Sexta-feira (8) foi um dos dias mais constrangedores para a mídia dos EUA em muito tempo. O show de humilhação começou com a CNN, seguida de perto pela MSNBC e pela CBS, todas redes de televisão dos Estados Unidos. Inúmero especialistas, comentaristas e repórteres se juntaram à festa. Porém, lá pelo fim do dia, ficou claro que vários dos maiores e mais influentes veículos de mídia do país tinham espalhado para milhões de pessoas uma notícia bombástica, mas completamente falsa, e se recusavam a dar qualquer explicação sobre como isso teria acontecido.

O espetáculo começou às 11 horas da manhã, no fuso horário da Costa Leste dos EUA, quando a CNN, cujo slogan é “a marca mais confiável do jornalismo”, passou 12 minutos inteiros promovendo uma matéria bombástica que comprovaria que, em setembro, o WikiLeaks, organização que divulga informações vazadas de governos e empresas, teria oferecido em segredo à campanha de Trump — e até mesmo diretamente ao próprio Donald Trump — acesso privilegiado aos e-mails do Comitê Nacional do Partido Democrata (DNC), antes que fossem publicados na internet.  Na visão da CNN, isso provaria a existência de conluio entre a família Trump e o WikiLeaks, e, ainda mais importante, entre Trump e a Rússia, uma vez que a comunidade de inteligência dos EUA (e, consequentemente, a mídia americana) considera o WikiLeaks um “braço da inteligência russa”.

A revelação toda se baseou em um e-mail que a CNN deu a entender que teria obtido com exclusividade. O e-mail havia sido enviado a Donald Trump Jr. por um tal “Michael J. Erickson” — de quem ninguém nunca tinha ouvido falar, e que a CNN não conseguiu identificar –, oferecendo uma chave de decriptação e o acesso aos e-mails do DNC que o WikiLeaks tinha “subido para o servidor”. Para a mente delirante da CNN, o e-mail era batom na cueca, porque estava datado de 4 de setembro, dez dias antes de o WikiLeaks liberar o conteúdo online –, comprovando que algo especial estava sendo oferecido à família Trump: acesso exclusivo ao arquivo do DNC, possivelmente pelo WikiLeaks e pelo Kremlin.

Não é possível descrever em palavras a importância do furo que a CNN achou que tinha nas mãos. É melhor assistir ao vídeo para perceber o tom ao mesmo tempo excitado, esbaforido e sério, pois as pessoas claramente acreditavam que estavam desferindo quase um golpe de misericórdia na questão do conluio entre Trump e a Rússia:

 

A matéria só tinha um probleminha: era essencialmente falsa, e de uma forma bem constrangedora. Algumas horas depois que a CNN transmitiu e promoveu seu furo, o Washington Post reportou que a rede estava equivocada quanto ao principal fato noticiado.

O e-mail não era de 4 de setembro, como alegou a CNN, mas do dia 14 daquele mês, o que significa que foi enviado depois que o WikiLeaks já havia liberado para o público o acesso aos e-mails do DNC. “Michael J. Erickson”, portanto, não estava oferecendo nenhum tipo de acesso especial para Trump. Era apenas um sujeito aleatório, parte do público em geral, encorajando a família Trump a ir olhar os e-mails de acesso público do DNC que o WikiLeaks — como todos já sabiam naquele momento — havia divulgado publicamente. Em outras palavras, o e-mail era exatamente o oposto do que a CNN disse que era.

E-mail enviado a Donald Trump Jr. com o assunto “Outro upload do DNC no WikiLeaks”.

E como a CNN acabou bancando uma “barriga” tão espetacular? Eles se recusam a dizer. Muitas horas depois que a falsidade da notícia já havia sido exposta, o correspondente da emissora no Congresso, Manu Raju, que havia feito a apresentação original, finalmente publicou um tuíte reconhecendo o erro. O departamento de Relações Públicas da CNN alegou então que “fontes diversas” haviam fornecido a data falsa à emissora. E Raju apareceu, em tom contrito, para informar sobre a correção, afirmando expressamente que “duas fontes” haviam separadamente transmitido a ele a data errada do e-mail, e deixando claro que a CNN não tivera acesso à mensagem, apenas a fontes que descreverem seu suposto conteúdo:

Tudo isso enseja a pergunta óbvia, ululante e fundamental que a CNN se recusa a responder: como foi que todas as “fontes diversas” leram a data errada no documento, exatamente da mesma forma e com o mesmo propósito, e forneceram essa informação falsa à CNN?

