_Notas

1 de Outubro de 2022, 12h05

Partidos investiram até sete vezes mais em campanhas de reeleição

Das 513 cadeiras, 83% serão disputadas por quem já as ocupa; 5,5% dos candidatos concentram 30% do dinheiro público gasto.

1 de Outubro de 2022, 12h05

BRASILIA, DF, BRASIL, 01.08.2018 - Plen?°rio da C?¢mara com poucos deputados durante Comiss?£o Geral; apenas 20 dos 513 deputados passaram pelo local. Parlamentares voltam do recesso, mas a expectativa ?© de que nada seja votado e os trabalhos sejam efetivamente retomados s?? na semana que vem. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

O deputado federal Átila Lins é do PSD do Amazonas. Já o deputado federal Gonzaga Patriota é do PSB de Pernambuco. Em comum, além de serem colegas na Câmara dos Deputados, os dois buscam um novo mandato este ano. Não se trata de qualquer reeleição: tanto Lins quanto Patriota estão há 32 anos na Câmara e em busca de uma nona legislatura. Patriota entrou como deputado constituinte em 1987, ficou fora de 1991 a 1994 e, no ano seguinte, voltou. Lins chegou em 1991 e nunca mais saiu.

Além de confundirem-se com a paisagem do Congresso, os deputados têm também campanhas bem financiadas por seus partidos. O PSB já investiu R$ 2,5 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas, o FEFC, na campanha de Patriota. Já Lins mordeu R$ 1,6 milhão do PSD, do mesmo fundo. Em busca de uma “cadeira cativa” como a de Lins e Patriota na Câmara dos Deputados, os partidos políticos chegam a investir até sete vezes mais em candidatos à reeleição do que em novatos. É o que revelam dados levantados pelo Intercept em parceria com a plataforma 72 horas.

Cada candidato à reeleição na Câmara recebeu, em média, R$ 1,748 milhão para suas campanhas, contra R$ 323 mil da média geral. Se considerarmos apenas os repasses para quem não concorre à reeleição, a média cai para R$ 239 mil por candidato. No Maranhão, 100% dos deputados federais eleitos tenta manter a vaga no domingo. Em São Paulo, o índice chega a 91%.

Até o início da última semana de campanha, R$ 2,486 bilhões foram transferidos pelos partidos para 7.683 campanhas. Desse montante. 30%, ou R$ 748 milhões, foram divididos entre as 428 campanhas de reeleição —apenas 5,5% dos candidatos. Quando uma sigla conquista uma vaga no Congresso, convém não perder mais — a distribuição do FEFC, do fundo partidário e, em última instância, a existência da agremiação dependem disso. Assim, é normal um investimento maior em candidaturas consolidadas. Mas, neste ano, existe um potencial de manutenção maior. Das 513 cadeiras, 87% serão disputadas por quem já as ocupa.

“Vemos uma tendência de não renovação acima do normal”, afirmou Amanda Brito, consultora na 72 horas. “A evidência numérica mostra um alto potencial de manutenção nas cadeiras para reeleição. O que torna ainda mais desafiador para a pessoa iniciante na política conseguir ocupar o cargo”. Brito acredita que a taxa fina de reeleição para a Câmara, que historicamente fica na casa dos 65%, tem tudo para ser maior neste ano.

Apesar disso, há exceções. E quanto melhor financiadas, melhor suas chances. Guilherme Boulos, por exemplo. Apesar de ser candidato veterano derrotado das eleições municipais de 2020 e presidenciais de 2018, nunca ocupou cargo político em nenhum governo e disputa pela primeira vez uma vaga no legislativo federal como aposta do PSOL para puxar votos em São Paulo. Como ali, pelo jeito, ninguém espera um milagre, o partido já depositou R$ 1,872 milhão do FEFC em sua empreitada eleitoral. Ao todo, o candidato novato já conta com R$ 2,348 milhões.

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