Jéssica Alves Maia do Rio Branco tem 24 anos. Presta serviço de faxineira desde os 16 anos para aplicativos, empresas e clientes particulares, em jornadas que podem chegar a até 12 horas de trabalho. Em sua casa, no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, é responsável pelos cuidados de sua mãe, que é paraplégica, e de sua avó. Seu sonho é ser médica. Atualmente, está tentando uma vaga para escola militar.

Sua rotina é marcada por grandes deslocamentos. A Mary Help, empresa que conecta seus serviços aos clientes, sempre a manda para diárias longe de sua casa. Para se deslocar de sua residência aos locais de trabalho e voltar, ela leva até três horas de transporte público, entre ônibus, metrôs e trens.

Em seu quarto, no Jardim Peri.Jéssica Alves Maia do Rio Branco, 24 anos. Presta serviço de faxineira desde os 16 anos para aplicativos, empresas e clientes particulares, em jornadas que podem chegar até 12h de trabalho. Em sua casa, no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, é responsável pelos cuidados de sua mãe, que é paraplégica, e de sua avó. Para se deslocar de sua residência aos locais de trabalho leva até 3h de transporte público, entre ônibus, metrôs e trens. Seu sonho é ser médica e atualmente está tentando uma vaga para escola militar.
A caminho do trabalho, no centro de São Paulo.Jéssica Alves Maia do Rio Branco, 24 anos. Presta serviço de faxineira desde os 16 anos para aplicativos, empresas e clientes particulares, em jornadas que podem chegar até 12h de trabalho. Em sua casa, no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, é responsável pelos cuidados de sua mãe, que é paraplégica, e de sua avó. Para se deslocar de sua residência aos locais de trabalho leva até 3h de transporte público, entre ônibus, metrôs e trens. Seu sonho é ser médica e atualmente está tentando uma vaga para escola militar.

A caminho do trabalho, no centro de São Paulo.Fotos: Rafael Vilela/Fairwork

Na sexta-feira chuvosa em que o Intercept acompanhou seu trabalho, ela viajou mais de 20 km. A locomoção faz com que Jéssica geralmente já chegue cansada para fazer a faxina. “Não é sempre que a gente pega ônibus vazio, então é o transporte cheio. É complicado, mas tem que ter força de vontade, né?”

A MaryHelp cobra R$ 152 em uma faxina de quatro horas. Jéssica fica só com R$ 55.

Segundo Jéssica, não é fácil as pessoas confiarem em qualquer um e colocar para trabalhar em suas casas. Por isso, trabalhar em plataformas é uma condição para ter acesso a novos clientes. Mas o custo é alto: A Mary Help, por exemplo, cobra de seus clientes R$ 152 em uma faxina de quatro horas, mas Jéssica fica só com R$ 55. Quando trabalha por oito horas, recebe R$ 95.

Às vezes, os clientes em busca de faxineira não procuram a MaryHelp – mas, sim, a GetNinjas, outra plataforma de trabalho terceirizado. A MaryHelp, na verdade, é uma das prestadoras de serviço que usa a GetNinjas para conseguir clientes. Ou seja, o cliente pode passar por duas intermediárias antes de chegar ao trabalho de faxineiras como Jéssica.

Negociando novos trabalhos com atendente de aplicativo em sua casa, no Jardim Peri.Jéssica Alves Maia do Rio Branco, 24 anos. Presta serviço de faxineira desde os 16 anos para aplicativos, empresas e clientes particulares, em jornadas que podem chegar até 12h de trabalho. Em sua casa, no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, é responsável pelos cuidados de sua mãe, que é paraplégica, e de sua avó. Para se deslocar de sua residência aos locais de trabalho leva até 3h de transporte público, entre ônibus, metrôs e trens. Seu sonho é ser médica e atualmente está tentando uma vaga para escola militar.
Limpeza em um apartamento particular no centro de São Paulo.Jéssica Alves Maia do Rio Branco, 24 anos. Presta serviço de faxineira desde os 16 anos para aplicativos, empresas e clientes particulares, em jornadas que podem chegar até 12h de trabalho. Em sua casa, no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, é responsável pelos cuidados de sua mãe, que é paraplégica, e de sua avó. Para se deslocar de sua residência aos locais de trabalho leva até 3h de transporte público, entre ônibus, metrôs e trens. Seu sonho é ser médica e atualmente está tentando uma vaga para escola militar.
Limpeza em um apartamento particular no centro de São Paulo.Jéssica Alves Maia do Rio Branco, 24 anos. Presta serviço de faxineira desde os 16 anos para aplicativos, empresas e clientes particulares, em jornadas que podem chegar até 12h de trabalho. Em sua casa, no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, é responsável pelos cuidados de sua mãe, que é paraplégica, e de sua avó. Para se deslocar de sua residência aos locais de trabalho leva até 3h de transporte público, entre ônibus, metrôs e trens. Seu sonho é ser médica e atualmente está tentando uma vaga para escola militar.

Limpeza em um apartamento particular no centro de São Paulo.

Rafael Vilela/Fairwork

A dois graus de distância dos clientes, não há margem para reclamações ou para pedir assistência básica, como comida. As plataformas não oferecem nenhum tipo de auxílio alimentação. Jéssica tem que levar o almoço preparado por sua mãe de casa. Algumas vezes, ao chegar no local de trabalho, descobre que não tem onde sentar, nem microondas ou fogão para esquentar a comida.

