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27 de Junho de 2022, 18h47

Mãe morre à espera da investigação do assassinato do filho de 16 anos

Thiago Santos Conceição, de 16 anos, foi assassinado dentro de casa. Desde então, sua mãe Aline Souza Santos esperava os investigadores.

27 de Junho de 2022, 18h47

Foto: Reprodução/Facebook

Aline Souza Santos morreu na última quinta-feira, 23, aos 42 anos, sem esperanças. Desde 18 de junho de 2021, esperava pelo início da investigação sobre o assassinato do filho, Thiago Santos Conceição, de 16 anos. Vivia numa casa com o cenário congelado naquele dia: a porta sanfonada com a perfuração e manchas de sangue do filho, o violão com a capa furada pela bala, que se alojou ali. Deixava tudo quase intacto à espera da chegada dos investigadores. Eles nunca apareceram.

Naquele 18 de junho, mais de um ano atrás, a Polícia Civil, com apoio da militar, fazia uma operação no Morro da Fé, no Complexo da Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Batizada de Coalizão do Bem, o objetivo da operação era prender um dos chefes do Comando Vermelho, tanto no Rio quanto em cidades do Pará e Amazonas.

Naquele dia, segundo contam familiares e testemunhas, Thiago passava pela janela quando levou um tiro na testa e morreu na hora. Dentro de casa.

Na época, em entrevista coletiva, o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil do Rio, Rodrigo Oliveira, disse que o caso seria investigado. “No local onde ele foi baleado, não havia nenhum policial naquela localidade. Eles perceberam um tumulto à distância e obtiveram a informação que o adolescente tinha sido baleado”, disse. Mas a investigação nunca deu um passo. As provas foram largadas na casa de Santos, sem qualquer perícia. Só a primeira fase da oitiva com as testemunhas aconteceu, mas a reprodução simulada não.

Santos cobrava, com a ajuda da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, a presença do Ministério Público na casa para coleta das provas. De nada adiantou a pressão – o caso do filho parecia não tocar o MP. Ao longo do tempo, sem sinal de justiça, Santos adoecia de tristeza e desesperança, com quadros sérios de depressão.

Em fevereiro de 2022, sofreu um acidente cardiovascular, AVC, que deixou metade do seu corpo paralisado. No mês que o assassinato de  Thiago completaria um ano, a doença piorou e Santos precisou ser internada. Na última terça, pegou uma pneumonia no hospital e os médicos a colocaram em coma induzido. Ontem, a mãe de Thiago não resistiu e faleceu. Na foto, ela aparece com seu companheiro, Orllean Figueiredo.

“O estado mata nas favelas e não investiga. Isso precisa ser desnaturalizado. Não é a primeira vez que a mãe de uma vítima do estado morre de tristeza, digamos assim. Quem está no acolhimento (amigos e familiares) fala que é nitidamente uma morte de tristeza. A Aline morreu de tristeza”, lamenta Guilherme Pimentel, ouvidor da Defensoria Pública do Rio, que acompanhou a família no último ano.

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