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Nota Taquigráfica CSPCCO
Nov. 23, 2020
CÂMARA DOS DEPUTADOS
DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO COM REDAÇÃO FINAL
Versão para registro histórico
Não passível de alteração
COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO
EVENTO: Audiência Pública
REUNIÃO Nº: 0933/16
DATA: 03/08/2016
LOCAL: Plenário 6
INÍCIO: 14h51min
TÉRMINO: 18h21min
PÁGINAS: 81
das Comissões
DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO
PATRÍCIO JÚNIOR DE OLIVEIRA - Agente de atividades penitenciárias.
EDUARDO BRUNO ALVES - Major da Polícia Militar do Estado de Goiás.
LUCIANO GOMES VIEIRA - Agente da Polícia Civil do Distrito Federal.
CLEOMAR GUIMARÃES DE OLIVEIRA - Policial Militar do Estado de Goiás.
LEANDRO RODRIGUES VALVERDE - Policial Militar do Estado de Goiás.
ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Policial Militar do Estado de Goiás.
KRASSYUS MURILO FERREIRA PORTO MONTEIRO - Agente da Policia Civil do DF.
CARLOS VIEIRA ZARDO - Agente da Policia Civil do DF.
ROBSON SANTANA DE CARVALHO - General-de-Brigada e chefe do Centro de Avaliações do
Exército Brasileiro.
MARCELO MUNIZ COSTA - Chefe da Assessoria de Comunicação Institucional da Indústria de
Material Bélico do Brasil — IMBEL.
RABIH NASSER - Advogado representando a Forjas TAURUS S.A.
SALÉSIO NUHS - Vice-Presidente Comercial e de Relações Institucionais da CBC —
Companhia Brasileira de Cartuchos.
DOMINGOS TOCCHETTO - Perito Criminal.
GERALDO BERTOLO - Perito Criminal.
LADISLAU BRITO SANTOS JÚNIOR - Perito criminal.
CARLOS FREDERICO DE OLIVEIRA PEREIRA - Subprocurador-Geral da Justiça Militar.
SUMÁRIO
Debate sobre os defeitos apresentados nas armas fornecidas aos órgãos de segurança
pública da União, dos Estados e do Distrito Federal.
OBSERVAÇÕES
Houve exibição de imagens.
Houve intervenções ininteligíveis.
Há oradores não identificados em breves intervenções.
Não houve expressa concessão da palavra a alguns oradores.
Houve palavra ou expressão ininteligível.
Houve intervenções inaudíveis.
Houve manifestação na plateia.
Houve exibição de vídeo.
CÂMARA DOS DEPUTADOS
DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO COM REDAÇÃO FINAL
Versão para registro histórico
Não passível de alteração
COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO
EVENTO: Audiência Pública
REUNIÃO Nº: 0933/16
DATA: 03/08/2016
LOCAL: Plenário 6
INÍCIO: 14h51min
TÉRMINO: 18h21min
PÁGINAS: 81
das Comissões
DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO
PATRÍCIO JÚNIOR DE OLIVEIRA - Agente de atividades penitenciárias.
EDUARDO BRUNO ALVES - Major da Polícia Militar do Estado de Goiás.
LUCIANO GOMES VIEIRA - Agente da Polícia Civil do Distrito Federal.
CLEOMAR GUIMARÃES DE OLIVEIRA - Policial Militar do Estado de Goiás.
LEANDRO RODRIGUES VALVERDE - Policial Militar do Estado de Goiás.
ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Policial Militar do Estado de Goiás.
KRASSYUS MURILO FERREIRA PORTO MONTEIRO - Agente da Policia Civil do DF.
CARLOS VIEIRA ZARDO - Agente da Policia Civil do DF.
ROBSON SANTANA DE CARVALHO - General-de-Brigada e chefe do Centro de Avaliações do
Exército Brasileiro.
MARCELO MUNIZ COSTA - Chefe da Assessoria de Comunicação Institucional da Indústria de
Material Bélico do Brasil — IMBEL.
RABIH NASSER - Advogado representando a Forjas TAURUS S.A.
SALÉSIO NUHS - Vice-Presidente Comercial e de Relações Institucionais da CBC —
Companhia Brasileira de Cartuchos.
DOMINGOS TOCCHETTO - Perito Criminal.
GERALDO BERTOLO - Perito Criminal.
LADISLAU BRITO SANTOS JÚNIOR - Perito criminal.
CARLOS FREDERICO DE OLIVEIRA PEREIRA - Subprocurador-Geral da Justiça Militar.
SUMÁRIO
Debate sobre os defeitos apresentados nas armas fornecidas aos órgãos de segurança
pública da União, dos Estados e do Distrito Federal.
OBSERVAÇÕES
Houve exibição de imagens.
Houve intervenções ininteligíveis.
Há oradores não identificados em breves intervenções.
Não houve expressa concessão da palavra a alguns oradores.
Houve palavra ou expressão ininteligível.
Houve intervenções inaudíveis.
Houve manifestação na plateia.
Houve exibição de vídeo.
CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Boa tarde, senhoras e
senhores.
Às 14h51min do dia 3 de agosto de 2016, quarta-feira, declaro aberta a 14ª
Reunião da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
Esta reunião foi convocada para debatermos os defeitos apresentados em
armas fornecidas aos órgãos de segurança pública da União, dos Estados e do
Distrito Federal, em atendimento ao Requerimento nº 138, de 2016, do Sr. Major
Olimpio; ao Requerimento nº 151, de 2016, dos Srs. Arnaldo Faria de Sá, Alberto
Fraga e Silas Freire; e ao Requerimento nº 159, de 2016, do Sr. Alberto Fraga.
Informo que, devido ao grande número de palestrantes, formaremos duas
Mesas de convidados. Para maior comodidade, aqueles que foram convidados para
prestar depoimentos como vítimas falarão da própria bancada.
Os palestrantes terão direito a até 15 minutos de exposição. Os demais
convidados disporão de até 3 minutos.
Pelo número de inscritos, nós seremos bem rígidos com o horário, conforme a
Secretaria nos solicita, para que nós consigamos realizar um trabalho profícuo.
Inicialmente, convido para tomar assento do à mesa, o Sr. General de Brigada
Robson Santana de Carvalho, Chefe do Centro de Avaliações do Exército Brasileiro;
o Sr. Coronel Marcelo Muniz Costa, Chefe da Assessoria de Comunicação
Institucional da Indústria de Material Bélico do Brasil — IMBEL; o Sr. Salésio Nuhs,
Vice-Presidente Comercial e de Relações Internacionais da Companhia Brasileira de
Cartuchos; e o Sr. Rabih Nasser, advogado representante da Forjas Taurus S.A.
Formada a primeira Mesa, daremos início à reunião com as palavras das
vítimas dos acidentes, que disporão de até 3 minutos para os seus depoimentos.
Peço a V.Sas., por favor, para que possamos ser justos com todas as partes,
que cumpram o tempo, para que esta audiência tenha um andamento profícuo e
exitoso.
Seguindo a ordem, concedo a palavra ao Dr. Igor Vilhora Noya, delegado da
Polícia Civil do Estado de São Paulo. (Ausente.) Ele não se encontra.
Concedo a palavra ao Sr. Patrício Júnior de Oliveira, agente de atividades
penitenciárias, por 3 minutos.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Boa tarde, senhoras e
senhores.
Às 14h51min do dia 3 de agosto de 2016, quarta-feira, declaro aberta a 14ª
Reunião da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
Esta reunião foi convocada para debatermos os defeitos apresentados em
armas fornecidas aos órgãos de segurança pública da União, dos Estados e do
Distrito Federal, em atendimento ao Requerimento nº 138, de 2016, do Sr. Major
Olimpio; ao Requerimento nº 151, de 2016, dos Srs. Arnaldo Faria de Sá, Alberto
Fraga e Silas Freire; e ao Requerimento nº 159, de 2016, do Sr. Alberto Fraga.
Informo que, devido ao grande número de palestrantes, formaremos duas
Mesas de convidados. Para maior comodidade, aqueles que foram convidados para
prestar depoimentos como vítimas falarão da própria bancada.
Os palestrantes terão direito a até 15 minutos de exposição. Os demais
convidados disporão de até 3 minutos.
Pelo número de inscritos, nós seremos bem rígidos com o horário, conforme a
Secretaria nos solicita, para que nós consigamos realizar um trabalho profícuo.
Inicialmente, convido para tomar assento do à mesa, o Sr. General de Brigada
Robson Santana de Carvalho, Chefe do Centro de Avaliações do Exército Brasileiro;
o Sr. Coronel Marcelo Muniz Costa, Chefe da Assessoria de Comunicação
Institucional da Indústria de Material Bélico do Brasil — IMBEL; o Sr. Salésio Nuhs,
Vice-Presidente Comercial e de Relações Internacionais da Companhia Brasileira de
Cartuchos; e o Sr. Rabih Nasser, advogado representante da Forjas Taurus S.A.
Formada a primeira Mesa, daremos início à reunião com as palavras das
vítimas dos acidentes, que disporão de até 3 minutos para os seus depoimentos.
Peço a V.Sas., por favor, para que possamos ser justos com todas as partes,
que cumpram o tempo, para que esta audiência tenha um andamento profícuo e
exitoso.
Seguindo a ordem, concedo a palavra ao Dr. Igor Vilhora Noya, delegado da
Polícia Civil do Estado de São Paulo. (Ausente.) Ele não se encontra.
Concedo a palavra ao Sr. Patrício Júnior de Oliveira, agente de atividades
penitenciárias, por 3 minutos.
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COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. PATRÍCIO JÚNIOR DE OLIVEIRA - Boa tarde aos nobres Deputados
e a todos os presentes.
Vou simplificar a minha história. A arma com a qual eu me acidentei foi esta,
para quem quiser ver. É a famosa 24/7, uma verdadeira porcaria que quase ceifou a
minha vida. Hoje, a minha vida é completamente diferente. Eu trabalhava de uma
forma e hoje eu estou na área administrativa.
Faço um apelo a todos os nobres Deputados, para que tomem uma atitude
em respeito aos cidadãos, aos policiais do Brasil e aos agentes penitenciários.
Mudem essa lei para proteger a vida! Eu não sou contra a indústria nacional, eu sou
contra o monopólio. Eu sou a favor da vida. Então, peço a todos os Deputados que
olhem com carinho a nossa causa e busquem justiça, para que exista concorrência
de armas de fogo aqui no Brasil, para que as outras indústrias sejam liberadas, que
de alguma maneira se incentive isso.
Eu estou aqui com uma comissão das vítimas da Taurus para expor a minha
indignação.
Primeiramente eu agradeço a Deus, porque, se não fosse Ele, o nosso
superior, eu não estaria aqui para dar este depoimento.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Obrigado, Sr. Patrício
Júnior de Oliveira.
Concedo a palavra ao Sr. Eduardo Bruno Alves, da Polícia Militar do Estado
de Goiás.
O SR. EDUARDO BRUNO ALVES - Boa tarde. Eu sou Major da Polícia
Militar do Estado de Goiás, meu nome é Eduardo Bruno Alves.
Eu fui acidentado também por uma 24/7. Há nove anos, eu estava no meu
escritório, e a minha arma caiu no solo, batendo a culatra no chão. Ela disparou, a
bala entrou e sai do braço, entrou no peito e saiu nas costas. Explodiu um osso do
meu braço, quebrou o outro, atingindo o pulmão e o fígado. Fiquei 30 dias no
hospital, sendo 10 dias na UTI. Fui desenganado pelos médicos, que contaram
quatro perfurações.
A consequência disso é que hoje eu tenho problemas respiratórios. A média
de força da minha mão é uma média feminina. Eu não tenho mais força no braço.
Não consigo escrever mais do que uma folha de papel, porque eu não tenho mais
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Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. PATRÍCIO JÚNIOR DE OLIVEIRA - Boa tarde aos nobres Deputados
e a todos os presentes.
Vou simplificar a minha história. A arma com a qual eu me acidentei foi esta,
para quem quiser ver. É a famosa 24/7, uma verdadeira porcaria que quase ceifou a
minha vida. Hoje, a minha vida é completamente diferente. Eu trabalhava de uma
forma e hoje eu estou na área administrativa.
Faço um apelo a todos os nobres Deputados, para que tomem uma atitude
em respeito aos cidadãos, aos policiais do Brasil e aos agentes penitenciários.
Mudem essa lei para proteger a vida! Eu não sou contra a indústria nacional, eu sou
contra o monopólio. Eu sou a favor da vida. Então, peço a todos os Deputados que
olhem com carinho a nossa causa e busquem justiça, para que exista concorrência
de armas de fogo aqui no Brasil, para que as outras indústrias sejam liberadas, que
de alguma maneira se incentive isso.
Eu estou aqui com uma comissão das vítimas da Taurus para expor a minha
indignação.
Primeiramente eu agradeço a Deus, porque, se não fosse Ele, o nosso
superior, eu não estaria aqui para dar este depoimento.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Obrigado, Sr. Patrício
Júnior de Oliveira.
Concedo a palavra ao Sr. Eduardo Bruno Alves, da Polícia Militar do Estado
de Goiás.
O SR. EDUARDO BRUNO ALVES - Boa tarde. Eu sou Major da Polícia
Militar do Estado de Goiás, meu nome é Eduardo Bruno Alves.
Eu fui acidentado também por uma 24/7. Há nove anos, eu estava no meu
escritório, e a minha arma caiu no solo, batendo a culatra no chão. Ela disparou, a
bala entrou e sai do braço, entrou no peito e saiu nas costas. Explodiu um osso do
meu braço, quebrou o outro, atingindo o pulmão e o fígado. Fiquei 30 dias no
hospital, sendo 10 dias na UTI. Fui desenganado pelos médicos, que contaram
quatro perfurações.
A consequência disso é que hoje eu tenho problemas respiratórios. A média
de força da minha mão é uma média feminina. Eu não tenho mais força no braço.
Não consigo escrever mais do que uma folha de papel, porque eu não tenho mais
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Número: 0933/16
03/08/2016
capacidade para escrever. Não consigo desenvolver mais as minhas atividades. Eu
sou militar, e o militar precisa de vigor físico. Eu não consigo desenvolver as
mesmas atividades que eu desenvolvia antes, porque eu levei um tiro de uma arma
que, teoricamente, foi produzida para não disparar quando cai. Ela foi feita com esse
objetivo. O mecanismo de segurança que ela tem não funciona, e isso já está
provado pelos diversos casos que acontecem pelo Brasil.
Numa rápida pesquisa que se faça na Internet, é possível ver vários vídeos.
Nesta semana, ou na semana passada, a Taurus fez um anúncio e colocou no seu
manual que essa arma tem o risco de disparar. E diz: “Todas as armas disparam”.
Se você pegar uma IMBEL e deixá-la cair, ela quebra as peças externas, mas não
dispara. Não dispara!
A qualidade, a feitura, o sistema de segurança das armas que hoje são
vendidas para as polícias do Brasil não condizem com as necessidades do serviço
policial. Não condizem!
Há 9 anos eu sofri esse acidente. Eu conheci o policial Luciano, da Polícia
Civil do DF, e nós começamos a juntar novas vítimas. Hoje, estamos em um grupo
de mais de 50 vítimas, com vários casos. O Patrício não disse, mas a arma dele
disparou no coldre, sem ele mexer. O caso dele é emblemático. Ele não tocou na
arma. Depois disso, eu fiz um blog chamado “Vítimas da Taurus”, em que há
diversos vídeos, diversos casos, diversas vítimas. São pessoas que entram em
contato comigo. A minha página tem alcance de 7 milhões de pessoas, elas entram
em contato toda semana e dizem: “Minha arma caiu e disparou”, “Eu levei um tiro no
pé”, “Eu levei um tiro na mão”. Toda semana, há novos casos.
Que arma é essa que é feita para não disparar e dispara?
Para mim, é um prazer ver o senhor aqui, Sr. Vice-Presidente. Para mim, é
um prazer! Eu quero que o senhor saiba que as suas armas estão matando e
aleijando as pessoas.
Eu levei um tiro no peito...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Sr. Eduardo, eu agradeço
a sua participação e peço-lhe desculpas, mas o seu tempo encerrou. Peço-lhe
respeito aos demais que estão aqui para expor seus casos.
O SR. EDUARDO BRUNO ALVES - Eu agradeço, Sr. Presidente.
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capacidade para escrever. Não consigo desenvolver mais as minhas atividades. Eu
sou militar, e o militar precisa de vigor físico. Eu não consigo desenvolver as
mesmas atividades que eu desenvolvia antes, porque eu levei um tiro de uma arma
que, teoricamente, foi produzida para não disparar quando cai. Ela foi feita com esse
objetivo. O mecanismo de segurança que ela tem não funciona, e isso já está
provado pelos diversos casos que acontecem pelo Brasil.
Numa rápida pesquisa que se faça na Internet, é possível ver vários vídeos.
Nesta semana, ou na semana passada, a Taurus fez um anúncio e colocou no seu
manual que essa arma tem o risco de disparar. E diz: “Todas as armas disparam”.
Se você pegar uma IMBEL e deixá-la cair, ela quebra as peças externas, mas não
dispara. Não dispara!
A qualidade, a feitura, o sistema de segurança das armas que hoje são
vendidas para as polícias do Brasil não condizem com as necessidades do serviço
policial. Não condizem!
Há 9 anos eu sofri esse acidente. Eu conheci o policial Luciano, da Polícia
Civil do DF, e nós começamos a juntar novas vítimas. Hoje, estamos em um grupo
de mais de 50 vítimas, com vários casos. O Patrício não disse, mas a arma dele
disparou no coldre, sem ele mexer. O caso dele é emblemático. Ele não tocou na
arma. Depois disso, eu fiz um blog chamado “Vítimas da Taurus”, em que há
diversos vídeos, diversos casos, diversas vítimas. São pessoas que entram em
contato comigo. A minha página tem alcance de 7 milhões de pessoas, elas entram
em contato toda semana e dizem: “Minha arma caiu e disparou”, “Eu levei um tiro no
pé”, “Eu levei um tiro na mão”. Toda semana, há novos casos.
Que arma é essa que é feita para não disparar e dispara?
Para mim, é um prazer ver o senhor aqui, Sr. Vice-Presidente. Para mim, é
um prazer! Eu quero que o senhor saiba que as suas armas estão matando e
aleijando as pessoas.
Eu levei um tiro no peito...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Sr. Eduardo, eu agradeço
a sua participação e peço-lhe desculpas, mas o seu tempo encerrou. Peço-lhe
respeito aos demais que estão aqui para expor seus casos.
