O secretário de Comunicação do governo federal, Fábio Wajngarten, tem Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O Intercept confirmou com fontes que outras três pessoas da comitiva de Jair Bolsonaro que visitou Donald Trump na Flórida já apresentavam sintomas da infecção nos EUA.

O evento em Mar-a-Lago reuniu Bolsonaro, o presidente americano, o chanceler Ernesto Araújo, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Os quatro brasileiros com suspeita de coronavírus não fizeram o teste em Miami. Em vez disso, optaram por retornar ao Brasil para fazer o teste em São Paulo, mesmo infringindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Foi o mesmo procedimento seguido por Wajngarten. A mulher dele, a publicitária Sophie Wajngarten, confirmou a infecção do marido num grupo de WhatsApp da escola dos filhos do casal. Recebemos o print da conversa de uma fonte que pediu para não ser identificada. Não publicaremos a imagem para preservar a fonte.

Segundo Sophie, Wajngarten “está tomando todos os cuidados em casa”, em São Paulo, e “foi isolado num quarto seguindo todo protocolo de quarentena”.

Wajngarten acompanhou Jair Bolsonaro ao estado de Flórida, onde o presidente se reuniu com Donald Trump no resort particular do republicano, em Mar-A-Lago. A comitiva presidencial retornou ao Brasil ontem, em voo que partiu de Miami.

Trump e Bolsonaro se encontraram na Flórida na última semana. Wajngarten aparece no vídeo atrás do ombro esquerdo do presidente americano.

A agenda do presidente brasileiro de extrema direita para hoje foi cancelada, assim como a de Wajngarten. Ontem, o secretário fez troça no Twitter sobre o risco de ter contraído Covid-19 nos EUA.

O presidente, que tem 64 anos e passou por cirurgias nos últimos meses decorrentes do ataque a faca que sofreu, está sendo monitorado pelo serviço médico do Palácio do Planalto.

O Planalto confirmou que Wajngarten contraiu a doença. “O serviço médico da presidência da República adotou e está adotando todas as medidas preventivas necessárias para preservar a saúde do presidente e de toda comitiva presidencial que o acompanhou em recente viagem oficial aos Estados Unidos, bem como dos servidores do Palácio do Planalto”, comentou a assessoria, em nota.

A mulher do presidente, Michelle Bolsonaro, e outros ministros do governo também estiveram nos EUA – Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Comunicações). Como todos tiveram contato com Wajngarten, devem ficar em quarentena de 14 dias para evitar a propagação do vírus, recomenda a OMS.

Fábio Wajngarten é pivô de um dos escândalos do governo Bolsonaro, revelado pela Folha de S.Paulo. Ele é dono de uma empresa que tem contratos com emissoras de televisão alinhadas a Bolsonaro e passaram a receber mais dinheiro da Secretaria de Comunicação, chefiada por ele mesmo. Apesar da suspeita, foi absolvido pelo conselho de ética da presidência da República e mantido no cargo por Bolsonaro.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, que antes de assumir o cargo chegou a dizer que integrantes do governo alvos de “denúncias consistentes” de corrupção deveriam ser afastados, tem se esquivado de perguntas sobre o caso Wajngarten desde que ele veio à tona.

 

Correção: 12 de março, 15h55

Uma versão anterior deste texto informava que Covid-19 é o nome da doença também conhecida como coronavírus. Na verdade, Covid-19 é o nome da doença causada pelo novo coronavírus. O texto foi corrigido.  

Atualização: 12 de março, 12h50

O texto foi atualizado sobre a posição do Palácio do Planalto, que confirmou a doença do secretário.

Atualização: 12 de março, 12h57

O texto foi atualizado com os integrantes da comitiva presidencial.