A primária do Partido Democrata em 2020 tem sido altamente volátil, e uma fila de candidatos – Kamala Harris, Elizabeth Warren, Pete Buttigieg – viveu uma sequência de ascensão e queda, enquanto os eleitores, focados na única tarefa de derrubar Donald Trump, se moviam entre uma esperança ou outra. Ao longo do ano, Bernie Sanders e Joe Biden permaneceram relativamente estáveis, contando com suas teimosas bases de apoio. No último mês antes da convenção, as pessoas continuaram a mudar de ideia, sendo que muitas que viam Sanders com ceticismo foram em direção a ele, e Biden perdeu um pouco de força nas pesquisas.

Na semana passada, pedi aos leitores da minha newsletter para me escreverem caso tivessem trocado de lado durante as primárias. A base de assinantes da newsletter é composta principalmente de pessoas que se inscreveram entre 2014 e 2017, com um grande pico durante os intensos dias de resistência que se seguiram à eleição de Trump. É uma seleção bem ampla de leitores progressistas, num total de aproximadamente 135 mil pessoas. Como em todas as grandes listas de email, é desproporcionalmente composta pela faixa etária acima de 50 ou 60. Em outras palavras, não é simplesmente uma colmeia de apoiadores de Sanders: ao longo do ano, apareceram fãs de Buttigieg, Amy Klobuchar, Warren, e todos os outros concorrentes à primária. Mais de cem pessoas escreveram de volta, e muitas de suas respostas estão transcritas abaixo, apenas com correção de erros de digitação.

Não há qualquer pretensão de que essa amostra seja considerada científica, ou mesmo que possa refletir uma tendência nacional. Em vez disso, melhor considerar essas observações como acesso privilegiado a um grupo focal, um vislumbre de como os eleitores do Partido Democrata estão refletindo sobre sua escolha. O padrão que emergiu de forma mais clara nas respostas, porém, diz respeito a Sanders. Ao longo dos últimos anos, tornou-se parte do senso comum dizer que Sanders tem “um teto” de apoio que ele simplesmente não conseguiria superar. Um número relevante dos correspondentes, porém, declarou que, tendo apoiado previamente outros candidatos, estava trocando para Sanders; não porque necessariamente estejam empolgados com sua candidatura, mas porque ele os convenceu de que é efetivamente elegível. Ou isso, ou eles querem se alinhar com a energia que move a candidatura, mesmo que não a compreendam. Também pareceu haver mais abertura à candidatura de Michael Bloomberg do que eu esperaria. A seguir estão algumas das respostas. Atendemos aos pedidos das pessoas que preferiram não ter seus nomes divulgados, mas todas as respostas vieram de e-mails de leitores da newsletter, o que significa que não são simplesmente fraudes postando por diversão nas redes sociais.

Mike Bloomberg

Vicki, de Denver, Colorado — de Warren para Cory Booker, agora tendendo a Bloomberg

No começo eu estava firme apoiando Elizabeth Warren, mas fiquei um pouco assustada com a infinidade de “planos” caros, que na verdade eram apenas ideias ou propostas. Mudei então para Cory Booker, que é do meu estado natal, New Jersey, e parecia ter uma expressiva vantagem retórica. Mas senti que ele não formulava suas estratégias de forma convincente, e a história de “amor” não me pegou de jeito nenhum. Além disso, como Warren fazia, ele pedia dinheiro com frequência demais. Obter dinheiro dos apoiadores de base é uma ideia muito boa até você ser a base e não ter muita certeza sobre seu candidato. Então eu tive uma grande epifania com Sanders, mas concordo que ele não é suficientemente flexível e talvez não consiga derrotar o Trump, e também odeio o que tenho lido sobre seus apoiadores fascistoides. OK, você não vai gostar disso, MAS eu estou cogitando o Bloomberg. E daí que ele está jogando dinheiro nisso. Um anúncio dele é mais eficaz que um debate inteiro para promover suas ideias e esmagar Trump. E o dinheiro que eu economizo por não precisar pagar pela campanha dele pode ser direcionado para candidatos ao Senado, como Andrew Romanoff, a alternativa progressista a Cory Gardner no Colorado. Basicamente, eu quero Adam Schiff! Suspiro.

P.S. Percebi depois de escrever que quero um herói ou uma heroína que me inspirem, o que não é uma posição política convincente. E queria ter contribuído para a Kamala Harris.

Estou cogitando o Bloomberg. E daí que ele está jogando dinheiro nisso. Um anúncio dele é mais eficaz que um debate inteiro para promover suas ideias e esmagar Trump. E o dinheiro que eu economizo por não precisar pagar pela campanha dele pode ser direcionado para candidatos ao Senado, como Andrew Romanoff.

Homem anônimo, 67 anos, New Jersey — de Klobuchar ou Warren para Bloomberg.

Sou branco, tenho 67 anos, moro em uma zona eleitoral bem grande em NJ – é uma região bem vermelha, assim com o restante do distrito – embora tenhamos elegido Andy Kim (principalmente com votos do outro condado no distrito). Sou advogado aposentado.

Gostei de vários candidatos ao longo da temporada de campanha; alguns deles já saíram da disputa. Quem mais me interessou foram Klobuchar e Warren. Recentemente, porém, passei a sentir que Bloomberg seria o melhor candidato para chegar à presidência. Ele não vai ceder aos ataques de Trump (não acho que Buttigieg ou Sanders também cederiam – não tenho tanta certeza quanto a Warren e Klobuchar) e acho que ele consegue destruir Trump em todos os tópicos relevantes de debate. E ele tem uma quantidade absurda de dinheiro.

Adoraria ter Warren como presidente. Ela levaria o país para a esquerda, mas aos poucos, pois sabe que muitas pessoas, inclusive a maioria dos democratas, ainda não chegou lá. Sanders seria um presidente pouco eficaz, polarizador, de mandato único. Considero que, para fazer as mudanças que eu gostaria de ver acontecerem nos EUA, precisamos de um presidente com dois mandatos e de um Senado de maioria democrata por pelo menos 6 anos desse período. Sanders poderia naufragar e levar com ele o Partido inteiro.

Eu me considero um Socialista de tendência Progressista, mas não imagino que este País vá seguir esse caminho nos próximos tempos. Então vou aceitar um Democrata moderado por ora – pelo que resta da minha vida – desde que ele/ela tenha um programa de tendência à esquerda (a favor das energias renováveis, da imigração “controlada”, da reconstrução da infraestrutura, do fortalecimento dos órgãos ambientais, do direito ao aborto, etc).

Mulher anônima – de Klobuchar para Bloomberg.

Mudando de Klobuchar para Bloomberg porque acho que ele tem um bom histórico, muito dinheiro e capacidade de vencer. Eles já começaram a usar o discurso da ameaça socialista contra o Bernie. Eu gostaria de ver o Bloomberg com Klobuchar ou Buttigieg como vice. Sou uma cidadã idosa, caucasiana e de alta escolaridade da região metropolitana de Washington, D.C., no norte da Virgínia, acompanho as notícias e não sou eleitora evangélica.

Pam, oeste da Pensilvânia – tendendo a Bloomberg.

Eu estava rapidamente me apegando a Amy Klobuchar até começar a ouvir falar de seu histórico ambiental muito ruim. Ela apoiou a retirada do lobo cinzento da lista de espécies ameaçadas, e também a mineração em áreas de grande relevância ambiental. Ela perdeu meu apoio na primária com essas posições. Eu ainda estou em grande parte indecisa, mas agora tendendo a Bloomberg. A conclusão é que eu apoiarei com satisfação qualquer um que concorra contra Trump, mas prefiro um candidato mais moderado que possa atrair apoiadores hesitantes de Trump. Acho que as pessoas mais ao centro terão dificuldade em votar em Sanders, e especialmente em Warren. Sou do oeste da Pensilvânia, região pró Trump, e acho que Warren manteria o estado na coluna dele.

Homem anônimo – apoiava Harris, agora tendendo a Bloomberg

Talvez escrever isto me ajude a elaborar minha(s) preferência(s). Eu e minha mulher moramos em São Francisco desde 1972; antes disso, eu morava em Washington (DC), onde nasci… Meus pais estiveram nos campos de concentração do Arkansas, e meu pai em outros 2 antes disso, incluindo Manzanar. Apesar disso, eram patriotas. Três pessoas das nossas famílias lutaram no 442; um outro tio trabalhou no MIS, o Serviço de Inteligência Militar. Meu pai tentou se alistar no MIS, também, só que ele tinha acabado de quase morrer de tuberculose, por isso recebia o código 4F. Depois da guerra, meus pais se mudaram para Washington, DC, onde fizeram carreira como servidores federais. Eu também fiquei no serviço público como gestor e investigador de direitos civis por 19 anos, até que me cansei.

Estamos aposentados, e eu, pelo menos, estou imerso no drama do impeachment. Como ativista democrata, eu só apoiaria Sanders como última opção, pois ele está comprometido com a destruição do Partido Democrata; espero que ele destrua o Republicano antes.

Inicialmente eu apoiei Kamala. Nós a conhecemos e respeitamos, fomos ao seu primeiro evento de campanha. Pena que, na frente das câmeras, ela aparentemente tinha um branco ao explicar suas questões. Além disso, é difícil para uma advogada criminalista ganhar terreno numa primária de esquerda.

