Os estudos de João Roberto Martins Filho são a prova de que, no Brasil, os conflitos se repetem, nunca cessam. Quando ele iniciou o mestrado, nos anos 1970, o país estava sob domínio dos militares e, nas ruas, a oposição mais ruidosa emergia da ala estudantil. Na época jovem acadêmico e fã de História, Martins se interessou pelo tema e se debruçou sobre documentos, entrevistas e livros para entender os grupos de estudantes na ditadura militar. O resultado lhe rendeu tese de mestrado na Unicamp, mas o principal fruto que colheu foi o fascínio pelo plano de fundo da pesquisa: as disputas internas das Forças Armadas do Brasil, assunto pouco explorado na academia.
Nos anos seguintes, Martins Filho se tornou uma referência no tema. Foi ele que, no doutorado, refutou a ideia de que havia apenas dois grupos que explicavam o regime — o moderado, dos castelistas, e o linha-dura. Na sua tese, adotada até hoje por outros estudiosos, mostrou como as divisões internas nas casernas eram numerosas e complexas.
Hoje, 25 anos depois, o pesquisador se concentra em atividade similar, mas para tratar do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro. Com adaptações ao método de outrora — agora, além de pesquisas, leituras e conversas, também vasculha redes sociais — ele busca mapear os diferentes interesses entre os militares no poder. Suas conclusões não são animadoras: se, de um lado, o alto escalão do Exército que apoiou Bolsonaro na campanha não está feliz com o governo, de outro, o baixo escalão está insatisfeito com o próprio Exército. Para Martins Filho, não é difícil imaginar que, num cenário de extrema crise, Bolsonaro possa usar de sua influência entre os postos inferiores do Exército para provocar uma revolta, uma inquietação popular.
A percepção do pesquisador tem fundamento: o comportamento errático de Bolsonaro. No mês passado, quando enfrentava sua pior crise de popularidade e via protestos em massa contra os cortes na educação, o presidente apoiou manifestações favoráveis a seu governo que tinham como alvo pilares democráticos como a Câmara dos Deputados e o Superior Tribunal Federal. “Nada impede que, ao se sentir ameaçado, dentro da sua tradicional irresponsabilidade, o presidente também faça acenos para os escalões inferiores do Exército”, conta Martins Filho ao Intercept. “Seria um desastre. E essa possibilidade só existe porque o Exército, em vez de ficar profissionalmente fora da política, decidiu apoiar Bolsonaro.”
Martins Filho acredita que parte da tensão que vivemos agora se deve ao fato de que os militares — sobretudo o Exército — erraram ao voltar ao protagonismo da política. Hoje são oito representantes das Forças Armadas nos ministérios, número maior do que todos os governos da ditadura militar. Para ele, os militares endossaram, em nome do antipetismo, com o claro objetivo de afastar a centro-esquerda do poder, um candidato que, agora percebem, é despreparado para funções básicas do cargo. “Me parece que os militares entraram nesse projeto para criar uma imagem positiva entre a população, mas, na prática, foi um tiro pela culatra”, diz.
Pouco antes do regresso das Forças Armadas ao centro do poder, Martins Filho se concentrava em estudar práticas repressoras da ditadura. Professor titular da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo, ele destrinchava a colaboração do governo da Inglaterra com o do Brasil para criar um aparelho de repressão com salas de tortura no Rio de Janeiro. Com espanto, viu, em 2015, políticos e eleitores de classe média celebrarem a figura do torturador Coronel Brilhante Ustra durante o rito que culminou o impeachment de Dilma Rousseff. Ali percebeu que era hora de mudar seu foco para o presente. “Ninguém pode dizer que a classe média não sabia quem era Bolsonaro”, fala Martins Filho. “Um homem capaz de elogiar tortura, de elogiar ditadura, de dizer que ia metralhar os petistas, expulsar os petistas do Brasil. Todo mundo sabia quem era esse homem. Uma vez eleito com 58 milhões de votos, continuou sendo quem era. E é nesse ponto que estamos.”
Conversei com Martins Filho por uma hora e meia no começo de junho. Ele falou da demissão do general Santos Cruz, da relação do governo com Mourão e outros generais e dos possíveis riscos que Bolsonaro representa à democracia.
Intercept – Qual é o tamanho real da influência do presidente entre os militares?
João Roberto Martins Filho – Com exceção da eleição de 2014, quando teve votação mais expressiva, Bolsonaro sempre se elegeu deputado federal com aproximadamente cem mil votos, não muito mais ou muitos menos do que isso. Foram seis eleições com retrospecto parecido. Seu eleitorado sempre foi a família militar, sargentos e soldados. Ele passou 28 anos falando para esse pessoal. Nesse caminho fez coisas absurdas, como elogiar o governo militar.
Bolsonaro era desprezado nos escalões maiores. O general Ernesto Geisel falava que Bolsonaro era um péssimo militar, por exemplo.
Nos escalões mais altos, como coronel e tenente-coronel, ele sempre foi considerado um péssimo exemplo porque mal chegou a capitão e publicou uma carta à revista Veja para reclamar de salários. Só não foi punido porque se percebeu uma grande insatisfação nos setores mais baixos do Exército e houve certo receio de transformar o caso num pólo de agitação. Então ele acabou sendo afastado da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e com isso não poderia mais progredir na carreira. Bolsonaro era desprezado nos escalões maiores. O general Ernesto Geisel falava que Bolsonaro era um péssimo militar, por exemplo.
No inquérito, o oficial responsável diz que Jair Bolsonaro era um homem de extrema ambição financeira. Não era feito para carreira militar. Mas, como o eleitorado dele era de famílias militares, sempre ficou com pé em cada coisa. Sentia que era militar sendo um político. Uma vez que assume o poder, é o mesmo jogo. Ele pensa, acima de tudo, nele próprio. Interessa a ele manter a corte de militares na medida que fortaleça o poder dele. Quando tentam controlá-lo, ele mobiliza outro setor, o da extrema direita. O que acho errado é chamar essa ala de extrema direita de ideológica. Ideológico todos eles são. O que levou todos a apoiar o Bolsonaro foi o antipetismo.
Durante as eleições, as Forças Armadas demonstraram apoio a Bolsonaro. Muitos oficiais fizeram até campanha. Você diria que hoje a relação entre as duas partes não é tão sólida quanto parecia na época das eleições?
A questão fundamental era afastar a centro-esquerda, e Bolsonaro conseguiu. Quase perdeu a eleição, mas conseguiu. Se não houvesse acontecido o atentado em Juiz de Fora durante a campanha, não sabemos o que poderia acontecer. O fato é que, uma vez entendido que ele era a única opção para afastar a centro-esquerda, os oficiais engoliram muitas coisas. A sucessão de fatos que veio depois, porém, é lastimável. É impossível achar que oficiais da Aeronáutica, da Marinha e do Exército não se incomodem com as declarações e as posturas do presidente, nem que não sejam mais inteligentes do que Bolsonaro.
Sinto que há oficiais que ridicularizam algumas bandeiras como esta última de Bolsonaro, a de transformar Angra dos Reis numa Cancun. Como que alguém com mínimo de inteligência pode achar que isso é a bandeira de um Presidente da República? Então acho que, ao apoiar Bolsonaro como alternativa para derrotar centro-esquerda, os militares deram um crédito de confiança, mas, desde então, ele tem se revelado um presidente que envergonha o país. Isso também tem efeito dentro das Forças Armadas.
De onde vem o antipetismo das Forças Armadas? Em recente entrevista à Folha de S.Paulo e ao El País, Lula mencionou que modernizou instalações, que comprou equipamentos para os militares e que tinha bom diálogo com os oficiais. Quando a situação começou a ficar hostil para os petistas dentro das casernas?
O antipetismo é uma atitude irracional de parte dos setores da Forças Armadas, principalmente do Exército. Como tal, tem uma série de motivações. Eu diria que as Forças Armadas aderiram ao moralismo de classe média na luta anticorrupção, como se tivessem finalmente achado o motivo de toda a corrupção do país no PT. Por outro lado existe o preconceito de classe média que nunca foi resolvido, mesmo na época de boa popularidade de Lula, que nunca admitiu que um trabalhador chegasse à presidência da República, embora durante o governo de Lula e de parte do governo de Dilma as Forças Armadas tenham se adaptado à direção civil por meio do Ministério da Defesa.
