Documents
Posicionamento Gustavo Beck
Aug. 28, 2020
Carta de resposta do produtor e curador Gustavo Beck
Lisboa, 22 de Agosto de 2020
Quero começar por dar o meu apoio incondicional a todas as mulheres que
são vítimas reais de abuso físico ou emocional. Eu não imagino a dor que
deve ser passar por uma situação destas e a dificuldade de as relatar. Acho
muito importante lançar luz e conscientizar o debate público sobre estas
questões, para que as mulheres possam encontrar segurança nos
mecanismos de denúncia legais que existem.
No dia 13 de Maio deste ano, durante o epicentro da pandemia, a cidadã
norte- americana, Cat de Almeida, com quem nunca tive nenhuma relação
profissional, publicou no Facebook um longo texto sobre a sua experiência
pessoal com assédio, machismo e opressão na indústria cinematográfica
Latino-Americana. Meu nome aparece uma única vez como título do seu
texto, sugerindo que o conteúdo central do post se referia a mim ou a
alguma experiência comigo.
Antes que eu pudesse reagir a isso e estabelecer qualquer tipo de diálogo
para entender a que exatamente ela se referia, Deborah Viegas, com quem
tive um relacionamento afetivo no passado por cerca de um ano e com
quem eu mantinha contato apenas eventual e cordial desde o término da
nossa relação, foi a primeira pessoa a compartilhar tal publicação. Sem
conhecer a autora do post original e muito menos o seu conteúdo, Deborah
Viegas, minha ex-namorada, compartilhou a publicação em sua página de
Facebook, sem considerar antes me contactar para entender do que se
tratava o texto, e acrescentou ainda a sua interpretação pessoal afirmando
Carta de resposta do produtor e curador Gustavo Beck
Lisboa, 22 de Agosto de 2020
Quero começar por dar o meu apoio incondicional a todas as mulheres que
são vítimas reais de abuso físico ou emocional. Eu não imagino a dor que
deve ser passar por uma situação destas e a dificuldade de as relatar. Acho
muito importante lançar luz e conscientizar o debate público sobre estas
questões, para que as mulheres possam encontrar segurança nos
mecanismos de denúncia legais que existem.
No dia 13 de Maio deste ano, durante o epicentro da pandemia, a cidadã
norte- americana, Cat de Almeida, com quem nunca tive nenhuma relação
profissional, publicou no Facebook um longo texto sobre a sua experiência
pessoal com assédio, machismo e opressão na indústria cinematográfica
Latino-Americana. Meu nome aparece uma única vez como título do seu
texto, sugerindo que o conteúdo central do post se referia a mim ou a
alguma experiência comigo.
Antes que eu pudesse reagir a isso e estabelecer qualquer tipo de diálogo
para entender a que exatamente ela se referia, Deborah Viegas, com quem
tive um relacionamento afetivo no passado por cerca de um ano e com
quem eu mantinha contato apenas eventual e cordial desde o término da
nossa relação, foi a primeira pessoa a compartilhar tal publicação. Sem
conhecer a autora do post original e muito menos o seu conteúdo, Deborah
Viegas, minha ex-namorada, compartilhou a publicação em sua página de
Facebook, sem considerar antes me contactar para entender do que se
tratava o texto, e acrescentou ainda a sua interpretação pessoal afirmando
que existiria no texto uma acusação criminal contra a minha pessoa,
iniciando uma agressiva campanha de difamação.
Nego incondicionalmente a acusação formulada e propagada por Deborah
Viegas, a partir do post original de Cat de Almeida.
De imediato, qualquer presunção de inocência parecia ter sido descartada.
Em seu lugar, foi estabelecido um tribunal sem juiz onde a verdade era
medida por likes e shares. Pessoas conhecidas e desconhecidas, somaram
as suas vozes replicando a acusação criminal sugerida por minha
ex-namorada. Em poucos dias, através de amigas e amigos em comum,
recebi print screens de conversas de Messenger e WhatsApp, que
evidenciam pessoas próximas a Deborah Viegas atuando de maneira
coerciva para que outras pessoas tomassem posição contra mim,
supostamente em prol de uma causa, sem mesmo saber qual a concretude e
veracidade das acusações.
No mesmo período, um email e um perfil falso de Facebook, com o nome
Catherine Vermont, foi criado para atacar os festivais de cinema com os
quais colaboro - pressionando-os a tomar uma posição urgente contra meu
trabalho com eles - como se se tratasse de uma acusação inquestionável.