Apesar disso, os clientes são exigentes com seu serviço. “Querem alguém que seja cuidadoso, atencioso, caprichoso, responsável, pontual”, afirma. Jéssica pode fazer até três faxinas de quatro horas cada em um dia de trabalho, somando às vezes 14 horas fora de casa, contando os deslocamentos. “A maturidade e a experiência ajudam. Acho que uma coisa muito importante é você ter dedicação, fazer as coisas com vontade”. Em um tempo de crise econômica extrema e desemprego, ela se conformou com a rotina exaustiva. “Hoje em dia é difícil eu achar uma área que ganhe o valor que eu ganho por hora”.

Limpeza em uma clínica de odontologia, no centro de São Paulo.Jéssica Alves Maia do Rio Branco, 24 anos. Presta serviço de faxineira desde os 16 anos para aplicativos, empresas e clientes particulares, em jornadas que podem chegar até 12h de trabalho. Em sua casa, no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, é responsável pelos cuidados de sua mãe, que é paraplégica, e de sua avó. Para se deslocar de sua residência aos locais de trabalho leva até 3h de transporte público, entre ônibus, metrôs e trens. Seu sonho é ser médica e atualmente está tentando uma vaga para escola militar.

Limpeza em uma clínica de odontologia, no centro de São Paulo.

Foto: Rafael Vilela/Fairwork

A GetNinjas diz que funciona apenas como “canal de anúncio”, já que o contato e o pagamento do serviço acontecem fora da plataforma. Os profissionais autônomos e as empresas que usam o site compram um “pacote de moedas” para aparecer na busca dos clientes, e usam o dinheiro para pode fazer contato com eles. “São os prestadores que definem preço, horário e condições do serviço junto ao cliente, sendo que o valor cobrado pelo serviço vai 100% para o profissional”, disse a empresa, por meio de sua assessoria de imprensa. Não ficou claro se esses prestadores, quando são empresas intermediárias, embutem esse custo no valor final do serviço.

Nós mandamos sete perguntas à Mary Help. Questionamos, por exemplo, qual porcentagem do valor contratado pelo cliente é repassada às faxineiras, se existe variação de preços de acordo com a região, qual é a porcentagem repassada às plataformas intermediárias – como a GetNinjas – e se há alguma política de alimentação e transporte para as faxineiras que usam a plataforma. A empresa não respondeu nenhuma, afirmando apenas que “infelizmente não vai conseguir participar dessa matéria”.

No metro a caminho de sua casa, no Jardim Peri, após um dia de trabalho.Jéssica Alves Maia do Rio Branco, 24 anos. Presta serviço de faxineira desde os 16 anos para aplicativos, empresas e clientes particulares, em jornadas que podem chegar até 12h de trabalho. Em sua casa, no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, é responsável pelos cuidados de sua mãe, que é paraplégica, e de sua avó. Para se deslocar de sua residência aos locais de trabalho leva até 3h de transporte público, entre ônibus, metrôs e trens. Seu sonho é ser médica e atualmente está tentando uma vaga para escola militar.

No metrô a caminho de sua casa, no Jardim Peri, após um dia de trabalho.

Rafael Vilela/Fairwork

Correção: 12 de maio de 2022, 15h55
O valor pago pela faxina não é intermediado diretamente pela GetNinjas, apenas pela MaryHelp – que, por sua vez, contrata a GetNinjas para anunciar seus serviços. A intermediação se dá no acesso aos clientes. O texto foi atualizado para dar mais clareza sobre o papel dessas empresas.

Atualização: 20 de maio de 2022, 21h33
Em posicionamento enviado após a publicação da reportagem, a Mary Help afirma que é um sistema de franquias, que atuam “com empresas próprias fazendo, entre outras, atividades de intermediação, que tem por objetivo conectar a profissionais autônomos aos clientes que necessitam dos serviços”. A empresa afirma que não existe contratação de profissionais – apenas a indicação.

A empresa também afirma que “jamais” se utiliza da GetNinjas. “Se aconteceu de alguma unidade Mary Help ter se utilizado dessa ferramenta de busca de clientes, foi por uma decisão isolada da unidade franqueada”, disse um porta-voz da Mary Help.

Segundo a Mary Help, as profissionais “são convidadas” a prestar serviços e, se aceitarem, recebem informações de dia e local designados pelo cliente. A empresa afirma também que, como intermediadora, “não recebe e nem retém maior parcela do valor da diária”. Segundo a Mary Help, “em torno de 60% do valor da diária é todo da profissional, restando 40% ou menos do valor para a Mary Help, o que é praticado pelo mercado como praxe em serviços de intermediação”.

Segundo a empresa, os valores cobrados pela faxina variam conforme a região – uma diária de 4h custa em torno de R$ 131 para o cliente e a diarista recebe R$ 71, ou R$ 87 com o valor do transporte. “Como política geral de toda a rede as profissionais ficam com valores que podem variar de 55% a 70% do valores recebidos dos clientes”, disse o porta-voz. Perguntamos à empresa qual é a explicação para o valor de R$ 55 da diária informado à faxineira Jéssica do Rio Branco. “Esses valores citados na reportagem estão incorretos e se há algum registro pode ter sido um erro de grafia da profissional de atendimento na conversa de WhatsApp”, disse a Mary Help.

Em relação à distância, a empresa afirma que é uma “decisão da profissional aceitar ou não realizar uma diária quando convidada”. Por fim, sobre as condições oferecidas pelos clientes no momento da alimentação, a Mary Help afirma que não tem “controle sobre essa relação”.

Essa reportagem foi feita com a colaboração de pesquisa da FairWork Brasil.