O que é o novo coronavírus? Que doença ele causa?

O vírus que tanto causa pânico e mortes no mundo é um novo agente de uma família de vírus chamada coronavírus, que provoca infecções respiratórias. A doença causada pelo novo coronavírus foi batizada de covid-19.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os sintomas mais comuns da covid-19 são febre, cansaço e tosse seca. Alguns pacientes podem ter dores no corpo, congestão ou corrimento nasal, dor de garganta ou diarréia. Esses sintomas geralmente são leves, começam gradualmente e, segundo o Ministério da Saúde, levam de dois a 14 dias para aparecerem. Atualmente, estuda-se a possibilidade de os sintomas demorarem ainda mais para se manifestarem, mas essa hipótese ainda não foi comprovada.

Como a covid-19 tem sintomas parecidos com os de uma gripe ou resfriado comuns, essa tabela ajuda a entender quais as diferenças entre eles:

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Fonte: Ministério da Saúde

Algumas pessoas são infectadas pelo novo coronavírus, mas não apresentam sintomas, nem se sentem mal. Na verdade, oito em cada dez infectados se recuperam sem precisar de qualquer tratamento médico. Mas uma a cada seis pessoas desenvolve um quadro grave com dificuldade para respirar. Isso é mais comum entre pessoas idosas e/ou com pressão alta, problemas cardíacos, respiratórios, câncer ou diabetes. Procure atendimento médico se tiver tosse e dificuldade para respirar.

A covid-19 mata?

Em casos graves, sim. Felizmente, eles são a minoria. Em Wuhan, a cidade chinesa onde a pandemia começou, o novo coronavírus matou 1,4% das pessoas infectadas – ou seja, menos que dois a cada 100. O número de Wuhan é particularmente importante, porque lá a doença foi controlada, o que permite um cálculo mais preciso.

Por outro lado, na Itália, o coronavírus está matando aproximadamente um a cada dez doentes. O fato de a população italiana ser, estatisticamente, mais velha do que a chinesa, pode ajudar a explicar. Mas os cientistas ainda não têm certeza. Outro fator relevante foi a demora do governo italiano para impor medidas de confinamento da população, como o fechamento de escolas e do comércio – o que também está acontecendo no Brasil.

No final de março, a taxa de mortalidade global do novo coronavírus era de 4,7% – ou seja, quase cinco pessoas a cada 100 infectados. Mas o número está longe de ser definitivo, pois nem todos os doentes são testados (principalmente os que são assintomáticos ou cujos sintomas são leves), e isso varia muito entre os países.

No Brasil, a taxa no início de abril era ligeiramente inferior à global: 4,2%. Ainda assim, era a oitava maior do mundo. Também é um número maior do que o da gripe comum e comparável ao da dengue no Brasil. Mas lembre-se de que a covid-19 ainda não tem tratamento eficaz nem vacina e, por isso, já matou mais do que dengue, sarampo e H1N1 combinados no ano passado.

Se a mortalidade não é mais alta do que a da dengue, por que precisamos nos isolar em casa?

O novo coronavírus é altamente contagioso – e não precisa de um mosquito no meio do caminho. Pior: como os sintomas demoram até duas semanas para aparecer, podemos transmitir o vírus para muita gente enquanto ainda nos sentimos saudáveis. Isso já é uma certeza: dois a cada três novos casos do coronavírus foram transmitidos por alguém que tem o vírus e não sabe, pois não tem nenhum sintoma.

Ou seja – mesmo que você se sinta bem, pode espalhar o novo coronavírus. Por isso, é melhor ajudar a prevenir novos casos seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde e evitando ao máximo o contato social. Quem puder, deve ficar em casa.

Mas para que prevenir novos casos se a maioria deles não precisa de tratamento?

Mesmo que a maioria dos casos não precise de tratamento, cerca de 20% precisam. E 20% de muita gente contaminada ainda é gente suficiente para sobrecarregar hospitais, pronto-socorros e postos de saúde. Isso é particularmente grave em locais com uma estrutura de saúde precária, como o Rio de Janeiro, ou com poucas vagas em unidades de terapia intensiva, as UTIs, como o Brasil em geral.