O SR. EDUARDO BRUNO ALVES - Eu agradeço, Sr. Presidente.
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03/08/2016
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu agradeço a sua
exposição e conto com a sua compreensão.
Concedo a palavra ao Sr. Luciano Gomes Vieira, agente da Polícia Civil do
Distrito Federal.
O SR. LUCIANO GOMES VIEIRA - Boa tarde!
Por favor, Rafaela, vamos ao primeiro eslaide do Power Point. Eu queria
contar a minha história aqui. Em 2011, ao chegar à minha casa, a minha arma caiu
no solo e disparou. O projetil atingiu-me o peito, perfurando e atravessando o meu
pulmão, saindo pelas costas. Eu quase morri. Perdi 3 litros de sangue e demorei
mais de 6 meses para me recuperar. Eu fiquei por 2 semanas na UTI, num quadro
de saúde bem complicado. Tudo isso eu agradeço à Taurus 24/7.
Todos relembram nesta imagem aquilo que poderia acontecer com um filho,
com um parente, com um irmão, com um policial conhecido, porque a arma pode
cair no solo e disparar. (Mostra imagem.)
O problema é que a Taurus demorou 76 anos para colocar isso no manual.
Essas armas eram vendidas com a informação de que não disparariam se caíssem
no solo. Inclusive, eu já ganhei o processo em primeira instância, na 11ª Vara Cível
de Brasília.
Na sua defesa, a Taurus coloca veementemente o seguinte ponto — hoje, ela
afirma que a armar pode cair e disparar: a arma não cai e dispara em hipótese
alguma, e é comprovada a eficiência do sistema de segurança do produto, e há
impossibilidade de disparo acidental.
Então, eu queria falar para o Sr. Vice-Presidente para ele conversar com o
seu Departamento Jurídico, porque eles ainda não sabem que a arma cai e dispara.
Esta semana, depois que a 24/7 saiu de fabricação — todos os modelos dela —, 1
mês depois, eles lançaram o Manual da 24/7 informando, com letras garrafais, que
ela pode cair e disparar. É impressionante o mau-caratismo da empresa. Eu acho
que ela tem que ser mais bem assessorada, porque está matando pessoas, e não é
só com a 24/7. Na Polícia Civil, nós vemos problemas com a 640 e com outras
armas utilizadas.
Então, eu peço o carinho dos senhores ao observarem este problema, para
que levem isso a sério, porque a empresa está fazendo manobras, está procurando
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O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu agradeço a sua
exposição e conto com a sua compreensão.
Concedo a palavra ao Sr. Luciano Gomes Vieira, agente da Polícia Civil do
Distrito Federal.
O SR. LUCIANO GOMES VIEIRA - Boa tarde!
Por favor, Rafaela, vamos ao primeiro eslaide do Power Point. Eu queria
contar a minha história aqui. Em 2011, ao chegar à minha casa, a minha arma caiu
no solo e disparou. O projetil atingiu-me o peito, perfurando e atravessando o meu
pulmão, saindo pelas costas. Eu quase morri. Perdi 3 litros de sangue e demorei
mais de 6 meses para me recuperar. Eu fiquei por 2 semanas na UTI, num quadro
de saúde bem complicado. Tudo isso eu agradeço à Taurus 24/7.
Todos relembram nesta imagem aquilo que poderia acontecer com um filho,
com um parente, com um irmão, com um policial conhecido, porque a arma pode
cair no solo e disparar. (Mostra imagem.)
O problema é que a Taurus demorou 76 anos para colocar isso no manual.
Essas armas eram vendidas com a informação de que não disparariam se caíssem
no solo. Inclusive, eu já ganhei o processo em primeira instância, na 11ª Vara Cível
de Brasília.
Na sua defesa, a Taurus coloca veementemente o seguinte ponto — hoje, ela
afirma que a armar pode cair e disparar: a arma não cai e dispara em hipótese
alguma, e é comprovada a eficiência do sistema de segurança do produto, e há
impossibilidade de disparo acidental.
Então, eu queria falar para o Sr. Vice-Presidente para ele conversar com o
seu Departamento Jurídico, porque eles ainda não sabem que a arma cai e dispara.
Esta semana, depois que a 24/7 saiu de fabricação — todos os modelos dela —, 1
mês depois, eles lançaram o Manual da 24/7 informando, com letras garrafais, que
ela pode cair e disparar. É impressionante o mau-caratismo da empresa. Eu acho
que ela tem que ser mais bem assessorada, porque está matando pessoas, e não é
só com a 24/7. Na Polícia Civil, nós vemos problemas com a 640 e com outras
armas utilizadas.
Então, eu peço o carinho dos senhores ao observarem este problema, para
que levem isso a sério, porque a empresa está fazendo manobras, está procurando
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Número: 0933/16
03/08/2016
o Ministério Público para o encerramento de todas as investigações. Hoje, no
MPDFT, há um inquérito civil público para apurar possíveis irregularidades; há uma
investigação também no Ministério Público Militar. Mas ela está procurando
minimizar essas ações, sem comunicar às autoridades e ao público em geral, sem
fazer um recall e uma campanha de publicidade efetiva, que é o que deveria ser
feito. Ela tenta minimizar os problemas. Eu acho que a orientação jurídica está
errada.
Inclusive, o art. 64 do Código de Defesa do Consumidor dispõe que não
comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou
periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no
mercado configura crime. Eu acredito que a Taurus é uma empresa criminosa, que
deve ser investigada a fundo e se deve abrir o monopólio.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço a participação
ao Luciano.
Concedo a palavra ao Sr. Cleomar Guimarães de Oliveira, da Polícia Militar
do Estado de Goiás.
O SR. CLEOMAR GUIMARÃES DE OLIVEIRA - Boa tarde! Sou primeirosargento da Polícia Militar do Estado de Goiás e trabalho no entorno de Brasília. Em
2010, adquiri, com recursos próprios, uma arma para minha segurança. Seis meses
após eu ter adquirido uma 24/7, ou seja, uma nova arma, ela caiu e disparou. O tiro,
eu não sei se para minha sorte, atingiu uma terceira pessoa. Eu não fui atingido por
esse tiro. A pessoa teve o dedo do pé amputado. Essa minha arma era nova, foi
adquirida com recursos próprios, visando minha segurança. O comercial na época
dizia que era uma arma moderna e muito segura. Iludido por esse comercial, eu
acabei por adquiri-la. Hoje estou respondendo, na Justiça, por crime de lesão
corporal por disparo de arma de fogo. Sorte a minha, que consegui provar, através
de depoimento da própria vítima, que houve um acidente, uma fatalidade. Mesmo
assim, o processo continua correndo há mais de 5 anos. Esse processo dificulta a
minha promoção, a minha ascensão na carreira. Na Polícia Militar do Estado de
Goiás, o oficial pode ser promovido ainda que responda a processo, desde que o
fato tenha ocorrido em serviço. No meu caso, o fato ocorreu em âmbito particular e
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o Ministério Público para o encerramento de todas as investigações. Hoje, no
MPDFT, há um inquérito civil público para apurar possíveis irregularidades; há uma
investigação também no Ministério Público Militar. Mas ela está procurando
minimizar essas ações, sem comunicar às autoridades e ao público em geral, sem
fazer um recall e uma campanha de publicidade efetiva, que é o que deveria ser
feito. Ela tenta minimizar os problemas. Eu acho que a orientação jurídica está
errada.
Inclusive, o art. 64 do Código de Defesa do Consumidor dispõe que não
comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou
periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no
mercado configura crime. Eu acredito que a Taurus é uma empresa criminosa, que
deve ser investigada a fundo e se deve abrir o monopólio.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço a participação
ao Luciano.
Concedo a palavra ao Sr. Cleomar Guimarães de Oliveira, da Polícia Militar
do Estado de Goiás.
O SR. CLEOMAR GUIMARÃES DE OLIVEIRA - Boa tarde! Sou primeirosargento da Polícia Militar do Estado de Goiás e trabalho no entorno de Brasília. Em
2010, adquiri, com recursos próprios, uma arma para minha segurança. Seis meses
após eu ter adquirido uma 24/7, ou seja, uma nova arma, ela caiu e disparou. O tiro,
eu não sei se para minha sorte, atingiu uma terceira pessoa. Eu não fui atingido por
esse tiro. A pessoa teve o dedo do pé amputado. Essa minha arma era nova, foi
adquirida com recursos próprios, visando minha segurança. O comercial na época
dizia que era uma arma moderna e muito segura. Iludido por esse comercial, eu
acabei por adquiri-la. Hoje estou respondendo, na Justiça, por crime de lesão
corporal por disparo de arma de fogo. Sorte a minha, que consegui provar, através
de depoimento da própria vítima, que houve um acidente, uma fatalidade. Mesmo
assim, o processo continua correndo há mais de 5 anos. Esse processo dificulta a
minha promoção, a minha ascensão na carreira. Na Polícia Militar do Estado de
Goiás, o oficial pode ser promovido ainda que responda a processo, desde que o
fato tenha ocorrido em serviço. No meu caso, o fato ocorreu em âmbito particular e
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em horário de folga. Então, isso está cerceando a minha carreira, a minha
progressão funcional.
Essa arma, que tive o desprazer de ver no manual, foi lançada pela Taurus no
dia 10. Salvo engano, lá diz que a arma, se cair, pode disparar. No momento em que
eu a comprei, o comercial dizia que era a arma mais segura já lançada pela Taurus.
Fui iludido. Paguei do meu bolso para adquirir a arma. Eu a encaminhei para o
serviço autorizado e paguei pelo conserto da arma. Segundo a assistência técnica
autorizada pela Taurus, a arma foi consertada. Troquei as peças e paguei pelo
serviço, mas não tenho coragem de usá-la. Essa arma se encontra guardada dentro
de um cofre. Eu não tenho coragem de usá-la nem de vendê-la. Eu uso outra arma
da corporação, porque tenho que trabalhar na rua e sou obrigado a usar arma por
força de lei. Trabalhando na rua, se minha arma cair e disparar, quem vai me dar
salvo-conduto para trabalhar com arma fabricada pela Taurus? Vou responder a
outro processo? Vou passar pelo que estou passando novamente?
Então, penso que esse monopólio tem que cair.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Obrigado, Sr. Cleomar.
Concedo a palavra ao Sr. Leandro Rodrigues Valverde, da Polícia Militar do
Estado de Goiás.
O SR. LEANDRO RODRIGUES VALVERDE - Boa tarde a todos!
Eu sou cabo da Polícia Militar do Estado de Goiás e trabalho em Ceres. Meu
caso é parecido. Minha pistola PT 100, cautelada pela Polícia, caiu e acertou a
perna da minha esposa, onde o projeto ficou alojado. Ela ficou com sequelas, está
manca e usa bota ortopédica. As atividades físicas que antes fazia não pode fazêlas mais. Ela é professora de educação física e hoje não pode mais trabalhar como
trabalhava antes.
A perícia — no caso, ela caiu em piso de concreto — foi feita em piso de
borracha, e o resultado foi desfavorável. Essa perícia tem que ser feita de maneira
mais correta.
É isso o que eu tenho para falar.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço a participação
ao Sr. Leandro.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
em horário de folga. Então, isso está cerceando a minha carreira, a minha
progressão funcional.
Essa arma, que tive o desprazer de ver no manual, foi lançada pela Taurus no
dia 10. Salvo engano, lá diz que a arma, se cair, pode disparar. No momento em que
eu a comprei, o comercial dizia que era a arma mais segura já lançada pela Taurus.
Fui iludido. Paguei do meu bolso para adquirir a arma. Eu a encaminhei para o
serviço autorizado e paguei pelo conserto da arma. Segundo a assistência técnica
autorizada pela Taurus, a arma foi consertada. Troquei as peças e paguei pelo
serviço, mas não tenho coragem de usá-la. Essa arma se encontra guardada dentro
de um cofre. Eu não tenho coragem de usá-la nem de vendê-la. Eu uso outra arma
da corporação, porque tenho que trabalhar na rua e sou obrigado a usar arma por
força de lei. Trabalhando na rua, se minha arma cair e disparar, quem vai me dar
salvo-conduto para trabalhar com arma fabricada pela Taurus? Vou responder a
outro processo? Vou passar pelo que estou passando novamente?
Então, penso que esse monopólio tem que cair.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Obrigado, Sr. Cleomar.
Concedo a palavra ao Sr. Leandro Rodrigues Valverde, da Polícia Militar do
Estado de Goiás.
O SR. LEANDRO RODRIGUES VALVERDE - Boa tarde a todos!
Eu sou cabo da Polícia Militar do Estado de Goiás e trabalho em Ceres. Meu
caso é parecido. Minha pistola PT 100, cautelada pela Polícia, caiu e acertou a
perna da minha esposa, onde o projeto ficou alojado. Ela ficou com sequelas, está
manca e usa bota ortopédica. As atividades físicas que antes fazia não pode fazêlas mais. Ela é professora de educação física e hoje não pode mais trabalhar como
trabalhava antes.
A perícia — no caso, ela caiu em piso de concreto — foi feita em piso de
borracha, e o resultado foi desfavorável. Essa perícia tem que ser feita de maneira
mais correta.
É isso o que eu tenho para falar.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço a participação
ao Sr. Leandro.
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Número: 0933/16
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Convido o Sr. Alexandre Fernandes de Castro, da Polícia Militar do Estado de
Goiás.
O SR. ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Senhores, boa tarde! Sou
o tenente Castro, da Polícia Militar do Estado de Goiás. Na pessoa do Presidente
Alexandre Baldy, Deputado pelo Estado de Goiás, cumprimento os outros
Parlamentares, os policiais presentes, as vítimas, todos.
O meu acidente ocorreu no dia 13 de fevereiro de 2013. Sofri um disparo. Eu
portava, à época, uma pistola 9 milímetros, modelo 92 AF. Havia 15 dias que eu
tinha sido promovido ao posto de segundo-tenente. Eu era recém-formado e tinha a
carreira pela frente. A minha arma caiu da altura da linha da cintura, cerca de 1
metro e 20 centímetros. A minha arma caiu no piso, disparou e acertou o tiro na
junção do fêmur com a tíbia. Com o impacto, o projétil permaneceu no fêmur e o
danificou.
Depois disso, fui socorrido em Brasília e, graças a Deus, consegui ser
atendido no HFA — Hospital das Forças Armadas. Em decorrência desse disparo, já
passei por cinco procedimentos cirúrgicos. Fiquei aleijado. Hoje eu sou um policial
militar aleijado. Ingressei na Polícia Militar aos 18 anos de idade, no Estado de
Rondônia, onde servi até 2010. Eu nasci para ser policial.
Essa arma — feita para disparar só quando tem acionado o gatilho —
disparou acidentalmente e me acertou o fêmur. Isso acabou comigo. Eu perdi a
mobilidade da perna, que não funciona. Já me submeti a cinco cirurgias e muita
fisioterapia. Minha vida é esta. Vou ter que fazer mais três cirurgias para minimizar
outras sequelas em decorrência desse disparo acidental.
Tenho um filho de 4 anos de idade. Ele convida: “Papai, vamos brincar de
bola? Toca essa bola aqui”. Eu não tenho sequer capacidade de ser um pai para
brincar com meu filho. Os senhores que estão 100% têm esse privilégio, mas eu não
tenho.
(Segue-se exibição de imagens.)
Esta é a imagem da cirurgia no HFA. Vejam a gravidade da lesão. Na minha
perna se criou esse varo no fêmur.
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Convido o Sr. Alexandre Fernandes de Castro, da Polícia Militar do Estado de
Goiás.
O SR. ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Senhores, boa tarde! Sou
o tenente Castro, da Polícia Militar do Estado de Goiás. Na pessoa do Presidente
Alexandre Baldy, Deputado pelo Estado de Goiás, cumprimento os outros
Parlamentares, os policiais presentes, as vítimas, todos.
O meu acidente ocorreu no dia 13 de fevereiro de 2013. Sofri um disparo. Eu
portava, à época, uma pistola 9 milímetros, modelo 92 AF. Havia 15 dias que eu
tinha sido promovido ao posto de segundo-tenente. Eu era recém-formado e tinha a
carreira pela frente. A minha arma caiu da altura da linha da cintura, cerca de 1
metro e 20 centímetros. A minha arma caiu no piso, disparou e acertou o tiro na
junção do fêmur com a tíbia. Com o impacto, o projétil permaneceu no fêmur e o
danificou.
Depois disso, fui socorrido em Brasília e, graças a Deus, consegui ser
atendido no HFA — Hospital das Forças Armadas. Em decorrência desse disparo, já
passei por cinco procedimentos cirúrgicos. Fiquei aleijado. Hoje eu sou um policial
militar aleijado. Ingressei na Polícia Militar aos 18 anos de idade, no Estado de
Rondônia, onde servi até 2010. Eu nasci para ser policial.
Essa arma — feita para disparar só quando tem acionado o gatilho —
disparou acidentalmente e me acertou o fêmur. Isso acabou comigo. Eu perdi a
mobilidade da perna, que não funciona. Já me submeti a cinco cirurgias e muita
fisioterapia. Minha vida é esta. Vou ter que fazer mais três cirurgias para minimizar
outras sequelas em decorrência desse disparo acidental.
Tenho um filho de 4 anos de idade. Ele convida: “Papai, vamos brincar de
bola? Toca essa bola aqui”. Eu não tenho sequer capacidade de ser um pai para
brincar com meu filho. Os senhores que estão 100% têm esse privilégio, mas eu não
tenho.
(Segue-se exibição de imagens.)
Esta é a imagem da cirurgia no HFA. Vejam a gravidade da lesão. Na minha
perna se criou esse varo no fêmur.
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Esta foi a última cirurgia que fiz, há 60 dias, para minimizar o varo, mas a
perna continua torta e sem mobilidade. Ela não flexiona e não dobra. Não tenho a
extensão e a flexão. Vou ter que fazer outros procedimentos cirúrgicos.
Está aí a lesão permanente. Aí vem o Sr. Salésio Nuhs, com todo respeito ao
senhor... O jornalista da Band, ao fazer uma reportagem semana passada,
questionou o Sr. Salésio Nuhs sobre esses acidentes. E o senhor falou:
“Genericamente, os policiais são mal treinados, as suas instituições não os treinam
ou eles sujam a arma e a deixa cair”.
O senhor falou “genericamente” dessa forma. O senhor me entristeceu. Estou
tremendo aqui. Olha o jeito que eu estou. Eu sou um cara doente. Talvez eu esteja
até depressivo. Este policial aqui está todo lesionado, todo arrebentado. Isso é
normal?
