em 27 de outubro de 2018.

Foto: Andrew Harnik/AP

Os defensores de Hillary Clinton costumam comentar que o discurso sobre os “deploráveis” era bastante correto: qualquer um que dê apoio à mensagem de racismo, sexismo, xenofobia e islamofobia que vem do governo Trump é deplorável.

Alguns eleitores de Trump são indubitavelmente racistas. O racismo, porém, é um fenômeno popular que independe de partido. Uma pesquisa muito comentada da Reuters/Ipso, em 2016, mostrou que mais de 30% dos eleitores de Trump consideravam que os negros eram menos “inteligentes” que os brancos, enquanto 40% os consideravam “preguiçosos”. Foi pouco noticiado, porém, o fato de que 20% dos eleitores de Hillary Clinton concordavam. Esse número é especialmente preocupante se considerarmos que, sem os 22% de eleitores negros de Clinton, talvez não houvesse muita diferença entre os eleitores brancos, independentemente de onde se posicionem no espectro político.

A prevalência do racismo significa que a maior parte das acusações de racismo é verdadeira, mesmo que apenas por uma definição ampla que inclui o viés implícito e os sistemas estruturais com os quais a maioria dos americanos é conivente. Embora seja algo tão comum, são poucas as pessoas que se enxergam como racistas, e esse fato neutraliza a eficácia das acusações de racismo. Os acusados costumam entrar na defensiva e se tornar ainda mais resistentes à mudança. “Dizer às pessoas que elas são racistas, sexistas, ou xenófobas não leva você a lugar nenhum”, diz Alana Conner, diretora-executiva do Centro de Respostas Sociopsicológicas a Questões do Mundo Real da Universidade de Stanford. “É uma mensagem muito ameaçadora. Uma das coisas que aprendemos com a psicologia social é que, quando as pessoas se sentem ameaçadas, elas não conseguem mudar, não conseguem ouvir.” Como já argumentei antes, o escracho, embora catártico, simplesmente não funciona.

O abismo entre o que é o racismo e o que o americano médio considera que seja está na raiz dessa contradição racial. Acusar ou não os eleitores nem sempre é uma questão de temeridade política. Pode ser uma questão de estratégia política.

Acusar ou não os eleitores nem sempre é uma questão de temeridade política. Pode ser uma questão de estratégia política.

A diferença entre Sanders e outros políticos Democratas (e eleitores liberais) não é uma relutância em apontar o racismo. É que ele não está disposto a considerar que pessoas com opiniões preconceituosas estejam fora do alcance político – entendendo, talvez, que o racismo é uma patologia de que poucos escapam. É a diferença entre enxergar o racismo como algo mutável e suscetível à influência da persuasão (isto é, à política), ou como algo intrínseco, estático, e essencialmente corruptor.

Sempre achei que a parte mais problemática da declaração de Hillary Clinton tinha sido o uso que ela fez da palavra “irremediável”. Eleitores irremediáveis não apenas têm posicionamentos repugnantes. Eles são permanente e essencialmente tóxicos. Ao chamar metade dos eleitores de Trump – milhões de americanos – de “deploráveis”, ela transformou esse adjetivo em um substantivo, e metamorfoseou ações e opiniões reprováveis em pessoas intocáveis. A ojeriza pessoal de cada um pelo racismo não deveria excluir a compreensão de que um presidente, responsável por todos aqueles que vivem dentro das fronteiras de um Estado, não pode considerar que nenhum cidadão seja impossível de resgatar.

Os liberais parecem concordar, em alguma medida, que o racismo é mutável. A despeito de certas narrativas históricas deterministas que se tornaram populares nos últimos anos, eles comemoram o fato de que níveis mais altos de escolaridade estão correlacionados com opiniões políticas liberais – da mesma forma que residir em áreas urbanas miscigenadas. Mas mesmo reconhecendo que a exposição à diversidade é um antídoto contra o preconceito, muitos ainda desdenham do conservadorismo dos americanos do interior como se eles mesmos não fossem ter visões políticas diferentes caso tivessem nascido em Boise, Idaho.

Sanders adota uma abordagem mais humanista. Ele já foi repreendido diversas vezes por acreditar que alguns eleitores de Trump poderiam ser convencidos a pensar de outra forma, e por se recusar a excluir todos eles como “irremediáveis”. Ele já foi criticado por abrir espaço para reabilitá-los e reintegrá-los ao Partido Democrata – mesmo quando deixou claro que nem todos poderiam ser convencidos. Há mais de dois anos ele viaja pelo país, visitando partes dos EUA que há muito foram abandonadas pelo Partido Democrata – estados de maioria Republicana cheios de eleitores negros, e estados com eleitores brancos que costumavam votar nos Democratas – divulgando as políticas progressistas que em razão disso se tornaram de uso corrente. Mas poucos dos que o criticam param para refletir sobre a relação entre a abordagem inclusiva e imparcial de Sanders e a prevalência cada vez maior de suas ideias.

Sanders alinhavou isso muito bem em seu pronunciamento na sequência do artigo do Daily Beast. Ele aparentemente se baseou em um relatório da organização Demos, do começo do ano, que mostra que os assim chamados “eleitores suscetíveis”, que se encontram no meio do espectro político, são os mais receptivos às mensagens políticas que condenam o 1% por explorar a divisão racial. Ao apelar para a crença dos eleitores de que eles próprios não são racistas, de que estão acima do discurso divisionista, concede-se a esses eleitores a oportunidade de se posicionar ao lado do anti-racismo, e contra o inimigo mais poderoso: os oligarcas corporativos. “Não é só que os políticos nos dividem em razão da nossa aparência, mas eles o fazem para reescrever as regras e forrar seus bolsos” foi uma mensagem que se saiu bem nos testes, segundo o estudo da Demos. “Não é só que eles geram medo com base na raça, mas eles o fazem para beneficiar a minoria dos ricos às nossas custas” foi outra. Ou como Sanders colocou em sua resposta na quinta-feira (15), “eles usaram o discurso racista para dividir a população e avançar em pautas que prejudicam a maioria dos americanos”.

A resposta então é ignorar o racismo individual? De forma alguma. Eu só questiono a utilidade de acusar os eleitores de racistas – e não as políticas, os políticos, ou outras figuras públicas. Também não estou sugerindo que os políticos devam ficar calados com relação a comentários ou comportamentos preconceituosos, independentemente de quem os faça. No entanto, apontar que atos, opiniões ou sistemas são racistas é diferente, e é muito mais eficiente do que se concentrar nos indivíduos, que têm grandes chances de ficarem na defensiva e resistirem a mudar. Não é que os políticos devam fazer qualquer coisa para vencer, mas eles não deveriam se vincular a uma estratégia que nem reduz o racismo, nem os ajuda a obter o poder político necessário para melhorar as vidas das pessoas.

Se os Democratas querem ter qualquer chance de vitória em 2020, eles precisam reavaliar se pretendem colocar seus políticos mais convincentes e progressistas entre a cruz e a espada, sem chance de vencer.

Tradução: Deborah Leão