Claro, é totalmente plausível uma fonte ter lido a data errada. Mas como pode ser plausível que fontes diversas tenham todas, inocentemente e de boa fé, lido errado, com o mesmo objetivo de disseminar uma revelação arrasadora sobre o conluio entre Trump, a Rússia e o WikiLeaks? Essa é a pergunta fundamental que a CNN se recusa a responder. Dito de outra forma, a CNN se recusa a oferecer a mínima transparência que permita ao público entender o que aconteceu.

Por que isso é tão importante? Por diversas razões:

Para começar, é importante lembrar que essa notícia se espalhou — e rapidamente. Como era de se esperar, especialistas do Partido Democrata, repórteres e jornalistas muito presentes em mídias sociais se atiraram à notícia imediatamente, anunciando que ela comprovava o conluio entre Trump e a Rússia (por intermédio do WikiLeaks). Um tuíte do congressista democrata Ted Lieu, alegando que se tratava de prova de um conluio criminoso, foi retuitado milhares e milhares de vezes em poucas horas (Lieu discretamente apagou o tuíte depois que apontei a falsidade da notícia; mas o tuíte já tinha viralizado e o congressista nem sequer avisou aos seus seguidores que a matéria da CNN — e, portanto, sua acusação — havia sido derrubada). Abaixo, o tuíte que escrevi:

 

Benjamin Wittes, do centro de estudos Brookings Institution, que ganhou fama depois de se dizer amigo do ex-diretor do FBI Jim Comey, não só divulgou a notícia da CNN pela manhã, como o fez usando a palavra “Boom” — que ele usa para indicar que um golpe forte atingiu Trump em relação à questão da Rússia — e o GIF de um canhão sendo disparado:

Horas depois da publicação da versão original desse artigo no sábado — portanto um dia e meio depois dos tuítes promovendo a história falsa da CNN —  Benjamin Wittes finalmente decidiu comentar que a notícia da CNN que ele divulgou tinha “sérios problemas”. Desnecessário dizer que a errata recebeu apenas uma fração de retuítes de seus seguidores em relação aos tuítes originais promovendo a história falsa.

Josh Marshall, do site de jornalismo político Talking Points Memo, achou a notícia tão relevante que usou a imagem de uma explosão atômica no título do artigo em que discutiu seu potencial impacto, e que ele divulgou no Twitter para seus aproximadamente 250 mil seguidores. Só à noite foi finalmente inserida uma nota do editor alertando que era tudo mentira.


Manchete do Blog do Editor do site Talking Points Memo (TPM) diz: “Isso me parece bem grande”. Logo baixo, a nota do editor alertando para a correção feita pela CNN.

É difícil quantificar com precisão quantas pessoas foram enganadas pela reportagem da CNN. Graças, porém, aos jornalistas e repórteres leais ao Partido Democrata, que determinam que todas as alegações de conluio entre Trump e a Rússia são verdadeiras mesmo sem ter acesso a qualquer prova, é possível dizer com segurança que centenas de milhares de pessoas, talvez milhões, foram expostas a essas denúncias mentirosas.

Qualquer pessoa com um mínimo de preocupação com a precisão jornalística — em tese, todas as pessoas que passaram o ano reclamando de “fake news”, propaganda política, bots de Twitter e afins –- deveria exigir uma explicação sobre como um dos maiores veículos de mídia dos EUA acabou enchendo a cabeça de tanta gente com notícias completamente falsas. Isso por si só deveria ensejar pedidos de esclarecimentos à CNN sobre o que aconteceu. Nenhum anúncio de Facebook ou bot de Twitter poderia chegar perto do impacto que a notícia da CNN teve com informações descaradamente imprecisas.

Em segundo lugar, as “fontes diversas” que forneceram informações falsas à CNN não ficaram restritas a essa rede de notícias. Aparentemente, elas estavam muito ocupadas espalhando as informações falsas para todos os veículos de mídia que conseguissem encontrar. No meio do dia, a emissora CBS News alegou ter “confirmado” de forma independente a notícia da CNN sobre o e-mail, e publicou seu próprio artigo esbaforido discutindo as graves consequências do conluio revelado.