Além disso, sou informado que minha ex-namorada, Deborah Viegas,
contactou por email ou telefone pessoas próximas a mim e em especial,
também meus empregadores, tendo inventado falsos relatos sobre a minha
pessoa sem qualquer fundamento - acusações criminais, inclusive trazendo insegurança e gerando danos irreversíveis na minha vida pessoal e
profissional. Fui afastado de alguns de meus trabalhos onde sempre tive
atuação exemplar, por essa ação direta de Deborah Viegas.
que existiria no texto uma acusação criminal contra a minha pessoa,
iniciando uma agressiva campanha de difamação.
Nego incondicionalmente a acusação formulada e propagada por Deborah
Viegas, a partir do post original de Cat de Almeida.
De imediato, qualquer presunção de inocência parecia ter sido descartada.
Em seu lugar, foi estabelecido um tribunal sem juiz onde a verdade era
medida por likes e shares. Pessoas conhecidas e desconhecidas, somaram
as suas vozes replicando a acusação criminal sugerida por minha
ex-namorada. Em poucos dias, através de amigas e amigos em comum,
recebi print screens de conversas de Messenger e WhatsApp, que
evidenciam pessoas próximas a Deborah Viegas atuando de maneira
coerciva para que outras pessoas tomassem posição contra mim,
supostamente em prol de uma causa, sem mesmo saber qual a concretude e
veracidade das acusações.
No mesmo período, um email e um perfil falso de Facebook, com o nome
Catherine Vermont, foi criado para atacar os festivais de cinema com os
quais colaboro - pressionando-os a tomar uma posição urgente contra meu
trabalho com eles - como se se tratasse de uma acusação inquestionável.
Além disso, sou informado que minha ex-namorada, Deborah Viegas,
contactou por email ou telefone pessoas próximas a mim e em especial,
também meus empregadores, tendo inventado falsos relatos sobre a minha
pessoa sem qualquer fundamento - acusações criminais, inclusive trazendo insegurança e gerando danos irreversíveis na minha vida pessoal e
profissional. Fui afastado de alguns de meus trabalhos onde sempre tive
atuação exemplar, por essa ação direta de Deborah Viegas.
Em silêncio, assisti a tudo isso e após 5 dias de um violento linchamento
virtual, optei por me retirar do Facebook. Não considerava que aquele era o
ambiente ideal para o melhor entendimento do que estava acontecendo
comigo e nem para entender o teor real das acusações. Que me parece que
deveriam ter chegado a mim de outra maneira ou que deveriam ser
discutidas na Justiça. Desta forma, desde então, antes de tomar qualquer
posição, conversei por telefone com diversas pessoas e escutei as mais
variadas opiniões sobre o assunto. Ninguém nunca soube me informar
porque minha ex-namorada entrou nessa campanha repentina contra mim.
Mas todos me disseram que se eu me defendesse, novos ataques viriam pois
minha ex-namorada, Deborah Viegas, estaria preparando um dossiê onde
atacaria a minha pessoa, no âmbito pessoal e profissional.
Desde o início, optei por não me posicionar publicamente para não
prejudicar o desenvolvimento desta situação no local que acredito ser o
mais apropriado: na Justiça. Mas também porque me senti bloqueado por
uma ‘cultura de cancelamento’ contemporânea onde a minha defesa me
traria possivelmente mais ataques. Nunca recebi nenhuma notificação
judicial para que pudesse me defender propriamente e também nunca
contactei nenhuma dessas pessoas (a nível legal ou pessoal), mas
subitamente o post de Deborah Viegas desapareceu. Algumas semanas mais
tarde, o perfil de Cat de Almeida também desapareceu. E por fim, o perfil
falso Catherine Vermont foi desativado. No entanto, parece que o resultado
que queriam atingir foi conquistado.
Ontem, fui contactado por Nayara Felizardo, que se apresentou como
jornalista do The Intercept Brasil. Ela me informou que publicará em
co-autoria com Shirlei Alves, uma reportagem em português e em inglês,
onde 18 mulheres me acusariam de terem sido assediadas ou terem tido
Em silêncio, assisti a tudo isso e após 5 dias de um violento linchamento
virtual, optei por me retirar do Facebook. Não considerava que aquele era o
ambiente ideal para o melhor entendimento do que estava acontecendo
comigo e nem para entender o teor real das acusações. Que me parece que
deveriam ter chegado a mim de outra maneira ou que deveriam ser
discutidas na Justiça. Desta forma, desde então, antes de tomar qualquer
posição, conversei por telefone com diversas pessoas e escutei as mais
variadas opiniões sobre o assunto. Ninguém nunca soube me informar
porque minha ex-namorada entrou nessa campanha repentina contra mim.