Tire um minuto e assista a essa série de vídeos produzida pelo jornal The Washington Post, disponível em português. Ela explica a necessidade de fazer o que os especialistas chamam de “achatar a curva” de proliferação da doença.

É só uma gripezinha?

Não! O vírus H1N1, o da gripe suína, matou 796 pessoas em 2019. Desde que chegou ao Brasil, em fevereiro, o novo coronavírus matou quase 2 mil pessoas até meados de abril, segundo o Ministério da Saúde.

O novo coronavírus mata ao causar a inflamação e o entupimento dos minúsculos sacos de ar que temos em nossos pulmões e que são responsáveis por suprir o oxigênio necessário ao organismo.

Mas não é só. Médicos ao redor do mundo estão observando casos graves em que o novo coronavírus provocou inflamações no coração, doença renal aguda, mau funcionamento neurológico, trombose venosa e danos ao fígado e ao intestino, relata o Washington Post. São complicações que dificultam a recuperação dos doentes graves e podem ter efeitos duradouros.

Como o novo coronavírus é transmitido?

Segundo o Ministério da Saúde, qualquer pessoa que tenha contato próximo (qualquer distância inferior a dois metros já é suficiente) com alguém com o novo coronavírus pode ser contaminado.

A transmissão do coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, fluidos de espirros, tosse ou catarro.

Por exemplo: alguém não sabe que está com coronavírus e coça o nariz, contaminando a mão com uma quantidade muito pequena de secreção nasal. Sem perceber, essa pessoa cumprimenta outra com um aperto de mão. Aí, a segunda pessoa coça o olho com a mão que usou para apertar a do amigo. Pronto: ela colocou o coronavírus dentro de seu corpo.

Um estudo recente, publicado no começo de abril e realizado com pacientes alemães, indica que a transmissão é muito fácil nos primeiros dias de infecção, quando os sintomas são leves e às vezes nem incluem febre.

O contágio também pode acontecer quando alguém entra em contato com uma superfície tocada anteriormente por uma pessoa infectada. É por isso que, em Wuhan, cidade onde surgiu a covid-19, alguns prédios estão desinfetando elevadores e cobrindo seus botões com plástico filme, trocado constantemente. O vírus pode sobreviver por até três dias em superfícies.

Esse vídeo produzido pelo New York Times mostra a importância do isolamento social para frear o contágio pelo novo coronavírus. Alguns dados do texto (em inglês): o vírus pode viajar por até oito metros ao sair do corpo de alguém que tossiu, misturado a gotículas de saliva e catarro.

Se as gotículas mais pesadas caem no chão, as menores podem ficar suspensas no ar por até vários minutos. E, mesmo que a pessoa infectada não esteja tossindo, apenas ao falar por cinco minutos numa sala fechada ela espalha uma quantidade de saliva equivalente ao de um quarto de colher de chá – a mesma que expelimos ao tossir.

Como prevenir a contaminação pelo coronavírus?

O jeito mais seguro é ficar em casa sempre que puder. Se você estiver doente ou tiver tido contato próximo com alguém doente ou com suspeita de covid-19, fique em isolamento total.

Se você precisar sair de casa, é necessário que use uma máscara, não toque em outras pessoas e lave as mãos várias vezes ao dia, especialmente depois de tocar em objetos em que outras pessoas colocaram as mãos. Este vídeo mostra como fazer isso de maneira eficaz:

Álcool 70% – em gel, não líquido! – também é eficaz quando não houver como lavar as mãos. Mas lavá-las é o melhor jeito de eliminar o coronavírus. Bactérias, vírus e outros microorganismos são protegidos por uma capa de gordura que é destruída pela água com sabão. Com isso, eles ficam indefesos e morrem rapidamente.

E não se deve usar sabonetes bactericidas. Como o uso indiscriminado de antibióticos, ele podem fazer bactérias se tornarem mais resistentes.

Além disso, se acostume a não tocar nos olhos, nariz ou boca se não estiver com as mãos lavadas.

Cubra a boca e o nariz (idealmente, usando o cotovelo, não as mãos) quando for espirrar ou tossir. Se tiver um lenço de papel disponível, use-o para cobrir a boca e evitar que as secreções se espalhem. Jogue o papel fora, em lugar adequado, em seguida.