‘O Exército aderiu institucionalmente à candidatura Bolsonaro.’
Um terceiro motivo, e esse é bastante concreto, foi a questão da Comissão Nacional da Verdade, as investigações que ela fez e o relatório que ela divulgou culpando toda a cadeia de comando das cinco Presidências da República, os generais, entre 1964 e 1985. E o quarto motivo foi o fato de que o PT, numa reunião de diretório nacional, aprovou uma moção dizendo que deveria ter mexido no currículo das escolas militares, entre outras medidas que não tomou. Esse moção foi aprovada no congresso nacional do PT e foi completamente inoportuna. Isso porque o PT teve três mandatos e meio pra ter uma política de defesa e essa política foi, digamos, em grande parte favorável às Forças Armadas. Não tinha sentido dizer o que não foi feito e provocar uma grande área de atrito com as Forças armadas que já tinham essa postura antipetista. O PT fez muito pelas Forças Armadas, as instalações foram modernizadas, houve novas construções, houve manutenção, houve a retomada do submarino nuclear, houve o projeto dos submarinos convencionais em acordo com a França, houve o fechamento do acordo com os caças da Suécia, houve uma série de projetos do Exército aprovados. Do ponto de vista das verbas no investimento das Forças Armadas, a época do PT foi uma época de ouro.
Hoje tanto Bolsonaro quanto os ministros afirmam que não existe uma ala militar no governo. Você, ao contrário, parece entender que não só há uma óbvia ala militar como ela também possui conflitos internos. Quais são os motivos de rusgas?
No governo militar, sempre se procura dizer que os militares atuam unidos. Hoje é a mesma coisa. Você nunca vai ver um militar reconhecer que há conflitos, “partidos”, digamos assim. Mas o fato dos generais falarem sempre à imprensa significa que eles assumiram papel fundamental no governo Bolsonaro. Então, a primeira constatação é que houve, infelizmente, uma volta dos militares à política. Esse retorno foi organizado pelo então comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas (ele ocupou o cargo de 5 fevereiro de 2015 a 11 de janeiro de 2019).
Você percebe essa intenção pelas declarações que ele começou a dar depois da queda da Dilma Rousseff em 2016. Quando ela caiu, houve uma mudança de postura do Exército. O Exército aderiu institucionalmente à candidatura Bolsonaro. Os militares que hoje estão no governo formam uma ala militar, queiram ou não. A segunda constatação é que, ao se tornar parte do governo, eles inevitavelmente entram na luta política. Todo o governo tem luta política interna. O que não está claro é como eles vão se acomodar a esse conflito externo, com a ala civil.
Os militares precisam se adaptar ao conflito com a ala de Olavo de Carvalho, você diz?
Isso. Mesmo que os militares não quisessem ser uma ala militar, há uma ala civil, uma ala de extrema direita, a que segue os ensinamentos de Olavo de Carvalho — a exemplo dos filhos de Bolsonaro e o ministro das relações exteriores —, que está medindo força há meses com a ala militar. Ultimamente, resolveram ficar quietos, mas é algo que não deve durar muito. Pois é só essa ala civil perceber alguma influência maior dos militares que vão voltar a atacar.
E entre os próprios militares, por trás do falso discurso de unidade, há grandes conflitos?
A questão é saber se os militares do alto comando, mais profissionais e pouco envolvidos em política, vão se distanciar do governo Bolsonaro com o desenrolar do processo político. Poderia haver, assim, um distanciamento entre os militares que são muito próximos ao Bolsonaro, palacianos, e os militares da ativa. Outro problema do Exército é saber se o Bolsonaro, em algum momento, vai precisar usar as bases políticas dele. Isso significaria também apelar às forças inferiores do Exército. Aí já houve sinais de que pode haver algum tipo de inflamação, principalmente nas redes sociais. Isso se Bolsonaro se sentisse ameaçado. Não sabemos se isso acontecerá ou não.
Existe o risco de uma revolta de baixas patentes inflamada pelo próprio Bolsonaro?
É uma situação extrema. Só surgiu a ameaça quando os militares divulgaram o que chamaram de versão da reforma da previdência militar. Muitos ali perceberam que era, na verdade, um projeto de reestruturação de carreira. Essa postura pegou muito mal nos postos de major pra baixo, porque não trazia benefícios para os oficiais e praças e sargentos, trazia apenas para os postos mais altos. Houve um surto de manifestações nas redes sociais desses setores inferiores. Sabemos disso porque o comandante do Exército foi obrigado a se manifestar.
Há uma latência e uma contradição desses fatores que ficaram claras nesse episódio da reforma. Os militares, principalmente sargentos, também têm queixas constantes sobre como os oficiais usam sargentos e soldados para fazerem serviços pessoais. Isso pega muito mal. Muitos deles atuam como empregados domésticos sendo militares. O Bolsonaro sabe explorar essa revolta muito bem. É isso que está em jogo, e muitas pessoas não sabem disso. Para virar uma rebelião, seria numa situação extrema, algo que não estamos vendo agora. Mas é uma potencialidade. Bolsonaro pode apelar para o eleitorado dele, composto sobretudo pelo baixo escalão, e acontecer alguma rebelião. O primeiro eleitorado dele é essa turma, a oficialidade baixa, os sargentos, que não tinham como se expressar e se expressavam através dele.
Qual seria o estrago dessa revolta de baixa patente?
Seria o pior dos estragos. Já há um estrago: o fato de que os militares foram levados ao centro da vida política. Foram xingados e atacados como nunca tinham sido em outro governo, desses que ele, Bolsonaro, vive atacando. Nos últimos 24 anos, nenhuma autoridade desses governos — FHC, Lula e Dilma — ofendeu generais em público como aliados do Bolsonaro fizeram. O pior dos estragos seria mexer com a hierarquia dentro das Forças Armadas. Como o governo é populista, que morde e depois assopra, capaz de articular pressões em protestos, como fizeram com Rodrigo Maia no último dia 26, com bonecos e tudo, nada impede que, ao se sentir ameaçado, dentro da sua tradicional irresponsabilidade, o presidente também faça acenos para os escalões inferiores do Exército. Isso seria um desastre. E essa possibilidade só existe porque o Exército, em vez de ficar profissionalmente fora da política, decidiu apoiar Bolsonaro.
Que impacto poderia ter a reforma da previdência dos militares?
É uma incógnita, eles não só se desprestigiaram muito ao tentar escapar da reforma da previdência, como também criaram uma divisão. Conversei com militares da reserva em relação a essa proposta e, entre os que estão de major pra baixo e os que estão acima de major, não se sabe como vai estar. O tema desapareceu. Quando o tema voltar, vamos ver a repercussão.
Qual o interesse da entrada do Exército na política? O que interessa a eles agora que estão lá?
O Exército nunca perdeu ideia de que é uma espécie de pai da nação. E sempre se referiu ao artigo 142 da Constituição, que fala da Garantia da Lei e da Ordem, interpretando-o como se dissesse que, em último caso, a Constituição permite uma intervenção. O fato é que não, a Constituição não permite. Ela permite intervenção militar em locais determinados por solicitação de um dos poderes da República, nunca a Constituição permitiria que os militares viessem para salvar a pátria.
‘O que ocorre é que o governo Bolsonaro é associado a generais, não a almirantes ou brigadeiros’.
Essa ideia de salvador da pátria continua a existir no Exército. Só que, num ambiente democrático, o Exército foi se adaptando ao ambiente civil. O Exército entrou na política porque, em primeiro lugar, tinha um projeto conservador que era afastar o PT. Isso se percebe em qualquer entrevista, eles realmente odeiam o PT. E, depois, o Exército também tem um segundo objetivo que é mostrar como ajudar o país a encontrar estabilidade. Acho que idealmente não seria pela via de um governo Bolsonaro, mas o mais importante era afastar a centro-esquerda. A partir daí, segundo eles, o Brasil se encaminharia. O Exército então mostraria que tem quadros que podem ajudar o país a sair do buraco.
Na prática, nada disso aconteceu. Os militares estão num governo de opereta. Eles se submeteram a constantes vexames. Além de serem xingados, Bolsonaro arrastou o Exército e as Forças Armadas para comemorar o Golpe de 64. Isso foi transmitido para todo mundo, não era o que os militares queriam. O Exército sempre fez isso discretamente. Ele associou os militares à ditadura militar, o que foi um golpe baixo. Então, me parece que os militares entraram nesse projeto para criar uma imagem positiva entre a população, mas, na prática, foi um tiro pela culatra.