Há 70 anos não estava no manual que, se a arma cair, ela dispararia. O
senhor, juntamente com a sua empresa, agora no dia 26 de agosto, lançou o manual
para a série 600, que o senhor vai lançar ainda, e a 24/7, que é a arma que foi
vendida a todas as polícias do Brasil.
Sr. Salésio, pelo amor de Deus! O policial me ligou ontem: “Tenente, pelo
amor de Deus, vá a júri. Eu não puxei esse gatilho”. Eu falei: “Eu sei, meu filho”.
Mandei os laudos que temos para ele. E o senhor joga a culpa na gente. Isso não é
normal, não, Sr. Salésio. Por que nos Estados Unidos as vítimas são tratadas de
forma distinta? Por que lá o manual das armas Taurus, há muito tempo, fala que, se
ela cair, dispara? O senhor, no dia 26, preparando-se para esta audiência aqui,
coloca no manual que, se a arma cair, dispara. Isso não é normal!
A minha vida é esta aí agora. (Mostra fotografia.)
Senhores, esses aqui são alguns rostos de vítimas espalhados pelo Brasil.
(Mostra fotografia.) O senhor sabe da história do Soldado Vargas, de Aquidauana,
Mato Grosso do Sul, em 2007?
Senhores, os acidentes acontecem desde 2005. Falo porque posso provar,
mas há relatos de antes disso.
Em 2007, o soldado Vargas morreu na frente dos filhos dele; o major Bruno,
em 2011; em 2007, o Krassyus. Eu perguntei ao senhor no WhatsApp. Eu mandei
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Esta foi a última cirurgia que fiz, há 60 dias, para minimizar o varo, mas a
perna continua torta e sem mobilidade. Ela não flexiona e não dobra. Não tenho a
extensão e a flexão. Vou ter que fazer outros procedimentos cirúrgicos.
Está aí a lesão permanente. Aí vem o Sr. Salésio Nuhs, com todo respeito ao
senhor... O jornalista da Band, ao fazer uma reportagem semana passada,
questionou o Sr. Salésio Nuhs sobre esses acidentes. E o senhor falou:
“Genericamente, os policiais são mal treinados, as suas instituições não os treinam
ou eles sujam a arma e a deixa cair”.
O senhor falou “genericamente” dessa forma. O senhor me entristeceu. Estou
tremendo aqui. Olha o jeito que eu estou. Eu sou um cara doente. Talvez eu esteja
até depressivo. Este policial aqui está todo lesionado, todo arrebentado. Isso é
normal?
Há 70 anos não estava no manual que, se a arma cair, ela dispararia. O
senhor, juntamente com a sua empresa, agora no dia 26 de agosto, lançou o manual
para a série 600, que o senhor vai lançar ainda, e a 24/7, que é a arma que foi
vendida a todas as polícias do Brasil.
Sr. Salésio, pelo amor de Deus! O policial me ligou ontem: “Tenente, pelo
amor de Deus, vá a júri. Eu não puxei esse gatilho”. Eu falei: “Eu sei, meu filho”.
Mandei os laudos que temos para ele. E o senhor joga a culpa na gente. Isso não é
normal, não, Sr. Salésio. Por que nos Estados Unidos as vítimas são tratadas de
forma distinta? Por que lá o manual das armas Taurus, há muito tempo, fala que, se
ela cair, dispara? O senhor, no dia 26, preparando-se para esta audiência aqui,
coloca no manual que, se a arma cair, dispara. Isso não é normal!
A minha vida é esta aí agora. (Mostra fotografia.)
Senhores, esses aqui são alguns rostos de vítimas espalhados pelo Brasil.
(Mostra fotografia.) O senhor sabe da história do Soldado Vargas, de Aquidauana,
Mato Grosso do Sul, em 2007?
Senhores, os acidentes acontecem desde 2005. Falo porque posso provar,
mas há relatos de antes disso.
Em 2007, o soldado Vargas morreu na frente dos filhos dele; o major Bruno,
em 2011; em 2007, o Krassyus. Eu perguntei ao senhor no WhatsApp. Eu mandei
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para o senhor. Eu falei: “o senhor sabe da história do soldado Vargas, de
Aquidauana?”
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Sr. Alexandre, quero
agradecer V.Sa...
O SR. ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Tem como somar o
tempo?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Já foi somado.
O SR. ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Já foi somado?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Já.
O SR. ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Pessoal, está aí o rosto
das vítimas.
Muito obrigado. Desculpe-me aí... (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço V.Sa.
Convido a Sra. Céllya Regina, da Polícia Militar do Estado de Goiás.
A SRA. CÉLLYA REGINA - Boa tarde a todos!
Estou um pouco emocionada, porque no meu caso o tenente, quando afirmou
com relação ao filho dele... A minha filha está ali atrás. Peço ao meu esposo para
mostrar a minha filha. (Choro.) Ela ainda vai completar 2 anos no dia 31 de agosto.
Ela tinha somente 7 meses de idade quando sofri meu acidente.
Eu estava de licença-maternidade. Fui convocada para o recall da 24/7 pela
Polícia Militar do Estado de Goiás. Dirigi-me à Academia de Polícia, acreditando que
só iria deixar minha arma lá e voltar para minha casa. Deixei minha filha com a
minha sogra e só voltei 21 dias depois. Perdi a amamentação da minha filha, que
havia nascido com baixo peso, porque eu me dedicava demais ao trabalho. No dia
em que ela nasceu, trabalhei 24 horas.
Ela nasceu com 36 semanas. Como ela tinha baixo peso, a amamentação era
livre, mas eu não pude mais amamentar minha filha graças à 24/7.
Depois do recall, peguei essa arma, fui à caixa de areia, fiz todo o manuseio
que é ensinado pela Polícia Militar a qualquer policial, coloquei o carregador, joguei
a munição na câmara, fiz o decocking da arma, coloquei a minha arma dentro do
coldre e a pus dentro da bolsa, porque eu estava à paisana. A minha arma estava no
coldre. De tanto ouvir histórias durante as 3 horas que fiquei aguardando minha
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para o senhor. Eu falei: “o senhor sabe da história do soldado Vargas, de
Aquidauana?”
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Sr. Alexandre, quero
agradecer V.Sa...
O SR. ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Tem como somar o
tempo?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Já foi somado.
O SR. ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Já foi somado?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Já.
O SR. ALEXANDRE FERNANDES DE CASTRO - Pessoal, está aí o rosto
das vítimas.
Muito obrigado. Desculpe-me aí... (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço V.Sa.
Convido a Sra. Céllya Regina, da Polícia Militar do Estado de Goiás.
A SRA. CÉLLYA REGINA - Boa tarde a todos!
Estou um pouco emocionada, porque no meu caso o tenente, quando afirmou
com relação ao filho dele... A minha filha está ali atrás. Peço ao meu esposo para
mostrar a minha filha. (Choro.) Ela ainda vai completar 2 anos no dia 31 de agosto.
Ela tinha somente 7 meses de idade quando sofri meu acidente.
Eu estava de licença-maternidade. Fui convocada para o recall da 24/7 pela
Polícia Militar do Estado de Goiás. Dirigi-me à Academia de Polícia, acreditando que
só iria deixar minha arma lá e voltar para minha casa. Deixei minha filha com a
minha sogra e só voltei 21 dias depois. Perdi a amamentação da minha filha, que
havia nascido com baixo peso, porque eu me dedicava demais ao trabalho. No dia
em que ela nasceu, trabalhei 24 horas.
Ela nasceu com 36 semanas. Como ela tinha baixo peso, a amamentação era
livre, mas eu não pude mais amamentar minha filha graças à 24/7.
Depois do recall, peguei essa arma, fui à caixa de areia, fiz todo o manuseio
que é ensinado pela Polícia Militar a qualquer policial, coloquei o carregador, joguei
a munição na câmara, fiz o decocking da arma, coloquei a minha arma dentro do
coldre e a pus dentro da bolsa, porque eu estava à paisana. A minha arma estava no
coldre. De tanto ouvir histórias durante as 3 horas que fiquei aguardando minha
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arma passar por esse recall, ao entrar no carro, a minha bolsa estava aberta. Eu vi
que eu não havia fechado o coldre. Eu pensei: “Vou abotoar o coldre de tanto medo
que estou dessa pistola”. Abri as pernas e simplesmente apertei o fecho do coldre,
que parece um botão de calça jeans na lateral esquerda, e minha arma disparou.
Com o disparo, pensei: “Poxa, furei o chão do carro, o assoalho do carro”. Eu não
percebi que havia atingido a minha perna esquerda. Tirei a arma do coldre, porque
fiquei com medo de ela disparar novamente, coloquei no assoalho do carro, abri a
porta e, ao jogar a perna para descer, vi que minha perna estava partida ao meio.
Comecei a buzinar o carro, meu colega do GRAER veio e falou: “Sargento Regina,
tenho 15 segundos pra te tirar de dentro desse carro”. Foi ele que me socorreu. Já
passei por três cirurgias. Tive uma fratura na tíbia. O impacto foi todo na minha
perna. O projétil caiu no assoalho do carro e rachou minha perna até o joelho.
As sequelas com relação a esse acidente são inúmeras. Não falo de questões
físicas, porque vivemos do jeito que dá, mas com relação a minha família, são
coisas que nenhum dinheiro do mundo vai pagar. Se existe alguém aqui que tenha
responsabilidade sobre tudo isso que está acontecendo, peço aos senhores, que
têm o poder de delegar acerca disso, que tomem providências. Nós, policiais
militares, respondemos. Estou respondendo por disparo de arma de fogo por
negligência. Eu sei que eu não fui negligente. Quero mostrar aos senhores as
minhas cicatrizes.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço a Sra. Céllya
Regina.
Convido o Sr. Krassyus Murilo Ferreira Porto Monteiro, agente da Polícia Civil
do Distrito Federal.
O SR. KRASSYUS MURILO FERREIRA PORTO MONTEIRO - Boa tarde,
senhores! Fico muito triste com todas essas notícias que escuto, inclusive com o que
o Castro falou, que não fomos bem capacitados nem bem treinados.
Na Polícia Civil Distrito Federal, essa arma entrou, salvo engano, em 2005 ou
2004, e uma das exigências do edital era que ela não provocasse disparo acidental.
Essa exigência foi levada tão a sério que ninguém podia pegar nessa arma para
trabalho sem fazer um curso primeiro.
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arma passar por esse recall, ao entrar no carro, a minha bolsa estava aberta. Eu vi
que eu não havia fechado o coldre. Eu pensei: “Vou abotoar o coldre de tanto medo
que estou dessa pistola”. Abri as pernas e simplesmente apertei o fecho do coldre,
que parece um botão de calça jeans na lateral esquerda, e minha arma disparou.
Com o disparo, pensei: “Poxa, furei o chão do carro, o assoalho do carro”. Eu não
percebi que havia atingido a minha perna esquerda. Tirei a arma do coldre, porque
fiquei com medo de ela disparar novamente, coloquei no assoalho do carro, abri a
porta e, ao jogar a perna para descer, vi que minha perna estava partida ao meio.
Comecei a buzinar o carro, meu colega do GRAER veio e falou: “Sargento Regina,
tenho 15 segundos pra te tirar de dentro desse carro”. Foi ele que me socorreu. Já
passei por três cirurgias. Tive uma fratura na tíbia. O impacto foi todo na minha
perna. O projétil caiu no assoalho do carro e rachou minha perna até o joelho.
As sequelas com relação a esse acidente são inúmeras. Não falo de questões
físicas, porque vivemos do jeito que dá, mas com relação a minha família, são
coisas que nenhum dinheiro do mundo vai pagar. Se existe alguém aqui que tenha
responsabilidade sobre tudo isso que está acontecendo, peço aos senhores, que
têm o poder de delegar acerca disso, que tomem providências. Nós, policiais
militares, respondemos. Estou respondendo por disparo de arma de fogo por
negligência. Eu sei que eu não fui negligente. Quero mostrar aos senhores as
minhas cicatrizes.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço a Sra. Céllya
Regina.
Convido o Sr. Krassyus Murilo Ferreira Porto Monteiro, agente da Polícia Civil
do Distrito Federal.
O SR. KRASSYUS MURILO FERREIRA PORTO MONTEIRO - Boa tarde,
senhores! Fico muito triste com todas essas notícias que escuto, inclusive com o que
o Castro falou, que não fomos bem capacitados nem bem treinados.
Na Polícia Civil Distrito Federal, essa arma entrou, salvo engano, em 2005 ou
2004, e uma das exigências do edital era que ela não provocasse disparo acidental.
Essa exigência foi levada tão a sério que ninguém podia pegar nessa arma para
trabalho sem fazer um curso primeiro.
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Trabalhei alguns anos na Delegacia da Criança e na Delegacia de
Homicídios. Nesta última, acabei conhecendo o Diretor do Instituto de Criminalística
da época, uma das pessoas que foi à fábrica buscar essa arma, testá-la e verificá-la.
Em dezembro de 2006, quando eu estava me preparando para voltar ao
trabalho, esticando minhas férias para ajustar com as da minha esposa, resolvi vestir
uma jaqueta. A arma caiu da jaqueta. Essa parte eu admito: eu fui displicente. Toda
doutrinação que nos fizeram foi no sentido de que ela não disparava sem
acionamento de gatilho. Quando o tiro saiu, ela caiu ao chão, eu estava em pé,
vestindo a jaqueta, a bala subiu, furou a lapela da minha blusa, deu-me uma
raspadinha na orelha — sinto-me aqui como membro honorário desse grupo —,
bateu no teto e acertou na pintura de uma Nossa Senhora que a minha mãe havia
acabado de fazer no dia anterior. Na Santa, ela pegou bem aqui. Era onde poderia
ter pego em mim.
Uma questão bem prática: sou mestre em física pela Universidade de Brasília.
Eu não sou perito porque não tive muito tempo para estudar além de um concurso. A
única coisa que eu conseguia pensar na hora era o seguinte: “Esta merda não
poderia ter disparado”. Como minha colega, num ímpeto de não deixar mais
ninguém se ferir naquela sala, porque meu tio estava do meu lado, minha esposa
estava trabalhando, minha mãe estava na cozinha, meu filho era recém-nascido e
estava no quarto. Eu desmuniciei a arma todinha e fiquei anos pensando: cara, será
que eu comprometi o local do crime? Vejam o acidente do tenente Alexandre, em
julho, que tomou dois tiros com ela no coldre! A minha arma estava dentro do coldre,
eu não podia acessar o gatilho. Ainda assim, testaram-na como se fosse um
revólver. Tem de se fazer um teste adequado para revólver, simulando as condições
de uso. Um policial não é um cara que fica sentado numa mesa. Ele corre, pula,
entra em luta corporal, e a arma não pode disparar.
Todos os senhores aqui têm seguranças pessoais. Esses caras, muito
competentes, provavelmente usam uma arma Taurus. Se ela cair, disparar e acertar
um familiar do senhor ou o senhor, de quem será a culpa? De que adianta depois
responsabilizar a pessoa errada? Se naquela época tivesse sido dada a devida
atenção, que deveria ter sido dada, se não tivesse sido feito só o teste de eficiência,
talvez esses outros acidentes aqui não teriam acontecido. A minha mãe sempre me
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Trabalhei alguns anos na Delegacia da Criança e na Delegacia de
Homicídios. Nesta última, acabei conhecendo o Diretor do Instituto de Criminalística
da época, uma das pessoas que foi à fábrica buscar essa arma, testá-la e verificá-la.
Em dezembro de 2006, quando eu estava me preparando para voltar ao
trabalho, esticando minhas férias para ajustar com as da minha esposa, resolvi vestir
uma jaqueta. A arma caiu da jaqueta. Essa parte eu admito: eu fui displicente. Toda
doutrinação que nos fizeram foi no sentido de que ela não disparava sem
acionamento de gatilho. Quando o tiro saiu, ela caiu ao chão, eu estava em pé,
vestindo a jaqueta, a bala subiu, furou a lapela da minha blusa, deu-me uma
raspadinha na orelha — sinto-me aqui como membro honorário desse grupo —,
bateu no teto e acertou na pintura de uma Nossa Senhora que a minha mãe havia
acabado de fazer no dia anterior. Na Santa, ela pegou bem aqui. Era onde poderia
ter pego em mim.
Uma questão bem prática: sou mestre em física pela Universidade de Brasília.
Eu não sou perito porque não tive muito tempo para estudar além de um concurso. A
única coisa que eu conseguia pensar na hora era o seguinte: “Esta merda não
poderia ter disparado”. Como minha colega, num ímpeto de não deixar mais
ninguém se ferir naquela sala, porque meu tio estava do meu lado, minha esposa
estava trabalhando, minha mãe estava na cozinha, meu filho era recém-nascido e
estava no quarto. Eu desmuniciei a arma todinha e fiquei anos pensando: cara, será
que eu comprometi o local do crime? Vejam o acidente do tenente Alexandre, em
julho, que tomou dois tiros com ela no coldre! A minha arma estava dentro do coldre,
eu não podia acessar o gatilho. Ainda assim, testaram-na como se fosse um
revólver. Tem de se fazer um teste adequado para revólver, simulando as condições
de uso. Um policial não é um cara que fica sentado numa mesa. Ele corre, pula,
entra em luta corporal, e a arma não pode disparar.
Todos os senhores aqui têm seguranças pessoais. Esses caras, muito
competentes, provavelmente usam uma arma Taurus. Se ela cair, disparar e acertar
um familiar do senhor ou o senhor, de quem será a culpa? De que adianta depois
responsabilizar a pessoa errada? Se naquela época tivesse sido dada a devida
atenção, que deveria ter sido dada, se não tivesse sido feito só o teste de eficiência,
talvez esses outros acidentes aqui não teriam acontecido. A minha mãe sempre me
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ensinou que, quando você faz uma coisa errada, o primeiro passo é consertar o erro
ou tentar consertá-lo.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Sr. Krassyus, eu
agradeço ao senhor. Eu pediria aos senhores que não utilizassem aqui palavras
indevidas, de baixo calão, e nem que faltássemos com o respeito. Sabemos da
emoção de todos e da sensibilidade. O intuito aqui é para que possamos debater e
apresentar um assunto sério, que há muito tempo vem sendo solicitado e
demandado, para que possamos ter êxito e façamos um debate de qualidade.
O SR. KRASSYUS MURILO FERREIRA PORTO MONTEIRO - Eu peço
desculpas pelo excesso.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Convido o Sr. Carlos
Vieira Zardo, agente da Polícia Civil do Distrito Federal.
