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7 de Outubro de 2022, 19h48

Em carta, empresa do interior de SP ataca a esquerda e incentiva 800 funcionários a apoiarem Bolsonaro

Schadek Automotive diz que não quer que o país ‘vire uma Venezuela’. TSE proíbe propaganda política em empresas.

7 de Outubro de 2022, 19h48

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Grande indústria situada perto da entrada de Porto Feliz, cidade com pouco mais de 50 mil habitantes do interior paulista, a Schadek Automotive, líder nacional na produção de bombas de óleo, faz parte do imaginário da região – onde se estabeleceu há 40 anos. Foi ancorada nesse reconhecimento que a empresa decidiu, em setembro, distribuir aos seus 800 funcionários uma carta da diretoria defendendo a manutenção do atual governo contra “a esquerda”.

O texto destaca em caixa alta palavras como corrupção e prejuízo e repete quatro vezes a palavra liberdade. Após dizer que o Brasil passou os últimos 15 anos com crescimento pífio e em uma “ciranda de corrupção”, a diretoria da empresa afirma que, mesmo com uma pandemia e uma guerra, o país cresceu – e a própria Schadek, destacam, quintuplicou sua produção e faturamento e passou de 300 para 800 funcionários. Os ventos positivos, diz o documento, aconteceram graças às “condições macroeconômicas” providas pelo atual governo.


Logo após falar sobre seu crescimento, a Schadek diz que “não é hora de ocultismo” ou “covardia” e que pensam que o “melhor caminho político no momento é o da manutenção do atual governo”. Bolsonaro não foi nominalmente citado em nenhum trecho da carta, mas seu número eleitoral ficou em destaque ao lado da bandeira do Brasil. Ao escrever 2022, foi ressaltado o número do partido em que Bolsonaro concorre à reeleição.

O Tribunal Superior Eleitoral, por meio da resolução Nº 23.610, de 2019, proíbe a veiculação de material de propaganda eleitoral em empresas. O conteúdo, além de chegar às mãos de cada funcionário da empresa, também circulou entre quem não faz parte da companhia por meio de redes sociais.

A Schadek, porém, não é o único ponto de apoio do governo Bolsonaro em Porto Feliz. Em 2020, Doutor Cassio Prado, médico-cirurgião e prefeito da cidade pelo PTB, abraçou o coquetel de Jair para “tratamento” da covid-19 e distribuiu para todos os pacientes que poderiam estar infectados, antes mesmo dos resultados de exames, medicamentos sabidamente ineficazes para a doença, como hidroxicloroquina e azitromicina. A prefeitura chegou a distribuir ivermectina de porta em porta na periferia de Porto Feliz.

Procurada pelo Intercept por e-mail, a Schadek não nos retornou até a publicação desta nota. Jair Bolsonaro recebeu quase 62% dos votos da cidade no primeiro turno das eleições.

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