Também é importante limpar e desinfetar objetos e superfícies que são tocados com frequência – principalmente se eles forem compartilhados.

Devo usar máscara para me proteger? Quando?

Você sempre deve usar máscara quando estiver fora de casa ou entre outras pessoas. Se tiver sintomas de gripe ou resfriado (que são semelhantes aos da covid-19), use inclusive em casa sempre que precisar sair do isolamento – para ir ao banheiro, por exemplo.

Um estudo publicado há alguns dias pela revista Nature confirmou que o uso de máscaras cirúrgicas por pessoas infectadas diminui a propagação de vírus (coronavírus, influenza, causador da gripe comum, e o do resfriado comum). Ou seja: a máscara é eficiente para evitar que o vírus saia do seu corpo.

“Este vírus é transmitido por gotículas e contato próximo. As gotas desempenham um papel muito importante: é preciso usar máscara porque, quando você fala, sempre saem gotas de sua boca. Muitas pessoas têm infecções assintomáticas ou pré-sintomáticas. Se usarem máscaras faciais, você pode evitar que as gotículas que transportam o vírus escapem e infectem os outros”, disse George Gao, chefe do Centro Chinês para o Controle e Prevenção de Doenças, segundo o El País.

Por isso, ganhou força a orientação de que todo mundo que precisar ir à rua deve usar máscara. Afinal, podemos estar contaminados sem apresentar sintomas. O Centro de Prevenção de Doenças dos EUA recomendou o uso. O Ministério da Saúde brasileiro também, e lançou uma campanha explicando por que usar e como fazer uma em casa. A prefeitura de São Paulo passou a recomendar o uso delas em locais públicos.

Mas lembre-se de que a máscara não adianta nada se você tocar seus olhos ou nariz quando a estiver usando, e que ela deve ser lavada a cada uso.  E elas não modificam a recomendação principal: ficar em casa e em isolamento sempre que possível. Também não tente comprar máscaras cirúrgicas nem muito menos as do tipo N-95, que devem ser deixadas para os profissionais de saúde.

Quem contrai a doença se recupera em quanto tempo?

Depende. Em casos leves, a recuperação parece se completar em uma a duas semanas. Em casos graves, que requerem hospitalização, pode levar seis semanas – ou até mais, estima a Universidade de Harvard.

Se eu tive a doença e me curei estou livre dela?

Não se sabe. Médicos e cientistas na Coréia do Sul investigam mais de 140 casos de pessoas que haviam se curado da covid-19 e voltaram a ter a presença do novo coronavírus detectada no sangue por testes.

Nesse caso, ainda há muitas perguntas sem resposta. Não se sabe se são ressurgimentos da infecção original, novas infecções – cenário mais grave, que diminuiria a eficácia de uma eventual vacina –, ou simplesmente uma fragilidade do modelo de testagem.

Por ora, a teoria mais aceita é a de que o vírus se “reativa” no organismo após um período de hibernação. Não seria uma novidade – acontece com o da malária e o ebola, que pode seguir sendo transmitido sexualmente por pacientes curados.

Por isso, mantenha as precauções mesmo que tenha se curado da covid-19.

O que é cloroquina? Por que não posso tomar se o presidente diz que ela é eficaz contra o novo coronavírus?

A cloroquina e a hidroxicloroquina são medicamentos descobertos há 80 anos e usados habitualmente para tratar a malária. Eles e vários outros remédios estão sendo pesquisados, no Brasil e no mundo todo, na busca por um tratamento eficaz contra a covid-19.

Políticos populistas e irresponsáveis como Jair Bolsonaro e o colega americano Donald Trump têm feito campanhas públicas para o uso da cloroquina contra o coronavírus. Mas os dados que os médicos e cientistas têm até agora não permitem atestar que ela é eficaz.

Um dos estudos preliminares conduzidos pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz, a Fiocruz, testou o remédio em pacientes em estado grave. A taxa de mortalidade foi pouco inferior do que a de pacientes que não tomaram o remédio, num grupo de participantes muito pequeno. Isso é é insuficiente para uma conclusão definitiva.