Buttigieg se parece demais com Obama: um amador pouco testado, inteligente, mas raso. Seus únicos talentos relevantes são seu tempo de serviço militar (já que nenhum dos outros tem), e a administração bastante boa de uma cidadezinha minúscula. Ele não conseguia se entender com o único grupo minoritário que havia na cidade.

Warren: tenho muita confiança nela. Fiquei irritado quando ela atacou Buttigieg pelo evento que ele fez na região vinícola: ela atacou uma indústria local de que todos nos orgulhamos. Além disso, o ataque contra a consultoria administrativa dele pareceu um ato de desespero, semelhante ao incidente da luva no julgamento de OJ. Mas a história de vida dela é admirável, ela aprendeu boas lições, e seus estudos de economia sobre os pobres e os explorados a colocam numa posição especialmente boa para ajudar. Eu acredito na conclusão de Thomas Piketty de que as estruturas políticas começam bastante igualitárias, mas ao longo do tempo os ricos abocanham uma fatia repugnante da riqueza. Warren poderia refrear ou reverter esse processo. Eu entendo que um presidente deve ter e manter o controle sobre ambas as casas do Congresso e o apoio da população para fazer o que for preciso. Pelosi vai se manter como Presidente da Câmara enquanto for necessária; mas não posso dizer que eu saiba muito sobre as perspectivas no Senado ou sobre a interferência da direita no desenho dos distritos em boa parte dos estados vermelhos.

Espero ver mais coisas sobre Bloomberg (os anúncios dele são brilhantes) e sua capacidade de obter uma parcela maior de apoio; se não for assim, ficaria com Warren.

Tenho pouco a dizer daquela senhora de Minnesota. A única vez em que ela despertou empolgação foi quando ela foi acusada de gritar com sua equipe. O melhor caminho dela para a Casa Branca: “Eu não pareço a sua tia favorita?”

Eu estaria mais interessado em Yang – gostei dos “óculos para ver de longe” – se não ele não estivesse tão longe. Ele é esperto, divertido, positivo, e admirável em um canto do palco.

Os bilionários são uma categoria à parte. A campanha de Steyer é simplesmente uma sinfonia solo de uma nota só. Eu fiquei inesperadamente atraído por Bloomberg: ele tem uma profundidade de experiência de gestão comparável ao nível federal (leia-se: a cidade de Nova York), uma liderança humanitária e comunitária pós-política, uma enormidade de dinheiro que até Trump parece temer. Nenhum deles parece ter qualidades que evoquem amor ou ódio, não acha?

Então, a primária da Califórnia é em 5 semanas. Espero ver mais coisas sobre Bloomberg (os anúncios dele são brilhantes) e sua capacidade de obter uma parcela maior de apoio; se não for assim, ficaria com Warren.

Estou omitindo alguém… Biden. Nunca vou perdoá-lo pela falha covarde em não liderar a oposição contra a nomeação de Clarence Thomas. Não é uma boa característica de personalidade para um líder do mundo livre! Ele ganha alguns pontos por ter usado sua posição de vice-presidente para ajudar Obama a navegar Capitol Hill (embora eles tenham detonado Pelosi, e Obama tenha perdido interesse na liderança quando Turtle se tornou intratável), mas isso parece ter acabado depois que Pelosi conseguiu aprovar uma versão da assistência de saúde que o Senado assinaria.

Bernie Sanders

Homem anônimo – de George W. Bush para Barack Obama para Trump para Warren para Sanders

Eu agradeço que você tenha pedido cartas de seus leitores. Jornalistas não fazem isso o suficiente esses tempos. Uma das coisas que mantém os caras do Partido Republicano mais próximos de sua base é receber todas aquelas ligações dos ouvintes nos programas de rádio. Isto é um pouco como aquilo.

Eu mudei, em novembro, de Elizabeth Warren para Bernie Sanders.

Meu histórico: sou um homem de quase cinquenta anos. Eu morava na parte central da Virginia nas eleições de 2012 e 2016, e em Ohio nos ciclos de 2004 e 2008.

Não sou necessariamente o progressista típico. Apoiei Bush em 2000 e 2004. Votei em Obama em 2008 e 2012, mas achei que ele foi um péssimo presidente, e tinha bastante simpatia pelo movimento Tea Party. Fiz campanha para Sanders durante as primárias de 2016, mas acabei votando em Trump nas eleições gerais.

Então, como eu saí do apoio a Bush até chegar a Sanders? Basicamente, minha mudança de pensamento aconteceu quando me mudei de Nova York para a região de Toledo, em Ohio, no final dos anos 2000. Eu vi em primeira mão como o coração da região industrial estava sendo esvaziado. Homens de 50 anos, trabalhadores, desempregados e com família, estavam sendo forçados a irem morar com seus pais. Meu irmão morava em Pittsburgh, e para economizar o pedágio da rodovia Ohio Turnpike, eu pegava o caminho pelas estradas estaduais passando por cidades como East Liverpool e Youngstown. Eu provavelmente não preciso contar a você como eram essas cidades. A melhor analogia que consigo fazer é dizer que parecia um cenário pós-guerra.

Parte das razões para ter votado em Barack Obama foi estar convencido da necessidade de uma mudança profunda. Porém, em vez de mudar, Obama nomeou Timothy Geithner como Secretário do Tesouro, resgatou os bancos, pagou os bônus dos banqueiros com dinheiro do contribuinte, ao mesmo tempo em que levou a indústria automobilística dos EUA a falir e demitir a maior parte de seus trabalhadores. Sua reforma do sistema de saúde permitiu que os fabricantes de medicamentos aumentassem cem vezes os preços, forçando os americanos a pagarem planos caros com franquias de 10 mil dólares que são basicamente inúteis. Seu plano de recuperação econômica, conduzido por Ben Bernanke, consistiu em reinflacionar a bolha de ativos, um caso típico de “trickle down economics“.

O que me irritou especialmente foi a ampla traição de Obama às pessoas da classe trabalhadora em prol dos interesses corporativos específicos. E isso me fez perceber que ser governados por democratas corporativos é muito pior para os progressistas do que ser governados por republicanos, porque os democratas corporativos no poder essencialmente suprimem o pensamento e a ação progressistas, como os Clintons e os Obamas fizeram por tantos anos. Eu estava profundamente enojado por Barack Obama em 2012, e se seu oponente tivesse sido qualquer outro, e não Romney/Ryan, eu talvez tivesse votado de outra forma. Se há uma coisa pior do que os democratas corporativos, são os Republicanos corporativos.

Mas Trump se afastou da pauta de Romney e Ryan, calcada nos interesses dos financiadores. Ele era progressista em coisas como o comércio e a proteção à seguridade social. É por isso que, quando Bernie fracassou em 2016, eu votei em Trump.

Na disputa de 2020: embora eu rejeite a ideologia corporativa de Clinton/Obama, ela é adotada por uma ampla faixa da base Democrata (depois de 30 anos, não deixa de ser natural). Precisamos de um candidato que também consiga falar com esse recorte.

Eu apoiava Elizabeth Warren antes porque achava que ela poderia ser essa candidata. Eis aqui uma progressista que consegue conversar com centristas e pessoas do sistema, e que talvez consiga defender a importância das políticas populistas de forma mais eficiente que Sanders.

Infelizmente, Warren não passou nos testes que apareceram. Eu me recordo de um debate em novembro, em que Buttigieg a desafiou agressivamente em relação ao Medicare para Todos. Nos dias seguintes, a mídia repetidamente a desafiou sobre esse assunto também. Era a chance dela de ser convincente em relação ao Medicare para Todos. Ela poderia ter apontado como o nosso sistema de saúde baseado em contribuição dos empregadores coloca as empresas em desvantagem competitiva e custa empregos. Ela poderia ter apontado que um movimento em direção a um sistema nacional de saúde na verdade economizaria uma fortuna, porque o nosso sistema atual é tão dispendioso.

Ela não fez nada disso, ela cedeu à pauta do sistema sem disparar nenhum tiro. Seus novos planos para o sistema de saúde agora são basicamente os mesmos de Buttigieg.

Enquanto as pessoas já sabem “o pior” de Bernie, Biden vai sofrer bastante quando os republicanos começaram a “informar” os eleitores sobre seu histórico.

Warren simplesmente não é uma lutadora. Existe alguma coisa nela que é muito fraca. Ela se acovarda em todas as ocasiões. Seja na promessa de pagar indenizações em um programa de rádio negro, seja ao usar seus “pronomes” em um evento LGBTQ. Durante muitos meses ela disse “estou com Bernie” em seu apoio ao Medicare para Todos. Então, ao ser questionada, ela se dobrou como uma cadeira de praia. Ninguém tem respeito por isso.

Sanders, por outro lado, passou a maior parte de sua vida política como minoria solitária, mas os eventos justificaram a maioria dos seus posicionamentos, como ser contrário ao NAFTA, ao GATT e a outros acordos de livre comércio. Ninguém duvida de sua sinceridade. Ninguém duvida que ele vá brigar pela classe média. Ele e Biden têm os melhores resultados contra Trump em disputas individuais.