O SR. CARLOS VIEIRA ZARDO - Meu nome é Carlos Vieira Zardo. Sou
policial civil aposentado do Distrito Federal. Eu não tive sequelas iguais aos colegas,
mas eu passei por duas situações em que poderia ter morrido. Foram duas
situações em que a arma caiu ao solo e disparou. A primeira vez foi no alojamento
da Divisão de Operações Especiais e a segunda foi em via pública. Como o colega
falou aqui, o equipamento deveria dar segurança ou pelo menos minimizar a sua
situação de policial, pois corremos risco diariamente. Uma arma 24/7, 24 horas por
dias, sete dias na semana, deveria dar proteção a você ou pelo menos minimizar a
sua situação.
Confiando nessa nova tecnologia, repassei minha PTC à Divisão de Material
e peguei essa pistola, que, no período, era uma arma de tecnologia avançada.
Comecei a utilizá-la. Depois desses dois disparos, vi que essa arma coloca a sua
vida em risco e a vida de pessoas próximas a você, como filhos, colegas, pessoas
do público, que não tem nada a ver com o armamento, que não compraram o
armamento, que não gostam do armamento, mas que podem ser vítimas dessa
arma de fogo.
Quando se cria uma lei para beneficiar a empresa brasileira, não se está
dando um salvo-conduto para a empresa vender qualquer produto que não tenha
qualidade. O que a empresa deveria fazer era vir a público e dizer que cometeu um
erro de projeto, que vai reavaliar a arma, que a arma não é confiável no momento,
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ensinou que, quando você faz uma coisa errada, o primeiro passo é consertar o erro
ou tentar consertá-lo.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Sr. Krassyus, eu
agradeço ao senhor. Eu pediria aos senhores que não utilizassem aqui palavras
indevidas, de baixo calão, e nem que faltássemos com o respeito. Sabemos da
emoção de todos e da sensibilidade. O intuito aqui é para que possamos debater e
apresentar um assunto sério, que há muito tempo vem sendo solicitado e
demandado, para que possamos ter êxito e façamos um debate de qualidade.
O SR. KRASSYUS MURILO FERREIRA PORTO MONTEIRO - Eu peço
desculpas pelo excesso.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Convido o Sr. Carlos
Vieira Zardo, agente da Polícia Civil do Distrito Federal.
O SR. CARLOS VIEIRA ZARDO - Meu nome é Carlos Vieira Zardo. Sou
policial civil aposentado do Distrito Federal. Eu não tive sequelas iguais aos colegas,
mas eu passei por duas situações em que poderia ter morrido. Foram duas
situações em que a arma caiu ao solo e disparou. A primeira vez foi no alojamento
da Divisão de Operações Especiais e a segunda foi em via pública. Como o colega
falou aqui, o equipamento deveria dar segurança ou pelo menos minimizar a sua
situação de policial, pois corremos risco diariamente. Uma arma 24/7, 24 horas por
dias, sete dias na semana, deveria dar proteção a você ou pelo menos minimizar a
sua situação.
Confiando nessa nova tecnologia, repassei minha PTC à Divisão de Material
e peguei essa pistola, que, no período, era uma arma de tecnologia avançada.
Comecei a utilizá-la. Depois desses dois disparos, vi que essa arma coloca a sua
vida em risco e a vida de pessoas próximas a você, como filhos, colegas, pessoas
do público, que não tem nada a ver com o armamento, que não compraram o
armamento, que não gostam do armamento, mas que podem ser vítimas dessa
arma de fogo.
Quando se cria uma lei para beneficiar a empresa brasileira, não se está
dando um salvo-conduto para a empresa vender qualquer produto que não tenha
qualidade. O que a empresa deveria fazer era vir a público e dizer que cometeu um
erro de projeto, que vai reavaliar a arma, que a arma não é confiável no momento,
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como muitas multinacionais fazem, retirando o equipamento do mercado. Agora, a
empresa, simplesmente se defendendo, vem a público para falar que o policial é
incapacitado, que o policial não tem condições de usar uma arma? Contudo, esses
policiais, para pegarem uma arma, fazem cursos, deixando de participar da vida
social com familiares. Através desses cursos, eles preferem, muitas vezes, dedicarse e qualificar-se para pegar um equipamento que deveria dar proteção para si e
para outros, mas não é o que acontece com as armas que há no mercado.
Infelizmente, temos várias armas importadas que ficam enterradas dias e
dias, caem dentro da água, mas que, ao serem sacadas, atiram do mesmo jeito. A
Taurus Armas tenta imitar essas armas importadas, só que não consegue. Porém
existe a proteção da lei, que fala que, enquanto houver uma similar no País, não se
pode comprar uma arma importada. Isso traz dificuldades para o público, para o
consumidor. Qualquer um pode ser vítima dessa arma, tanto o policial quanto o
público comum.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Carlos
Vieira e agradeço a todos os convidados que realizaram os seus depoimentos e aos
familiares que vieram junto.
Agora, na próxima etapa eu gostaria de indagar aos propositores dos
requerimentos se gostariam de utilizar da palavra.
Eu darei a oportunidade, a cada etapa, para a utilização da palavra. V.Exas.
fiquem à vontade.
Com a palavra o Deputado Major Olimpio.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Sr. Presidente Alexandre Baldy,
convidados, meu apreço especial às vítimas, defensores da sociedade que são
vítimas desses crimes praticados, porque não há outra explicação a não ser chamar
isso de crime.
Eu quero agradecer a V.Exa., Deputado Alexandre Baldy, porque só está
acontecendo esta audiência pública por causa do seu esforço, da sua compreensão.
A lógica, há muito tempo, era de esta audiência não acontecer, porque é mais fácil
fazer parecer que está tudo certo e taparmos o sol com a peneira.
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como muitas multinacionais fazem, retirando o equipamento do mercado. Agora, a
empresa, simplesmente se defendendo, vem a público para falar que o policial é
incapacitado, que o policial não tem condições de usar uma arma? Contudo, esses
policiais, para pegarem uma arma, fazem cursos, deixando de participar da vida
social com familiares. Através desses cursos, eles preferem, muitas vezes, dedicarse e qualificar-se para pegar um equipamento que deveria dar proteção para si e
para outros, mas não é o que acontece com as armas que há no mercado.
Infelizmente, temos várias armas importadas que ficam enterradas dias e
dias, caem dentro da água, mas que, ao serem sacadas, atiram do mesmo jeito. A
Taurus Armas tenta imitar essas armas importadas, só que não consegue. Porém
existe a proteção da lei, que fala que, enquanto houver uma similar no País, não se
pode comprar uma arma importada. Isso traz dificuldades para o público, para o
consumidor. Qualquer um pode ser vítima dessa arma, tanto o policial quanto o
público comum.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Carlos
Vieira e agradeço a todos os convidados que realizaram os seus depoimentos e aos
familiares que vieram junto.
Agora, na próxima etapa eu gostaria de indagar aos propositores dos
requerimentos se gostariam de utilizar da palavra.
Eu darei a oportunidade, a cada etapa, para a utilização da palavra. V.Exas.
fiquem à vontade.
Com a palavra o Deputado Major Olimpio.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Sr. Presidente Alexandre Baldy,
convidados, meu apreço especial às vítimas, defensores da sociedade que são
vítimas desses crimes praticados, porque não há outra explicação a não ser chamar
isso de crime.
Eu quero agradecer a V.Exa., Deputado Alexandre Baldy, porque só está
acontecendo esta audiência pública por causa do seu esforço, da sua compreensão.
A lógica, há muito tempo, era de esta audiência não acontecer, porque é mais fácil
fazer parecer que está tudo certo e taparmos o sol com a peneira.
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As instituições policiais brasileiras estão sendo enganadas, comprando armas
de péssima qualidade — de péssima qualidade. São Paulo tem 6 mil armas, Salésio,
que vocês venderam para a Polícia Militar — submetralhadoras, general, SMT40.
Pagamos 23 milhões de reais, em 2013, e elas não podem ser distribuídas para a
tropa, porque não disparam ou disparam sozinhas. Isso é vergonhoso!
Há 40 dias, Coronel Marcelo, eu fui visitar um subtenente que é instrutor de
armas há 15 anos, no Centro de Formação de Soldados, em Pirituba, para
desmanchar essas suas mentiras de que os policiais são mal preparados, de que
não sabem o que estão fazendo, de que não fazem a manutenção da arma. Não
pude trazê-lo exatamente por não poder viajar por causa das cirurgias.
Cada vez que eu vejo isso, Dr. Rabih, eu fico mais enojado com a situação. E
pior que isso é tapar o sol com a peneira e não admitir a responsabilidade.
General, o Exército Brasileiro faz o seu papel em relação aos protótipos que
são apresentados, mas depois a fábrica muda toda a concepção da arma, muda
tudo. Por isso que acontecem essas tragédias, e nós não temos a fiscalização.
Então, esta é uma audiência muito triste de nós realizarmos.
Nós tivemos a presença do general Neiva, do Departamento de Fiscalização
de Produtos Controlados, há cerca de 15 dias. Ele disse aqui, numa audiência
pública, que o Exército Brasileiro, numa visão moderna, precisa acabar com esse
monopólio. Não sou contra a indústria nacional. Ele disse inclusive que a concepção
de indústria estratégica de defesa refere-se a equipamentos de defesa nacional, não
necessariamente a pistolas. O próprio Exército Brasileiro comprou um lote agora de
fuzis e não quis comprar o fuzil da IMBEL, talvez porque conheça. Nós temos esse
desespero.
General, nós tivemos quebrado o monopólio da indústria automobilística —
disse um Presidente, lá atrás, que nós tínhamos carroças, o que desonrou o País,
mas nós tínhamos mesmo —, o monopólio da informática, o monopólio da telefonia
e da telecomunicação. Este é o último monopólio que tem que ser revisto. Nós
pagamos assombrosamente muito por arma e munição e temos coisas de péssima
qualidade.
Nós estamos aqui com algumas vítimas, inclusive oficiais da Polícia Militar de
São Paulo, mas nós temos dezenas, centenas de vítimas. O Sancionatório em
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As instituições policiais brasileiras estão sendo enganadas, comprando armas
de péssima qualidade — de péssima qualidade. São Paulo tem 6 mil armas, Salésio,
que vocês venderam para a Polícia Militar — submetralhadoras, general, SMT40.
Pagamos 23 milhões de reais, em 2013, e elas não podem ser distribuídas para a
tropa, porque não disparam ou disparam sozinhas. Isso é vergonhoso!
Há 40 dias, Coronel Marcelo, eu fui visitar um subtenente que é instrutor de
armas há 15 anos, no Centro de Formação de Soldados, em Pirituba, para
desmanchar essas suas mentiras de que os policiais são mal preparados, de que
não sabem o que estão fazendo, de que não fazem a manutenção da arma. Não
pude trazê-lo exatamente por não poder viajar por causa das cirurgias.
Cada vez que eu vejo isso, Dr. Rabih, eu fico mais enojado com a situação. E
pior que isso é tapar o sol com a peneira e não admitir a responsabilidade.
General, o Exército Brasileiro faz o seu papel em relação aos protótipos que
são apresentados, mas depois a fábrica muda toda a concepção da arma, muda
tudo. Por isso que acontecem essas tragédias, e nós não temos a fiscalização.
Então, esta é uma audiência muito triste de nós realizarmos.
Nós tivemos a presença do general Neiva, do Departamento de Fiscalização
de Produtos Controlados, há cerca de 15 dias. Ele disse aqui, numa audiência
pública, que o Exército Brasileiro, numa visão moderna, precisa acabar com esse
monopólio. Não sou contra a indústria nacional. Ele disse inclusive que a concepção
de indústria estratégica de defesa refere-se a equipamentos de defesa nacional, não
necessariamente a pistolas. O próprio Exército Brasileiro comprou um lote agora de
fuzis e não quis comprar o fuzil da IMBEL, talvez porque conheça. Nós temos esse
desespero.
General, nós tivemos quebrado o monopólio da indústria automobilística —
disse um Presidente, lá atrás, que nós tínhamos carroças, o que desonrou o País,
mas nós tínhamos mesmo —, o monopólio da informática, o monopólio da telefonia
e da telecomunicação. Este é o último monopólio que tem que ser revisto. Nós
pagamos assombrosamente muito por arma e munição e temos coisas de péssima
qualidade.
Nós estamos aqui com algumas vítimas, inclusive oficiais da Polícia Militar de
São Paulo, mas nós temos dezenas, centenas de vítimas. O Sancionatório em
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relação à compra de pistolas... A Polícia Militar de São Paulo comprou da Taurus,
desde 1997, 118 mil pistolas. Nós somos um cliente de 118 mil armas que não é
respeitado. É exatamente isso.
Então, a partir desta audiência pública, nós temos que nos posicionar. Eu falo
com o coração e digo realmente que me enoja ouvir, muitas vezes, a tentativa e a
resposta.
Um dia, lá no Senado, Salésio, você me perguntou o que eu queria, como se
eu quisesse alguma coisa diferente, conforme querem alguns aqui nesta Casa. E
outro dia você quis falar comigo, mas em virtude daquele dia eu disse “Não quero
conversar com você”. E não quero mesmo. Eu quero a lei, eu quero produto sendo
fiscalizado, eu quero que as polícias paguem um preço justo, eu quero que não
tenhamos mais tantas vítimas assim, porque fica parecendo que são todos insanos e
irresponsáveis que adoram dar tiro nas próprias pernas.
Eu agradeço demais a esta Casa. A partir de hoje, nós vamos começar a
coleta de assinaturas para uma CPI. Ministérios Públicos, em todos os Estados,
estão entrando de todas as formas. (Palmas.). Não são 171 assinaturas. Nós
precisamos abrir essa caixa preta do que acontece em relação a isso.
Temos aqui o Deputado Eduardo Bolsonaro, que está conosco na revisão do
Estatuto do Desarmamento, bem como os Deputados Alberto Fraga e Laerte Bessa.
Nós queremos que os Estados possam comprar o produto que seja melhor.
Eu dizia ao general Neiva que nós precisamos rever o R-105, pois a proposta
que foi feita é muito pior do que a anterior. O próprio general Neiva reconheceu isso.
Eu tenho que dizer que nós disponibilizamos na Internet a proposta, só que ela
amarra mais ainda a similaridade nacional. Se nós continuarmos com essa
similaridade nacional, vão continuar vendendo a morte em vez de vender segurança
para aqueles que dão segurança para a população.
Então, eu encerro a minha consideração em relação ao porquê do
requerimento. Que nós tenhamos respostas, Presidente! Espero que V.Exa., por
esta Comissão, através de outras audiências públicas, que a Comissão de Defesa
Nacional e Relações Exteriores e que a CPI possam apurar as responsabilidades. O
Ministério Público Militar também abriu uma investigação em relação ao papel do
Exército Brasileiro na questão da fiscalização. Esta é a hora de nós passarmos isso
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relação à compra de pistolas... A Polícia Militar de São Paulo comprou da Taurus,
desde 1997, 118 mil pistolas. Nós somos um cliente de 118 mil armas que não é
respeitado. É exatamente isso.
Então, a partir desta audiência pública, nós temos que nos posicionar. Eu falo
com o coração e digo realmente que me enoja ouvir, muitas vezes, a tentativa e a
resposta.
Um dia, lá no Senado, Salésio, você me perguntou o que eu queria, como se
eu quisesse alguma coisa diferente, conforme querem alguns aqui nesta Casa. E
outro dia você quis falar comigo, mas em virtude daquele dia eu disse “Não quero
conversar com você”. E não quero mesmo. Eu quero a lei, eu quero produto sendo
fiscalizado, eu quero que as polícias paguem um preço justo, eu quero que não
tenhamos mais tantas vítimas assim, porque fica parecendo que são todos insanos e
irresponsáveis que adoram dar tiro nas próprias pernas.
Eu agradeço demais a esta Casa. A partir de hoje, nós vamos começar a
coleta de assinaturas para uma CPI. Ministérios Públicos, em todos os Estados,
estão entrando de todas as formas. (Palmas.). Não são 171 assinaturas. Nós
precisamos abrir essa caixa preta do que acontece em relação a isso.
Temos aqui o Deputado Eduardo Bolsonaro, que está conosco na revisão do
Estatuto do Desarmamento, bem como os Deputados Alberto Fraga e Laerte Bessa.
Nós queremos que os Estados possam comprar o produto que seja melhor.
Eu dizia ao general Neiva que nós precisamos rever o R-105, pois a proposta
que foi feita é muito pior do que a anterior. O próprio general Neiva reconheceu isso.
Eu tenho que dizer que nós disponibilizamos na Internet a proposta, só que ela
amarra mais ainda a similaridade nacional. Se nós continuarmos com essa
similaridade nacional, vão continuar vendendo a morte em vez de vender segurança
para aqueles que dão segurança para a população.
Então, eu encerro a minha consideração em relação ao porquê do
requerimento. Que nós tenhamos respostas, Presidente! Espero que V.Exa., por
esta Comissão, através de outras audiências públicas, que a Comissão de Defesa
Nacional e Relações Exteriores e que a CPI possam apurar as responsabilidades. O
Ministério Público Militar também abriu uma investigação em relação ao papel do
Exército Brasileiro na questão da fiscalização. Esta é a hora de nós passarmos isso
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a limpo. Não dá para ficarmos numa situação em que pagamos muito mais caro e
não temos o tratamento de cliente.
Depois o representante da Taurus pode confirmar, mas na Justiça americana,
onde há um pouco mais de regra, há um seguro não sei das quantas, mas já está
tomando a bordoada que a Justiça brasileira já tinha que ter dado.
Mais do que isso: só para as pessoas e V.Exa. entenderem, aquela moça que
está com o bebê foi fazer um recall justamente por causa de falha das armas. A
instituição fez um recall das armas, mas um recall meia boca. Em São Paulo,
quando começaram a ocorrer esses disparos, a orientação para o quartel foi: “Bate a
pistola em cima da mesa”. Era esse o recall. Depois que a fábrica foi promover esse
recall, mas não o fez adequadamente.
E mais: conforme você veio me falar sobre a submetralhadora ponto 40:
“Olimpio, vamos conversar com o comando para deixar de ser ponto 40 e vamos
fazer 9 milímetros”. O que é isso? Pagamos por uma coisa e vamos ter outra porque
vocês fazem mal feito? Vergonhosamente mal feito!
Esta Casa, a Casa do Povo tem obrigação de impulsionar isso, que já virou
um escândalo nacional. Todas as redes de comunicação estão falando sobre isso e
tenta-se explicar o inexplicável.
Nós não tomamos a ação legislativa, a ação de fiscalização em relação ao
fabrico e à comercialização está deixando a desejar e está se vendendo a morte e a
insegurança. Imaginem um cidadão que é abordado por um policial hoje neste País,
preocupado, a partir da repercussão na imprensa, porque a arma pode disparar
sozinha. Ou ela só dispara no próprio peito e nas próprias pernas? É muito perigoso
isso, Presidente.
