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Ofício Deltan Dallagnol
July 25, 2019
PR-PR-00039498/2019
OFÍCIO nº4337/2019/GABINETE DE PROCURADOR DA REPUBLICA
Curitiba, 4 de junho de 2019.
Ao Excelentíssimo
OSWALDO JOSE BARBOSA SILVA
Corregedor-Geral do MPF
Corregedoria
SAF SUL Qd 4 Conj C Bloco B Cobertura
Procuradoria Geral da República
Assunto: Presta informações sobre declaração de suspeição por motivo de foro íntimo
Exmo. Senhor Corregedor do Ministério Público Federal
Compareço, respeitosamente, perante V. Exa., por questão de transparência e de prestação de contas, para
reportar que me declarei suspeito, por motivo de foro íntimo, para atuar nos autos 5028472-59.2019.4.04.7000, que
tramitam sob sigilo perante a 13ª Vara Federal em Curitiba, pelas seguintes razões:
1. No dia 3 de março de 2018, participei de congresso anual da empresa Neoway, que oferece soluções de bancos
de dados e softwares, inclusive para fins de compliance e investigações internas, realizando palestra remunerada
por valor de mercado, sobre combate à corrupção e ética nos negócios. Minha participação ocorreu, ao lado de
mais de uma dezena de palestrantes e panelistas conceituados, dentre os quais, por exemplo, Gustavo Kurten (o
Guga, famoso tenista), Milton Beck (diretor-geral do LinkedIn América Latina), Paula Bellizia (CEO da Microsoft
Brasil), Walter Longo (palestrante internacional sobre avanços digitais) e representantes da Procuradoria-Geral do
Estado de São Paulo.
2. Na data da palestra, a empresa não era investigada no âmbito desta força-tarefa da Lava Jato e o eu
desconhecia que a empresa seria mencionada no futuro em colaboração premiada a qual seria firmada pela
procuradoria-geral da República, em Brasília. No sistema que contém informações sobre delações da Lava Jato e
em sua base de dados, não constava qualquer menção à existência de delação ou investigação sobre a empresa
que pudesse indicar a existência de potencial conflito de interesses. Nem mesmo a área de atuação da empresa soluções de big data, softwares de due dilligence e compliance - despertava qualquer suspeita, porque não tinha
possível relação com aquela das empresas investigadas na Lava Jato.
3. No evento, ocorreram apresentações públicas de soluções de softwares de investigação que se mostrariam
bastante proveitosos para o desenvolvimento da atividade investigativa na Lava Jato. Em razão disso, realizamos
algumas poucas reuniões com a empresa, com os colegas da força-tarefa Julio Noronha e Roberson Pozzobon, na
PROCURADORIA DA
REPUBLICA PARANA
Assinado com login e senha por DELTAN MARTINAZZO DALLAGNOL, em 07/06/2019 13:15. Para verificar a autenticidade acesse
http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 9C170ADE.5EC9C8D3.1EE239E4.EB389EB4
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROCURADORIA DA REPUBLICA - PARANA
GABINETE DE PROCURADOR DA REPUBLICA
FORÇA-TAREFA LAVA JATO
Rua Marechal Deodoro, Nº 933, Centro - Cep 80060010
- Curitiba-PR
Tel. (41)32198955
www.mpf.mp.br/mpfservicos
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PR-PR-00039498/2019
OFÍCIO nº4337/2019/GABINETE DE PROCURADOR DA REPUBLICA
Curitiba, 4 de junho de 2019.
Ao Excelentíssimo
OSWALDO JOSE BARBOSA SILVA
Corregedor-Geral do MPF
Corregedoria
SAF SUL Qd 4 Conj C Bloco B Cobertura
Procuradoria Geral da República
Assunto: Presta informações sobre declaração de suspeição por motivo de foro íntimo
Exmo. Senhor Corregedor do Ministério Público Federal
Compareço, respeitosamente, perante V. Exa., por questão de transparência e de prestação de contas, para
reportar que me declarei suspeito, por motivo de foro íntimo, para atuar nos autos 5028472-59.2019.4.04.7000, que
tramitam sob sigilo perante a 13ª Vara Federal em Curitiba, pelas seguintes razões:
1. No dia 3 de março de 2018, participei de congresso anual da empresa Neoway, que oferece soluções de bancos
de dados e softwares, inclusive para fins de compliance e investigações internas, realizando palestra remunerada
por valor de mercado, sobre combate à corrupção e ética nos negócios. Minha participação ocorreu, ao lado de
mais de uma dezena de palestrantes e panelistas conceituados, dentre os quais, por exemplo, Gustavo Kurten (o
Guga, famoso tenista), Milton Beck (diretor-geral do LinkedIn América Latina), Paula Bellizia (CEO da Microsoft
Brasil), Walter Longo (palestrante internacional sobre avanços digitais) e representantes da Procuradoria-Geral do
Estado de São Paulo.
2. Na data da palestra, a empresa não era investigada no âmbito desta força-tarefa da Lava Jato e o eu
desconhecia que a empresa seria mencionada no futuro em colaboração premiada a qual seria firmada pela
procuradoria-geral da República, em Brasília. No sistema que contém informações sobre delações da Lava Jato e
em sua base de dados, não constava qualquer menção à existência de delação ou investigação sobre a empresa
que pudesse indicar a existência de potencial conflito de interesses. Nem mesmo a área de atuação da empresa soluções de big data, softwares de due dilligence e compliance - despertava qualquer suspeita, porque não tinha
possível relação com aquela das empresas investigadas na Lava Jato.