Mas enquanto as pessoas já sabem “o pior” de Bernie, Biden vai sofrer bastante quando os Republicanos começaram a “informar” os eleitores sobre seu histórico. Por outro lado, o único argumento que eles realmente podem usar contra Bernie é que “o socialismo nunca funciona”, como se Bernie Sanders tivesse alguma coisa a ver com Josef Stalin. O fato é que a “medicina socializada” funciona muito bem no Reino Unido e no restante da Europa e Canadá, etc – pelo menos funciona melhor que o nosso sistema insano e disfuncional, onde pagamos 3x mais por pessoa do que em qualquer outro país, mas temos uma expectativa de vida menor que a da Costa Rica e igual à de Cuba, onde se gasta muito, muito menos do que aqui.

Não concordo com tudo que Bernie diz, mas depois da traição de Obama eu não confio que outro Democrata corporativo vá lutar por nós.

Nancy, de Illinois – de Sanders para Warren para Klobuchar e de volta a Sanders

Essa foi a minha odisseia como eleitora dos democratas na era Trump:

Em 2016 eu apoiei Bernie Sanders e fui de porta em porta por ele em Illinois. Naquela época, eu tinha 62 anos e era professora de redação em uma faculdade estadual onde Bernie fez um evento, e amei a energia e o entusiasmo que senti quando participei – uma versão em escala menor da esperança e do otimismo que animavam a multidão quando participei dos comícios de Barack Obama em 2008. Eu votei – com relutância – em Hillary Clinton depois que ela venceu a disputa pela candidatura, embora eu não quisesse mais ver nenhum Clinton na Casa Branca, da mesma forma que não queria ver nenhum outro Bush. Ainda assim, fiquei fisicamente doente quando ela perdeu para Trump. Mas não me surpreendi.

Nas minhas conversas com eleitores do interior de Illinois enquanto eu estava fazendo campanha, ficou bem claro que muitas das pessoas que votaram em Obama em 2008 não iam votar em Hillary, mas teriam votado em Bernie. Elas me diziam que, se ele não fosse o candidato, elas votariam em Trump. Esses não eram os tais “Bernie Bros“. Eram adultos de classe média e classe trabalhadora, alguns de faixa etária um pouco mais jovem, mas a maioria deles entre os 30 e os 60, que se sentiam abandonados por Obama, e acreditavam que Trump estava no caminho certo com o muro para deter os imigrantes. Algumas dessas pessoas são minhas vizinhas. Algumas delas costumavam ser minhas amigas.

Por um tempo eu achei que Kamala Harris pudesse ser a candidata mais forte, mas ela teve seu momento de paralisia durante os debates, e me perdeu.

No começo da campanha de 2020 eu achei que o tempo de Bernie já tinha passado, a despeito do meu entusiasmo renovado pela capacidade dele de empurrar o partido para a centro-esquerda. Então me tornei apoiadora de Elizabeth Warren, porque eu realmente, realmente queria ver na vida uma mulher ser eleita presidente, especialmente uma que encampava várias das posições políticas de Bernie.

Mas muitas coisas de Warren não encaixavam para mim, e eu ficava oscilando. Tinha a impressão de que ela se enquadrava melhor no Senado que na Casa Branca. Por um tempo achei que Kamala Harris pudesse ser a candidata mais forte, mas ela teve seu momento de paralisia durante os debates, e me perdeu. Então ponderei que a única forma de efetivamente obter uma vitória dos democratas seria ceder ao pragmatismo e ao centrismo, e por algumas semanas me inclinei a apoiar Amy Klobuchar. Por um perído, ela parecia uma voz da razão, mas também não conseguia permanecer com ela. A pauta dela é burguesa demais até mesmo para essa mulher branca de 65 anos do Meio-Oeste, agora aposentada. Não vejo como ela poderia ter um alcance amplo o suficiente para derrotar Donald Trump. E então precisei aceitar que 2020 não vai ser o ano de uma mulher, no fim das contas.

Nesse ponto, estou quase tão enojada da política convencional do Partido Democrata quanto estou dos republicanos asquerosos, o que deixa de fora Joe Biden, bem como Pete Buttigieg. Ele ainda não é um político de carreira, mas preenche todos os requisitos. E mesmo que Andrew Yang, Tom Steyers e Michael Bloomberg estejam concorrendo pelo Partido Democrata, não consigo tolerar a ideia de outro autocrata bilionário no Salão Oval. Então eu completei o ciclo, voltei para as minhas raízes esquerdistas, e já estou “sentindo o Bern” de novo. E pretendo ficar com ele até o fim.

Shannon – de Warren para Sanders

Eu mudei de Warren para Sanders depois do debate democrata em que Biden berrou para Warren que seu plano de Medicare para Todos custaria 30 a 40 bilhões. Não achei a resposta dela convincente, nem encorajadora. Fiquei mais preocupada quando ela demorou três semanas para apresentar um plano para custear o Medicare para Todos. Essa é a mulher (muito inteligente) que tem um Plano para Tudo! Ela pareceu fraca e despreparada, e meu coração murchou. Claro, se ela fosse indicada candidata, eu votaria nela.

Jennifer – de Buttigieg para Warren e para Sanders

Eu não fiz essa mudança tão recentemente, mas na verdade eu mudei de Buttigieg para Warren (no meio do ano, quando ficou claro como ele era babaca e quando eu descobri mais sobre ele; eu antes tinha gostado da mensagem dele de mudança geracional), e depois para Bernie, quando decidi que Bernie era o progressista mais elegível, e achei sua política externa melhor. Atualmente contribuo tanto para Warren, quanto para Bernie, mas vou votar em Bernie na Califórnia, a não ser que ele naufrague até lá (acho duvidoso). Não tenho certeza se Warren ou Bernie têm condições de atingir seus objetivos internos com o Congresso e a Suprema Corte, e acho que Warren vai ser engolida pela bolha da política externa. Mas a política externa de Bernie é muito alinhada com a minha em termos de não intervenção e foco na diplomacia, então pelo menos ele seria confiável nesse aspecto.

Lesly – de Warren e Andrew Yang para Sanders

Eu sou uma mãe solteira desempregada, tenho 38 anos, e moro na Virgínia Ocidental. Tenho um filho de 8 anos que tem uma doença rara chamada Síndrome de Lennox-Gastaut, ele tem paralisia cerebral, é autista, e é tecnicamente cego. Tenho um filho de 7 anos que tem autismo grave e não fala. Eu tinha dois empregos e fazia faculdade. O pai dos meus filhos foi embora, não tinha ninguém para cuidar dos meus filhos. Eu teria que pagar mais de 40 dólares por hora pelos cuidados com crianças com necessidades especiais. Depois de conseguir me formar em um curso de curta duração, não conseguia ganhar nem 11 dólares por hora. Por isso precisei ficar em casa. Ambos os meus filhos recebem benefícios: cheques de SSI, “selos alimentares” auxílio-moradia, Medicaid e CHIPs. Voltei a estudar para conseguir o meu bacharelado.

Eu passei a maior parte da vida em uma bolha, escondida em uma caverna com relação à política. Sem TV a cabo, sem mídias sociais. Sempre fui punk rock com orgulho, antissistema, vamos queimar toda essa merda. Desde que Trump chegou à presidência, percebi que ele poderia efetivamente matar meu filho mais velho. Eu simplesmente não teria como pagar os 5 mil dólares por mês em medicamentos, consultas médicas, cirurgias e terapias de que ele precisa. A cada ano desde que Trump foi eleito as coisas vêm piorando. Li um artigo sobre os expurgos de Reagan, quando as pessoas morriam enquanto esperavam por dinheiro e seguro saúde, recebendo sucessivas rejeições. Tenho certeza de que é isso que Trump está tentando fazer. Deixar os negros, não brancos, pobres e deficientes morrerem. A sacanagem tem sido ininterrupta.

Sempre fui punk rock com orgulho, antissistema, vamos queimar toda essa merda. Desde que Trump chegou à presidência, percebi que ele poderia efetivamente matar meu filho mais velho.

Pela primeira vez na vida, estou animada com uma eleição. Nunca tinha ouvido falar dessas pessoas quando anunciariam que iriam concorrer. Estava animada com Elizabeth Warren e Andrew Yang. Fiz doações para ambos os candidatos. Pensei: uau! Isso é incrível, a plataforma deles é tudo de que meus filhos precisam! Aí as histórias começaram a se desfazer, e nenhum deles era exatamente o que dizia. Não sou médica, mas tenho certeza de que o espírito do seguro não vai ajudar ninguém. Os planos de Elizabeth são um lixo e ela mente pelas coisas mais estranhas. Vem Bernie Sanders, e ele é tudo que diz ser. Quanto mais eu leio sobre ele e o escuto, mais eu amo! Eu nem sabia o que era ser progressista ou o que era um socialista. Aparentemente eu sou as duas coisas. Talvez sejam a mesma coisa? Da primeira vez que votei em Obama, foi porque minha mãe me fez sentir culpa. Fui convocada para o júri depois disso e jurei nunca mais ir votar. Mas eu estou disposta a receber uma convocação para o júri por Bernie Sanders. E lutar por alguém que eu não conheço.

