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Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil

Em setembro de 2018, o Intercept colocou no ar sua primeira campanha de financiamento coletivo. A ideia era levantar recursos para cobrir a fundo as eleições daquele ano, cruciais para o Brasil. Criado pela fundação First Look Institute, o Intercept começava a buscar independência financeira de seu fundador. No entanto, tínhamos várias barreiras: decidimos não usar o caminho da imprensa no mundo todo, ou seja, nossa missão não nos permitia recorrer a anunciantes privados, dinheiro estatal ou grandes corporações. Também não participaríamos da briga pela audiência a qualquer custo. Era, no fundo, um sonho quase impossível: crescer sem usar o dinheiro disponível no mercado. E, sobretudo, sem perder a independência. Mas fomos surpreendidos por nosso público fiel: a campanha de 2018, que pedia 90 mil reais, arrecadou mais de 120 mil!

Essa iniciativa bem-sucedida deixava claro que muita gente estava disposta a contribuir com um tipo de jornalismo corajoso e imprescindível para o país. Se na época o modelo de negócio era pouco conhecido – e principalmente pouco viável para suportar os altos custos das nossas investigações –, hoje o financiamento coletivo recorrente que começamos logo após as eleições é nossa maior fonte de receita. No médio prazo, estamos no caminho certo para fazer do Intercept uma redação jornalística autossustentável, um dos poucos casos no mundo todo. Isso não aconteceu à toa.

Desde então, o Intercept promove jornalismo que dá nome aos bois e põe o dedo na ferida ao incomodar governos, a extrema direita, grandes empresas de mídia, as gigantes da tecnologia, de alimentos, da moda, mineradoras, políticos e lobistas. Com a Vaza Jato, revelamos para o mundo a engrenagem obscura e ilegal da operação Lava Jato, até então aclamada pela imprensa tradicional – que, hoje, embarca na candidatura de Sergio Moro à Presidência da República de maneira vergonhosa.

O Intercept se tornou indispensável ao expor a corrupção e a injustiça social, tendo o jornalismo combativo como ferramenta. É assim que o dinheiro investido mensalmente por mais de 12 mil apoiadores volta para a sociedade – na forma de reportagens e documentários que investigam o poder e são capazes de gerar impacto real na vida das pessoas. Nosso trabalho já libertou pessoas presas injustamente e apontou os caminhos para que os verdadeiros malfeitores fossem responsabilizados. São centenas de exemplos nesses 5 anos.

Este ano teremos eleições. É um daqueles momentos em que fazer jornalismo demanda ainda mais recursos, trabalho, segurança física e jurídica, dinheiro, foco e atenção. É um daqueles momentos em que fazer jornalismo com relevância pode transformar a realidade — e moldar o futuro no qual vamos viver. O Brasil não pode perder a chance que 2022 nos dá. A tragédia social é incalculável caso o projeto de poder instalado no país siga comandando a nação no futuro próximo.

Assim como em 2018 recorremos a pessoas que acreditam na importância do jornalismo corajoso e sem rabo preso, hoje precisamos de você mais do que nunca. Para o Intercept, 2022 começa aqui e começa agora.

Para garantir um orçamento que viabilize uma cobertura eleitoral à altura da que queremos fazer, precisamos bater metas agressivas desde já. Para fazer a cobertura mais combativa da imprensa nacional, nossa arrecadação precisa ser do tamanho da nossa vontade. E nossa vontade é gigante.

Queremos pedir que você nos ajude a sonhar grande e a expandir nossas possibilidades. Temos ousadia, experiência e sabemos os caminhos para causar impacto e promover mudanças. Precisamos que mais pessoas venham com a gente.

Se você já apoia o Intercept, antes de mais nada, obrigado! Mas queremos te pedir um favor. Ajude a divulgar nosso trabalho e traga mais gente para fazer parte dessa comunidade engajada que contribui com o jornalismo que investiga, responsabiliza e transforma. Chame um amigo, um parente, aquele colega do trabalho. Precisamos de mais apoiadores para seguir com autonomia e independência na cobertura eleitoral de 2022.

Se você ainda não é apoiador, pense no impacto do nosso jornalismo até aqui. Só para citar alguns exemplos de grandes coberturas: a Vaza Jato; as investigações do assassinato de Marielle Franco (fomos os primeiros a apontar o envolvimento da milícia); as denúncias sobre a exportação ilegal de madeira que culminaram na saída do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles; a exposição de diversos canais de extrema direita que burlavam regras do YouTube, levando à derrubada de vários deles; o vídeo exculsivo do caso Mariana Ferrer, que foi capaz de gerar uma lei para proteger pessoas vulneráveis de assédio em julgamentos; a reportagem que revelou o financiamento da manifestação golpista de 7 de setembro e levou o STF a bloquear R$ 20 milhões da Aprosoja; a denúncia da compra de respiradores fantasmas em Santa Catarina, que causou a denúncia de 14 envolvidos pelo MPSC; e a investigação da Gana Gold, mineradora que funcionava de forma clandestina na Amazônia e após nossa reportagem teve seu funcionamento embargado pelo ICMBio, além de ser multada em R$ 10 milhões.

Agora pense no que ainda podemos fazer no ano em que políticos, empresários e lobistas vão tentar defender seus próprios interesses, em detrimento do que é de interesse público. O “mercado”, vocês sabem, está com um pé na canoa de Jair Bolsonaro, e outro na de Sergio Moro. Não podemos deixar isso acontecer de novo. No que depender da gente, não vamos deixá-los em paz.