_Notas

  • 11 de Maio de 2022, 14h25

    Meu chuchu

    11 de Maio de 2022, 14h25

    Com covid-19, Geraldo Alckmin falou pela internet e foi visto num telão no sábado. E agradou.

    Foto: Roberto Sungi/Futura Press/Folhapress

    Geraldo Alckmin foi aplaudido 15 vezes pela plateia de 4 mil pessoas, fundamentalmente petistas, que lotou o Expo Center Norte no lançamento do movimento Vamos Juntos pelo Brasil, realizado no sábado, dia 7.

    Em dois momentos, o discurso de Alckmin foi aplaudido de pé. Ao final do evento, a opinião era quase unânime: o vice roubou a cena. Nos bastidores, lideranças importantes da esquerda, como o ex-governador do Maranhão Flávio Dino, do PSB, o candidato ao governo do Rio Marcelo Freixo, do mesmo partido, e o senador Humberto Costa, do PT pernambucano, chegaram a brincar que “agora ficamos à direita do Alckmin”.

    O ex-governador do Piauí Wellington Dias, do PT, que vai integrar a coordenação da campanha de Lula, resumiu o discurso de Alckmin como “sincero, firme e emocionante”.

    Pode parecer pouca coisa, mas não é. Quase 20 anos atrás, e em circunstâncias muito diferentes das atuais, José Alencar foi vaiado ao ser apresentado ao PT. Naquele dia 26 de junho de 2002, nem a estratégia bolada por Lula de entrarem ele e o vice de mãos dadas com as respectivas esposas impediu que parte da audiência vaiasse o empresário, que foi um vice-presidente fiel por dois mandatos e morreu em 2011.

    No sábado, Alckmin fez a plateia se levantar em ovação ao dizer, sem meias palavras, que ele e Lula foram “adversários históricos”, mas agora estão juntos por um interesse maior, a defesa da democracia.

    A plateia voltou a aplaudir de pé quando o ex-governador de São Paulo agradeceu o convite para ser candidato a vice-presidente e aproveitou, de forma sutil, para garantir que não será um novo Michel Temer e que vai apoiar Lula “até que o trabalho esteja terminado” ao agradecer pelo convite para integrar a chapa.

    Se o público majoritariamente de esquerda gostou do que ouviu de Alckmin, o ex-governador também aprovou a fala de Lula, especialmente os acenos ao eleitorado de centro, que ouviu pela internet e, mais tarde no sábado, leu com atenção. Mas Alckmin não pôde saborear o impacto de sua fala sobre a plateia. Diagnosticado com covid-19 dois dias antes do evento, ele falou via internet e foi visto num telão.

  • 6 de Maio de 2022, 17h00

    Na sala de visitas da Febraban, só políticos bolsonaristas

    6 de Maio de 2022, 17h00

    Isaac Sidney: servidor concursado do Banco Central e presidente da Febraban, o sindicato dos banqueiros.

    Foto: Sergio Lima/Folhapress

    A Febraban, entidade que reúne e faz o lobby dos banqueiros brasileiros, alardeou em comunicado à imprensa ontem uma “visita de cortesia visita de cortesia do deputado João Roma, ex-ministro da Cidadania e relator da Medida Provisória 1106/22, que trata do programa Auxílio Brasil”.

    Roma é colega de Jair Bolsonaro no PL e deixou o ministério para ser o principal cabo eleitoral do presidente na Bahia, estado em que Lula tem larga vantagem na preferência do eleitorado. Deputado federal e pré-candidato a governador, Roma mandou instalar pelo interior do estado outdoors em que diz estar “junto a Bolsonaro pelo Auxílio Brasil de R$ 400″.

    A visita, como de hábito, foi fechada à imprensa. Mas o tête-à-tête com Roma não foi o primeiro com políticos de alto escalão que Isaac Sidney Menezes Ferreira, o presidente da Febraban, teve desde o início de 2021, quando passou a manter “encontros periódicos com representantes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário”.