O mais constrangedor, no entanto, foi o que fez a MSNBC. É preciso assistir à reportagem do seu “correspondente de inteligência e segurança nacional” Ken Dilanian para acreditar. Como a CBS, Dilanian também alegou ter “confirmado” a matéria falsa da CNN com “duas fontes em contato direto com a questão”. Dilanian, cuja carreira na mídia norte-americana continua a despontar à medida que ele se mostra bastante disposto a repetir criteriosamente o que a CIA o manda dizer (já que esse é um dos atributos mais cobiçados e valorizados no jornalismo dos EUA), passa três minutos misturando alegações sem prova da CIA, que ele trata como fatos, com afirmações completamente falsas sobre o que suas diversas “fontes diretas” teriam dito sobre o assunto. Por favor, assistam – e atentem não apenas para o conteúdo, mas também para o teor e o tom da “notícia. É tão constrangedor quanto os vídeos do “Baghdad Bob” [Mohammed Saeed al-Sahhaf, o ex-Ministro da Informação do Iraque em 2003, cujos vídeos se tornaram memes]:

Vamos pensar no que isso significa. Significa que pelo menos duas — e talvez mais — fontes, que esses veículos de mídia avaliaram como confiáveis por terem acesso a informações privilegiadas, forneceram as mesmas informações falsas para diversos veículos de mídia ao mesmo tempo. Por muitas razões, é grande a probabilidade de que essas fontes fossem membros do Partido Democrata no Comitê de Inteligência da Câmara dos EUA (ou seus funcionários de alto escalão), que tiveram acesso aos e-mails de Trump Jr., embora não se possam descartar outras alternativas. Mas não teremos como saber até que essas emissoras se dignem a responder em público esta pergunta: quais “fontes diversas” atuaram em conjunto para disseminar informação falsa e incendiária para os maiores veículos do país?

“L.A. Times expulsa repórter desmascarado como colaborador da CIA. Ex-repórter do Tribune teria relacionamento “colaborativo” com a CIA”, conforme revelado por The Intercept.

Justamente na semana passada, o Washington Post havia decidido — sob o aplauso geral (incluindo o meu) — expor uma fonte, a quem haviam prometido anonimato e outras proteções, porque foi descoberto que ela estava propositalmente fornecendo informações falsas como parte de um esquema do Projeto Veritas, uma organização de viés conservador, para desacreditar o jornal. É um princípio conhecido do jornalismo, mas que raramente é seguido quando se trata dos poderosos de Washington: os jornalistas devem expor, ao invés de proteger e ocultar, as fontes que fornecem informação propositalmente falsa.

É isso que aconteceu nesse caso? Teriam as “diversas fontes” que forneceram informação falsa não só à CNN, mas também à MSNBC e à CBS agido deliberadamente e de má fé? Até que os veículos apresentem um relato do ocorrido — o que eu chamaria de “mínima transparência jornalística” –, é impossível saber. Mas nesse momento é difícil imaginar um cenário em que múltiplas fontes forneçam a data errada para diversos veículos de mídia de forma inocente e de boa fé.

Se essa tiver sido realmente uma tentativa de fazer com que uma história falsa e incendiária chegasse às manchetes, então esses veículos de mídia têm a obrigação de expor os culpados, como fez o Washington Post na semana passada com a mulher que fazia acusações falsas a Roy Moore (naquele caso era mais simples, porque a fonte que foi exposta era uma desconhecida em Washington, não alguém em quem eles precisem confiar para receber todo um fluxo de notícias, como a CNN e a MSNBC confiam nos membros do Partido Democrata no Comitê de Inteligência). Por outro lado, caso tenha se tratado de um erro inocente, então cabe às emissoras explicar como uma sequência tão improvável de eventos pode ter acontecido.

Até agora, o que esses conglomerados de mídia estão fazendo é o exato oposto do que jornalistas deveriam fazer: em vez de informar ao público o que ocorreu e trazer um mínimo de transparência e responsabilidade para si mesmos e para os agentes de alto escalão que causaram tudo isso, elas se escondem em declarações vazias e nada esclarecedoras, elaboradas por profissionais de relações públicas e advogados.