Brent – de Warren para Sanders

No começo desse período de primária, eu estava empolgada com a campanha de Warren. Fui apoiadora de Sanders em 2016 e fiquei feliz que ela também esteja na disputa, mesmo incomodada por ela não ter apoiado Bernie. Warren é uma senadora progressista e tinha um histórico que eu achei que poderia torná-la uma liderança no Poder Executivo, em relação à política interna. Eu me sentia dividida e acabava torcendo pelos dois.

Porém, à medida que o processo da primária se desenrolou, fui encontrando coisas na campanha de Warren que me fizeram pensar. Quando Warren tentou justificar seu plano de Medicare para Todos mostrando como ele seria financiado, ela mostrou vulnerabilidade à pressão da mídia e de outros políticos. No fim das contas, ela perdeu meu apoio quando decidiu oferecer o mesmo plano para a saúde que Buttigieg e Biden, dizendo ao mesmo tempo que iria tentar aprovar uma segunda reforma. Esse “plano” para tentar aprovar duas reformas enormes me mostrou que talvez o tino político dela não seja tão grande quanto eu imaginava. Foi nesse ponto que entendi que só poderia apoiar Bernie Sanders. Ela estava tentando se manter numa faixa entre os centristas e a esquerda, mas essa tentativa de dividir a diferença não conseguiu ser inspiradora.

Jason – de Warren para Sanders

Estou mudando de E. Warren para B. Sanders porque ele é o único Candidato que apoia o Medicare para Todos obrigatório. Minha filha, Grace, de 25 anos, é professora de escola pública e a vida inteira teve cobertura do meu seguro saúde oferecido pela Universidade de Minnesota. Quando ela fizer 26 anos, vai perder a cobertura pelo meu plano e vai precisar pagar pelo seu próprio seguro, por meio da escola onde trabalha ou no programa federal de seguro saúde (que em Minnesota é o MNsure). Ela ganha 35 mil dólares por ano, e vai passar a ser pobre quando estiver pagando seguro saúde e financiamento estudantil. Com a idade dela, eu consegui comprar um carro e uma casa. Não vejo como minha filha conseguiria comprar um carro ou uma casa com essa dívida de financiamento estudantil e os pagamentos de seguro saúde. Além disso, quando comecei a trabalhar na universidade em 1988, eu consegui incluir minha mulher e minha filha no seguro saúde com cobertura odontológica sem nenhum custo inicial. Hoje, essa mesma cobertura custa 4.994 dólares por ano, ou 416 dólares por mês, direto do bolso, o que reflete os custos descontrolados da assistência de saúde.

Eu tenho 57 anos e um diploma de bacharel, trabalho na Universidade de Minnesota como Gestor Sênior de Auxílio Financeiro e moro no bairro de subúrbio de Woodbury em St. Paul. Grace apoia o Medicare para Todos e o perdão das dívidas estudantis que Bernie defende. [Publicado também com a permissão de Grace.]

Anônimo, 50 anos, Dakota do Sul – de Warren para Sanders

Primeiro, queria dizer que valorizo e respeito seu trabalho. Lembro de ver você esporadicamente no programa da Rachel Maddow, antes que o programa… mudasse.

Quanto à sua pergunta sobre trocar o candidato que apoio na primária: eu apoiei Warren por anos, e ainda apoiaria. Acho que ela se comunica com muita eficácia, especialmente em questões financeiras. Também acho que já passou muito da hora de termos uma mulher como presidente (Eleanor Roosevelt deveria ter sido presidente, pelo amor de Deus).

No entanto, fico preocupada com a tendência de Warren a voltar atrás em suas declarações e diluir suas ideias, como aconteceu com o Medicare para Todos. Acho que isso mostra avaliação e liderança questionáveis, e infelizmente corrobora a noção sexista de que uma mulher não poder ser uma líder forte. (Eu discordo integralmente dessa visão, mas não sou ingênua quanto ao sexismo em nosso país.)

Prefiro a posição de Bernie na maior parte das questões, e acho que seu progressismo populista alcança bem mais o eleitorado em geral, especialmente os eleitores com baixa propensão a votar, que os democratas precisam motivar. Também tenho consciência de que Bernie tem pontos muito negativos para certos grupos de pessoas: Democratas Corporativos, a elite do Partido Democrata, e os Clintonistas rancorosos. Minha mulher não é nada disso, e ainda assim não gosta do Bernie. Por esse motivo, não quero falar com muita convicção do meu apoio a ele (e por favor não mencionem meu nome na matéria). Minha mulher apoia Klobuchar, em parte, eu imagino, porque ambas são advogadas e mulheres fortes e bem-sucedidas. Eu gosto de muitas coisas em Klobuchar, mas acho que ela seria um desastre, tanto como candidata quanto como presidente. Uma proposta de Austeridade Leve seria terrivelmente ruim no atual esquema de coisas (como se 2016 não tivesse comprovado isso). (Fique registrado que um amigo nosso de Minnesota, Democrata, não gosta de Klobuchar porque ela se recusou a declarar indubitavelmente que jamais usaria armas nucleares para atacar primeiro. Ele é um amigo de faculdade, progressista, que projeta baterias para marcapassos na Medtronic, na região de The Cities.)

Claro que meu voto não importa, de qualquer forma. Moramos na Dakota do Sul, nossa primária é tão tardia, e nossos votos, tão poucos, que não faz diferença. (O que não é necessariamente ruim: como os estados sulistas que iniciam a primária, nosso eleitorado democrata tende a ser conservador nas escolhas, preferindo opções “seguras” como Hillary e Biden – o que contaminaria as eleições gerais.)

Então, resumindo, comecei com Warren como primeira escolha, mas agora tenho uma forte tendência a preferir Bernie, embora ainda não admita publicamente. Mas eu votaria tranquilamente em qualquer um dos dois.

Se ajudar no seu recorte demográfico, sou um cara de 50 anos que cresceu numa fazenda em Dakota do Sul e estudou numa escola rural pobre (que já fechou há muito tempo), numa sala com 16 alunos. Eu também acho que os termos Zelador e Responsável da Manutenção são intercambiáveis (o nosso também era chamado Guarda).

Sande, 59 anos, São Francisco – de Warren para Sanders

Sou uma mulher progressista de 59 anos, tecelã em São Francisco, e precisei me aposentar cedo em razão de uma incapacidade laboral, por isso dependo da Aposentadoria por Invalidez da Seguridade Social. Votei em Bernie em 2016 depois de vê-lo em Oakland e em São Francisco, e inclusive cheguei a sair uma vez para trabalhar como voluntária de campanha. Suas políticas são as minhas e eu amo a integridade dele, ele é inspirador.

Mas aí, esse ano, Elizabeth Warren entrou na disputa, e eu adorei as ideias dela desde que a vi no Daily Show do Jon Stewart. Eu queria que tivesse sido ela a mulher a concorrer nas últimas eleições, em vez de Hillary Clinton. As políticas e os planos dela são muito mais progressistas. Ela tem uma vitalidade impressionante e sempre parece se relacionar bem com as pessoas.

Por isso eu fiquei dividida quando vi que ela e Bernie estariam ambos na disputa dessa vez. Fiz doações para ambas as campanhas, porque queria ver os dois concorrendo, compartilhando um pequeno tesouro de ideias progressistas pela primeira vez na minha vida de eleitora. Talvez fosse uma completa ignorância minha, mas embora eu tivesse ouvido as reclamações sobre a hesitação dela quanto ao Medicare para Todos etc., estava disposta a pensar que era só a resposta de sempre aos candidatos progressistas.

Mas me doeu muito o que ela fez, em cooperação com a CNN (e com seus novos parceiros da campanha de Clinton), para tentar atribuir ao seu amigo Bernie, sem motivo, a pecha de sexista que não acreditava que uma mulher poderia vencer. Fiquei triste e confusa por muitos dias, pensando que talvez ela não tivesse dito isso e estivesse apenas sendo usada. Mas quando ela dobrou a aposta e não negou, fiquei irritada.

Bem, ficou muito maior do que eu pretendia escrever, mas foi catártico expressar isso de forma tão completa.

Quando assisti ao debate e percebi que ela aparentava estar agindo de forma completamente coordenada com a CNN para atacar Sanders, sabia que a partir dali tinha me tornado completamente leal a Bernie. Então ela pelo menos me ajudou a tomar uma decisão. Agora não consigo mais confiar nela, nem ouvi-la. Tenho a impressão de que ela também me apunhalou pelas costas.

Ela parecia tão fraca apertando as mãos, debilmente, naquela recusa de cumprimentá-lo depois do debate, com o microfone ligado tentando fazer Bernie dizer algo de que se arrependesse. E eu sou uma mulher sensível, imagine o que Trump poderia fazer com ela, sendo tão fácil de ofender.

Fico irritada quando as mulheres usam a experiência real do sexismo para fazer uma ofensa que parece manipuladora e pouco autêntica. Sei que é uma campanha, mas se é assim que você trata seus amigos publicamente numa situação que, diante de um olhar generoso, parece só um mal-entendido, onde está a “união” desse partido?

Desde então, estou novamente dedicada a apoiar Sanders e ajudá-lo a atravessar as ondas de ataque do sistema tradicional e sua mídia. A essas alturas já é intuitivo, consigo ver as ondas chegando e estou nisso a longo prazo com tranquilidade.