Então, encarecidamente, eu solicito que nós tratemos o assunto com a
seriedade merecida, que tomemos as providências e que V.Exa. me ajude, assim
como todos os Parlamentares aqui, se possível, assinando hoje o apoio à Comissão
Parlamentar de Inquérito para apurar o comércio e o fabrico de armas, para que nós
possamos ter a mínima segurança. Hoje vieram vítimas da Taurus, mas isso não
ocorre só em relação à Taurus.
Adorei o posicionamento do general Neiva, há 15 dias, quando veio aqui e
disse que, conforme a moderna concepção do R-105, nós vamos rever o conceito de
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a limpo. Não dá para ficarmos numa situação em que pagamos muito mais caro e
não temos o tratamento de cliente.
Depois o representante da Taurus pode confirmar, mas na Justiça americana,
onde há um pouco mais de regra, há um seguro não sei das quantas, mas já está
tomando a bordoada que a Justiça brasileira já tinha que ter dado.
Mais do que isso: só para as pessoas e V.Exa. entenderem, aquela moça que
está com o bebê foi fazer um recall justamente por causa de falha das armas. A
instituição fez um recall das armas, mas um recall meia boca. Em São Paulo,
quando começaram a ocorrer esses disparos, a orientação para o quartel foi: “Bate a
pistola em cima da mesa”. Era esse o recall. Depois que a fábrica foi promover esse
recall, mas não o fez adequadamente.
E mais: conforme você veio me falar sobre a submetralhadora ponto 40:
“Olimpio, vamos conversar com o comando para deixar de ser ponto 40 e vamos
fazer 9 milímetros”. O que é isso? Pagamos por uma coisa e vamos ter outra porque
vocês fazem mal feito? Vergonhosamente mal feito!
Esta Casa, a Casa do Povo tem obrigação de impulsionar isso, que já virou
um escândalo nacional. Todas as redes de comunicação estão falando sobre isso e
tenta-se explicar o inexplicável.
Nós não tomamos a ação legislativa, a ação de fiscalização em relação ao
fabrico e à comercialização está deixando a desejar e está se vendendo a morte e a
insegurança. Imaginem um cidadão que é abordado por um policial hoje neste País,
preocupado, a partir da repercussão na imprensa, porque a arma pode disparar
sozinha. Ou ela só dispara no próprio peito e nas próprias pernas? É muito perigoso
isso, Presidente.
Então, encarecidamente, eu solicito que nós tratemos o assunto com a
seriedade merecida, que tomemos as providências e que V.Exa. me ajude, assim
como todos os Parlamentares aqui, se possível, assinando hoje o apoio à Comissão
Parlamentar de Inquérito para apurar o comércio e o fabrico de armas, para que nós
possamos ter a mínima segurança. Hoje vieram vítimas da Taurus, mas isso não
ocorre só em relação à Taurus.
Adorei o posicionamento do general Neiva, há 15 dias, quando veio aqui e
disse que, conforme a moderna concepção do R-105, nós vamos rever o conceito de
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Produto Estratégico de Defesa, para que a segurança pública possa ser melhorada
e para que os Governadores possam se comunicar com o Exército Brasileiro, que é
quem tem esse controle, que vão fazer a aquisição. Hoje precisa de autorização e se
segura do jeito que quer. Então, fica deficitária também a segurança dos Estados.
Eu agradeço a tolerância de V.Exa. Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Deputado
Major Olimpio.
Algum outro Parlamentar gostaria de se pronunciar?
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sr. Presidente, eu só pediria que as
manifestações dos Parlamentares ocorressem depois de ouvirmos os dois lados.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu sou autor do requerimento.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu também sou autor de
requerimento.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Então, fale.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu não vou falar agora porque este
não é o momento. Nós ouvimos um lado grave, triste da história, mas temos que
ouvir o outro lado também. Vamos ouvir a empresa, os técnicos, o Exército, que tem
o papel de controlar, para depois até mesmo emitirmos opiniões. Cada um tem a
sua. Eu sei disso. Nem é preciso de televisão aqui para filmar isso, porque sabemos
que cada um tem a sua posição.
Eu pediria, portanto, que ouvíssemos todo mundo, para depois os
Parlamentares fazerem suas manifestações.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeito, Deputado Fraga,
mas é que, nas demais audiências públicas, nós deixamos, entre as apresentações,
que os Parlamentares, Deputados e Deputadas que estavam presentes, se
manifestassem.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sr. Presidente, desculpe-me, mas o
lado mais grave dessa história...(Manifestação na plateia. Palmas.)
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu não vou entrar no discurso dos
senhores. Eu acho bom que nos respeitem, porque está havendo um respeito
mútuo. Então, por favor.
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Produto Estratégico de Defesa, para que a segurança pública possa ser melhorada
e para que os Governadores possam se comunicar com o Exército Brasileiro, que é
quem tem esse controle, que vão fazer a aquisição. Hoje precisa de autorização e se
segura do jeito que quer. Então, fica deficitária também a segurança dos Estados.
Eu agradeço a tolerância de V.Exa. Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Deputado
Major Olimpio.
Algum outro Parlamentar gostaria de se pronunciar?
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sr. Presidente, eu só pediria que as
manifestações dos Parlamentares ocorressem depois de ouvirmos os dois lados.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu sou autor do requerimento.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu também sou autor de
requerimento.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Então, fale.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu não vou falar agora porque este
não é o momento. Nós ouvimos um lado grave, triste da história, mas temos que
ouvir o outro lado também. Vamos ouvir a empresa, os técnicos, o Exército, que tem
o papel de controlar, para depois até mesmo emitirmos opiniões. Cada um tem a
sua. Eu sei disso. Nem é preciso de televisão aqui para filmar isso, porque sabemos
que cada um tem a sua posição.
Eu pediria, portanto, que ouvíssemos todo mundo, para depois os
Parlamentares fazerem suas manifestações.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeito, Deputado Fraga,
mas é que, nas demais audiências públicas, nós deixamos, entre as apresentações,
que os Parlamentares, Deputados e Deputadas que estavam presentes, se
manifestassem.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sr. Presidente, desculpe-me, mas o
lado mais grave dessa história...(Manifestação na plateia. Palmas.)
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu não vou entrar no discurso dos
senhores. Eu acho bom que nos respeitem, porque está havendo um respeito
mútuo. Então, por favor.
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O lado mais grave dessa história é o que acabou de acontecer: eles vieram
aqui e deram seu manifesto. Esse é o lado mais grave.
O tempo não deveria ter sido só de 3 minutos. Se fosse para dramatizar a
coisa, deveria ter sido dado muito mais tempo.(Manifestação na plateia.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Senhores, senhores...
O
SR.
DEPUTADO
ALBERTO
FRAGA
-
Então,
Sr.
Presidente...
(Manifestação na plateia.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu vou pedir a V.Sas. que
tenhamos respeito e calma. Nós estamos tentando realizar um debate. Nobre colega
e amigo Deputado Fraga, nós costumamos dar essa oportunidade ao debate. Esta é
uma Casa de construção de acordos.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sim, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - A demanda de V.Exa...
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sabíamos que haveria esse conflito,
o que é natural. Quem não sabia que o grupo que viria para cá... Todos que falaram
aqui falaram que a arma caiu. Todos! A grande maioria é contra também o
monopólio. Eu também sou contra esse monopólio, mas o que está por trás de tudo
isso? Será que são as vítimas da Taurus? Ou estamos falando aqui de mercado
internacional? São coisas que precisam ser ditas.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu não estou falando em mercado
internacional, Deputado.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu não sei. Uai! A carapuça serviu?
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu não garanto que V.Exa. não esteja
falando pela Taurus. Ah, para com isso!
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Se a carapuça serviu, vista-a.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - De jeito nenhum!
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Então, pronto.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu não sou lobista de armas, não.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu também não sou.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu queria pedir a V.Exas.
que contribuíssem para não tornarmos...
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O lado mais grave dessa história é o que acabou de acontecer: eles vieram
aqui e deram seu manifesto. Esse é o lado mais grave.
O tempo não deveria ter sido só de 3 minutos. Se fosse para dramatizar a
coisa, deveria ter sido dado muito mais tempo.(Manifestação na plateia.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Senhores, senhores...
O
SR.
DEPUTADO
ALBERTO
FRAGA
-
Então,
Sr.
Presidente...
(Manifestação na plateia.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu vou pedir a V.Sas. que
tenhamos respeito e calma. Nós estamos tentando realizar um debate. Nobre colega
e amigo Deputado Fraga, nós costumamos dar essa oportunidade ao debate. Esta é
uma Casa de construção de acordos.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sim, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - A demanda de V.Exa...
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sabíamos que haveria esse conflito,
o que é natural. Quem não sabia que o grupo que viria para cá... Todos que falaram
aqui falaram que a arma caiu. Todos! A grande maioria é contra também o
monopólio. Eu também sou contra esse monopólio, mas o que está por trás de tudo
isso? Será que são as vítimas da Taurus? Ou estamos falando aqui de mercado
internacional? São coisas que precisam ser ditas.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu não estou falando em mercado
internacional, Deputado.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu não sei. Uai! A carapuça serviu?
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu não garanto que V.Exa. não esteja
falando pela Taurus. Ah, para com isso!
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Se a carapuça serviu, vista-a.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - De jeito nenhum!
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Então, pronto.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu não sou lobista de armas, não.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu também não sou.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu queria pedir a V.Exas.
que contribuíssem para não tornarmos...
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Por isso eu pedi que não houvesse
isso.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeito! Então, vamos
dar prosseguimento, se V.Exa. permitir.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Vamos ouvir os dois lados, para
depois falar.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Concedo a palavra ao
Deputado Eduardo Bolsonaro.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Só para ficar claro, nós
vamos poder fazer uso da palavra depois ou tem que ser agora?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Se V.Exa. estiver de
acordo, nós faremos isso ao final das apresentações, porque, em todas as outras
audiências públicas foi assim.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu pedi a palavra como autor do
requerimento, pois isso é de praxe também.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeitamente.
Se V.Exa. estiver de acordo, faremos ao final de todas as apresentações as
colocações.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Ao final, eu quero falar também.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Esta Casa é dos
Deputados. V.Exas. têm razão.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu só falei agora como autor do
requerimento.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeitamente.
Então, o acordo feito é no sentido de que todos os Parlamentares se
pronunciarão ao final, para que possamos ser mais céleres, perfeito?
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Perfeito então.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Passaremos agora a
palavra aos palestrantes, que disporão de 15 minutos para as suas exposições.
Concedo a palavra ao Sr. General-de-Brigada Robson Santana de Carvalho,
chefe do Centro de Avaliações do Exército Brasileiro — CAEx.
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COM REDAÇÃO FINAL
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Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Por isso eu pedi que não houvesse
isso.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeito! Então, vamos
dar prosseguimento, se V.Exa. permitir.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Vamos ouvir os dois lados, para
depois falar.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Concedo a palavra ao
Deputado Eduardo Bolsonaro.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Só para ficar claro, nós
vamos poder fazer uso da palavra depois ou tem que ser agora?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Se V.Exa. estiver de
acordo, nós faremos isso ao final das apresentações, porque, em todas as outras
audiências públicas foi assim.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu pedi a palavra como autor do
requerimento, pois isso é de praxe também.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeitamente.
Se V.Exa. estiver de acordo, faremos ao final de todas as apresentações as
colocações.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Ao final, eu quero falar também.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Esta Casa é dos
Deputados. V.Exas. têm razão.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu só falei agora como autor do
requerimento.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeitamente.
Então, o acordo feito é no sentido de que todos os Parlamentares se
pronunciarão ao final, para que possamos ser mais céleres, perfeito?
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Perfeito então.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Passaremos agora a
palavra aos palestrantes, que disporão de 15 minutos para as suas exposições.
Concedo a palavra ao Sr. General-de-Brigada Robson Santana de Carvalho,
chefe do Centro de Avaliações do Exército Brasileiro — CAEx.
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O SR. ROBSON SANTANA DE CARVALHO - Exmo. Sr. Deputado Alexandre
Baldy, Presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime
Organizado, por intermédio de quem cumprimento todos os Deputados aqui
presentes, senhoras e senhores, inicialmente, eu gostaria de agradecer à Comissão
o convite formulado ao Centro de Avaliações do Exército para realizar uma
apresentação nesta importante Comissão, que trata de um tema tão relevante.
(Segue-se exibição de imagens.)
O objetivo da minha apresentação bastante sintética é apenas dar aos
senhores conhecimento do trabalho que realiza o Centro de Avaliações do Exército
no processo de fiscalização de produtos controlados.
O nosso Centro foi criado na década de 40, no período da guerra, com a
criação do Polígono de Tiro da Marambaia, para fazer, naquela época, testes
balísticos apenas.
No ano de 1948, passou a ser denominado definitivamente de Campo de
Provas da Marambaia e começou a realizar avaliações técnicas tanto de armamento
como de munições. Posteriormente, foi ampliando essa atuação técnica,
incorporando outros materiais, como viaturas, equipamentos de comunicações e
outros mais de interesse do Exército, para, mais à frente, também passar a avaliar
produtos de interesse da sociedade que não são apenas de uso exclusivo do
Exército, os chamados produtos controlados pelo Exército.
Em 1984, o nosso Sistema de Ciência e Tecnologia do Exército sofreu uma
nova transformação. Foi criado o Centro de Avaliações do Exército, no centro da
cidade, no Palácio Duque de Caxias, que tinha o objetivo exclusivo de fazer
avaliações operacionais. Ele era ligado somente ao material de emprego militar, de
uso do Exército, com o viés de fazer avaliação, junto às nossas tropas, de um
equipamento que já havia sido previamente avaliado no nível técnico.
Em junho de 2005, nós chegamos à configuração atual, em que as duas
unidades foram fundidas. Ficamos com a denominação de Centro de Avaliações do
Exército, reunimos tanto a equipe técnica como a parte de infraestrutura, bem como
as duas missões: a de realizar avaliações técnicas e também as avaliações
operacionais, apenas para contextualizar.
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O SR. ROBSON SANTANA DE CARVALHO - Exmo. Sr. Deputado Alexandre
Baldy, Presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime
Organizado, por intermédio de quem cumprimento todos os Deputados aqui
presentes, senhoras e senhores, inicialmente, eu gostaria de agradecer à Comissão
o convite formulado ao Centro de Avaliações do Exército para realizar uma
apresentação nesta importante Comissão, que trata de um tema tão relevante.
(Segue-se exibição de imagens.)
O objetivo da minha apresentação bastante sintética é apenas dar aos
senhores conhecimento do trabalho que realiza o Centro de Avaliações do Exército
no processo de fiscalização de produtos controlados.
O nosso Centro foi criado na década de 40, no período da guerra, com a
criação do Polígono de Tiro da Marambaia, para fazer, naquela época, testes
balísticos apenas.
No ano de 1948, passou a ser denominado definitivamente de Campo de
Provas da Marambaia e começou a realizar avaliações técnicas tanto de armamento
como de munições. Posteriormente, foi ampliando essa atuação técnica,
incorporando outros materiais, como viaturas, equipamentos de comunicações e
outros mais de interesse do Exército, para, mais à frente, também passar a avaliar
produtos de interesse da sociedade que não são apenas de uso exclusivo do
Exército, os chamados produtos controlados pelo Exército.
Em 1984, o nosso Sistema de Ciência e Tecnologia do Exército sofreu uma
nova transformação. Foi criado o Centro de Avaliações do Exército, no centro da
cidade, no Palácio Duque de Caxias, que tinha o objetivo exclusivo de fazer
avaliações operacionais. Ele era ligado somente ao material de emprego militar, de
uso do Exército, com o viés de fazer avaliação, junto às nossas tropas, de um
equipamento que já havia sido previamente avaliado no nível técnico.
Em junho de 2005, nós chegamos à configuração atual, em que as duas
unidades foram fundidas. Ficamos com a denominação de Centro de Avaliações do
Exército, reunimos tanto a equipe técnica como a parte de infraestrutura, bem como
as duas missões: a de realizar avaliações técnicas e também as avaliações
operacionais, apenas para contextualizar.
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Então, a nossa missão, em decorrência disso tudo, hoje está dividida em
quatro etapas: execução de avaliação de material de emprego militar, na vertente
técnico-operacional; avaliação técnica dos produtos controlados, que eu procurei
destacar, que é o fórum de discussão hoje aqui, nesta Comissão; realização de
exames de valor balístico; e colaboração técnica, serviço técnico, na nossa área de
competência.
A nossa localização no Rio de Janeiro permaneceu na Restinga da
Marambaia, onde foi criado o Polígono de Tiro.
Apenas para esclarecimento, o Centro de Avaliações do Exército é
subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia. Ele está em outra vertente,
diferente da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, que é subordinada
ao Comando Logístico. Então, nós não temos uma situação de subordinação à
Diretoria. O nosso trabalho é um trabalho técnico, e a nossa atuação é sistêmica no
processo de fiscalização, como o General Neiva procurou enfatizar em recente
apresentação aqui.
Qual é a previsão legal da nossa atuação na avaliação do produto
controlado? Ela está estabelecida no § 1º do art. 57 do atual Regulamento para a
Fiscalização de Produtos Controlados — R-105, que foi debatido aqui e está em
fase de atualização. Nele está previsto que uma empresa, para obter a concessão
de um título de registro para fabricar um produto controlado ou um apostilamento de
um novo produto, tem que ter um protótipo previamente aprovado pela Secretaria de
Ciência e Tecnologia do Exército — essa era a denominação antiga do atual
Departamento de Ciência e Tecnologia, ao qual o Centro de Avaliações é
subordinado.
Então, é neste ponto que o Centro de Avaliações entra na fiscalização de
produtos controlados: como órgão técnico do Departamento de Ciência e
Tecnologia, que tem a competência e a missão de realizar avaliações. Ele realiza
essa avaliação técnica de um protótipo antes da produção, ou seja, como um
elemento inicial para que a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados possa
conceder um registro ou um apostilamento e assim a empresa possa iniciar uma
fabricação. Esse é o ponto que eu gostaria de destacar da participação do Centro de
Avaliações nessa atividade.
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Então, a nossa missão, em decorrência disso tudo, hoje está dividida em
quatro etapas: execução de avaliação de material de emprego militar, na vertente
técnico-operacional; avaliação técnica dos produtos controlados, que eu procurei
destacar, que é o fórum de discussão hoje aqui, nesta Comissão; realização de
exames de valor balístico; e colaboração técnica, serviço técnico, na nossa área de
competência.