No caso da Aeronáutica e da Marinha, os interesses são outros?
Hoje você tem uma aberração que é o general como ministro da Defesa. Quando foi criado o Ministério da Defesa, o maior medo da Marinha era que caísse na mão do Exército. Porque o ministério foi criado para ser civil. Então, a Marinha engoliu o ministério, mas não apoiava. Uma vez criado o ministério da Defesa, houve muitas quedas de ministros, mas surgiu uma cultura de comando civil dos militares. A primeira coisa é essa. Nessa onda conservadora, tanto na Marinha quanto na Aeronáutica, a grande maioria votou em Bolsonaro, mas os comandos das duas percebem que o Exército está tendo um papel que sempre, historicamente, acharam exagerado, o de salvador da pátria. A Marinha recusa retoricamente esse papel. Depois, a Marinha também tem um projeto enorme, o do submarino nuclear, e a Força Aérea tem um projeto muito grande também, tecnológico, o dos caças suecos. São projetos que vão se estender por muitos anos, vão acabar quando não tiver mais governo Bolsonaro. Eles percebem que é perigosa a associação a um governo específico. Isso não quer dizer que não tenham entrado na onda conservadora e apoiado a candidatura Bolsonaro. Se você observar, o governo também tem almirantes, brigadeiros e coronéis, mas são pessoas que estão em cargos burocráticos e em quantidade bem menor do que em relação ao Exército. Na verdade, o que ocorre é que o governo Bolsonaro é associado a generais, não a almirantes ou brigadeiros. Nessa altura, então, a Marinha e a Força Aérea devem achar que fizeram bem. É um governo errático.
Como você avalia a atuação do Ministério da Defesa nesses primeiros meses de governo? Está sendo como o esperado?
A criação do ministério (ocorrida em 1999) foi um avanço nas relações entre civis e militares, inegavelmente, com todos os problemas. Tenho esperança que, com o passar do tempo, prepondere lá e no comando do Exército uma visão mais realista do que é o governo Bolsonaro e, assim, ocorra algum recuo para o profissionalismo. Tenho conversado com oficiais da reserva, que acabaram de sair, inclusive, e alguns deles, os mais lúcidos, consideram que a conta do fracasso do governo Bolsonaro vai ser jogado em cima do Exército. Isso é muito ruim para a imagem deles. Embora o Exército diga que é sempre bem avaliado na pesquisa de opinião pública, houve, pela primeira vez desde 1985, uma queda de popularidade na última pesquisa.
Visto de fora, pelo Twitter e pelas declarações dos olavistas, o general Hamilton Mourão atua como uma espécie de indesejado contraponto à ideologia bolsonarista. Era esperado que ele agisse assim? Faz parte da estratégia de Bolsonaro ou Mourão está, de fato, incendiando as articulações do governo?
Acho que existe uma contradição. O Mourão se coloca como alternativa se o governo Bolsonaro não der certo. Como ele também foi eleito, não pode ser demitido. Bolsonaro já deixou claro que demite sem escrúpulos, o que é uma característica da política no Brasil. Mas, veja, o Mourão declarou que tinha oito assessores antes do mandato. Ele elabora projetos e programas, ele foi treinado pra não soar como aquele general rude e ignorante. O Mourão passou a ter imagem de alguém equilibrado, que faz contraponto às barbaridades que Bolsonaro fala.
‘Pode-se dizer que o Congresso inteiro é mais capacitado do que o Bolsonaro’.
Para o país seria muito ruim as duas opções: esse governo que já temos e a outra a de um governo chefiada por um general que acabou de sair do Exército. É evidente que os empresários, a mídia, o setor da agricultura, os donos do poder estão considerando a possibilidade Mourão, mas, para uma perspectiva democrática, nenhuma das duas é boa. Era melhor deixar o governo Bolsonaro mostrando que o Brasil é um governo de direita do que dar uma recauchutada com um governo de alguém mais preparado, que é o Mourão.
Como você avalia a relação entre Bolsonaro e Mourão? Mourão, embora vice, é mais respeitado pelas Forças Armadas do que o presidente. Ele não parece ser um cara muito submisso…
O Roberto Requião, que foi muito importante no parlamento, fez um perfil psicológico do Bolsonaro como deputado de baixo clero que passou por inúmeros partidos e que era uma pessoa que tava sempre reagindo a qualquer pessoa que era mais capacitada do que ele. Ele tinha uma insegurança básica. Pode-se dizer que o Congresso inteiro é mais capacitado do que o Bolsonaro. Foi uma falha, aliás, não terem cassado o mandato dele por falta de decoro parlamentar. Havia base para isso. Então, a atitude do Bolsonaro com o Mourão, muito diferente de FHC com seu vice, de Lula com seu vice, até de Dilma com seu vice, ainda que este caso seja bem complexo, é justamente o medo de que o Mourão passe a perna nele. Isso nos leva a crer que ele é profundamente inseguro. Ele e os filhos acham que a rasteira está perto. O Mourão, para ele, é uma espécie de sombra, alguém que pode dar facada nas costas a qualquer momento. Ele não pode brigar com Mourão, porque ele é um fantasma pra ele e pros aliados mais próximos.
Na sessão de votação pelo impeachment de Dilma Rousseff, Bolsonaro fez uma saudação a Brilhante Ustra, um dos responsáveis por torturar pessoas na época da ditadura. Durante as eleições também vimos apoiadores do político usarem camisetas de Ustra. Como o senhor avalia essa normalização ou relativização de um comportamento abominável, como o ato de tortura, por parte de um chefe de estado e de muitos que o elegeram?
É evidente, está mais do que provado, até por inúmeras fontes absolutamente incontornáveis, que houve tortura no Brasil. Execuções, atos bárbaros, assassinatos e desaparecimentos, não há como negar. Há um documento oficial, um relatório da Comissão da Verdade. A coisa mais gritante é que Bolsonaro foi aplaudido pela classe média que tava assistindo à sessão do impeachment na Avenida Paulista. Ninguém pode dizer que a classe média não sabia quem era Bolsonaro. Um homem capaz de elogiar tortura, de elogiar ditadura, dizer que tinham matado 30 mil pessoas, que ia metralhar os petistas, expulsar os petistas do Brasil. Todo mundo sabia quem era esse homem. Uma vez eleito com 58 milhões de votos, continuou sendo quem era. Chegou a ponto de visitar Israel e dizer que Holocausto tem que ser perdoado. Tem certa dose de ignorância aí, de burrice, pode-se dizer, mas ele não tem o menor respeito pelo conhecimento histórico, não sabe nada de História do Brasil. Se fizessem uma sabatina com ele, tiraria uma nota sofrível em História, de qualquer período. Uma das coisas que queima o Exército no governo Bolsonaro é como esse homem passou na academia de Agulhas Negras, como não foi reprovado em História. É uma coisa interessante de se perguntar.
Durante a campanha, Bolsonaro citava bordões que prometiam acabar com comunistas. Esse inimigo imaginário se consolidou na mente de seus apoiadores, de modo que, ainda hoje, pelas correntes de WhatsApp, o principal alvo dos grupos bolsonaristas são partidários do comunismo, tidos como a escória da sociedade. Bolsonaro realmente crê nisso ou é uma estratégia?
É difícil saber. Ele é uma pessoa… Eu nunca colocaria a característica de pessoa inteligente, ele é uma pessoa esperta. Quando falava essas barbaridades, conseguia dois objetivos: mantinha o eleitorado dele e aparecia na mídia. O Bolsonaro só saía da obscuridade quando falava uma barbaridade. Isso teve preço caro porque hoje, em todo lugar do mundo que ele vai, pegam essa frases dele e mostram o que ele é. Talvez ele acredite no que diga. Mas é bem possível que não importa para ele o que é verdade histórica. Para ele o que importa é se aquilo que o vai falar pegará bem com os seguidores dele ou não. Você não vai ver ninguém das Forças Armadas tão reacionário assim, embora houvesse o general Luiz Rocha Paiva, uma espécie de caricatura. O apoio ao governo militar é feito com algum cuidado por parte dos militares. Bolsonaro nunca foi ponderado. No começo da carreira, chegou a falar que fuzilaria o Fernando Henrique Cardoso, à época na Presidência.