Mas todos me disseram que se eu me defendesse, novos ataques viriam pois
minha ex-namorada, Deborah Viegas, estaria preparando um dossiê onde
atacaria a minha pessoa, no âmbito pessoal e profissional.
Desde o início, optei por não me posicionar publicamente para não
prejudicar o desenvolvimento desta situação no local que acredito ser o
mais apropriado: na Justiça. Mas também porque me senti bloqueado por
uma ‘cultura de cancelamento’ contemporânea onde a minha defesa me
traria possivelmente mais ataques. Nunca recebi nenhuma notificação
judicial para que pudesse me defender propriamente e também nunca
contactei nenhuma dessas pessoas (a nível legal ou pessoal), mas
subitamente o post de Deborah Viegas desapareceu. Algumas semanas mais
tarde, o perfil de Cat de Almeida também desapareceu. E por fim, o perfil
falso Catherine Vermont foi desativado. No entanto, parece que o resultado
que queriam atingir foi conquistado.
Ontem, fui contactado por Nayara Felizardo, que se apresentou como
jornalista do The Intercept Brasil. Ela me informou que publicará em
co-autoria com Shirlei Alves, uma reportagem em português e em inglês,
onde 18 mulheres me acusariam de terem sido assediadas ou terem tido
algum tipo de violência sexual, física ou psicológica, da minha parte. Me
informa ainda que a identidade de 15 delas foram preservadas, me
informando apenas 2 nomes, além do de Cat de Almeida – curiosamente,
minha ex-namorada, Deborah Viegas, não é mencionada em momento
algum – e me dá o prazo de 48 horas para comentar algumas situações
descritas (outras sequer são mencionadas), num período de 15 anos, em
diferentes partes do mundo.
Nego incondicionalmente todas as acusações e das únicas duas situações
que são descritas com autoras nomeadas, posso dizer que me assusta e me
entristece como as pessoas podem reavaliar livremente as suas
subjetividades, empregando a estas acusações criminais anos mais tarde.
Simplesmente, para que no ambito público, a minha imagem seja
seriamente comprometida. E como o The Intercept Brasil, um veículo de
comunicação que admiro e que considero sério e responsável, dê espaço a
isso sem fazer uma investigação mais criteriosa baseada em fatos.
Por fim, digo que acusar falsamente alguém de praticar crime constitui
crime de calúnia e, também, caso a acusação dê início a procedimento
investigatório, crime de denunciação caluniosa. Por esta razão, tomarei
todas as medidas judiciais criminais e cíveis cabíveis contra todas as
pessoas que me acusarem falsamente de ter praticado crime.
Gustavo Beck
algum tipo de violência sexual, física ou psicológica, da minha parte. Me
informa ainda que a identidade de 15 delas foram preservadas, me
informando apenas 2 nomes, além do de Cat de Almeida – curiosamente,
minha ex-namorada, Deborah Viegas, não é mencionada em momento
algum – e me dá o prazo de 48 horas para comentar algumas situações
descritas (outras sequer são mencionadas), num período de 15 anos, em
diferentes partes do mundo.
Nego incondicionalmente todas as acusações e das únicas duas situações
que são descritas com autoras nomeadas, posso dizer que me assusta e me
entristece como as pessoas podem reavaliar livremente as suas
subjetividades, empregando a estas acusações criminais anos mais tarde.
Simplesmente, para que no ambito público, a minha imagem seja
seriamente comprometida. E como o The Intercept Brasil, um veículo de
comunicação que admiro e que considero sério e responsável, dê espaço a
isso sem fazer uma investigação mais criteriosa baseada em fatos.
Por fim, digo que acusar falsamente alguém de praticar crime constitui
crime de calúnia e, também, caso a acusação dê início a procedimento
investigatório, crime de denunciação caluniosa. Por esta razão, tomarei
todas as medidas judiciais criminais e cíveis cabíveis contra todas as
pessoas que me acusarem falsamente de ter praticado crime.
Gustavo Beck