Bem, ficou muito maior do que eu pretendia escrever, mas foi catártico expressar isso de forma tão completa. Espero que quando chegarem a primária de 3 de março na Califórnia, a convenção de julho e finalmente, novembro, ainda tenhamos eleições livres e justas. Nossa Revolução x o Rei Sol do Século XXI.

Paul – de Warren para Sanders

Sempre estive de olho nos candidatos mais voltados para as massas. Considerava que Sanders e Warren eram esses candidatos. Os outros alegam ser preocupados com as massas, mas claramente não é o caso. Eu estava tendendo fortemente à Warren, com Sanders em segundo, mas diante da onda de Sanders, vou mudar para ele. Mas sempre posso trocar entre eles. O que eu realmente mais quero é que o candidato mais forte ou o segundo candidato mais forte seja indicado. Por isso saltei de Warren para Sanders por ora.

Janet – de Warren para Sanders

No começo eu estava tendendo à Warren, mas ouvi uma entrevista no programa Majority Report comparando a política externa de Warren e de Sanders com base em um artigo da Jacobin, e também observei as respostas de ambos ao golpe contra Evo Morales depois de assistir à entrevista com Morales no The Intercept (muito boa), e a escolha ficou muito clara para mim, na qualidade de alguém que se interessa pela alter-globalização e pelo Fórum Social Mundial no lugar da dominância dos EUA. Ainda não consegui encontrar nenhum candidato à presidência realmente disposto a se mobilizar pelo direito de retorno dos palestinos, mas Sanders é quem chega mais perto.

Ainda não consegui encontrar nenhum candidato à presidência realmente disposto a se mobilizar pelo direito de retorno dos palestinos, mas Sanders é quem chega mais perto.

Informação demográfica: sou uma mulher de 50 anos (fiz aniversário recentemente), do estado de Washington, atualmente morando no Havaí. Acabei de terminar meu doutorado em inglês e estou procurando uma vaga de professor assistente nos EUA ou no exterior. Eu também apoio o Medicare para Todos como a solução mais razoável e eficiente para os problemas de custo e acesso na assistência à saúde. Além disso, tive câncer de mama recentemente. Eu certamente vou sobreviver a isso em razão do diagnóstico precoce, mas penso em todas as pessoas que poderiam morrer da mesma coisa porque não têm cobertura de saúde. Isso é inaceitável.

Teresa – de Warren para Sanders

Eu troquei de Warren para Sanders. Mãe de dois filhos no meio-oeste americano. Trabalho na área de energia. Troquei porque tenho a impressão de que os militares e os ricos recebem todos os benefícios. Vejo meus familiares sem nível superior tendo dificuldades e me sinto mal por eles. Eles aceitam empregos ruins que os estressam e não cuidam da saúde. Isso leva a ainda mais problemas financeiros. Bernie tem planos que os beneficiariam diretamente. Adoraria ver as escolhas que eles poderiam fazer com seguro saúde universal e educação gratuita.

Além disso, comecei a perceber que a Citizens United e as isenções fiscais para os ricos e as grandes empresas estão criando um sistema onde aqueles que contribuem pouco têm muita influência. Isso simplesmente não é justo.

Um último tópico que me deixa profundamente preocupada e me dá vergonha de admitir é que tenho medo de que uma mulher não consiga vencer. Depois da última eleição, do movimento Me Too e de outras causas, me parece que as mulheres ainda têm um longo caminho pela frente. E não acredito que as mulheres vão votar em mulheres.

Joan, 86 anos, Carolina do Norte – de Warren para Sanders

Sou uma mulher de 86 anos, psicóloga clínica aposentada, e moro na Carolina do Norte. Em dezembro eu troquei de Warren para Sanders. Gosto de ambos nas questões de políticas. Mas acho que Sanders tem mais agressividade e carisma para encarar a luta contra Trump e vencer.

Anastasia – de Warren para Yang para Tulsi Gabbard para Sanders

Quero começar com uma ou duas confissões. Eu pertenço a um dos maiores grupos de “eleitores” dos Estados Unidos: o dos que não votam. Fui criada por pais que consistentemente diziam “vote em quem te desagradar menos”. Nem isso eu consegui fazer.

Minha segunda confissão é que pertenço a uma das gerações mais complacentes em muito tempo. Geração X. Fizemos muito pouco pelo progresso futuro desse país. A despeito, é claro, dos incríveis avanços da internet. Embora isso não fosse nem uma iniciativa privada inicialmente. Enfim.

Saí aos poucos do bonde de Yang.

Estou satisfeita em dizer que agora estou “puta da vida” e arrisquei minha pele. Já fiz doações para vários candidatos simplesmente porque as discussões precisavam acontecer. Não queria só um democrata com uma pauta. Achava importante que diversas vozes fossem ouvidas.

Dito isso, eu bem gostaria de reaver uma parte desse dinheiro!

Desembarquei da candidatura de Warren quando descobri que ela “se consultava” com Hillary. Foi a gota d’água. Eu devia ter feito isso antes…

Saí aos poucos do bonde de Yang, primeiro quando percebi que ele não apoiava uma das políticas mais importantes para mim (embora ele continue a usar a expressão). Mas eu realmente pulei fora quando ele disse que “as pessoas deveriam arriscar sua pele”. Isso me irrita demais.

Tulsi, abençoada. Eu realmente adoro a postura antibélica, não interfira, mas não feche os olhos. Totalmente ao lado dela nisso. Mas… Ela também se afastou da minha questão principal.

Então aqui estou. Apostando tudo no Bernie. Desde 2015. E ele não vacila. Não deu para trás quando poderia. Pela primeira vez na minha vida adulta, eu sinto esperança. E é doloroso. E assustador. E revigorante. E eu ouso sonhar com um futuro. Para mim. Para os meus filhos.

Digo ao meu filho de dez anos: “Preste atenção. Ele é só uma vez na vida. Você muito provavelmente nunca mais vai ver um político com tanta integridade. E honestidade. E capacidade de previsão. E vontade de servir ao povo.”

Incrível aonde chegamos como país. Pena que tenha levado tanto tempo para alcançarmos o Bernie de 30, 40, 50 anos atrás!

Josh, 21 anos, Oregon – Warren para Sanders

Sou um cara de 21 anos do Oregon, atualmente fazendo faculdade no estado de Nova York. Eu faço parte do público do TYT casualmente. Se eu pudesse votar nas primárias de 2016, teria votado em Bernie. Votei em Hillary nas eleições gerais.

Em 2020, inicialmente apoiei Elizabeth Warren. Achei que ela fosse uma progressista forte, numa posição melhor do que o Bernie naquele momento. Bernie vinha em segundo lugar.

Desde o meio do ano, percebi que Bernie começou a ganhar bastante força, desde que outros progressistas como a AOC declararam apoio a ele. Ele não tem mais sido tão ranzinza, e realmente me convenceu de que é o candidato mais forte atualmente. Ele é o mais autêntico possível, e Trump nunca conseguiu atingi-lo. Doei para Bernie um pouco de grana. Nunca fiz uma doação para Warren, preferi segurar até mais perto da temporada de votação.

Brandon, 71 anos – tendendo a Sanders

Trump é um desastre tão grande para a nossa democracia que eu apoio qualquer democrata exceto a Tulsi. Eu costumava ficar praticamente empatado entre Bernie e Warren, favorecendo um pouco Warren, mas a alegação dela de que Sanders não acha que uma mulher possa ser presidente, que simplesmente não se sustenta em nada que o Bernie já tenha dito, a fez perder pontos. Bernie Sanders é o homem de quem esse país precisa desesperadamente para trazer de volta um mundo mais ético, moral e justo. Elizabeth Warren é a minha segunda opção convicta, uma boa opção para vice-presidente. Joe Biden já passou do prazo de validade, não tem mais referência de para onde devemos ir, ainda preso à elite corporativo-democrata que é pouco menos corrupta que sua versão republicana. Tenho 71 anos de juventude, planejo viver muitos mais, e acredito no futuro da humanidade se conseguirmos reunir a disposição para fazer as coisas difíceis que sabemos que precisam ser feitas. As mudanças climáticas exigem ação rápida e intensa, a desigualdade de renda precisa ser amplamente reduzida, e a capacidade de votar, ser livre e levantar a voz de maneira civilizada devem ser protegidas diante da repressão autocrática, comunista e oligárquica.

Carolyn — tendendo a Sanders

Não posso dizer de forma definitiva que mudei, mas tomei minha decisão nos últimos dias. Eu definitivamente vou votar em Bernie Sanders. O apoio que ele está recebendo dos jovens eleitores (mais jovens do que eu, que sou da geração “baby boomer”) foi o ponto de virada para mim. Nós devemos isso a ele; eles o “escutam”. Eu também escuto, mas estava preocupada com a idade dele. Entendi que, se eles não estão preocupados, por que eu deveria?

O apoio que ele está recebendo dos jovens eleitores (mais jovens do que eu, que sou da geração “baby boomer”) foi o ponto de virada para mim. Nós devemos isso a ele; eles o “escutam”.