Dois dias depois da publicação da reportagem que mostrava diálogo ilegal entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, o general Villas Bôas divulgou em suas redes uma mensagem de apoio ao agora ministro Moro. O que isso representa?
No contexto dessas revelações de mensagens que em nenhum momento tiveram sua veracidade questionada, num momento de alta especulação sobre quem teve capacidade de hackear as mensagens nessas dimensões e num momento de crítica geral da inconstitucionalidade da atuação da tabelinha entre juiz Moro e promotor Dallagnol, causou uma estranheza muito grande a declaração do ex-comandante do Exército Villas Bôas, tido por muito tempo como um cara ponderado, em apoio ao ministro Moro. E essa aproximação de Moro aos generais tem se firmado há algum tempo. Acredito que o general Villas Bôas continua expressando opiniões que são as mesmas do alto comando. Se não forem, o alto comando tem que de alguma forma deixar claro opiniões diferentes, mas acho que isso não acontece. Há generais, próximos ao grupo do Palácio do Planalto, que são praticamente irmãos siameses do Bolsonaro, com destaque para o general Heleno. Mas não era de esperar isso do Villas Bôas, embora ele seja assessor do Heleno no Palácio do Planalto. Até segunda ordem, Villas Bôas amplificou a opinião do Exército. É estranha a postura do Villas Bôas porque ela é uma clara intervenção na política, o que não é de se esperar em qualquer situação numa ordem democrática.
Você já deve estar cansado de responder essa pergunta, mas é preciso esclarecermos: há risco para democracia?
Olha, você tendo um líder populista com tendências fascistas — embora eu prefira chamar isso e analisar o fenômeno brasileiro como “bolsonarismo”, expressão brasileira da extrema direita no mundo —, já é uma ameaça à democracia em si. Uma ameaça de golpe de estado vejo mais afastada. O grande projeto do Exército era usar o governo Bolsonaro para se mostrar como responsável, mas isso não está dando certo.
Sua carreira acadêmica começou com estudos sobre movimentos estudantis durante a militarização do estado, entre 1964 e 1968. Como você vê agora esse levante a favor da educação e contra o governo de Bolsonaro?
O modo como o governo Bolsonaro conduziu a política educacional fez surgir uma oposição ao governo dele, de um novo tipo. Não é uma oposição partidária. Quem foi na manifestação viu que todos os grupos da esquerda estavam presentes, mas nenhum deles quis liderar, um movimento de massa, amplo, em defesa da educação, e o governo Bolsonaro, na ignorância dele, não percebeu que as famílias brasileiras, independente da classe social, almejam ter o filho na universidade e enxergam claramente que as políticas do governo vão diminuir essa possibilidade e vão enfraquecer o ensino superior. Então esse movimento tende a dar muito trabalho ao governo Bolsonaro. É um movimento de tipo novo.
Você acha que a demissão do general Santos Cruz muda o clima dentro do Exército?
Acompanhei a cobertura dos três principais jornais e dos telejornais sobre o episódio. Logo se construiu a versão de que foi uma vitória da ala ideológica ou olavista do governo. A meu ver a coisa é mais complicada. Há efetivamente uma direita civil no governo Bolsonaro, que disputa poder com a ala militar. Mas ideologicamente não vejo diferença entre eles. Evidente que os militares não gostaram de ser atacados com palavras de baixo calão por Olavo de Carvalho. Foi a reação do general Santos Cruz a isso que provocou sua demissão, pois o colocou em rota de colisão com os filhos de Bolsonaro e este acabou tomando o partido deles contra seu velho amigo, um homem conservador mas de opiniões fortes.
Mas a explicação que destaca uma suposta vitória olavista não é limitada apenas porque são todos ideológicos. Ela também não explica por que o ministro da Defesa estava presente no momento da comunicação da decisão (o general Heleno também estava, mas ele não conta, pois é uma espécie se irmão siamês do presidente). Ou seja, o ministro da Defesa deve ter indicado o nome do general Ramos, ainda na ativa e comandante do Sudeste, o mesmo que em meados de março deste ano enviou convite para a cerimônia de aniversário da Revolução Democrática de 31 de março de 1964, alguns dias antes que o próprio presidente ordenasse comemorações do evento. O general é um homem de confiança do ministro da Defesa e do comandante do Exército. Não parece ter a independência de opinião do general que sai. Resta conferir. No final, sai um militar, mas os militares permanecem fortes.
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Entrevista interessante. Só uma sugestão: a rigor, não existe “tese de mestrado”. Tese é o trabalho de conclusão de um doutorado. Dissertação é o trabalho de conclusão de um mestrado.
Pedido de “fact checking” para o intercept:
O entrevistado diz:
“(Bolsonaro) afastado da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais”
Porém, nota oficial do Exército Brasileiro afirma:
“Em 1987, o então Capitão Bolsonaro concluiu, com aproveitamento, o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, realizado naquela Escola;”
A explicação para a carreira militar breve de Jair Bolsonaro pede uma explicação mais precisa.
3 Poderes? A muito não vimos o que realmente são 3 Poderes. Em época que não ha o que comer para muitos Brasileiros o cara ta mais preocupado em babar o ovo de Trump ao invés de resolver os problemas do país. Sim os reais problemas do Brasil e nao o que o CARA que ta na Cadeira acha. Tão de brincadeira com o Povo sim o Povo , esse mesmo povo que nao sabe ao menos o que é Centrão, Direita ou Esquerda. Esse mesmo povo passa dos 30 milhões de pessoas a se passar pode chagar a 100 milhões de leigos. Ou vocês vao dizer que é palavrinha jogada fora de minha parte. De forma nenhuma, que nao seja o numero exato mas o que quero dizer é que a maioria acredita que eles vao trabalhar pra fazer o Brasil crescer. Mas se falta a comida como tá crescendo ? Acho que ta todo mundo ERRADO. A novela Moro continua e parte acha lindo o que está acontecendo. Para tudo. Se fosse a uns 15 anos atrás estaria acontecendo isso mesmo? O protagonosta da novela ainda estaria trabalhando e rindo ? Enquanto rola isso o povo sofre, enquanto o Cara se divulga e divulga o proprio ponto de vista de frente da naçao a nação sofre ainda mais. E pior… isso vai continuar. Estão falando em golpe mascarado. É desmascarado mesmo Na CARA DURA. que lugar é esse que na Constituiçao diz que é Crime e o Cara lá diz que é normal todos fazerem? Quer dizer “Cara” que a Constituição ta errada e você está certo ou deve ser mudada devido a seu ponto de vista. Ta na hora de acordar. São menos Poderosos que eles imaginam ser. Deputados e Senadores façam o que vossas excelências foram criados para fazer. O Brasil não precisa de nenhum país diretamente para ser Gigante. O Brasil ja é Gigante. O que acontece é apenas o seguinte: quem deveria cuidar do Brasil está se divugando por trás da profissao. (Nao tenho faculdade, prefiro escrever errado ao inves de estudar tanto e fazer tanta (Merda) como estao fazendo) quero ver quem no futuro irá limpar essa sujeira.
Sou militar, poderia te explorado mais alguns aspectos da caserna militar, mas achei excelente a matéria. Parabéns!!
Como lutar contra um corporativismo pesado como o judiciário brasileiro? Cheio de corruptos!!
Sou formado em comunicação social / jornalismo , apesar de não me identificar com direita ou esquerda depois de ler esta entrevista posso afirmar com toda convicção que essa página é tudo menos imparcial, que merda de entrevista , parece que foi o entrevistado que elaborou as perguntas.
Tem que mandar prender esse jornalista americano que sai do país dele querendo tumultuar o nosso Brasil ,
Tem que mandar prender sua mãe, que deixou você sair dela.
Parece que a história se repete, mesmo. Há exatos cem anos atrás, em 1919, o presidente eleito, Rodrigues Alves, estava doente e os médicos diziam ter a gripe espanhola. O vice, Delfim Moreira, então, ficou como interino . Os três filhos de Rodrigues Alves que queriam mandar no Brasil, se aliaram a um deputado chamado Álvaro de CARVALHO e infernizavam a vida do vice. Os jornais na época diziam que a doença de Rodrigues Alves não era a gripe, mas sim que ele estava decrépito por causa da idade. Mais ou menos como agora: 3 filhos, Carvalho, gripe falsa, facada contestada…
Excelente contribuição jornalistica que não apenas esclarece mas contribui para que o bom senso e discernimento acordem e fortaleçam a débil e quase inexistente democracia, quando mentiras e autoritarismo tomam espaço e se estabelecem.