Como podem jornalistas e veículos de notícias se manifestarem de forma tão estridente quando são chamados de “fake news” se é atrás dessa atitude que se escondem quando são pegos divulgando notícias falsas com tantas consequências?

Quanto mais você considere que a história do conluio entre Trump e a Rússia é séria, quanto mais você ache perigoso que Trump acuse a mídia dos EUA de “fake news”, mais você deveria se preocupar com o que está acontecendo, e mais transparência e responsabilidade você deveria exigir. Se você pensa que os ataques do presidente contra a mídia são perigosos, você precisa estar na primeira fila questionando a mídia quando esta age de forma irresponsável, e exigindo transparência e responsabilidade. São vexames como esse — e os subsequentes esforços corporativos para ofuscá-los — que tornaram a mídia americana tão detestada, dando força aos ataques contra ela.

Em terceiro lugar, esse tipo de irresponsabilidade e falsidade se tornou uma tendência – ou até uma constante — que agora está clara e é muito perturbadora no que se refere às notícias sobre Trump, a Rússia e o WikiLeaks. Passei boa parte do último ano documentando as notícias incrivelmente numerosas, irresponsáveis e de graves consequências que foram publicadas – e posteriormente corrigidas, removidas e retratadas  — pelos maiores veículos de mídia, no que se refere a esse assunto

É claro que todos os veículos de mídia cometem erros. The Intercept já cometeu sua cota, como os demais. E é especialmente natural e inevitável que erros ocorram em relação a questões complicadas e obscuras como o relacionamento entre Trump e os russos, ou a forma como o WikiLeaks obteve os e-mails nos casos do DNC e de John Podesta, chefe de campanha de Hillary Clinton. Tudo isso é esperado.

Mas o que também se espera dos “equívocos” jornalísticos é que sejam cometidos ora para um lado, ora para o outro, e é isso que não tem acontecido. Praticamente todas as histórias falsas publicadas tendem a um único sentido: ser tão danosas e incendiárias quanto possível sobre a questão Trump/Rússia, especialmente no que diz respeito à Rússia. Em algum momento, quando todos os “equívocos” começam a apontar na mesma direção, para uma mesma pauta, eles deixam de parecer simples erros.

Não importa qual seja a sua posição em relação a essas controvérsias políticas, não importa o quanto você odeie Trump ou considere a Rússia um grande vilão e uma ameaça à nossa democracia e às liberdades que nos são tão caras, é preciso reconhecer que uma mídia que produz um jorro constante de notícias falsas é também uma grande ameaça à nossa democracia e à nossa apreciada liberdade.

As histórias falsas sobre a Rússia e sobre Trump ao longo do último ano são tão numerosas que eu literalmente não consigo listar todas. Avaliem apenas as da semana passada, listadas pelo New York Times em reportagem sobre o vexame da CNN:

Foi também mais um erro de destaque num momento em que as redes de notícias enfrentam um público cético e um presidente com especial apreço por acusar a mídia de “fake news”.

Sábado passado, a ABC News suspendeu um repórter importante, Brian Ross, por uma notícia imprecisa de que Donald Trump teria instruído Michael T. Flynn, o ex-assessor de segurança nacional, a entrar em contato com funcionários do governo russo durante a corrida presidencial.

A reportagem impulsionou teorias sobre a colaboração entre a campanha de Trump e uma potência estrangeira, e as ações caíram depois das notícias. Na verdade, a instrução de Trump a Flynn aconteceu depois de ele ser eleito.

Diversos veículos de notícias, inclusive Bloomberg e The Wall Street Journal, também noticiaram de forma incorreta que o Deutsche Bank teria recebido uma intimação do promotor especial Robert S. Mueller III para apresentar os registros financeiros do presidente Trump.

O presidente e seus asseclas não têm hesitado em apontar os erros.