Elizabeth Warren

Susan Dexter, 74 anos, de Williamsburg, Virginia — de Biden para Warren

Sou democrata a vida inteira e me descreveria como moderada. Considero que o Medicare para Todos é a melhor opção para o nosso futuro, mas acho que precisa ser feito aos poucos, por várias razões. Raramente se discute a existência de um setor inteiro de administração e cobrança de serviços de saúde que ficaria sem emprego. Adoro o Biden, mas preferiria que ele não tivesse concorrido, como preferiria que a Hillary não tivesse. Eu sinceramente espero que Bernie não vença a primária – em primeiro lugar, porque ele não é um democrata, e também porque ele é um velho ranzinza como o que já está na Casa Branca. Moro na Virginia e provavelmente vou votar em Warren. Eu gosto mais dela, de Klobuchar e de Buttigieg, nessa ordem. Vamos ver o que acontece. Aos 74 anos, preciso manter a calma e olhar para esse ano filosoficamente, mas acho que nosso país está em risco.

Schremmer — de Sanders para Warren

Apoiei Sanders em 2016 e acho que ainda temos uma dívida com ele por ter começado tudo. Mudei para Warren assim que ela declarou que iria concorrer porque ela é gente que faz, e esse ex-sindicalista (mais de 60 anos atrás, porém) gosta do que ela faz. Ainda tenho o adesivo de Sanders na minha caminhonete e agora também tenho um adesivo de Warren.

Ainda tenho o adesivo de Sanders na minha caminhonete e agora também tenho um adesivo de Warren.

Anita — de Sanders para Warren

Eu apoiava Bernie Sanders, mas agora apoio Elizabeth Warren. Eis o porquê, para além do fato de que ela tem o temperamento, as posições corretas sobre as questões que me interessam, e a capacidade de se relacionar com as pessoas. Acho que chegou a hora de que a experiência de vida de uma mulher esteja representada no mais alto cargo do país. A experiência de vida de uma mulher é diferente da de um homem e trará melhores resultados e uma sociedade mais humana, como Barack Obama disse. Não apenas uma mulher, mas essa mulher. Nós representamos mais da metade da população dos EUA. As pessoas mais pobres dos Estados Unidos são mulheres. A maior parte das pessoas que ganham salário mínimo são mulheres. O supremacismo branco e a misoginia estão interligados. Precisamos derrotar ambos. Elizabeth Warren será a melhor presidente. O New York Times declarou apoio a ela. O Des Moines Register declarou apoio a ela. Ela é minha única opção para a presidência.

Timothy, Virginia – de Sanders para Warren

Já desde 2014-15 eu queria a Warren. Mas ela disse “não”, e eu poderia jurar que li em algum lugar que “não é não”. Assim, em 2016 eu troquei para Sanders, e permaneci ali até que as contas ficaram impossíveis de fechar. Naquele ponto, mudei para Clinton, bati literalmente em centenas de portas e contribuí com mais dinheiro do que teria sido responsável da minha parte. E então veio A Catástrofe, e eis que Warren concorda em participar da disputa dessa vez.

Fui um apoiador de Warren desde sempre, claro, mas agora eu “troquei de volta” para ela. Por que eu a apoio? Bem, ela comete o pecado imperdoável de realmente Saber Coisas, saber Quem Está Ferrando Quem, e saber o que fazer a respeito. Sim, ela é velha, mas não tão velha quanto Bernie ou eu.

Segue em anexo uma foto dos adesivos de para-choque que estão atualmente no meu carro. É interessante que eu não vi reação nenhuma de homens brancos, jovens ou velhos. Mas recebi muitas reações (todas favoráveis) de mulheres e de homens negros.

Eric – de indeciso para Warren

Embora eu aprove a ética e os posicionamentos de Bernie, acho que ele é inelegível. Ele tem 78 anos e acabou de sofrer um ataque cardíaco, é socialista, e é judeu – todos esses elementos pesam contra ele em um país que se moveu tanto para a extrema-direita.

Qualquer um dos indicados seria muito melhor que Trump, mas um moderado como Biden seria tão decepcionante! Então, por ora, vou com Warren – inteligente, progressista, e muito mais elegível que Bernie. Fico incomodado que ela esteja desistindo de apoiar um sistema de pagador único, mas se ela precisa defender uma opção pública forte por um tempo, para melhorar suas chances, está ok para mim.

Fico incomodado que ela esteja desistindo de apoiar um sistema de pagador único, mas se ela precisa defender uma opção pública forte por um tempo, para melhorar suas chances, está ok para mim.

Nancy Jacobs – de indecisa para Warren

Eu estava em cima do muro – Bernie ou Elizabeth – mas agora vou de Elizabeth porque acho que ela tem melhor saúde, e pode trazer mais pessoas para a mesa. No entanto, vou votar em qualquer um que consiga a indicação. Moro na Carolina do Norte, sou uma mulher de 72 anos, educadora aposentada, atualmente voluntária para ajudar imigrantes a obter a cidadania. Meu marido é fã de Bloomberg. Ele tem 92 anos.

Kathi, 68 anos, New Jersey – de indecisa para Warren

Tenho 68 anos, sou democrata a vida inteira. Nasci no Brooklyn; cresci em Long Island, vivi por alguns anos em Manhattan e atualmente moro na parte ocidental de New Jersey.

Percebi no final dos anos 80 que esse país estava começando a sair dos trilhos. Os republicanos tinham se aliado aos cristãos evangélicos, depois conseguiram afastar a Doutrina da Imparcialidade, a Fox “News” surgiu, e, caso você fosse republicano, mentir passou a ser algo perfeitamente razoável se atingisse os resultados que você considerava merecer.

Eu e meu marido votamos duas vezes em Barack Obama. Ele não era nossa primeira opção, e eu tinha medo de que, por ser conhecido como um grande conciliador, sua força só fosse funcionar se todas as partes estivessem dispostas a se sentar à mesa. Logo descobrimos que os republicanos, liderados pelo inestimável Mitch McConnell, não viam problema algum em não se sentar à mesa, nem jogar limpo. E todos percebemos que, com uma grande parte da população acompanhando a Fox, os republicanos basicamente poderiam fazer e dizer o que quisessem, porque a Fox estava ali para dizer às pessoas que estava tudo certo. E que os democratas eram malvados.

O país ficou espantado quando Mitch McConnell se recusou a convocar uma sessão para apreciar a nomeação de Merrick Garland [para a Suprema Corte]. Mas não deu em nada. E não deu em nada quando operadores republicanos fizeram ligações automatizadas informando eleitores de datas, horários e locais errados de votação, e quando os locais de votação foram fechados ou movidos, e as listas de registro de eleitores foram expurgadas. Estávamos jogando sem árbitro em campo.

Eu e meu marido votamos em Bernie Sanders nas primárias de 2016. Eu ouvi falar de Bernie alguns anos antes que ele se declarasse candidato. Fiquei empolgada por ele e por sua mensagem. Ele era do povo, pelo povo e para o povo. (Há cerca de dez anos, possivelmente, eu escrevi para ele em Vermont e enviei um cheque; ele me respondeu com um agradecimento escrito à mão) Bernie foi o primeiro candidato a ter respostas para problemas reais. Ele não falava platitudes. Ele sabia que o salário mínimo era uma piada; ele sabia que a proposta de salário mínimo não chegava nem perto de um salário de subsistência. Ele conhecia os medos das pessoas quanto à assistência de saúde e à possibilidade de não se afogar em dívidas. Sua mensagem ressoou com intensidade por todo o país, o suficiente para empurrar Hillary consideravelmente para a esquerda.

Muito embora eu considerasse que Hillary Clinton tinha sabedoria e conhecimento, fiquei absurdamente irritada pela falta de pulso dela; por suas tentativas de aplacar a todos, mas que não aplacavam ninguém. Hillary Clinton era aquela candidata de meio-termo, que não balançava as coisas. Sendo justa, ela venceu no voto popular (e eu e meu marido votamos nela), mas permitiu que um trapaceiro, mercenário e mentiroso a superasse o ano inteiro. A mensagem dele ecoou com mais intensidade e entusiasmo que a dela.

Nos últimos anos eu me dei conta cada vez mais de duas questões – (1) a Fox é hoje uma máquina da propaganda. Eles apoiam a narrativa do presidente (ou talvez eu devesse dizer que ele apoia a deles); uma grande parcela do país sofreu uma lavagem cerebral completa para acreditar no que a Fox diz e duvidar do que não está na Fox. Várias pessoas já disseram na minha cara que, se eu assistisse à Fox, entenderia o que realmente está acontecendo nesse país. Só eles falam a verdade na natureza selvagem. Uau. Não vejo como nós, como país, um dia poderemos voltar a ter um diálogo civilizado se não conseguirmos chegar a um acordo sobre qual realidade é real. E os republicanos sabem muito bem que a Fox dá a eles uma rede de segurança. É por isso que eles estão apostando em não chamar testemunhas e em absolver Trump, porque a Fox vai convencer pessoas suficientes de que era a coisa certa a fazer, e os democratas ainda estão se recuperando da eleição de 2016.

Nós PRECISAMOS divulgar nossa mensagem e PRECISAMOS retomar o Senado. Se não fizermos isso, não importa quem seja eleito para a presidência.