Sem comentários.
Não é muito tempo sem operação?!
Discordo! Impossível governo militar pior que Deodoro, traidor de D. Pedro e Castelo que era pra ficar até 65 e só saíram em 85. Lastimas
O general Heleno, responsável pela segurança do governo, diz que não havia como prever drogas em avião: o sistema de bola de cristal estava com defeito e 38 kg de cocaína passam facilmente sem este equipamento. Quando questionado se não existiria um outro método para detecção de cocaína, por exemplo, um cachorro com complexo de vira-lata, o general, que estava de pijama, ficou enfezado, bateu com a própria cabeça na mesa e ameaçou o jornalista de prisão perpétua, duradoura e eterna enquanto dure o estoque.
VEM PRA RUA DIA 30!!!! FIM DOS ESQUERDOCRATAS!!!:D
Sim. Vá pra rua mostrar que você apoia um juiz tendencioso, mentiroso, que condena sem provas e destruiu centenas de milhares de empregos e que poupou vários políticos porque não queria “melindrá-los”. Coloque a camisa da seleção brasileira em vão, dando viés político-partidário a uma instituição esportiva, que aliás esteve envolvida em corrupção. Leve a bandeira do Brasil para envergonhá-la ao associá-la a um grupo de midiotas, ignorantes e neofascistas.
Filmar vocês vai ser um documento para futuras gerações do grau de idiotice e alienação que algumas pessoas chegaram.
Peça desculpa vc. No país dele, glenn, já estaria respondendo de onde veio o vazamento… he he he
Sérgio, nos EUA, Sérgio Moro estaria na cadeia junto com a direção inteira da fox news brasileira. Então, vai deixar seu cinismo e hipocrisia de lado e acordar?
Excelente entrevista com um pesquisador sério e só traz esclarecimentos.
Parabéns.
só devo pedir desculpas ao glenn, pela decomposição de caráter, pelo mau caratismo mesmo, desta gente brasileira (com as raríssimas exceções, obviamente) de norte a sul, de leste a oeste, pelo que sinto vergonha…
Responder
Essa fachada de conservadorismo do exército, em 1989 engravidei de um tenente do exército que me obrigou a fazer um aborto sob ameaça de morte. E se Aposentou com alta patente.
Quanta mentira.
O que mais me impressiona no discurso dos militares é sua incapacidade de aceitar a diversidade ideológica. A ideologia deles, predominantemente de direita, é algo normal, a passo que alguém ser de esquerda é por eles considerado quase um crime. Penso que tem a ver com sua formação, conservadora como toda formação militar, mas a adoção de uma visão mais aberta e pluralista faria bem à corporação e ao militares, que poderiam ver-se livres desta doutrinação que muitos nem percebem estarem a ela submetidos, de tão hegemônica.
É irmão, mas como quase tudo nesse país, Lula e Dilma deixaram de fazer, refiro me as reformas, também deixaram de fazer uma educação e formação humanista, democrática, ecologista, crítica, sociológica e filosófica aos militares brasileiros. Deu no que deu: hoje sofremos um golpe de Estado que provavelmente vai dar em outro golpe por nossos presidentes de “centro esquerda” não terem feito as reformas… Triste não?
JORNALISMO DE PRIMEIRA QUALIDADE!
Ótima materia. Rica em detalhes!
O prof Dr João Roberto, meu professor de ciência política na UFSCar. Excelente!
Dia 30!! Vem pra rua!! Vem pra rua!!! :D
Tá um montão na rua! No olho da rua!
Não dá tempo pra defender o coiso. Desculpa aê!
Leva um guarda-chuva. O coiso cospe!
Que entrevista fantástica, já li duas vezes, que pessoa! Obrigada!
No livro Revolução e Contra-Revolução no Brasil, o historiador Mário Maestri diz que em 1967 temos um golpe no golpe. Os militares, alguns generais, deslocam os castelistas, a equipe castelista, a equipe do imperialismo e começa um novo projeto. Eles retomam o projeto getulista, um nacional desenvolvimentismo burguês, com duas grandes modificações, primeiro: os capitais, que na época do Getúlio são capitais nacionais, para o desenvolvimento, são obtidos agora através de empréstimos internacionais e, segundo: o elemento determinante não é mais o mercado interno, é o mercado externo. Mas o generais queriam um país capitalista poderoso – sem a aliança com os trabalhadores subordinados. Então, eles vão apoiar as grandes empresas públicas do Brasil. A Petrobras vai ser vitalizada, fortalecida e cresce cada vez cresce mais, e não só a Petrobrás, vão desenvolver a siderúrgica nacional, o processo de eletrificação, a construção de grandes hidrelétricas, todas estatais, a telefonia, sob controle estatal. E os generais criaram novas empresas públicas, a Nuclebrás, a Engesa, e chegamos a ter uma das maiores empresa bélicas do mundo, e produzíamos excelentes tanques, canhões. Foram eles que criaram a universidade pública no brasil, com a qualidade. Eles deixaram as grandes universidades privadas se desenvolverem, mas fortaleceram a universidade pública, a pesquisa e a pós-graduação, a Capes e a CNPQ foram fortalecidas com os generais, porque eles queriam uma pesquisa, uma autonomia da ciência nacional para o capitalismo brasileiro. Eles se esforçaram para criar as condições para o capital monopolista brasileiro, que controla setores enormes da economia e tem que sair das fronteiras do país. O Banco do Brasil, a Petrobrás cresceram, as empreiteiras se transformam em empresas enormes, a Odebrecht, a Camargo Correia, a Andrade Gutierrez, se transforma em empresa enormes, e os generais saem em busca de mercado para essas empresas, e chegam a se confrontar com o capitalismo internacional. Eles são unha e carne contra o comunismo internacional, mas interesses são interesses. Eles queriam até construir a bomba atômica, mas aí veio a crise. O brasil tinha crescido, às custas da exploração dos trabalhadores, mas tinha crescido. O que aconteceu com esses setores?
Existe um problema histórico no Brasil. Nossas forças armadas, tendo a frente o exército, nunca aceitaram papel subalterno , portanto, nunca honraram constituição nenhuma, muito menos a sociedade de uma forma geral. Nossas escolas de formação militar estão ultrapassadas, nos conceitos e na forma como pensam cidadania .
Muito interessante a entrevista. Só uma dica, por questão de precisão. No primeiro parágrafo, é mencionada uma “tese de mestrado na Unicamp”. Do ponto de vista acadêmico, uma tese é o trabalho final de um doutorado e uma dissertação, o trabalho final de um mestrado.
Absolutamente correta. Isso é erro de jornalista.
Houve uma lacuna na avaliação do especialista na questão dos militares contra a centro-esquerda: a conversão da Caserna ideologicamente ao pinochetismo no que tange a somar o fator econômico. Isto acirrou ainda mais o macarthismo deles.
Um militar como qualquer outra pessoa tbm e humano e inadequado pensar que ele erra mais e importante ver que seus méritos são autos suas falhas poucas seria melhor avaliar políticos corruptos do que perder tempo criticando o exercíto
Apesar de eu esta descrente com este The Intercept por causa de sua parceria com folha sp e band. Quero pedir um favor revele algo sobre as conversas reservadas de Dallagnol com o Fux ou alguém do STF pois não é possível que depois de tudo revelados eles não avalie um pedido de HC do Lula pedido suspensão do juiz ladrão moro.
Pq descrente? Essa parceria tende a ampliar a divulgação das notícias… É
algo positivo.
O tempo passa, hein! Entrevistei o professor João Roberto em 1996 qdo a UFSCar recebeu o arquivo Ana Lagoa, sobre a censura na Folha durante os anos de chumbo. Excelente fonte e pesquisador dedicado na pauta da ditadura.
Verdade, Alexandre!
É uma pena que tenha um ponto de vista tão distorcido sobre todos os fatos e personagens descritos no seu texto. Acho que essa falta de entendimento e distância sobre o que pensa e deseja o povo brasileiro, seja a causa de tamanha mudança no rumo do Brasil! Os senhores “pensadores” terão que se reinventar!
