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Ilustração: Badsamaritan para o Intercept Brasil

O Intercept foi criado em 2016 para fazer jornalismo que fiscaliza pessoas e instituições poderosas. Construímos uma comunidade de 10 mil apoiadores e agora queremos fazer muito mais. Em 2021, precisamos de 5 mil novos parceiros para continuar esse trabalho raro, mas essencial no Brasil de Bolsonaro.

O Intercept nasceu para preencher um espaço que há muito a população brasileira desejava ver ocupado: o do jornalismo de impacto, sem rabo preso, sem medo do poder. Mais do que isso: o jornalismo que enxerga no poder sem controle uma ameaça para o país!

No início de 2016 vivíamos a crise do impeachment de Dilma Rousseff. O processo rolava em meio a um acordão formado entre os partidos de centro e de direita, a imprensa e os movimentos surgidos na esteira de 2013. Tudo sob a liderança de Eduardo Cunha e Michel Temer e a anuência do Supremo Tribunal Federal. Foi nesse clima que o Intercept Brasil surgiu.

De lá pra cá, muita coisa aconteceu. Incomodamos governos, transnacionais, políticos, juízes, procuradores, empresários, celebridades, megacorporações de mídia. Em apenas cinco anos, saímos da estaca zero para nos tornar um veículo indispensável, reconhecido nacional e internacionalmente. Tendo o bom jornalismo como arma, o Intercept foi longe: ajudou a mudar leis, responsabilizar culpados, expor corruptos e abusadores e a revelar esquemas sórdidos. Fizemos a diferença quando o país mais precisava e revelamos com contundência os desmandos da operação Lava Jato, que levou o Brasil à extrema direita e que era bajulada cegamente pela grande imprensa.

Também estabelecemos uma relação única com nossos leitores. Nós formamos a maior comunidade de jornalismo do país – o Intercept conta mensalmente com o apoio de cerca de 10 mil pessoas que financiam tudo o que fazemos. São elas que garantem que nossos conteúdos continuem gratuitos, acessíveis a todos. O jornalismo que faz a diferença não pode ser restrito para poucos: ele precisa alcançar muita gente.

Agora é hora de essa comunidade mostrar sua força mais uma vez! E, como sempre, nós não vamos ter medo de pensar grande. Foi porque pensamos muito grande que chegamos até aqui. Afinal, quem poderia imaginar que um site fundado e feito por jornalistas, sem uma família poderosa como proprietária, sem acordos com empresários e com o poder estabelecido, poderia ir pra cima de gente como Bolsonaro, Sergio Moro e empresas como Google e Coca-Cola?

Se você nunca apoiou o Intercept, pense na Lava Jato, no esquema da rachadinha de Flávio Bolsonaro e sua relação com a milícia, na procuradora bolsonarista que liderava a investigação da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. Pense no “cara da casa de vidro”, nas big techs injetando dinheiro em canais da extrema direita, no sistema judiciário que dribla a lei para facilitar a adoção de crianças pobres por famílias ricas e na denúncia sobre exportação ilegal de madeira envolvendo o ministro Salles. Tudo isso foi investigado e revelado pelo Intercept e teve impacto real na vida das pessoas e do país.

Aqui não tem departamento de marketing, almoço do proprietário com políticos, anunciantes que compram páginas para ocultar notícias ou publicar desinformação. O que nós temos são as pessoas que nos apoiam, garantindo que não nos faltem recursos para fazer jornalismo, nem assessoria jurídica e boas condições de trabalho. Graças a isso podemos garantir que não vamos nos dobrar.