A segunda questão é que as pessoas deste país estão realmente infelizes. Os membros do 1% estão indo muito bem em sua oligarquia. A classe média alta está indo razoavelmente bem, e são eles que estão tentando a todo custo não balançar as coisas. Mas as pessoas que agora estão com água nos joelhos, ou se afogando, as pessoas que costumavam ter bons empregos sindicalizados, que viviam em cidades prósperas – elas precisam culpar alguém. Elas não são bem informadas o suficiente para saber contra quem deveriam direcionar sua raiva, mas uma vez que os republicanos dominaram a arte de moldar a narrativa, elas culpam os democratas por falharem com elas e suas cidades. E os democratas simplesmente tiveram medo de adotar uma posição favorável às massas, denunciar quem ou o que falhou com essas pessoas; pensar uma solução realmente boa para resolver seus problemas econômicos e de saúde.

Bernie Sanders e Elizabeth Warren são figuras impressionantes. Bernie vem conduzindo a narrativa democrata nos últimos anos, e Elizabeth Warren é uma incrível burocrata política que vem fazendo seu dever de casa e realmente tem resposta para tudo. Eu votaria em qualquer um deles, provavelmente Elizabeth Warren em primeiro, pois ela consegue debater mais tópicos. Mas eu confiaria em qualquer um deles para ouvir os assessores certos e ajustar quaisquer teorias que precisem de ajuste, e confiaria neles para falar em assembleias pelo país e transmitir suas mensagens.

Nós PRECISAMOS divulgar nossa mensagem e PRECISAMOS retomar o Senado. Se não fizermos isso, não importa quem seja eleito para a presidência; nosso país sofre de um câncer nos três poderes do governo, e a minoria dos ricos continua a arrecadar seu ouro, às custas de todo o resto. Não tenho certeza de que iremos sobreviver às reversões da Lei das Águas Limpas e às que atingem o meio ambiente e a vida selvagem.

Uma última questão. Já estou saturada desses analistas que acham que estão prevendo nosso futuro, muito embora não tenham acertado nada nos últimos tempos. Aparentemente, eles e os outros comentaristas da FoX, CNN, MSNBC não estão acompanhando as notícias. Eles estão fazendo as notícias.

Acho que é nesse ponto que eu deveria dizer “Deus nos abençoe, e Deus abençoe os Estados Unidos da América”.

Amy Klobuchar

Mulher anônima, 73 anos, Missouri – de Warren para Klobuchar

Eu estava muito em cima do muro, e depois pensei em Warren. Agora estou mudando para Klobuchar, que considero a melhor pessoa para andar no fio da navalha e conseguir mais apoio caso venha a ser indicada. Não consigo entender que alguém apoie Bernie como uma possibilidade de vitória. Ele simplesmente não tem condições, na minha opinião.

Tenho 73 anos, sou uma liberal de longa data, moro na região suburbana de St. Louis e sou consultora no setor de educação.

Ann, 67 – de Buttigieg para Warren para Klobuchar

Tenho 67 anos, leio e respondo (nunca faço coisas assim) da Flórida – sou privilegiada com a saúde e os recursos que me permitem passar 6 semanas no sul durante o inverno. Eu me encaixo no estereótipo de mulher progressista da minha idade que cresceu sendo sempre democrata, e atualmente tem bastante estabilidade financeira.

Acho muito importante que Trump não vença ou exerça um segundo mandato, então quero que nosso candidato Democrata tenha condições de derrotá-lo. No entanto, eu não entendo a maior parte dos eleitores, e menos ainda as pessoas que não votam. Assim, não posso basear minha escolha em quem acho que poderia derrotar Trump. Nunca se sabe – talvez ele não concorra.

Inicialmente quem mais me empolgou foi Pete Buttigieg: inteligente, sem máculas, experiência militar, jovem. No entanto, comecei a achar que ele foi muito pouco testado e precisa desenvolver uma persona mais carismática. David Brooks o descreveu como a ideia de uma pessoa [branca] idosa em um presidente jovem, muito embora ele não esteja ganhando muito espaço nas comunidades jovens ou negras.

Então veio Elizabeth Warren: ótima presença, oradora maravilhosa. Credenciais legislativas e financeiras robustas. É uma mulher. No entanto, eu não apoio o Medicare para Todos. Eu uso o Medicare, e há muitas coisas de que não gosto na assistência e nas regras. Fiquei mal-acostumada depois de 45 anos de seguro saúde privado. Gosto que haja o Medicare ou uma opção pública, para aqueles que desejam ou precisam disso. E Warren soa muito repetitiva. Não gosto que ela aparentemente tenha pegado Bernie no contrapé sobre o que ele teria ou não dito.

Acho que, na primária de New Hampshire, irei votar em Amy Klobuchar. O apoio do New York Times essencialmente resume por que mudei para Amy. E ela é uma mulher e eu apoio candidatas mulheres.

Em 2016, eu desejava que Mike Bloomberg concorresse. Acho que ele seria um bom presidente: vasta experiência e resultados geralmente bons. Aos 77, é muito velho e muito rico. Dito isso, ainda acho que ele poderia desempenhar bem a função.

Minhas três escolhas principais: Amy, Elizabeth, Mike.

Por que não:

Sanders: raivoso demais e o acho autocentrado e muito velho.

Biden: muito maculado – por sua experiência passada e agora por Trump, velho demais, sem ideias novas.

Pam – de indecisa para Klobuchar

Sempre fui uma democrata liberal progressista, embora, à medida que envelheço, eu perceba que estou ficando mais conservadora em relação a algumas coisas, mas não a maioria. Minha mãe vem de uma família de republicanos e se tornou democrata na faculdade, onde conheceu meu pai, que era democrata, por influência de sua mãe, embora seu pai fosse definitivamente do tipo que costumava ser conhecido como “Dixiecrat“…

Eu teria votado em Joe Biden na primária de 2016 se ele tivesse concorrido. Votei em Hillary Clinton tanto na primária quanto nas eleições gerais. Já votei em republicanos uma vez ou outra, quando achei que a pessoa em questão era melhor. Em 2008 eu declarei que absolutamente nunca mais votaria em um republicano depois de ouvir Boehner e McConnell esbravejando sobre nunca cooperar com Obama (claro que votei nele). Se aquilo não era racismo, eu certamente não sei o que era. Fiquei simplesmente enfurecida. Eu voltei atrás um pouco naquela postura porque ficou claro que nem todos os republicanos concordavam com eles, mas ainda não votei em nenhum. Quando Trump se tornou o candidato republicano em 2016, eu senti um frio na espinha. Comecei até a dizer às pessoas que, tendo visto a forma como ele agia e o ódio por qualquer pessoa que não concordasse inteiramente com ele, se fosse eleito nós estaríamos aceitando um estado policial dentro de poucos anos, o que seria uma grande perda para todos. E ainda acredito que é o que vai acontecer se ele for reeleito. E eu realmente TENTEI ver algo de bom nele ao longo daquele primeiro ano, enquanto meus amigos republicanos (sim, tenho alguns) tentavam me convencer de que ele era só barulho e não era tão ruim assim. Bem, ele É tão ruim assim. Eu tentei. Eu fracassei e realmente temo pelos Estados Unidos. E não sou uma pessoa que sabia muito sobre ele antes da disputa eleitoral. Quer dizer, eu já tinha ouvido falar dele e de algumas de suas atividades, mas nunca prestei muita atenção. Foi só durante a farsa dos debates que percebi como ele poderia ser perigoso. E ele é MUITO PERIGOSO. Todos os dias ele parece fazer algo que prejudica a todos, inclusive muitas pessoas que deveriam, mas não parecem entender o que está acontecendo.

Eu me pego tendo um pouco de “preconceito contra ricos”, o que provavelmente não é justo (eu sei bem que nem todas as pessoas ricas são republicanas), mas aparentemente eu tenho um problema com isso e estou tentando elaborar o assunto.

Nunca fui muito fã de Bernie Sanders, e tenho dificuldade em determinar o motivo. Acho que ele se empolga demais com o Medicare para Todos, e parece estar muito mais à esquerda do que eu estou, muito embora a maior parte das pessoas ache que eu sou de esquerda demais. Não me animei com ele em 2016, e ainda não me animo. Eu me decepcionei com Joe Biden, e não tenho certeza se é uma questão de idade (espero que não, já que temos a mesma idade), ou se ele já é assim há algum tempo. Ele parece se confundir com muita frequência, e eu me preocupo se ele não conseguiria acompanhar as coisas. E agora há mais coisas do que nunca para acompanhar, depois de todo o dano que foi causado por Trump até aqui. Eu gosto de Elizabeth Warren, sempre gostei, mas ela parece um pouco mais à esquerda do que estou disposta a ir. Eu gostava de Julian Castro, mas ele foi afastado bem rápido depois de perder a calma no palco falando com Joe Biden como falou, mesmo que fosse verdade, era uma forma inaceitável de dar uma resposta. Eu gosto de Cory Booker, mas ele agora também já saiu. Gosto do Prefeito Pete, mas não acho que ele ainda tenha experiência suficiente. Mas ele pode ser um bom companheiro de chapa. Minha grande favorita é Amy Klobuchar, que me parece a candidata mais próxima das minhas próprias posições. O Art também gosta do Mike Bloomberg, e eu também, mas eu me pego tendo um pouco de “preconceito contra ricos”, o que provavelmente não é justo (eu sei bem que nem todas as pessoas ricas são republicanos), mas aparentemente eu tenho um problema com isso e estou tentando elaborar o assunto. Eu admito que as ideias dele soam bem. Fiquei decepcionada com alguns dos outros durante os debates, também, especialmente os candidatos não brancos, porque tinha a esperança de que pelo menos um deles tivesse uma chance razoável. Na situação atual, não me atrevo a tentar adivinhar quem vai ser indicado pelo Partido Democrata, mas ainda tenho esperança de que talvez consigamos uma dupla que “cubra” todas as demandas (bem, isso não parece provável), como gênero e cor. Se pelo menos tivermos uma dupla que não seja de 2 homens brancos, eu provavelmente aceitaria isso.