Ele não “acha”. Ele estuda e pesquisa isso, ô animal.
SAIU NO BRASIL 247:
PRENDERAM A APRESENTADORA DO BOLETIM LULA LIVRE. SEM CAUSA APARENTE. PARECE QUE ESTÃO PRENDENDO OUTROS ATIVISTAS!!!
qualquer qualquer uma pode mais do já sofremos, sofrer ainda mais perseguição prisão e assassinatos… fiquemos atentos, pois a primeira missão de quem dar a cara ao enfrentamento e confronto com algozes fascistas, é manter-se vivo e viva, edgar rocha
corrigindo: qualquer um, qualquer uma, pode, mais do que já sofremo…
Agora vão querer desmobilizar a esquerda para que lula continue com prisão politica prendendo seus interlocutores.
Estão aos pouco colocando nossa democracia no lixo para impor um Estado de Exceção.
Quem Rouba deve estar preso, portanto Lula deve cumprir a pena.
O Brasil é um país sui generis.
Os militares não se restringem às atividades que lhe cabem e se imiscuem na política.
Os juízes não se restringem às atividades que lhe cabem e se imiscuem na política. Alguns, como o Moro, até instruem os procuradores a tomar medidas que prejudiquem os réus.
A grande mídia não se restringe às atividades que lhe cabem e se dedica em bloco a manipular a política.
Os políticos, por sua vez, com poucas exceções, fazem papéis ridículos.
Penso que eses artigo coloca lenha conceitual numa fogueira que devemos temer, alimentada para pelas lufadas de ar da vaza-jato. Momentum também importa no mundo da informacao.
o verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não ler
(depois do apagão na minha primeira posta aqui, ainda pouco, prefiro recorrer à poesia, para fazer valer o meu direito de expressão)
O nada glorioso Exército brasileiro: golpes e genocídios em nome da pátria, por Marcos Danhoni
As responsabilidades sempre aparecerão e, hoje, as honrarias compradas por medalhinhas da República acabarão desmascaradas para sempre
Foto: Divulgação
Por Marcos Cesar Danhoni Neves*
“Monstros existem, mas são em número reduzido demais para serem realmente perigosos. Mais perigosos são os homens comuns, os funcionários prontos para acreditar e agir sem fazer perguntas”. (Primo Levi, em “É isto, um homem?”)
O mito do “grande” Exército brasileiro (e que capitaneia todas as demais forças militares) se dá durante a Guerra do Paraguai levada à cabo durante seis longos anos (1864-1870). A guerra foi genocida para a população paraguaia. Estima-se que cerca de 75% da população masculina adulta daquele país teria perecido na guerra. A última batalha, a de “Acosta Ñu”, que selou a derrota do pequeno país latino-americano, mostrou um cenário desolador: todos os soldados mortos eram crianças, as quais, o glorioso Exército de Caxias não os agraciou com a vida, mas com execuções sumárias de dar inveja aos grandes extermínios nazistas na 2ª Guerra Mundial.
A guerra foi terrível também para os pobres-coitados obrigados a servir como soldados rasos do Exército brasileiro. Estimativas dão conta de que dos 160 mil brasileiros que combateram na guerra, 50 mil morreram, com milhares de inválidos permanentes (cegos, aleijados, surdos, loucos).
Dos aliados brasileiros, metidos à força contra o Exército de Solano Lopes numa Aliança infeliz (entre Uruguai e Argentina), o Uruguai perdeu metade dos seus quase seis mil soldados. A Argentina contou quase 18 mil mortos entre seus 30 mil soldados, mortos em batalhas, doenças e deserções (uma vez que os argentinos não queriam participar dessa campanha que foi capitaneada por interesses da Grã-Bretanha em tentar frear a industrialização do pequeno país vizinho).
O cólera foi o “general” destruidor de todos os Exércitos, dizimando boa parte dos combatentes e levando à miséria absoluta a população sobrevivente do Paraguai.
Outro dos tantos episódios vergonhosos do Exército brasileiro (incluindo aí a Proclamação da República, fruto de um golpe de Estado por Marechal Deodoro) foi o massacre de 20 mil pessoas no Arraial de Canudos, Bahia, entre os anos de 1896-1897. Este é considerado o segundo crime de genocídio perpetrado pelo Exército brasileiro!
Veja também: Democracia e Vertigem é um filmaço, por Gilberto Maringoni
Este “glorioso” exército precisou enviar quatro expedições para liquidar a revolta comandada pelo missionário Antônio Conselheiro. Este líder foi considerado, pelo governo aliado de Floriano Peixoto (outro golpista militar), como um perigoso foco monarquista e que deveria ser destruído com toda força e selvageria. O governo humilhado pela derrota das duas primeiras expedições enviou numa terceira expedição o coronel Antonio Moreira Cesar. Este militar era um criminoso de guerra, que foi responsável pela degola a sangue-frio de cem pessoas na repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina. Seu apelido era: “corta-cabeças”! Esta expedição, composta por 1.300 homens, foi rechaçada pelos revoltosos, matando o corta-cabeças e, no mesmo dia, o coronel substituto, Pedro Nunes Tamarindo.
Com três derrotas sucessivas, o ministro da Guerra, Marechal Carlos Machado de Bittencourt preparou, em abril de 1897, a 4ª e última expedição, delegando a destruição total de Canudos e de seus habitantes e revoltosos. A expedição ficou à cargo do General Artur Oscar de Andrade Guimarães. Composta de duas colunas, num total de oito mil soldados, as tropas foram lideradas pelos generais Cláudio do Amaral Savaget e João da Silva Barbosa
Entre a data de criação dessa expedição e a destruição total de Canudos, passar-se-iam cinco meses, com a morte de outro comandante famoso, Thompson Flores, ancestral do atual Presidente do TRF-4, que chancelou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (tirando-o das eleições de 2018). Antonio Conselheiro morreria de fome ou disenteria durante o cerco final, e os combatentes e a população do Arraial, diante de tamanha força militar tão avassaladora se rendeu, hasteando bandeiras brancas. Todos os homens, mulheres e crianças aprisionados, cerca de 20 mil, foram degolados, cobrindo o Exército de uma nova vergonha histórica, mas que não deixou lições éticas para a posteridade.
Passando posteriormente por violências de Estado na revolta da vacina, da chibata, do cangaço de Lampião, o Exército foi-se cobrindo de novos atos ignominiosos. Ganharia ainda mais soberba após a campanha da Segunda Guerra Mundial, capitaneado pelos interesses norte-americanos em ganhar a guerra contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). São suspeitos os torpedeamentos de navios cargueiros brasileiros nas costas do país atribuídos aos alemães, pois parece que boa parte destes naufrágios criminosos foram realizados por submarinos norte-americanos para acelerar a entrada do Brasil ao lado dos Aliados.
Veja também: Substituto de Levy no BNDES é ex-vizinho e amigo dos filhos de Bolsonaro
Para “consagrar” a desonra das Forças Armadas brasileiras adveio o golpe militar de 1964 apoiado, inclusive (sabe-se hoje pela liberação dos documentos secretos), por navios de guerra norte-americanos fundeados nas costas brasileiras. Foram 21 anos de ditadura, com o fechamento do Congresso e sua posterior tutela, com sequestros de cidadãos, torturas, assassinatos, desaparecimentos e etnocídio indígena.
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) contabilizou nesse novo período obscuro da História brasileira cerca de 500 assassinatos, milhares de torturados e desaparecidos, além do assassinato de, ao menos, 8.350 indígenas mortos em diferentes massacres, prisões, torturas, expulsão de suas terras etc.
Após o esgotamento do ciclo militar de 1964, repleto de assassinatos, um sistema continental de censuras, corrupções de toda ordem e a falência econômica do país, o regime foi entregue a uma eleição indireta (colégio eleitoral) com participação civil (Paulo Maluf x Tancredo Neves) em detrimento à emenda das DIRETAS JÁ. Com uma anistia ampla, geral e irrestrita, que livrou militares mãos-sujas-de-sangue de processos e de prisões, o âmago dessas Forças Armadas protetoras não do povo, mas das elites econômicas do país, mantiveram adormecidas novas banalidades do Mal que seriam despertadas com os golpes sucessivos de 2016 (Cunha-Temer) e 2018 (Bolsonaro-Fake News).