A nossa localização no Rio de Janeiro permaneceu na Restinga da
Marambaia, onde foi criado o Polígono de Tiro.
Apenas para esclarecimento, o Centro de Avaliações do Exército é
subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia. Ele está em outra vertente,
diferente da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados, que é subordinada
ao Comando Logístico. Então, nós não temos uma situação de subordinação à
Diretoria. O nosso trabalho é um trabalho técnico, e a nossa atuação é sistêmica no
processo de fiscalização, como o General Neiva procurou enfatizar em recente
apresentação aqui.
Qual é a previsão legal da nossa atuação na avaliação do produto
controlado? Ela está estabelecida no § 1º do art. 57 do atual Regulamento para a
Fiscalização de Produtos Controlados — R-105, que foi debatido aqui e está em
fase de atualização. Nele está previsto que uma empresa, para obter a concessão
de um título de registro para fabricar um produto controlado ou um apostilamento de
um novo produto, tem que ter um protótipo previamente aprovado pela Secretaria de
Ciência e Tecnologia do Exército — essa era a denominação antiga do atual
Departamento de Ciência e Tecnologia, ao qual o Centro de Avaliações é
subordinado.
Então, é neste ponto que o Centro de Avaliações entra na fiscalização de
produtos controlados: como órgão técnico do Departamento de Ciência e
Tecnologia, que tem a competência e a missão de realizar avaliações. Ele realiza
essa avaliação técnica de um protótipo antes da produção, ou seja, como um
elemento inicial para que a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados possa
conceder um registro ou um apostilamento e assim a empresa possa iniciar uma
fabricação. Esse é o ponto que eu gostaria de destacar da participação do Centro de
Avaliações nessa atividade.
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A definição de produto controlado se encontra no Regulamento para a
Fiscalização, e os produtos estão listados naquele Anexo I — acredito que grande
parte dos integrantes da Comissão certamente o conhece bem, assim como os
participantes aqui presentes.
Alguns exemplos de produtos controlados pelo Exército que são submetidos,
na fase de protótipo, a uma avaliação do nosso Centro: coletes de proteção
balística, pistolas, capacetes balísticos, alguns produtos não letais.
Como órgão técnico, temos o embasamento de que o conceito de avaliação é
um processo sistematizado, com regras preestabelecidas, de forma que possa
propiciar um adequado grau de confiança de que um determinado produto — no
caso é o que nos interessa, porque estamos tratando de produto —, processo,
serviço e até mesmo um profissional atenda a requisitos preestabelecidos em
alguma norma ou regulamento. Então, essa é uma base conceitual do nosso
trabalho como órgão de avaliação. Esse é um conceito do próprio INMETRO.
Quais são as características da avaliação de produtos controlados pelo
Exército? Voltando ao que está previsto na legislação em vigor, que é o R-105, nós
temos esse processo formal para verificar as condições de segurança e de
desempenho de um protótipo, que é submetido ao Centro de Avaliações. O CAEx
não busca um produto para avaliar. Ele é demandado dentro de um processo para
realizar a avaliação.
Conforme o conceito que eu apresentei, essa avaliação é baseada em
normas técnicas que vão fixar requisitos de conformidade e de procedimentos para
os ensaios que têm de ser executados. E nós vamos seguir esses procedimentos
que estão estabelecidos nas normas técnicas.
As normas usualmente empregadas nos produtos controlados pelo Exército
têm algumas fontes. Nós temos normas técnicas do próprio Exército Brasileiro, como
a NEB/T; normas da ABNT, as NBRs; eventualmente, normas internacionais, como a
NIJ, que é do Departamento de Justiça Americano, que tem uma ampla atuação
nessa área; e também normas militares do Exército Americano. Essas são as
principais que nós temos como referência.
A verificação desses requisitos é feita com base em ensaios e em um
ambiente controlado. Esses testes e ensaios são feitos normalmente em
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A definição de produto controlado se encontra no Regulamento para a
Fiscalização, e os produtos estão listados naquele Anexo I — acredito que grande
parte dos integrantes da Comissão certamente o conhece bem, assim como os
participantes aqui presentes.
Alguns exemplos de produtos controlados pelo Exército que são submetidos,
na fase de protótipo, a uma avaliação do nosso Centro: coletes de proteção
balística, pistolas, capacetes balísticos, alguns produtos não letais.
Como órgão técnico, temos o embasamento de que o conceito de avaliação é
um processo sistematizado, com regras preestabelecidas, de forma que possa
propiciar um adequado grau de confiança de que um determinado produto — no
caso é o que nos interessa, porque estamos tratando de produto —, processo,
serviço e até mesmo um profissional atenda a requisitos preestabelecidos em
alguma norma ou regulamento. Então, essa é uma base conceitual do nosso
trabalho como órgão de avaliação. Esse é um conceito do próprio INMETRO.
Quais são as características da avaliação de produtos controlados pelo
Exército? Voltando ao que está previsto na legislação em vigor, que é o R-105, nós
temos esse processo formal para verificar as condições de segurança e de
desempenho de um protótipo, que é submetido ao Centro de Avaliações. O CAEx
não busca um produto para avaliar. Ele é demandado dentro de um processo para
realizar a avaliação.
Conforme o conceito que eu apresentei, essa avaliação é baseada em
normas técnicas que vão fixar requisitos de conformidade e de procedimentos para
os ensaios que têm de ser executados. E nós vamos seguir esses procedimentos
que estão estabelecidos nas normas técnicas.
As normas usualmente empregadas nos produtos controlados pelo Exército
têm algumas fontes. Nós temos normas técnicas do próprio Exército Brasileiro, como
a NEB/T; normas da ABNT, as NBRs; eventualmente, normas internacionais, como a
NIJ, que é do Departamento de Justiça Americano, que tem uma ampla atuação
nessa área; e também normas militares do Exército Americano. Essas são as
principais que nós temos como referência.
A verificação desses requisitos é feita com base em ensaios e em um
ambiente controlado. Esses testes e ensaios são feitos normalmente em
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laboratórios, nas condições estabelecidas nas normas. Eles não são feitos em
campo aberto, indeterminado, são feitos em condições controladas. É o que prevê
todo o processo de exame laboratorial e de avaliação.
Por último, nós registramos o resultado da avalição em um relatório,
denominado Relatório Técnico-Experimental, em que o órgão técnico CAEx
apresenta um parecer sobre determinado item, dizendo se aquele protótipo está
atendendo aos requisitos da norma ou não, ou seja, se ele está em conformidade
com o requisito de referência fixado na norma. Esse é o trabalho do Centro.
O processo, em si, como ocorre? Inicialmente, a empresa interessada em
produzir um produto controlado, que tenha de ser submetido a essa avaliação, vai
solicitar à Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados uma autorização para
fabricar o protótipo e submetê-lo à avaliação do CAEx. Então, o relacionamento
inicial é feito com a Diretoria, e não conosco. Uma vez que a Diretoria analise a
solicitação e conceda essa autorização para avaliação, a empresa vai fabricar o
protótipo e vai nos encaminhar a solicitação acompanhada de uma documentação,
prevista em portaria, do nosso Comando Logístico, em que vêm documentos
técnicos com memoriais descritivos, desenhos técnicos do produto que sejam
suficientes para que possamos fazer o planejamento da avaliação.
Apenas esquematicamente, para entender o processo interno, ocorre o
seguinte: de posse desse pedido, e estando ele autorizado, aí sim, nós vamos
designar um engenheiro responsável por essa avaliação para executar o
planejamento da avaliação, identificando as normas aplicáveis, quais os requisitos
que precisam ser verificados. Feita a verificação da documentação, estando ela o.k.,
ele faz esse planejamento. É solicitado ao fabricante, então, que entregue as
amostras que serão testadas. Internamente, ele vai demandar os diversos
laboratórios do Centro que façam os ensaios. Dependendo do tipo de item, ele vai
para um laboratório balístico passar por uma inspeção de metrologia — grande parte
passa por inspeção visual e metrológica.
Esses laboratórios internos vão fornecer os resultados e executar aqueles
testes que eu mencionei, baseados nos procedimentos fixados nas normas. Eles
entregam os resultados, esse engenheiro vai analisá-los e emitir o relatório. De
posse do relatório, o Centro de Avaliações encaminha esse relatório técnico ao
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laboratórios, nas condições estabelecidas nas normas. Eles não são feitos em
campo aberto, indeterminado, são feitos em condições controladas. É o que prevê
todo o processo de exame laboratorial e de avaliação.
Por último, nós registramos o resultado da avalição em um relatório,
denominado Relatório Técnico-Experimental, em que o órgão técnico CAEx
apresenta um parecer sobre determinado item, dizendo se aquele protótipo está
atendendo aos requisitos da norma ou não, ou seja, se ele está em conformidade
com o requisito de referência fixado na norma. Esse é o trabalho do Centro.
O processo, em si, como ocorre? Inicialmente, a empresa interessada em
produzir um produto controlado, que tenha de ser submetido a essa avaliação, vai
solicitar à Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados uma autorização para
fabricar o protótipo e submetê-lo à avaliação do CAEx. Então, o relacionamento
inicial é feito com a Diretoria, e não conosco. Uma vez que a Diretoria analise a
solicitação e conceda essa autorização para avaliação, a empresa vai fabricar o
protótipo e vai nos encaminhar a solicitação acompanhada de uma documentação,
prevista em portaria, do nosso Comando Logístico, em que vêm documentos
técnicos com memoriais descritivos, desenhos técnicos do produto que sejam
suficientes para que possamos fazer o planejamento da avaliação.
Apenas esquematicamente, para entender o processo interno, ocorre o
seguinte: de posse desse pedido, e estando ele autorizado, aí sim, nós vamos
designar um engenheiro responsável por essa avaliação para executar o
planejamento da avaliação, identificando as normas aplicáveis, quais os requisitos
que precisam ser verificados. Feita a verificação da documentação, estando ela o.k.,
ele faz esse planejamento. É solicitado ao fabricante, então, que entregue as
amostras que serão testadas. Internamente, ele vai demandar os diversos
laboratórios do Centro que façam os ensaios. Dependendo do tipo de item, ele vai
para um laboratório balístico passar por uma inspeção de metrologia — grande parte
passa por inspeção visual e metrológica.
Esses laboratórios internos vão fornecer os resultados e executar aqueles
testes que eu mencionei, baseados nos procedimentos fixados nas normas. Eles
entregam os resultados, esse engenheiro vai analisá-los e emitir o relatório. De
posse do relatório, o Centro de Avaliações encaminha esse relatório técnico ao
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Departamento de Ciência e Tecnologia para homologação. É neste momento que a
antiga Secretaria de Ciência e Tecnologia, hoje Departamento de Ciência e
Tecnologia, vai emitir o relatório de aprovação ou não do protótipo, como um
elemento de apoio à decisão da Diretoria de Fiscalização, para autorizar, conceder o
título de registro ou o apostilamento, a fim de que o fabricante possa, aí sim, iniciar a
fabricação seriada de um produto. Então, essa é a sequência global.
Apenas para ilustrar, eu já estou chegando ao fim da minha apresentação, no
caso do armamento, da arma de porte, a norma de referência que nós temos é a
Norma Técnica do Exército Brasileiro sobre Protótipos de Armas de Porte — NEB/T
E-267A, que fixa as características e as condições mínimas exigíveis para a
aprovação pelo Exército de um protótipo de arma de porte destinada ao comércio.
Essa é a referência que nós temos para fazer os nossos ensaios.
Apenas a título de ilustração, para não me alongar muito, a avaliação de arma
de porte tem sete grandes etapas previstas nessa norma: ensaios iniciais de
inspeção visual e metrológica, em que são verificados diversos itens, inclusive para
garantir a segurança também dos nossos técnicos que irão realizar os ensaios com
o armamento; ensaio de superpressão, em que se ensaia até fator de segurança —
a munição é carregada numa pressão além da pressão nominal, normalmente em
torno de 30% a mais. Isso é fixado nas normas internacionais que regulam a parte
de munições. Esse ensaio é feito e depois o armamento é verificado, a fim de se
observar se ele apresenta alguma trinca, deformação, falha de funcionamento. Uma
série de itens é verificada nesse ensaio.
Em outra etapa, é feito um ensaio de segurança e resistência a quedas. São
seis posições de quedas previstas, dentro de uma condição controlada, dentro dos
requisitos previstos na norma. A dureza do piso é especificada na norma. Essa é
uma condição para toda a avaliação, porque uma avaliação no ensaio laboratorial
tem que ser reprodutível em mais de um laboratório. Então, todas essas condições
são fixadas para que esse ensaio, mesmo feito em um laboratório, por exemplo,
talvez da Polícia Militar de São Paulo — não sei se ela teria essa condição —,
consiga obter resultados semelhantes para o mesmo produto. Por isso, esses
parâmetros são fixados em toda norma técnica quando se vai fazer um ensaio.
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Departamento de Ciência e Tecnologia para homologação. É neste momento que a
antiga Secretaria de Ciência e Tecnologia, hoje Departamento de Ciência e
Tecnologia, vai emitir o relatório de aprovação ou não do protótipo, como um
elemento de apoio à decisão da Diretoria de Fiscalização, para autorizar, conceder o
título de registro ou o apostilamento, a fim de que o fabricante possa, aí sim, iniciar a
fabricação seriada de um produto. Então, essa é a sequência global.
Apenas para ilustrar, eu já estou chegando ao fim da minha apresentação, no
caso do armamento, da arma de porte, a norma de referência que nós temos é a
Norma Técnica do Exército Brasileiro sobre Protótipos de Armas de Porte — NEB/T
E-267A, que fixa as características e as condições mínimas exigíveis para a
aprovação pelo Exército de um protótipo de arma de porte destinada ao comércio.
Essa é a referência que nós temos para fazer os nossos ensaios.
Apenas a título de ilustração, para não me alongar muito, a avaliação de arma
de porte tem sete grandes etapas previstas nessa norma: ensaios iniciais de
inspeção visual e metrológica, em que são verificados diversos itens, inclusive para
garantir a segurança também dos nossos técnicos que irão realizar os ensaios com
o armamento; ensaio de superpressão, em que se ensaia até fator de segurança —
a munição é carregada numa pressão além da pressão nominal, normalmente em
torno de 30% a mais. Isso é fixado nas normas internacionais que regulam a parte
de munições. Esse ensaio é feito e depois o armamento é verificado, a fim de se
observar se ele apresenta alguma trinca, deformação, falha de funcionamento. Uma
série de itens é verificada nesse ensaio.
Em outra etapa, é feito um ensaio de segurança e resistência a quedas. São
seis posições de quedas previstas, dentro de uma condição controlada, dentro dos
requisitos previstos na norma. A dureza do piso é especificada na norma. Essa é
uma condição para toda a avaliação, porque uma avaliação no ensaio laboratorial
tem que ser reprodutível em mais de um laboratório. Então, todas essas condições
são fixadas para que esse ensaio, mesmo feito em um laboratório, por exemplo,
talvez da Polícia Militar de São Paulo — não sei se ela teria essa condição —,
consiga obter resultados semelhantes para o mesmo produto. Por isso, esses
parâmetros são fixados em toda norma técnica quando se vai fazer um ensaio.
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Em outra etapa, é feito um ensaio também de funcionamento em diversas
posições de tiro, para se verificar a ocorrência de incidentes de tiro com a arma na
posição normal, invertida, a 80 graus, a 90 graus. A norma define exatamente quais
são essas posições e é verificada a ocorrência de alguns incidentes.
Verifica-se também o funcionamento da arma em condições limites de
temperatura: 10 graus negativos e 50 graus positivos. É um ensaio previsto também
na norma.
É feito um ensaio de desempenho com relação à precisão e à justeza, para se
verificar o agrupamento de tiro, observando-se alguns parâmetros: se ele é feito
antes do ensaio de resistência e após esse ensaio de resistência.
Na última etapa, é feito o ensaio de resistência, em que o armamento é
submetido a 2.500 tiros, em uma sequência de 250 tiros. A cada 250 tiros, ele sofre
uma limpeza e manutenção e se procede à próxima série. Na primeira série de
1.250 tiros, é feita toda uma inspeção metrológica.
Anotam-se também, em cada sequência dessas, os registros de ocorrências
de todos os tipos de falhas, que são checados com o parâmetro estabelecido na
norma.
Após a segunda sequência de 1.250 tiros, é feita a mesma coisa e se registra
tudo. Com base nos resultados alcançados, aí, sim, o laboratório vai emitir um
parecer, dizendo se a arma está em conformidade ou não com o que estava
especificado.
Então, isso é apenas para exemplificar a norma que nós utilizamos para uma
arma de porte.
Acho que esgotei aqui o meu tempo. Esse era o meu último eslaide.
Eu queria fazer uma solicitação. Se houver a aquiescência da Mesa, gostaria
de apresentar um vídeo institucional do CAEx, que apresenta todas as atividades
que nós desenvolvemos hoje. O vídeo tem duração de 7 minutos. Se isso não for
possível, a parte da exposição está concluída.
Muito obrigado a todos. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao General por
suas palavras.
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COM REDAÇÃO FINAL
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Número: 0933/16
03/08/2016
Em outra etapa, é feito um ensaio também de funcionamento em diversas
posições de tiro, para se verificar a ocorrência de incidentes de tiro com a arma na
posição normal, invertida, a 80 graus, a 90 graus. A norma define exatamente quais
são essas posições e é verificada a ocorrência de alguns incidentes.
Verifica-se também o funcionamento da arma em condições limites de
temperatura: 10 graus negativos e 50 graus positivos. É um ensaio previsto também
na norma.
É feito um ensaio de desempenho com relação à precisão e à justeza, para se
verificar o agrupamento de tiro, observando-se alguns parâmetros: se ele é feito
antes do ensaio de resistência e após esse ensaio de resistência.
Na última etapa, é feito o ensaio de resistência, em que o armamento é
submetido a 2.500 tiros, em uma sequência de 250 tiros. A cada 250 tiros, ele sofre
uma limpeza e manutenção e se procede à próxima série. Na primeira série de
1.250 tiros, é feita toda uma inspeção metrológica.
Anotam-se também, em cada sequência dessas, os registros de ocorrências
de todos os tipos de falhas, que são checados com o parâmetro estabelecido na
norma.
Após a segunda sequência de 1.250 tiros, é feita a mesma coisa e se registra
tudo. Com base nos resultados alcançados, aí, sim, o laboratório vai emitir um
parecer, dizendo se a arma está em conformidade ou não com o que estava
especificado.
Então, isso é apenas para exemplificar a norma que nós utilizamos para uma
arma de porte.
