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12 de Outubro de 2022, 13h05

Ninguém lucrou tanto no primeiro turno das eleições quanto Meta e Google

Redes receberam R$ 184 milhões em anúncios. Valor corresponde a 3,1% dos R$ 5,9 bilhões gastos no 1º turno.

12 de Outubro de 2022, 13h05

Igor do Vale/Folhapress

A eleição para o governo do Ceará, decidida no primeiro turno pelo petista Elmano Freitas com 53,69% dos votos válidos, foi quente na internet esse ano. Quem mora no estado sabe. Um termômetro para medir essa temperatura é o investimento feito pelas principais campanhas locais em anúncios no Facebook e Instagram. O candidato do PT pagou 400 anúncios nas duas plataformas do início de agosto até o dia 2 de outubro, período da campanha eleitoral até a data da votação, de acordo com o registrado na Biblioteca de Anúncios da Meta, empresa dona das duas plataformas. Gastou R$ 1,6 milhão, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.

Já a campanha de Roberto Cláudio, candidatura cirista que rachou o PDT no estado e terminou em terceiro lugar na eleição para o governo com 14,4% dos votos válidos, gastou R$ 1,2 milhão em 2 mil anúncios no mesmo período. Ambos estão entre os maiores anunciantes eleitorais da Meta este ano. Só ficam atrás da campanha presidenciável de Simone Tebet, do MDB, que investiu R$ 1,9 milhão em 690 anúncios antes de declarar apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

No total, o valor pago às redes sociais para veiculação de anúncios direcionados já chega a R$ 184 milhões. Os dados são referentes aos valores declarados pelos candidatos e consolidados pelo TSE, levantados pelo Intercept em parceria com a plataforma 72 horas.

A Meta, dona do Facebook e do Instagram, é de longe a maior fornecedora dessas eleições. A dobradinha Facebook/Instagram, que fazem parte do conglomerado, faturaram sozinhos ao menos R$ 107 milhões – e esse valor
inclui apenas três CNPJs conhecidos relacionados à empresa norte-americana. Em segundo lugar está o Google. A empresa da Califórnia ficou com pelo menos R$ 51,9 milhões do dinheiro distribuído pelos candidatos até agora.

Depois vem a gigante multinacional de pagamentos eletrônicos Adyen, que presta serviços para a Meta e outras empresas de tecnologia. Só ela já recebeu outros R$ 26,773 milhões das campanhas neste ano especificamente por impulsionamento de conteúdo nas redes.

A avalanche de dinheiro despejado nesse tipo de propaganda mostra que, de candidatos a assembleias estaduais até postulantes à Presidência da República, investir em anúncios nas redes sociais hoje é parte central da estratégia digital das campanhas políticas – uma pré-condição para conseguir uma candidatura competitiva. Até agora, o valor gasto com publicidade digital nas gigantes de tecnologia representa 3,1% dos R$ 5,9 bilhões que foram gastos nesta temporada eleitoral até o momento —mais de R$ 5 bilhões sacados dos fundos eleitoral e partidário.

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