A despeito da vontade de retorno ao poder, uma vez que toda a roupa suja das Forças Armadas (crimes de responsabilidades e terrorismo de Estado) não tinha sido lavada pela Anistia, faltava aos militares um aríete para chegar a esse Poder. Infelizmente, o único meio que se enquadrava nessa possibilidade de retorno era o candidato a presidente e ex-capitão do Exército, praticamente expulso da vida militar (por elaboração de práticas terroristas – bombardear quartéis para forçar aumento dos soldos), Jair Messias Bolsonaro. Este filho-bastardo do Exército, aposentado à força com pouco mais de 30 anos, era a única possibilidade restante, mesmo sabendo-se que era envolvido com perigosos milicianos do Rio de Janeiro.
Veja também: Bolsonaro: o inimigo das forças armadas
Os militares sem força “moral” para um golpe acabaram se calando no golpe de Cunha-Temer de 2016, reinventando o SNI (Sistema Nacional de Informação) sob a tutela do General Etchegoyen e acabaram tornando-se protagonistas do golpe eleitoral de 2018, garantindo a tutela do STF e a não investigação por este Tribunal do impulsionamento de fake news via whatsapp e outras mídias sociais, além de ameaçarem a Nação, via Jornal Nacional, um dia antes do Supremo julgar o famoso HC (habeas corpus) que tiraria Lula da prisão e permitiria a ele participar do pleito presidencial.
O gene do Mal das Forças Armadas e, especialmente, do Exército, floresceu nas Trevas promovidas pelo desgoverno Bolsonaro. Porém, a ignomínia lhes sobreviverá, especialmente porque quem está levantando as imoralidades dos militares: um outro imoral, boquirroto e sofista-astrólogo: Olavo de Carvalho.
Agora, ambos se equivalem: o bolsonarismo que assaltou o poder pela fraude de 2018 e aqueles que assaltaram o poder em 1964, autores dos genocídios passados na Guerra do Paraguai e no Arraial de Canudos. O processo histórico não se bloqueia! As responsabilidades sempre aparecerão e, hoje, as honrarias compradas por medalhinhas da República acabarão desmascaradas para sempre. No Exército esse fato será sempre rememorado pela História! Será como se a vergonha devesse eternamente sobreviver-lhe, como nos ensina de forma magnífica Franz Kafka, em seu “O Processo”. Quem viver, verá! E nos livros de História que sobreviverão à queima no atual fascismo…
*Marcos Cesar Danhoni Neves é professor titular da Universidade Estadual de Maringá, autor do livro “Lições da Escuridão”, entre outras obras
Achar que a Guerra do Paraguai foi motivada por interesses britânicos só demonstra desconhecimento sobre o tema.
então me ensine, meu caro, a história conhecida, pois, querer saber, inclusive saber que não sei, é uma das motivações de eu postar algo na internete, sendo a melhor interlocução, para mim, a de alguém que se disponha a me ensinar, elucidar, com a correção necessária, gentileza, e já estou no aguardo de sua gentileza também, em me retribuí-la com o seu conhecimento do tema
minha cabeça estar aberta
o coração: assim também
minha vida não é deserta
sem oásis pelo que vem
Parabéns pelo relato. A história do exército brasileiro é vergonhosa! Massacres, chacinas, extermínios de toda ordem. Um dia ainda vou escrever um livro sobre a mais nazista de todas as instituições brasileiras. Abraços!
STF vai adiar o HC de Lula. Moro é carta fora do baralho já era mas o Lula vai ficar preso até que as deformas da previdência sejam aprovados. Isso não vai derrubar os propósitos desses canalhas.
Muito esquisito esta parceria com a folha golpista. Este vídeo do Pepe Escobar ilustra bem o que esta por baixo dessa parceria.
https://www.youtube.com/watch?v=KvlgQ4e2ueM&feature=youtu.be
Quero ver soltar para a mídia alternativa como GGN, Brasil 247, Conversa Fiada etc.
A Folha abafou o caso diminuiu o assunto foi privatizado as revelações?
Discordo em alguns pontos, porém, uma coisa é fato. O antipetismo o elegeu. Os petistas, na sua maioria, ao relativizar os crimes de Lula e sua trupe, elegeram Bolsonaro. A eleição dele foi graças aos que veneram o Lula.
Entrevista muito boa. Militar detesta o Brasil e o brasileiro. A corporação é racista, classista e desonesta. Depois de 1964 militar nacionalista foi cassado, espoliado, perseguido. Hoje a maioria é entreguista como mostram os fatos. O Exercito que conheço joga comida fora porque soldado não consegue comer o que lhe servem, ninguém trabalha, a prostituição é tão grande que já vi capitão homofóbico paraquedista e com curso na selva ser pego em flagrante dando a bunda no Baixo Augusta, traficam armas como sabemos nas denuncias e todo tipo de crime. Agora se aliaram ao governo fascista e são esculachados no mundo todo, sofrem todo tipo de humilhação e desonram a farda que vestem. Nem vou perder tempo aqui citando videos, links, bibliografia e outras fontes porque é o que mais tem. Sorte dos crápulas que no Brasil não há tradição de guerra civil, caso contrario não sobraria muitos destes pra se aliar a governos fascistas. Covardes.
Christianne Machiavelli sofreu todo assédio possível para vazar informações da lava jato a imprensa. Ganhou peso e teve que tirar licença com problema de saúde.
Militar pensa no Brasil, passei 33 anos lá dentro e sei disso, esse artigo é tendencioso, falacioso, fala o que não sabe, pra chegar onde não deve ou voltar para onde não prestava … Professor seja brasileiro, não demonize o bem santificando o mal, lembre-se de Pasadina, ficando só por aí…
Dia 30/06 os caminhoneiros se organizam para ir até Brasília sem data para voltar, defender pautas ideológicas que vão de encontro às informações da reportagem, eles reinvidicam o fim do congresso e STF e dispõe apoio incondicional ao presidente
Fernanda,
isso que você disse não passa de uma mentira.
Veja como o nazismo dominou a Alemanha, dando total poder ao Hitler fwzendo isso que você quer.
Acorda minha filha
https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/06/24/pedido-de-liberdade-de-lula-deve-ser-julgado-pela-segunda-turma-do-stf-nesta-semana.ghtml
É Amanhã o julgamento de suspeição do Moro.
THE INTERCEPT , SOLTEM UMA BOMBA HOJE. SOLTEM UMA BOMBA COM OS VAZAMENTOS DA LAVA JATO.
São militares que investigam acidentes aéreos? Voltando ao assunto vaza jato. Moro e Dallagnol acham que vai colar essa chantagem medíocre de se os penalizarem pelas irregularidades colocarão toda a operação lava jato em risco. Na minha opiniao, o único risco iminente é engrandecer a operacao fazendo as correções onde erraram ao se valerem do uso de atos ilegais, e a tornando de fato transparente e parcial, julgando políticos, empresarios e os fatos envolvidos com qualquer partido, sem seletividade. O reesultado final será a revisão de acordos de delação com alto grau de benevolência ao delator que pouco ou nada comprovou e indo atrás de tudo o que fora descartado sem uma justificativa plausível. Há os que, tomados pela ausência de lógica e sem nenhum fundamento plausível, preferirão cair nessa chantagem irracional, alegando que os outros é que são acéfalos e eles os “sábios”.
Quem sabotou o avião de Teori para eliminar da farsa jato?
Vi que em se tratando de aviação civil, quem investiga hipótese de crime relacionado com acidente aéreo é a Polícia Federal com o aval do Ministério Público Federal.
Cláudia Mortari Schmidt
“O Lula é terrível, mas o Fernando Henrique era pior”, diz general Heleno!!
E a grande maioria dos militares votaram no Aécio “mineirinho”!!!
É Síndrome de Estocolmo que chama né???
No caso militar, é burrice mesmo. Se estiverem entre dois banheiros sem ninguém pra dizer qual usar, cagam nas calças.
Eu diria, síndrome da Palestina.
Mais um comentário polido, prolixo, rebuscado que em síntese diz: eu votei no Lula.