E isso só na última semana. Vamos recordar quantas vezes os principais veículos de mídia cometeram erros humilhantes e impressionantes sobre o caso Trump/Rússia, sempre no mesmo sentido e com os mesmos objetivos políticos. Eis uma amostra das acusações bombásticas que se espalharam por toda a internet até precisarem ser corrigidas ou retratadas — com frequência, bem depois de as acusações terem se espalhado, sendo que as correções recebem proporcionalmente uma ínfima parcela de atenção:

  • A Rússia teria invadido o sistema elétrico dos EUA para privar os americanos de aquecimento durante o inverno (Washington Post)
  • Um grupo anônimo (PropOrNot) teria documentado como alguns importantes sites políticos dos EUA agiam como agentes do Kremlin (Washington Post)
  • WikiLeaks teria uma relação duradoura e bem documentada com Putin (The Guardian)
  • Teria sido descoberto um servidor secreto entre Trump e um banco russo (Slate)
  • A rede de notícias russa RT teria atacado a emissora norte-americana C-SPAN e causado interrupções na transmissão (Fortune)
  • A empresa de cibersegurança Crowdstrike teria descoberto que os russos invadiram um aplicativo de artilharia da Ucrânia (Crowdstrike)
  • Russos teriam tentado invadir os sistemas eleitorais em 21 estados (diversos veículos de mídia, repercutindo o Departamento de Segurança Interna)
  • Ligações teriam sido encontradas entre Anthony Scaramucci, aliado de Trump, e um fundo de investimentos russo sob investigação (CNN)

E essa é só uma pequena amostra. A cobertura jornalística tem sido tão ruim e desastrosa que até os críticos mais ferrenhos de Vladimir Putin — tais como a expatriada russa Masha Gessenjornalistas russos de oposição e ativistas liberais anti-Kremlin em Moscou – têm alertado constantemente para a cobertura desvairada, ignorante e paranoica dos veículos de mídia americanos sobre a Rússica. E advertem que isso prejudica a causa de várias maneiras ao destruir a credibilidade da mídia dos EUA aos olhos da oposição a Putin (que, ao contrário dos americanos, que estão há décadas numa dieta de propaganda política de notícias e de entretenimento sobre a Rússia, efetivamente compreendem a realidade daquele país).

Manchete do Washington Post diz: “Urgente: Hackers russos invadiram o sistema elétrico por meio de uma instalação em Vermont.”

Tuíte de Kyle Griffin: “Governador de Vermont Peter Shumlin, sobre a tentativa de invasão hacker dos russos: ‘Um dos maiores bandidos do mundo, Putin, está tentando invadir nosso sistema elétrico.’”

“Os hackers do governo russo aparentemente não tinham como alvo as instalações de Vermont, dizem pessoas próximas à investigação.” O alerta teria sido desencadeado por um funcionário do Departamento de Eletricidade que recebeu um aviso de que seu computador havia se conectado a um endereço IP suspeito.

Os veículos de mídia dos EUA são muito bons em exigir respeito. Eles adoram insinuar, ou mesmo declarar, que ser um bom americano patriota significa rejeitar todos os esforços para desacreditar sua cobertura jornalística, porque é assim que se defende a liberdade de imprensa.

Mas jornalistas têm também a responsabilidade de merecer o respeito e a credibilidade que exigem. Isso significa que não poderia existir uma lista tão longa de humilhações abjetas, em que notícias completamente falsas são publicadas para obter aplausos, cliques e outras recompensas, para logo depois serem derrubadas por uma análise mínima mais detida. Significa sem dúvida, também, que todos esses “erros” não deveriam apontar na mesma direção, rumo aos mesmos objetivos políticos ou conclusões jornalísticas.

E o que isso significa, acima de tudo, é que quando veículos de mídia cometem erros tão graves e de consequências tão relevantes quanto o espetáculo que presenciamos na sexta-feira, eles precisam assumir a culpa e oferecer transparência e responsabilidade. Nesse caso, não é possível simplesmente se esconder no silêncio imposto pelo departamentos de RP e pelos advogados, e esperar a poeira assentar.

Essas emissoras — CNN, MSNBC e CBS – precisam, no mínimo, identificar quem lhes forneceu propositalmente essa informação descaradamente falsa, ou explicar como é possível que “diversas fontes” tenham obtido a mesma informação errada de boa fé. Até que isso aconteça, da próxima vez que forem acusados de “fake news”, seus protestos devem cair em ouvidos moucos, pois o verdadeiro autor dessas acusações — e a razão pela qual elas repercutem — são eles mesmos e sua própria conduta.

Tradução: Deborah Leão