    Desde então, passaram pela sala de visitas do sindicato dos banqueiros os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, do PP de Alagoas, do Senado, Rodrigo Pacheco, do PSD mineiro, e um punhado de ministros bolsonaristas: Ciro Nogueira, da Casa Civil, do PP do Piauí e do Centrão; Marcelo Queiroga, da Saúde, auto-denominado o “Bolsonaro de jaleco”; Tarcísio Gomes de Freitas, à época na Infraestrutura e agora pré-candidato ao governo de São Paulo pelo Republicanos; e Anderson Torres, o delegado da Polícia Federal que é filiado ao partido de Bolsonaro e ministro da Justiça ao mesmo tempo.

    Além deles, também bebeu um cafezinho na Febraban Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil indicado por Bolsonaro e sujeito que se sente à vontade para servir de cabo eleitoral do capitão reformado junto ao empresariado. A lista chama a atenção por isso mesmo: não há um único nome da oposição, nem mesmo da auto-denominada terceira via.

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    Outdoor de pré-campanha de João Roma e Bolsonaro em Santo Amaro, cidade do Recôncavo Baiano.

    Foto: Rafael Moro Martins

    Eu perguntei à Febraban o que houve: se foi falta de pedido de audiência ou se os pedidos dessa turma foram simplesmente esnobados. A instituição confirmou que só recebeu os políticos listados acima. Tentou aliviar, no entanto, afirmando que seu presidente já participou de “eventos” com presidenciáveis como a senadora Simone Tebet, do MDB do Mato Grosso, os ex-governadores tucanos João Doria e Eduardo Leite e o ex-bolsonarista Sergio Moro, do União Brasil.

    Mas os encontros como o com João Roma parecem ser de outra natureza: “são institucionais entre o setor e representantes dos três poderes”, disse a assessoria, que garante que “a instituição não hesita em fazer críticas ao governo”. Horas depois, a assessoria voltou a fazer contato para reafirmar que a Febraban “tem interlocução com todas as forças políticas” e que “se posiciona sempre que interesses do setor bancário são prejudicados”. Por setor bancário, leia-se banqueiros.

    Isaac Sidney, hoje presidente do sindicato dos bancos, curiosamente fez carreira como servidor concursado do Banco Central, responsável por – veja só – fiscalizar a turma. Em mais um caso de porta giratória no governo federal, ele deixou de ser diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do BC, em 2018, e em maio de 2019 já era vice-presidente da Febraban. Sidney passou a presidir a entidade em março de 2020.

  • 3 de Maio de 2022, 16h36

    ‘É coisa de preto, né’, solta vereador de São Paulo Camilo Cristófaro durante sessão de CPI

    3 de Maio de 2022, 16h36

    Foto: Karime Xavier/Folhapress

    Relator da CPI dos Apps na Câmara Municipal de São Paulo, Camilo Cristófaro, do PSB, proferiu uma frase racista na sessão de hoje da comissão. Único vereador conectado por videochamada, Cristófaro, aparentemente sem notar que seu microfone estava aberto, disse: “Eles arrumaram e não lavaram a calçada. É coisa de preto, né?”.

    A frase não foi captada pela transmissão ao vivo da sessão no canal da Câmara no YouTube, que ainda não havia começado, mas foi ouvida por todos os presentes no plenário, gerando revolta. Pressionado pela vereadora do Psol Luana Alves, única mulher integrante da CPI, o presidente da comissão interrompeu a sessão e a gravação da videochamada foi solicitada pelos membros do grupo à TV Câmara. Para um assessor parlamentar com quem falei, era importante pressionar “para que o áudio não sumisse”.

    Alves se pronunciou no Twitter e disse que entrará com representação contra o parlamentar na Corregedoria da Câmara.

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    Imagem: Reprodução/Twitter

    Tentei falar com a assessora de Cristófaro, mas ela parou de responder depois de saber do que se tratava o contato.

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