Nunca um governo em apenas 6 meses foi tão combatido, difamado e perseguido. Azar de vocês que os milhões de brasileiros querem mudar, mude você também. Se der errado, é só votar em outro nas próximas eleições, coisa muito difícil de esquerdistas aceitarem.
Por mais que os brasileiros ainda não fazem uso ou não conhecem a democracia, mas felizmente na última eleição mostramos que se não podemos escolher o melhor pela democracia, pelo menos podemos impedir que os piores permaneçam.
Estava indo bem na matéria, contudo deixou sua opinião aflorar, professor de história em 99% são PETISTAS, está matéria simplesmente ataca o Bolsonaro, e não ajuda em nada o país, o que me chama mais a atenção, foi o mesmo autor não ter nenhum ataque a Lula,Dilma, FHC e tantos outros. Fale um pouco desses citados que acabaram e roubaram com o Brasil durante décadas, está é minha opinião!!!
Parabéns ao entrevistador Guilherme Pavarin e ao entrevistado João Roberto Martins Filho. Fazia algum tempo já que o tema não era tratado com a seriedade necessária e a profundidade devida. A palavra deep state e guerra híbrida, que é usada em 11 de 10 “teorias” da conspiração da loucosfera, não foi usada uma única vez em toda entrevista, o que por si só já indica o cuidado e a preocupação com certa objetividade.
Concordo com a análise que o retorno dos militares na cena política deve ser visto dentro do contexto mais geral de irracionalidade e de fanatismo e de radicalização política a que muitos setores sociais foram levados. Em que pese os cinquenta anos que separa 1964 de 2014 e as diferenças contextuais, ali estavam os netos e bisnetos atuando na mesma farsa: as mesmas “classes” “médias”, o mesmo udenismo moralista, os mesmos “ideólogos” congeladis numa eterna “guerra fria”, a mesma grande imprensa e seus lacerdas piorados, as mesmas e enferrujadas velhas desculpas para evitar democracia e as modestas reformas sociais, a mesma irracionalidade e a mesma falsa radicalização, a mesma defesa intransigente para o país ser sempre o que foi, um país de e para 5%, 10% e o resto que se vire e viva de acordo com a constituição não escrita mas sempre vigente.
Em um país sério esse intercept seria fechado e sua turma de comunista todos presos. O governo brasileiro demora em deporta essa tal Green. Dá nojo ver vocês defenderem o bandido do Lula e outros mais da esquerda
Você sabe definir o que é comunismo ? acredito que não, provavelmente é mais um ser midiotizado.
Dá para perceber que o pseudo intelectual estudou e não conseguiu aprender nada sobre militares , sua visão esquerdopata contaminou suas conclusões.
Renner, deveria evitar estes termos, como “esquerdopata”, isso evidencia um discurso contaminado. É como usar “fascista” o tempo todo.
As covardias cometidas pelos militares em 1964 não foram o bastante? Tiveram que pôr, através de mais um golpe, um fascista na presidência!!!
Afinal esses militares servem a quem?
O Villas Boa está sentido na pele o que é viver sob tortura.
Seu hipócrita vc deveria pelo menos ver qual e o papel do exército na suas próprias canções se não ver no lema de cada e qualquer batalhão ai vc ver
Parabéns Guilherme pela entrevista, quanto conteúdo pude aprender e além disso, perguntas totalmente inteligentes e importantes ao professor Martins, um verdadeiro conhecedor da matéria, espero ler mais assuntos sobre ele e seus artigos! Acredito que saio daqui feliz pela entrevista e agora voltarei ao meu canto para reflexão! Abraço pessoal do TIB, always kickin’ass!
Para mim, as posições dos militares – do governo ou fora dele – não poderiam ser interpretadas sem se considerar questões de Geopolítica. Isto porque, a relação do atual governo com os EUA e a total distorção de princípios de um Governo anti-nacionalista e entreguista não seria aceita caso as Forças Armadas não estivessem dispostas a participar deste projeto. Isto explicaria a posição do Villas-Boas em favor do Moro, num processo de blindagem e ameaça à sociedade descarado.
Como bom sociopata, Moro é bem realista em suas afirmações em off. Ele sabia muito bem o que tava fazendo e com quem estava lidando. Inclusive aqueles que o cercavam.
Eis aí o perigo. Ele sabe o peso de cada pedra do tabuleiro. Os peões do MBL estão lá pra ser usados mesmo. Tonto é pouco.
Mas, ele deve estar ciente da inteligência de seus denunciantes. Deve saber aonde as denúncias vão levar e por isto correu com o Dallagnol pros EUA pra articular com o Governo americano. Talvez, pra costurar o tal para-quedas dourado, no mínimo.
Meu medo é que agora ele deseje fazer movimentos mais ousados. A vida do Glenn pode estar em perigo, não? Mais agora do que no início.
Pode ser que os americanos cheguem à conclusão que o processo de Guerra Total deva ser acelerado, antes que o caldo comece a entornar. Uma ordem direta ao Bolsonaro e ao Exército cooptado pra implantar logo uma ditadura, eliminar inimigos e concluir a conquista pode estar a caminho.
Pelo que diz o principal articulista sobre questões de Geopolítica – Pepe Escobar – o Brasil tem papel importante no processo de aproximação dos EUA com a China e consequente desmantelamento do Pacto China-Rússia para a consolidação da Nova Rota da Seda.
Quebraria-se assim o projeto BRIC’s e o pacto russo-chinês.
Eis aí o papel importante do Moro nesta fase da Conquista do Estado Brasileiro pelos EUA. Se a Lava-Jato sujar de vez, uma reação progressista poderia ferir os interesses americanos mais conservadores e ainda por cima alavancar uma esquerda norte-americana para a próxima eleição.
Resta saber qual o grau de pragmatismo do Estado chinês, bem como a disposição da Rússia em entregar o ouro de vez pra se evitar um conflito direto. Não me parece o caso.
Pelo que vi no caso do Irã, o bloco russo do qual este país faz parte está chamando pro pau. Trump foi aconselhado a não entrar numa guerra agora no Oriente Médio. Com certeza isto faria a balança chinesa pender para o lado russo. Por outro lado, afagos ao ditador da Coreia parecem demonstrar ainda mais a estratégia americana de tentar ganhar a China para o seu lado via apoio brasileiro. Mourão esteve lá articulando recentemente. O butim brasileiro, caso o golpe se consolide, poderá ser dividido com a China, sem participação russa logicamente.
Ao que parece, e muitos subestimam tal ideia, o Brasil vem se tornando o pomo de Páris na disputa pela deusa mais bela. A importância em se conter o golpe aqui ganha contornos de interesse internacional. Sabiamente, Dilma e Gleisi correram pra Rússia, a fim de apresentar a conjuntura atual e avisar o início de um desmantelamento do golpe, dando esperanças de uma virada contra a hegemonia americana. A Europa cada vez mais se polariza contra o apoio americano aos ultra-conservadores. Merkel parece lutar por uma articulação no continente capaz de enfraquecer o fascismo na Europa.
Em caso de um recrudescimento da luta interna, caberia aos brasileiros zelar por sua soberania e enfrentar o autoritarismo. Não faltariam aliados lá fora, acredito eu. Bolsonaro causa nojo por onde passa, fazendo o serviço que a esquerda seria dificuldade, de destruir qualquer traço de boa reputação de seu governo. O único a acreditar numa reistência criminosa contra os golpistas seria Trump, mesmo assim com ressalvas internas que, espero eu, não estejam sendo infladas pelos articulistas contrários a seu governo.
Moralmente falando, não venceriam jamais. A única estratégia é a força e o terror sobre a população. Setores utraconservadores talvez topem embarcar nesta aventura autofágica.
Daí a importância de articulações com todos que desejem romper com a loucura bolsonarista, mesmo que tenham apoiado antes o golpe. A insanidade atingiu seu pico e agora começa a reacomodar-se, reduzida a setores que, embora pouco representados, estão bem armados.
PELA PRIMEIRA VEZ, vai ter porrada neste país. E as chances de uma vitória contra tudo que há de pior nesta nação são grandes. A única aposta da direita é a violência e a inércia dos que serão vitimados. Esta segunda arma é a mais poderosa. O TIB, ao menos, tem feito sua parte contra esta fraqueza.
General Carlos Alberto Santos Cruz saiu do governo Bolsonaro e diz: governo é show de besteiras. Fofocas, guerra de baixarias