Acho que esgotei aqui o meu tempo. Esse era o meu último eslaide.
Eu queria fazer uma solicitação. Se houver a aquiescência da Mesa, gostaria
de apresentar um vídeo institucional do CAEx, que apresenta todas as atividades
que nós desenvolvemos hoje. O vídeo tem duração de 7 minutos. Se isso não for
possível, a parte da exposição está concluída.
Muito obrigado a todos. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao General por
suas palavras.
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Nós podemos deixar o vídeo rodando e passar a palavra para outro expositor.
O que V.Exas. acham? (Pausa.)
Vamos deixá-lo para o final, General, para que possamos seguir com as
exposições. (Pausa.)
Concedo a palavra ao Sr. Coronel Marcelo Muniz Costa, Chefe da Assessoria
de Comunicação Institucional da Indústria de Material Bélico do Brasil — IMBEL.
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - Exmo. Sr. Deputado Alexandre Baldy,
Srs. Deputados, distinta plateia, senhoras e senhores, eu agradeço a oportunidade
dada à IMBEL — Indústria de Material Bélico do Brasil de vir aqui participar deste
debate muito importante e oportuno.
Os depoimentos dão a dimensão da gravidade do problema, da necessidade
de se encontrar soluções para isso. Creio que é por isso que todos nós estamos
aqui, contribuindo de alguma forma para encontrarmos soluções para esses
problemas.
Não me cabe comentar, por uma questão ética, problemas enfrentados por
uma empresa, como a Taurus, que está há décadas no mercado, como também não
me cabe comentar a conveniência da abertura do mercado de armas leves no Brasil
e a própria indústria nacional de defesa. Eu acho que o Ministério da Defesa, o
Exército Brasileiro e entidades ligadas ao tema, como a ABIMDE e os
COMDEFESAs da FIESP e da FIEMG poderão se posicionar melhor. Compete a
mim falar sobre a IMBEL.
Eu gostaria de fazer uma breve contextualização e explicar o que é a IMBEL
— Indústria de Material Bélico do Brasil, pois acredito que muitos aqui não a
conheçam.
A IMBEL é uma empresa estatal, dependente do Orçamento da União, criada
em 1975, com a destinação muito específica de prover, de atuar como fomentadora
da indústria de defesa num momento difícil, em que o País deixava de lado o acordo
Brasil/Estados Unidos, deixava de receber material americano, e precisava implantar
uma indústria de defesa no País. Foi aí que surgiu a IMBEL. Desde então, ela vem
cumprindo um papel muito importante na base industrial de defesa.
Ultimamente, a IMBEL tem sido citada indiretamente nesses problemas que
estamos tratando aqui. Sempre temos nos manifestado sobre a qualidade dos
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Nós podemos deixar o vídeo rodando e passar a palavra para outro expositor.
O que V.Exas. acham? (Pausa.)
Vamos deixá-lo para o final, General, para que possamos seguir com as
exposições. (Pausa.)
Concedo a palavra ao Sr. Coronel Marcelo Muniz Costa, Chefe da Assessoria
de Comunicação Institucional da Indústria de Material Bélico do Brasil — IMBEL.
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - Exmo. Sr. Deputado Alexandre Baldy,
Srs. Deputados, distinta plateia, senhoras e senhores, eu agradeço a oportunidade
dada à IMBEL — Indústria de Material Bélico do Brasil de vir aqui participar deste
debate muito importante e oportuno.
Os depoimentos dão a dimensão da gravidade do problema, da necessidade
de se encontrar soluções para isso. Creio que é por isso que todos nós estamos
aqui, contribuindo de alguma forma para encontrarmos soluções para esses
problemas.
Não me cabe comentar, por uma questão ética, problemas enfrentados por
uma empresa, como a Taurus, que está há décadas no mercado, como também não
me cabe comentar a conveniência da abertura do mercado de armas leves no Brasil
e a própria indústria nacional de defesa. Eu acho que o Ministério da Defesa, o
Exército Brasileiro e entidades ligadas ao tema, como a ABIMDE e os
COMDEFESAs da FIESP e da FIEMG poderão se posicionar melhor. Compete a
mim falar sobre a IMBEL.
Eu gostaria de fazer uma breve contextualização e explicar o que é a IMBEL
— Indústria de Material Bélico do Brasil, pois acredito que muitos aqui não a
conheçam.
A IMBEL é uma empresa estatal, dependente do Orçamento da União, criada
em 1975, com a destinação muito específica de prover, de atuar como fomentadora
da indústria de defesa num momento difícil, em que o País deixava de lado o acordo
Brasil/Estados Unidos, deixava de receber material americano, e precisava implantar
uma indústria de defesa no País. Foi aí que surgiu a IMBEL. Desde então, ela vem
cumprindo um papel muito importante na base industrial de defesa.
Ultimamente, a IMBEL tem sido citada indiretamente nesses problemas que
estamos tratando aqui. Sempre temos nos manifestado sobre a qualidade dos
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nossos produtos e asseguramos essa qualidade. Não queremos aqui fazer
propaganda, mas somente passar para os senhores como se processa a escolha, a
fabricação e a distribuição dos nossos equipamentos.
Quando um produto, uma arma é projetada, tem que se atender a
determinados requisitos, requisitos operacionais básicos, conjuntos, seja lá o que
for, de acordo com a demanda que recebemos.
O Ministério da Defesa, através das suas três Forças, apresenta requisitos de
determinados produtos que desejam. É o caso, por exemplo, do Fuzil IA2, citado há
pouco pelo Deputado Major Olimpio. Essa arma foi concebida atendendo a
requisitos das três Forças, requisitos rigorosos que foram avaliados no CAEx. Ou
seja, elas foram submetidas a um processo de avaliação muito rigoroso.
Após essa avaliação no CAEx, elas passaram por 2 anos de experimentação
em tropas operacionais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. São armas para
combate, elas não falham. As armas IMBEL não podem falhar. Individualmente,
pode haver algum caso, do qual não registramos queixas até agora, queixas
institucionais, comprovadas. É importante dizer isso aqui.
Neste momento de emoção que nós estamos vivendo, e é natural, aparecem
comentários que carecem de comprovação. É muito importante dizer isso, porque
ultimamente nós temos ouvido: “Ah! mas a arma tal não funcionou”. Em que
condições ela foi usada? Que teste foi realizado?
Em todas as manifestações da empresa, nós temos colocado para a
imprensa, para órgãos especializados e para especialistas que estamos dispostos a
submeter as nossas armas a qualquer teste, desde que acompanhados por nossos
engenheiros, o que é natural, porque já vimos testes realizados, dos quais não
tomamos conhecimento do local, do momento da realização, e surgiram relatórios.
Quem fez esse teste? A que condições as armas foram submetidas?
Então, neste momento eu gostaria só de esclarecer esse aspecto e mais um:
o monopólio de armas, muito falado aqui. Não existe monopólio de armas leves no
Brasil. Existem duas empresas nacionais que fabricam armas leves e as fornecem
para o Exército e para os órgãos de segurança. Nós já fornecemos mais de 60 mil
pistolas para todos os Estados da Federação, exceto para o Estado do Rio de
Janeiro e para os três Estados do Sul — não sei por quê.
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nossos produtos e asseguramos essa qualidade. Não queremos aqui fazer
propaganda, mas somente passar para os senhores como se processa a escolha, a
fabricação e a distribuição dos nossos equipamentos.
Quando um produto, uma arma é projetada, tem que se atender a
determinados requisitos, requisitos operacionais básicos, conjuntos, seja lá o que
for, de acordo com a demanda que recebemos.
O Ministério da Defesa, através das suas três Forças, apresenta requisitos de
determinados produtos que desejam. É o caso, por exemplo, do Fuzil IA2, citado há
pouco pelo Deputado Major Olimpio. Essa arma foi concebida atendendo a
requisitos das três Forças, requisitos rigorosos que foram avaliados no CAEx. Ou
seja, elas foram submetidas a um processo de avaliação muito rigoroso.
Após essa avaliação no CAEx, elas passaram por 2 anos de experimentação
em tropas operacionais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. São armas para
combate, elas não falham. As armas IMBEL não podem falhar. Individualmente,
pode haver algum caso, do qual não registramos queixas até agora, queixas
institucionais, comprovadas. É importante dizer isso aqui.
Neste momento de emoção que nós estamos vivendo, e é natural, aparecem
comentários que carecem de comprovação. É muito importante dizer isso, porque
ultimamente nós temos ouvido: “Ah! mas a arma tal não funcionou”. Em que
condições ela foi usada? Que teste foi realizado?
Em todas as manifestações da empresa, nós temos colocado para a
imprensa, para órgãos especializados e para especialistas que estamos dispostos a
submeter as nossas armas a qualquer teste, desde que acompanhados por nossos
engenheiros, o que é natural, porque já vimos testes realizados, dos quais não
tomamos conhecimento do local, do momento da realização, e surgiram relatórios.
Quem fez esse teste? A que condições as armas foram submetidas?
Então, neste momento eu gostaria só de esclarecer esse aspecto e mais um:
o monopólio de armas, muito falado aqui. Não existe monopólio de armas leves no
Brasil. Existem duas empresas nacionais que fabricam armas leves e as fornecem
para o Exército e para os órgãos de segurança. Nós já fornecemos mais de 60 mil
pistolas para todos os Estados da Federação, exceto para o Estado do Rio de
Janeiro e para os três Estados do Sul — não sei por quê.
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Ultimamente, Deputado, diferentemente do que o senhor comentou há pouco,
não acompanhamos as compras do Exército, mas eu sei das vendas da IMBEL para
o Exército. Nós vendemos milhares de unidades do Fuzil IA2 para o Exército. Então,
qualidade existe. Eu desconheço qualquer referência negativa aos nossos produtos.
Esses esclarecimentos são importantes porque o monopólio não existe exatamente
por esse aspecto.
A IMBEL também tem um nicho nesse mercado: fornece armas para o
Exército, para órgãos de segurança pública e para clientes privados que preferem,
que gostam das armas IMBEL.
Creio que, no momento, é isso que eu teria para apresentar. Estou à
disposição dos senhores para outros esclarecimentos e agradeço mais uma vez pela
oportunidade.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Coronel
Marcelo Muniz.
Concedo a palavra ao Sr. Rabih Nasser, advogado representante da Forjas
Taurus S.A.
O SR. RABIH NASSER - Exmo. Deputado Alexandre Baldy, Presidente desta
Comissão, agradeço a V.Exa. e aos demais Deputados que fizeram ofícios
convidando-nos a participar desta audiência.
Eu gostaria de transmitir uma mensagem muito clara em nome da Taurus —
foi essa a incumbência que eu recebi. No primeiro semestre do ano passado, como
vários dos senhores devem saber, uma nova gestão assumiu a Taurus. Essa gestão
está empenhada, comprometida em fortalecer a Taurus em todos os aspectos, como
indústria nacional que é, inclusive corrigindo o que tiver de ser corrigido
eventualmente. Então, essa é a primeira mensagem que eu queria transmitir de uma
maneira muito clara.
Vou citar alguns exemplos do ponto de vista operacional — creio que o
Salésio vai poder explicar isso um pouco melhor.
Foram realizados investimentos substanciais, desde o ano passado, no
processo de fabricação dos produtos da Taurus, para que eles tenham maior
eficiência e mais qualidade ainda, porque nós achamos que os produtos da Taurus
sempre tiveram qualidade — eu vou chegar a esse ponto.
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Ultimamente, Deputado, diferentemente do que o senhor comentou há pouco,
não acompanhamos as compras do Exército, mas eu sei das vendas da IMBEL para
o Exército. Nós vendemos milhares de unidades do Fuzil IA2 para o Exército. Então,
qualidade existe. Eu desconheço qualquer referência negativa aos nossos produtos.
Esses esclarecimentos são importantes porque o monopólio não existe exatamente
por esse aspecto.
A IMBEL também tem um nicho nesse mercado: fornece armas para o
Exército, para órgãos de segurança pública e para clientes privados que preferem,
que gostam das armas IMBEL.
Creio que, no momento, é isso que eu teria para apresentar. Estou à
disposição dos senhores para outros esclarecimentos e agradeço mais uma vez pela
oportunidade.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Coronel
Marcelo Muniz.
Concedo a palavra ao Sr. Rabih Nasser, advogado representante da Forjas
Taurus S.A.
O SR. RABIH NASSER - Exmo. Deputado Alexandre Baldy, Presidente desta
Comissão, agradeço a V.Exa. e aos demais Deputados que fizeram ofícios
convidando-nos a participar desta audiência.
Eu gostaria de transmitir uma mensagem muito clara em nome da Taurus —
foi essa a incumbência que eu recebi. No primeiro semestre do ano passado, como
vários dos senhores devem saber, uma nova gestão assumiu a Taurus. Essa gestão
está empenhada, comprometida em fortalecer a Taurus em todos os aspectos, como
indústria nacional que é, inclusive corrigindo o que tiver de ser corrigido
eventualmente. Então, essa é a primeira mensagem que eu queria transmitir de uma
maneira muito clara.
Vou citar alguns exemplos do ponto de vista operacional — creio que o
Salésio vai poder explicar isso um pouco melhor.
Foram realizados investimentos substanciais, desde o ano passado, no
processo de fabricação dos produtos da Taurus, para que eles tenham maior
eficiência e mais qualidade ainda, porque nós achamos que os produtos da Taurus
sempre tiveram qualidade — eu vou chegar a esse ponto.
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Do ponto de vista financeiro, recentemente foi reestruturada a dívida da
companhia, que também era uma questão importante quando a nova gestão
assumiu. Ela foi reestruturada de forma que a companhia pudesse lidar com esse
passivo. Isso demonstra a confiança dos credores na companhia.
Talvez o mais importante que eu queria dizer aqui a vocês, inclusive em
respeito às manifestações iniciais das nove pessoas que falaram, é o seguinte: nós
lamentamos profundamente qualquer acidente que tenha ocorrido com uma arma de
fogo da Taurus.
Hoje o nosso maior empenho — e é disso que vou tratar — é diminuir ao
máximo os riscos de acidentes com armas da Taurus. Esse é o nosso maior
compromisso. Portanto, nós não somos insensíveis ao que acontece com cada um
dos senhores. Queria deixar isso claro também. Essa é uma postura dessa nova
gestão.
O mais importante, como eu dizia, é o terceiro aspecto: o relacionamento da
Taurus com os seus clientes — o nobre Deputado Major Olimpio tocou nesse ponto.
Várias iniciativas estão sendo tomadas e ainda serão tomadas para nós
aprimorarmos o relacionamento da Taurus com os seus clientes, com aqueles que
usam os seus produtos, sejam eles civis, sejam eles profissionais da segurança
pública.
Vou colocar para os senhores algumas dessas iniciativas. Foi detectado pela
nova gestão da Taurus, desde o ano passado — precisamos reconhecer isto —, um
certo distanciamento da companhia em relação a seu público, em relação aos seus
clientes, em relação àqueles que usam os seus produtos. Isso não significa que a
Taurus colocava produtos de má qualidade no mercado. Eu também quero ser muito
claro quanto a isso: nós temos confiança de que isso não acontecia.
Agora, a nova gestão, a partir dessa percepção, disse: “Neste âmbito, eu
preciso ter uma ação decidida e transparente. Eu preciso falar abertamente com
todos os envolvidos, com todos aqueles que tenham uma dúvida, um
questionamento ou uma preocupação”. Em se tratando desse produto, que todos os
senhores sabem que é muito sensível, a mera preocupação, a mera incerteza, a
mera insegurança é muito ruim, Deputado, não só para o policial, para o usuário,
mas também para a companhia, para a empresa, para os seus colaboradores.
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Do ponto de vista financeiro, recentemente foi reestruturada a dívida da
companhia, que também era uma questão importante quando a nova gestão
assumiu. Ela foi reestruturada de forma que a companhia pudesse lidar com esse
passivo. Isso demonstra a confiança dos credores na companhia.
Talvez o mais importante que eu queria dizer aqui a vocês, inclusive em
respeito às manifestações iniciais das nove pessoas que falaram, é o seguinte: nós
lamentamos profundamente qualquer acidente que tenha ocorrido com uma arma de
fogo da Taurus.
Hoje o nosso maior empenho — e é disso que vou tratar — é diminuir ao
máximo os riscos de acidentes com armas da Taurus. Esse é o nosso maior
compromisso. Portanto, nós não somos insensíveis ao que acontece com cada um
dos senhores. Queria deixar isso claro também. Essa é uma postura dessa nova
gestão.
O mais importante, como eu dizia, é o terceiro aspecto: o relacionamento da
Taurus com os seus clientes — o nobre Deputado Major Olimpio tocou nesse ponto.
Várias iniciativas estão sendo tomadas e ainda serão tomadas para nós
aprimorarmos o relacionamento da Taurus com os seus clientes, com aqueles que
usam os seus produtos, sejam eles civis, sejam eles profissionais da segurança
pública.
Vou colocar para os senhores algumas dessas iniciativas. Foi detectado pela
nova gestão da Taurus, desde o ano passado — precisamos reconhecer isto —, um
certo distanciamento da companhia em relação a seu público, em relação aos seus
clientes, em relação àqueles que usam os seus produtos. Isso não significa que a
Taurus colocava produtos de má qualidade no mercado. Eu também quero ser muito
claro quanto a isso: nós temos confiança de que isso não acontecia.
Agora, a nova gestão, a partir dessa percepção, disse: “Neste âmbito, eu
preciso ter uma ação decidida e transparente. Eu preciso falar abertamente com
todos os envolvidos, com todos aqueles que tenham uma dúvida, um
questionamento ou uma preocupação”. Em se tratando desse produto, que todos os
senhores sabem que é muito sensível, a mera preocupação, a mera incerteza, a
mera insegurança é muito ruim, Deputado, não só para o policial, para o usuário,
mas também para a companhia, para a empresa, para os seus colaboradores.
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São 3 mil pessoas orgulhosas de trabalhar nessa companhia e de contribuir
com essa bela história de mais de 70 anos da Taurus. Essa preocupação não é boa
para ninguém. Então, qual foi a decisão da gestão? A decisão foi a seguinte: “Vamos
nos abrir ao diálogo, com todos aqueles que tenham dúvidas, preocupações ou
questionamentos em relação aos produtos da Taurus”.
Eu gostaria de inserir a nossa participação nesta audiência no âmbito dessa
postura. Nesse sentido, o convite e a iniciativa foram oportunos, porque interessa a
nós eliminar essas dúvidas e dizer o que a companhia está fazendo.