Quando se fala de problemas raciais, a única coisa que ainda me incomoda em minha própria postura é o privilégio branco. Por muitos anos eu nem percebia que me beneficiava disso, e tento não agir dessa forma com ninguém. Mas ainda me incomoda que eu tenha passado tanto tempo sem perceber, mesmo sempre achando que era uma pessoa justa, mas nem disso eu tenho mais certeza.

Bem, agora está na hora de encerrar. Não acredito que fiquei acordada até tão tarde fazendo isso [e-mail enviado às 3:02 da madrugada]. Espero que não tenha entediado você demais.

Tom Steyer

Lincoln – de Warren para Steyer

Eu mudei de Warren para Steyer, porque quero manter no centro do palco a voz dele sobre as ações climáticas.

Indecisos

Sherri, Califórnia

Sou uma eleitora branca de Los Angeles que trabalha no departamento de contabilidade de uma organização de direitos dos animais.

Votei em Bernie em 2016, e estava tendendo a Warren dessa vez. Mas recentemente estou hesitando, e torcendo por Bernie de novo. Comecei a gostar de Andrew Yang e Klobuchar, no entanto, e me pergunto se Klobuchar não seria a escolha mais razoável. Em termos de políticas, eu me alinho a Bernie e Warren.

Nunca fiquei tão indecisa, e é porque me sinto muito insegura com o governo que atualmente ocupa a Casa Branca.

Carlos, California.

Acho que sou um progressista confuso. Sou a primeira geração nascida nos EUA; meus pais imigraram legalmente do México no final dos anos 1950/começo dos anos 1960. Naquela época era muito mais fácil, claro. Passei muitos verões no México. Amo a América Latina em geral. Quero votar nos democratas, mas não sou socialista. Meus pais eram democratas da era Kennedy e eu acredito em ideais conservadores progressistas – isso é um oxímoro? Não acredito em fronteiras abertas; meus pais, em especial, não acreditam; minha família estendida certamente também não. Eles trabalharam por tudo que conseguiram. Eu não assisto à Fox, nem à CNN, eu vejo o que está ao redor. Moro no sul da Califórnia e conheço muitos latinos que se opõem à abertura das fronteiras e à concessão desenfreada de permissões de asilo. Eles saíram da América Latina por um motivo. Tudo que posso dizer é: se os democratas não endurecerem com a imigração bem rápido é garantido que vão perder de novo para Trump. Ele não vai ser removido do cargo, todos sabemos disso. As pesquisas podem dizer o que você quiser que digam, exatamente como em 2016, quando nem Trump acreditava que iria vencer. Ainda lembro da cara dele – ele era provavelmente a pessoa mais surpresa naquela noite. Nossa democracia funciona: as pessoas dizem uma coisa, mas se viram e fazem o absoluto oposto. Trump é terrível para o meio ambiente, para a classe trabalhadora, para os pobres, para a classe média, para a política externa. Ele é basicamente um traidor, não tem ética, nem moral. Tenho medo de que percamos a chance de nos livrar dele em razão de uma pauta de extrema-esquerda e uma política tola de fronteiras abertas. Mais quatro anos de Trump e seus indicados no Judiciário pelo quê? Camponeses analfabetos que não estão nem aí para os EUA? Por quê? Por quê!

Tudo que posso dizer é: se os democratas não endurecerem com a imigração bem rápido é garantido que vão perder de novo para Trump.

Brianna, 37 anos, Carolina do Norte

Tenho 37 anos, acabei de me mudar da Califórnia para a Carolina do Norte. Sou uma moderada que frequentemente divide o voto entre os partidos. Leio os dois lados por interesse. Não acho que Bernie Sanders um dia vai ganhar, ele não tem chance com os moderados e é velho demais. Se os democratas quiserem vencer, eles precisam ganhar os moderados. Estou torcendo por uma chapa Buttigieg/Klovechar (nunca consigo lembrar como se escreve o nome dela).

Virginia, 60 anos

Nunca planejei votar em Biden. Estava curiosa a respeito de Buttigieg, mas o que descobri até agora me opõe a ele. Cogitei Kamala Harris, mas ela não está mais concorrendo. Gosto de Yang, mas não acho que ele realmente tenha chance, então estou cogitando Sanders e Warren.

Christine, Pensilvânia

Nessa eleição, eu estou realmente em conflito a respeito de quem vai receber meu voto na primária. Em 2016, eu era grande apoiadora de Bernie Sanders, e claro que votei na Hillary, porque não havia como não votar diante do desastre iminente de uma presidência de Trump, que infelizmente se mostrou muito pior do que a minha imaginação mais delirante.

No começo do processo de debate, eu era fã de Elizabeth Warren (e talvez ainda vote nela). Infelizmente, lamento dizer que sou uma das mulheres que temem que esperar que esse país misógino vote em uma mulher para presidente seja pedir demais. E não é possível negar o poder da mensagem de Bernie. Eu e meu marido fomos ouvir Bernie quando ele fez um discurso no último dia do controverso fechamento do Hospital Hahnemann, na Filadélfia. Bernie fala ao coração do povo.

Tudo que sei com certeza é que vou votar em qualquer pessoa que seja a candidata democrata à presidência. É claro que desejo uma plataforma progressista, mas meu principal objetivo em 2020 é derrotar Trump. Recuperar o Senado seria a cereja do bolo. Eu vivo com uma forma rara de ELA chamada ELP, esclerose lateral primária, e eu me importo profundamente com a assistência de saúde, a seguridade social e o Medicare. Entre o ativismo da ELA e a política, eu às vezes me sinto numa rodinha de hamster. [Caso a eleição fosse hoje] acho que iria de Sanders. Mas, mas, mas… A despeito disso, na minha opinião, DEVE haver uma mulher na chapa. Mulheres e minorias vão ser o combustível dessa eleição.

Annabelle, 77 anos, Oregon

Sou aposentada e tenho 77 anos. Sou progressista ao longo de toda minha vida eleitoral. Nasci e cresci na região da Baía de São Francisco, morei no Vale de Carmel quando ainda era uma região rural, depois por períodos mais curtos no norte da Califórnia, México, e British Columbia, no Canadá, e agora em Portland.

Era fã de Bernie antes que a maior parte das pessoas fora de New England conhecesse esse nome. Mas essa eleição me deixou dividida. Eu realmente me identifico com Elizabeth Warren também. Gosto dos modos suaves dela. Adoro seus “planos”! É revigorante encontrar uma candidata que se comprometa com ações concretas, não que Bernie não o faça.

Bernie esbraveja demais para o meu gosto. Gostaria que ele adotasse modos um pouco mais suaves de vez em quando, mas sei que não é possível suavizar a dura realidade dos sem-teto etc. Mas acabei de ler que o plano dele para um New Deal Ecológico é o melhor de todos. Então estou aqui dividida ao meio. Eu quero votar em quem for vencer – e em quem for fazer o máximo para salvar o planeta.

Suzanne

Eu alterno entre Warren e Sanders. Não seria honesto da minha parte dizer que “elegibilidade” não faz parte das minhas ponderações, mas não é o fator principal, o que é difícil diante do que está em jogo. Venho querendo agradecer a você e Mehdi, no entanto, por tuitarem aquele clipe de Elizabeth quando ficou sabendo que tinha recebido o apoio do Iowa Register. As reações dos apoiadores de Bernie no Twitter foram assustadoras. Você já deve estar acostumado a esse tipo de comportamento, mas eu só uso o Twitter como mídia social, uns minutos por dia no máximo.

Michael-leonard, Califórnia.

Em 2016, eu disse a todos que realmente gostaria de ver uma disputa cabeça a cabeça entre Bernie e Donnie – um verdadeiro populista progressista e um aspirante a reacionário repressor. Infelizmente, como agora sabemos, a Convenção Nacional do Partido Democrata determinou que isso não acontecesse. Ah, a história.

Quatro anos depois, não tenho certeza se quero que Sanders seja o candidato democrata. Ainda gosto de suas posições, de suas políticas e – especialmente – de sua atitude, mas sou assombrado pelo medo de que ele seja fisicamente velho demais para a função. Em vez disso, gostaria de ver sua sósia feminina, Elizabeth Warren, na Casa Branca, simplesmente por ser mais jovem. Mas ainda não estou completamente seguro.

Nós ficamos sabendo da última vez que SIM! uma mulher PODE vencer o voto popular, então essa não é uma razão válida para dizer não a ela. Eu provavelmente ainda vou votar em Sanders em março com base no velho adágio de que na primária você vota segundo a sua consciência. Em novembro, é claro, vou votar no candidato democrata.

Como Bernie, não sou religioso, tenho ascendência asquenaze, e fui criado no Brooklyn, em NY. Nasci em 1946 e atualmente moro em San Diego, Califórnia.

 

Tradução: Deborah Leão