3. No evento, ocorreram apresentações públicas de soluções de softwares de investigação que se mostrariam
bastante proveitosos para o desenvolvimento da atividade investigativa na Lava Jato. Em razão disso, realizamos
algumas poucas reuniões com a empresa, com os colegas da força-tarefa Julio Noronha e Roberson Pozzobon, na
PROCURADORIA DA
REPUBLICA PARANA
Assinado com login e senha por DELTAN MARTINAZZO DALLAGNOL, em 07/06/2019 13:15. Para verificar a autenticidade acesse
http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 9C170ADE.5EC9C8D3.1EE239E4.EB389EB4
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROCURADORIA DA REPUBLICA - PARANA
GABINETE DE PROCURADOR DA REPUBLICA
FORÇA-TAREFA LAVA JATO
Rua Marechal Deodoro, Nº 933, Centro - Cep 80060010
- Curitiba-PR
Tel. (41)32198955
www.mpf.mp.br/mpfservicos
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sede desta força-tarefa em Curitiba, com o objetivo de conhecer e avaliar as soluções para, se fosse o caso, propor
sua avaliação pela Administração Superior do Ministério Público Federal.
5. Tão logo o signatário soube que a empresa foi apontada em delação, o procurador informou os colegas de que
deveria ficar afastado de qualquer eventual ato que envolvesse a empresa, ainda que de responsabilidade da
procuradoria-geral, para proteger a credibilidade do trabalho de qualquer questionamento. Assim, o procurador
jamais participou de qualquer ato referente à delação que mencionou a empresa. Além disso, foram encerradas
imediatamente as reuniões com a empresa para conhecimento e avaliação de soluções de investigação.
6. Quase um ano mais tarde, após o Supremo Tribunal Federal homologar a colaboração premiada, o procurador
tomou conhecimento de que aquela Corte enviou para a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba termo de
colaboração que fazia referência a tal empresa, em junho de 2019. Nesta data, em 07 de junho de 2019, como a
responsabilidade pelo caso passaria a ser da força-tarefa, a fim de proteger a credibilidade dos trabalhos de
qualquer questionamento, declarei-me suspeito e me afastei do caso por motivo de foro íntimo. Por ser o
procurador natural da operação Lava Jato, por consequência, todos os demais colegas da força-tarefa se afastaram
também da atuação na investigação dos fatos.
7. Embora não haja obrigatoriedade de informar para a Corregedoria as razões de foro íntimo que levam à
suspeição, por uma questão de transparência e prestação de contas, realizo a presente comunicação a V. Exa.,
ficando à disposição para prestar qualquer informação adicional.
Certo de sua atenção, aproveito a oportunidade para renovar protestos de elevada estima e distinta consideração.
DELTAN MARTINAZZO DALLAGNOL
PROCURADOR DA REPUBLICA
PROCURADORIA DA
REPUBLICA PARANA
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4. Meses depois da palestra, na segunda quinzena de julho de 2018, o procurador foi informado da existência de
menção à empresa em delação que estava sendo então negociada pela procuradoria-geral da República, com a
colaboração junto à procuradoria-geral (que era a responsável pelo caso) de outros integrantes da força-tarefa
designados pela portaria 746/2018, os quais não tinham tido qualquer contato com a empresa.
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sede desta força-tarefa em Curitiba, com o objetivo de conhecer e avaliar as soluções para, se fosse o caso, propor
sua avaliação pela Administração Superior do Ministério Público Federal.
5. Tão logo o signatário soube que a empresa foi apontada em delação, o procurador informou os colegas de que
deveria ficar afastado de qualquer eventual ato que envolvesse a empresa, ainda que de responsabilidade da
procuradoria-geral, para proteger a credibilidade do trabalho de qualquer questionamento. Assim, o procurador
jamais participou de qualquer ato referente à delação que mencionou a empresa. Além disso, foram encerradas
imediatamente as reuniões com a empresa para conhecimento e avaliação de soluções de investigação.
6. Quase um ano mais tarde, após o Supremo Tribunal Federal homologar a colaboração premiada, o procurador
tomou conhecimento de que aquela Corte enviou para a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba termo de
colaboração que fazia referência a tal empresa, em junho de 2019. Nesta data, em 07 de junho de 2019, como a
responsabilidade pelo caso passaria a ser da força-tarefa, a fim de proteger a credibilidade dos trabalhos de
qualquer questionamento, declarei-me suspeito e me afastei do caso por motivo de foro íntimo. Por ser o
procurador natural da operação Lava Jato, por consequência, todos os demais colegas da força-tarefa se afastaram
também da atuação na investigação dos fatos.
7. Embora não haja obrigatoriedade de informar para a Corregedoria as razões de foro íntimo que levam à
suspeição, por uma questão de transparência e prestação de contas, realizo a presente comunicação a V. Exa.,
ficando à disposição para prestar qualquer informação adicional.
Certo de sua atenção, aproveito a oportunidade para renovar protestos de elevada estima e distinta consideração.
DELTAN MARTINAZZO DALLAGNOL
PROCURADOR DA REPUBLICA
PROCURADORIA DA
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4. Meses depois da palestra, na segunda quinzena de julho de 2018, o procurador foi informado da existência de
menção à empresa em delação que estava sendo então negociada pela procuradoria-geral da República, com a
colaboração junto à procuradoria-geral (que era a responsável pelo caso) de outros integrantes da força-tarefa
designados pela portaria 746/2018, os quais não tinham tido qualquer contato com a empresa.
Rua Marechal Deodoro, Nº 933, Centro - Cep 80060010
- Curitiba-PR
Tel. (41)32198955
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