Para a Organização Mundial da Saúde, a cloroquina pode ter efeito em alguns pacientes. Mas não existem, até agora, remédios com efeito comprovado contra o novo coronavírus, alerta a entidade.

Pior: 11 pacientes de covid-19 internados em Manaus e que receberam a cloroquina num teste morreram seis dias após começarem a tomar o remédio e após apresentarem alterações no batimento cardíaco (um efeito colateral conhecido). O teste foi interrompido. Alguns hospitais na Suécia abandonaram o uso da droga depois de resultados parecidos.

A Fiocruz diz o seguinte: “não se deve usar cloroquina ou hidroxicloroquina para prevenir ou tratar a covid-19 sem o devido acompanhamento médico”. “Todo medicamento possui efeitos colaterais, e a cloroquina e a hidroxicloroquina afetam o coração e podem levar à morte. Além disso, a automedicação traz o risco de interação medicamentosa com outros remédios que a pessoa tome regularmente, o que pode agravar a toxicidade da cloroquina e da hidroxicloroquina”.

Alguns medicamentos aumentam o risco de desenvolver casos graves?

A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomendou que, por precaução, se evite o ibuprofeno. A Organização Mundial da Saúde chegou a fazer a mesma coisa, mas voltou atrás e disse que o medicamento é seguro.

A Agência Brasileira de Vigilância Sanitária afirma que não há evidências científicas conclusivas sobre o agravamento da infecção pelo novo coronavírus devido ao uso de ibuprofeno ou cetoprofeno.

Mas, afinal, o que é um vírus?

Vírus são organismos simples e muito pequenos – medem aproximadamente 0,2 micras, ou 0,0002 milímetros. A palavra tem origem no latim, língua em que significa fluído venenoso ou toxina.

Os vírus precisam infectar outros seres vivos para sobreviver. Não confunda vírus e bactérias – apesar de ambos serem microscópicos em tamanho, eles não são a mesma coisa.

Um exemplo: medicamentos antibióticos matam bactérias, mas não têm efeito contra vírus.

Por que o correto é falar em novo coronavírus, e não só em coronavírus?

Existem tipos de coronavírus conhecidos pela ciência desde 1937. Em 1965, essa família de vírus recebeu seu nome por eles se parecerem com uma coroa quando observados ao microscópio.

O novo tipo de coronavírus, que está causando a pandemia atual, foi identificado em 31 de dezembro de 2019.

Em fevereiro de 2020, ele foi batizado de SARS-CoV-2 pelo Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus. SARS é a abreviação em inglês para síndrome respiratória aguda severa, ou grave.

Ele recebeu esse nome porque é uma evolução genética do coronavírus que causou o surto de SARS em 2003, embora eles não sejam iguais.

A maioria das pessoas se infecta com vários tipos de coronavírus comuns ao longo da vida.

Quais as fontes deste texto e onde acho mais informações confiáveis?

Coronavírus: o que você precisa saber e como prevenir o contágio (Ministério da Saúde)

Coronavírus: Perguntas e respostas (Fundação Oswaldo Cruz)

Orientações ao público sobre o novo coronavírus (Organização Mundial da Saúde, em inglês)

Perguntas e respostas sobre covid-19 (Organização Mundial da Saúde, em inglês)

 

Atualização: 16 de abril, 21h

Este texto foi atualizado para se adequar a novas diretrizes sobre o uso de máscaras e contato social.

Também incluímos novas informações sobre a mortalidade causada pela covid-19, como o vírus age no organismo em casos graves, prevenção do contágio e a possibilidade de pessoas que já tiveram a doença voltarem a ser infectadas pelo novo coronavírus.

Por fim, acrescentamos dados sobre mortes causadas pela cloroquina em estudos com pacientes graves.

Atualização: 8 de abril, 18h30

Este texto foi atualizado com a nova orientação do Ministério da Saúde sobre o uso de máscaras, e com dados de um estudo que mostra que ele é eficaz para conter a proliferação do novo coronavírus.

Também acrescentamos dados de um estudo realizado na Alemanha sobre o alto grau de contágio nos primeiros dias da infecção, quando doentes têm sintomas leves.

Por fim, adicionamos um novo tópico sobre a cloroquina e atualizados o que trata de possíveis riscos do ibuprofeno.