Nesse processo de aprimoramento, ao qual eu estou me referindo e que será
permanente — esse é outro compromisso que nós assumimos —, várias iniciativas
já foram e estão sendo adotadas.
Uma delas é o oferecimento, pela própria Taurus, da realização de revisão e
manutenção preventiva em armamentos de todas as forças policiais do País. Isso foi
feito formalmente a todas essas instituições, no seguinte sentido: “Se vocês têm
alguma preocupação, se existe alguma dúvida, nós estamos à disposição para
ajudá-los”. Isso está sendo feito por meio de uma unidade de pronto atendimento
que foi constituída dentro da companhia e que se locomove, vai aonde existirem
dúvidas e procura saná-las imediatamente.
Um pequeno parêntese: é preciso reconhecer que, muitas vezes, essas
dúvidas decorrem do estado de manutenção dos armamentos. Essa é uma questão.
Nós não estamos acusando ninguém. Não é essa a nossa intenção. Não jogamos
culpa em ninguém, mas essa é uma questão real. Nem sempre o nível de
manutenção dos armamentos é uniforme, é homogêneo.
A Taurus estabeleceu um canal de comunicação direta com os usuários finais
dos seus produtos — essa é uma iniciativa recente — para levar a eles informações
relevantes, informações que podem ser úteis à pessoa que manuseia esse produto
sensível. Foi por meio desse canal que se comunicou a todos os usuários a
existência do novo site Qualidade Taurus, em que a ideia é justamente exibir vídeos,
dar informações úteis sobre manutenção e uso dos armamentos, tudo que possa
nos ajudar nesse esforço conjunto de diminuir os riscos de acidentes.
Aprimoramos os manuais que acompanham os produtos. Aqui eu gostaria de
desfazer uma pequena confusão: a prática de se dizer no manual que uma arma,
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São 3 mil pessoas orgulhosas de trabalhar nessa companhia e de contribuir
com essa bela história de mais de 70 anos da Taurus. Essa preocupação não é boa
para ninguém. Então, qual foi a decisão da gestão? A decisão foi a seguinte: “Vamos
nos abrir ao diálogo, com todos aqueles que tenham dúvidas, preocupações ou
questionamentos em relação aos produtos da Taurus”.
Eu gostaria de inserir a nossa participação nesta audiência no âmbito dessa
postura. Nesse sentido, o convite e a iniciativa foram oportunos, porque interessa a
nós eliminar essas dúvidas e dizer o que a companhia está fazendo.
Nesse processo de aprimoramento, ao qual eu estou me referindo e que será
permanente — esse é outro compromisso que nós assumimos —, várias iniciativas
já foram e estão sendo adotadas.
Uma delas é o oferecimento, pela própria Taurus, da realização de revisão e
manutenção preventiva em armamentos de todas as forças policiais do País. Isso foi
feito formalmente a todas essas instituições, no seguinte sentido: “Se vocês têm
alguma preocupação, se existe alguma dúvida, nós estamos à disposição para
ajudá-los”. Isso está sendo feito por meio de uma unidade de pronto atendimento
que foi constituída dentro da companhia e que se locomove, vai aonde existirem
dúvidas e procura saná-las imediatamente.
Um pequeno parêntese: é preciso reconhecer que, muitas vezes, essas
dúvidas decorrem do estado de manutenção dos armamentos. Essa é uma questão.
Nós não estamos acusando ninguém. Não é essa a nossa intenção. Não jogamos
culpa em ninguém, mas essa é uma questão real. Nem sempre o nível de
manutenção dos armamentos é uniforme, é homogêneo.
A Taurus estabeleceu um canal de comunicação direta com os usuários finais
dos seus produtos — essa é uma iniciativa recente — para levar a eles informações
relevantes, informações que podem ser úteis à pessoa que manuseia esse produto
sensível. Foi por meio desse canal que se comunicou a todos os usuários a
existência do novo site Qualidade Taurus, em que a ideia é justamente exibir vídeos,
dar informações úteis sobre manutenção e uso dos armamentos, tudo que possa
nos ajudar nesse esforço conjunto de diminuir os riscos de acidentes.
Aprimoramos os manuais que acompanham os produtos. Aqui eu gostaria de
desfazer uma pequena confusão: a prática de se dizer no manual que uma arma,
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qualquer arma, ao cair, pode disparar não é só da Taurus. Essa é uma prática
também de outras fabricantes de armas, assim como existem vários outros alertas
agora muito ostensivos. Nós estamos nos baseando, sim, na experiência não só
nossa, nos Estados Unidos, mas também na de todos os fabricantes.
O que se quer dizer com isso? Não se quer dizer: “Esse armamento
específico é inseguro ou não é confiável”. O que se está dizendo é que, em
determinadas circunstâncias, dependendo da manutenção do armamento, da
distância que a arma cai ou das condições nas quais ela vai ao chão, ela pode
disparar. Esse é um alerta feito para isso, mas não é um reconhecimento de defeito.
Deixe-me também mostrar para os senhores uma diferença: nos Estados
Unidos — isso talvez o Salésio possa explicar melhor —, as vendas da Taurus são
principalmente para o mercado civil, que, como todos sabem, é um mercado muito
mais desenvolvido do que o do Brasil. O manual que se usava naquele país era
pensando na pessoa que não tem, necessariamente, preparo, treinamento,
conhecimento suficiente para lidar com esse produto. Então, considerava-se melhor
ser o mais explícito possível.
No Brasil, o principal cliente da Taurus sempre foi o mercado de segurança
pública, composto por profissionais competentes, habilitados e tudo o mais. Agora,
nós queremos ser, nesse processo de aprimoramento, o mais claro possível. A
empresa não pode ser culpada por tomar iniciativas que tragam melhorias, que
tragam benefícios.
Isso inclui a elaboração de material audiovisual — filmes com instruções,
treinamento e tudo o mais — e, finalmente, contatos com todos os órgãos
fiscalizadores dessa atividade, como o Exército Brasileiro, e com os órgãos
regulatórios ou fiscalizadores do interesse público, os Ministérios Públicos. Sim, nós
temos que falar com os Ministérios Públicos, temos que comunicar a eles qual é a
postura da empresa em face desses questionamentos. E nós estamos fazendo
esses contatos permanentemente.
Nada disso é manobra. Tudo isso reflete um compromisso real e permanente
da companhia. Inclusive, nesses contatos com os órgãos públicos, a Taurus se
colocou à disposição, para que, por exemplo, o Exército realize vistorias na fábrica e
veja como são feitos a fabricação e os testes das armas.
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qualquer arma, ao cair, pode disparar não é só da Taurus. Essa é uma prática
também de outras fabricantes de armas, assim como existem vários outros alertas
agora muito ostensivos. Nós estamos nos baseando, sim, na experiência não só
nossa, nos Estados Unidos, mas também na de todos os fabricantes.
O que se quer dizer com isso? Não se quer dizer: “Esse armamento
específico é inseguro ou não é confiável”. O que se está dizendo é que, em
determinadas circunstâncias, dependendo da manutenção do armamento, da
distância que a arma cai ou das condições nas quais ela vai ao chão, ela pode
disparar. Esse é um alerta feito para isso, mas não é um reconhecimento de defeito.
Deixe-me também mostrar para os senhores uma diferença: nos Estados
Unidos — isso talvez o Salésio possa explicar melhor —, as vendas da Taurus são
principalmente para o mercado civil, que, como todos sabem, é um mercado muito
mais desenvolvido do que o do Brasil. O manual que se usava naquele país era
pensando na pessoa que não tem, necessariamente, preparo, treinamento,
conhecimento suficiente para lidar com esse produto. Então, considerava-se melhor
ser o mais explícito possível.
No Brasil, o principal cliente da Taurus sempre foi o mercado de segurança
pública, composto por profissionais competentes, habilitados e tudo o mais. Agora,
nós queremos ser, nesse processo de aprimoramento, o mais claro possível. A
empresa não pode ser culpada por tomar iniciativas que tragam melhorias, que
tragam benefícios.
Isso inclui a elaboração de material audiovisual — filmes com instruções,
treinamento e tudo o mais — e, finalmente, contatos com todos os órgãos
fiscalizadores dessa atividade, como o Exército Brasileiro, e com os órgãos
regulatórios ou fiscalizadores do interesse público, os Ministérios Públicos. Sim, nós
temos que falar com os Ministérios Públicos, temos que comunicar a eles qual é a
postura da empresa em face desses questionamentos. E nós estamos fazendo
esses contatos permanentemente.
Nada disso é manobra. Tudo isso reflete um compromisso real e permanente
da companhia. Inclusive, nesses contatos com os órgãos públicos, a Taurus se
colocou à disposição, para que, por exemplo, o Exército realize vistorias na fábrica e
veja como são feitos a fabricação e os testes das armas.
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E todas as sugestões — toda e qualquer sugestão ou recomendação — que
todos os senhores, legitimamente preocupados com a qualidade da segurança
pública no Brasil, tenham a fazer serão bem-vindas.
Isso tudo tem um objetivo compartilhado por todos: diminuir ao máximo o
risco de acidentes com armas da Taurus. Esse é o nosso compromisso. Nós
queremos fazer tudo o que está ao nosso alcance. Esse é um objetivo certamente
compartilhado pelos senhores, mas, para nós, é muito importante porque, mesmo
quando se comprova que o acidente não é culpa da arma, não é por um defeito da
arma, isso traz desgaste para a companhia. A simples dúvida ou a simples suspeita
de que a arma pode ter falhado ou pode ter um defeito é ruim para a companhia.
Além disso, como dissemos no início, lamentamos qualquer acidente com as armas
da companhia que cause prejuízos às pessoas.
Mas é preciso ter em mente também que esse é um produto naturalmente
sensível, naturalmente perigoso. Então, nós assumimos a nossa responsabilidade
de fazer o que está ao nosso alcance, mas essa responsabilidade também é
compartilhada com o usuário. Assim, nós queremos fazer esse esforço conjunto,
levar ao usuário todas as informações e instruções que podemos, para evitar ao
máximo esse risco de acidentes.
Em relação aos incidentes específicos, o que a Taurus sempre faz é uma
análise cuidadosa e técnica, como não pode deixar de ser. Ela tenta acompanhar as
perícias que são feitas e analisa os seus resultados. Nós pedimos que dois peritos
trouxessem aqui hoje e expusessem aos senhores as perícias feitas em casos
concretos que foram mencionados aqui.
Nós não somos indiferentes a esses acontecimentos. E essa postura é a
mesma aqui ou nos Estados Unidos, que é um grande mercado para a Taurus.
Portanto, quando há judicialização, quando o tema é levado à Justiça, a
companhia tenta transmitir os seus pontos de vista, tenta colocar os seus pontos de
vista de maneira técnica.
A companhia, como eu disse, mesma aberta ao diálogo, não pode assumir
responsabilidade por eventos que ela não causou ou que os seus produtos não
causaram. Isso nós não podemos fazer. Mas, como eu disse, a abertura para o
diálogo existe.
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COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
E todas as sugestões — toda e qualquer sugestão ou recomendação — que
todos os senhores, legitimamente preocupados com a qualidade da segurança
pública no Brasil, tenham a fazer serão bem-vindas.
Isso tudo tem um objetivo compartilhado por todos: diminuir ao máximo o
risco de acidentes com armas da Taurus. Esse é o nosso compromisso. Nós
queremos fazer tudo o que está ao nosso alcance. Esse é um objetivo certamente
compartilhado pelos senhores, mas, para nós, é muito importante porque, mesmo
quando se comprova que o acidente não é culpa da arma, não é por um defeito da
arma, isso traz desgaste para a companhia. A simples dúvida ou a simples suspeita
de que a arma pode ter falhado ou pode ter um defeito é ruim para a companhia.
Além disso, como dissemos no início, lamentamos qualquer acidente com as armas
da companhia que cause prejuízos às pessoas.
Mas é preciso ter em mente também que esse é um produto naturalmente
sensível, naturalmente perigoso. Então, nós assumimos a nossa responsabilidade
de fazer o que está ao nosso alcance, mas essa responsabilidade também é
compartilhada com o usuário. Assim, nós queremos fazer esse esforço conjunto,
levar ao usuário todas as informações e instruções que podemos, para evitar ao
máximo esse risco de acidentes.
Em relação aos incidentes específicos, o que a Taurus sempre faz é uma
análise cuidadosa e técnica, como não pode deixar de ser. Ela tenta acompanhar as
perícias que são feitas e analisa os seus resultados. Nós pedimos que dois peritos
trouxessem aqui hoje e expusessem aos senhores as perícias feitas em casos
concretos que foram mencionados aqui.
Nós não somos indiferentes a esses acontecimentos. E essa postura é a
mesma aqui ou nos Estados Unidos, que é um grande mercado para a Taurus.
Portanto, quando há judicialização, quando o tema é levado à Justiça, a
companhia tenta transmitir os seus pontos de vista, tenta colocar os seus pontos de
vista de maneira técnica.
A companhia, como eu disse, mesma aberta ao diálogo, não pode assumir
responsabilidade por eventos que ela não causou ou que os seus produtos não
causaram. Isso nós não podemos fazer. Mas, como eu disse, a abertura para o
diálogo existe.
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Em relação ao caso nos Estados Unidos, que foi mencionado, eu queria
esclarecer aos senhores que, nessa ação coletiva que é divulgada sempre, não foi
paga nenhuma indenização a quem quer que seja. Por favor, vamos desfazer essa
confusão! Não há indenização para ninguém! O que está previsto nesse acordo — e,
vejam bem, não produziu efeitos ainda, porque ele acabou de ser homologado no
final de julho — é o seguinte: primeiro, basicamente a Taurus se dispõe, para os
proprietários que têm certos modelos de armas, a apresentar material de
treinamento, prepará-lo e divulgá-lo. Ela está fazendo isso lá, assim como estamos
fazendo aqui. Segundo, ela se dispõe a rever gratuitamente as armas de quem
quiser submetê-las à revisão.
Vejam os senhores que, nesse acordo, não é mandatório o recolhimento dos
produtos, o que significa uma evidência de que não houve lá a conclusão de que os
produtos são defeituosos. Não houve isso. Então, cada proprietário de arma tem
essa opção de mandar para a revisão ou não.
E, finalmente, a esses consumidores que integram, sim, o mercado civil e têm
armas em casa, a Taurus deu a opção de devolver essa arma mediante o
recebimento de um valor de 200 dólares. Portanto, efetivamente, o que a Taurus vai
pagar a cada pessoa nos Estados Unidos, com base nesse acordo, são 200 dólares.
E esse valor pode diminuir para até 30 dólares, dependendo do número de pessoas
que aderem.
Houve esse acordo naquele país não porque a Taurus trata as pessoas de lá
diferentemente da forma que trata as daqui. Isso tem a ver com o sistema judiciário
americano. Nesse tipo de ação, nos Estados Unidos, class action, a regra é a de que
se façam acordos. Todas as empresas fazem acordos. Isso é parte do sistema lá. E,
na ordem que homologou o acordo, a Corte diz expressamente que o acordo é
razoável porque, num julgamento, os autores teriam dificuldades para aprovar o
argumento de que as armas eram sistematicamente defeituosas. Isso também
queria deixar muito claro.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Sr. Rabih, agradeço a
V.Sa. O tempo de V.Sa. se encerrou.
O SR. RABIH NASSER - O.k. Só peço para concluir, Sr. Presidente.
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Em relação ao caso nos Estados Unidos, que foi mencionado, eu queria
esclarecer aos senhores que, nessa ação coletiva que é divulgada sempre, não foi
paga nenhuma indenização a quem quer que seja. Por favor, vamos desfazer essa
confusão! Não há indenização para ninguém! O que está previsto nesse acordo — e,
vejam bem, não produziu efeitos ainda, porque ele acabou de ser homologado no
final de julho — é o seguinte: primeiro, basicamente a Taurus se dispõe, para os
proprietários que têm certos modelos de armas, a apresentar material de
treinamento, prepará-lo e divulgá-lo. Ela está fazendo isso lá, assim como estamos
fazendo aqui. Segundo, ela se dispõe a rever gratuitamente as armas de quem
quiser submetê-las à revisão.
Vejam os senhores que, nesse acordo, não é mandatório o recolhimento dos
produtos, o que significa uma evidência de que não houve lá a conclusão de que os
produtos são defeituosos. Não houve isso. Então, cada proprietário de arma tem
essa opção de mandar para a revisão ou não.
E, finalmente, a esses consumidores que integram, sim, o mercado civil e têm
armas em casa, a Taurus deu a opção de devolver essa arma mediante o
recebimento de um valor de 200 dólares. Portanto, efetivamente, o que a Taurus vai
pagar a cada pessoa nos Estados Unidos, com base nesse acordo, são 200 dólares.
E esse valor pode diminuir para até 30 dólares, dependendo do número de pessoas
que aderem.
Houve esse acordo naquele país não porque a Taurus trata as pessoas de lá
diferentemente da forma que trata as daqui. Isso tem a ver com o sistema judiciário
americano. Nesse tipo de ação, nos Estados Unidos, class action, a regra é a de que
se façam acordos. Todas as empresas fazem acordos. Isso é parte do sistema lá. E,
na ordem que homologou o acordo, a Corte diz expressamente que o acordo é
razoável porque, num julgamento, os autores teriam dificuldades para aprovar o
argumento de que as armas eram sistematicamente defeituosas. Isso também
queria deixar muito claro.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Sr. Rabih, agradeço a
V.Sa. O tempo de V.Sa. se encerrou.
O SR. RABIH NASSER - O.k. Só peço para concluir, Sr. Presidente.
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Questionamentos sobre a qualidade de produtos existem em relação a todos
os fabricantes. Atenção: não vamos cair na tentação de escolher um alvo aqui no
Brasil, uma indústria nacional, tradicional, estratégica, e dizer que os produtos da
Taurus são ruins. Todas as fabricantes de armas enfrentam no mundo inteiro
questionamentos como esses que estão sendo feitos aqui. Então, não tenhamos
essa impressão de que nós no Brasil estamos mal, enquanto outros têm acesso às
melhores armas. Vou me permitir discordar disso claramente. Eu acho que isso faz
parte de um debate civilizado.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Rabih
Nasser.
Concedo a palavra neste momento ao Sr. Salésio Nuhs, Vice-Presidente
Comercial e de Relações Institucionais da Companhia Brasileira de Cartuchos —
CBC.
O SR. SALÉSIO NUHS - Exmo. Sr. Presidente, Deputado Alexandre Baldy;
Sr. General Robson Santana de Carvalho; Coronel Muniz; Dr. Rabih; Srs.
Deputados; senhoras e senhores aqui presentes, primeiramente, gostaria de
agradecer o convite para participar desta audiência pública. A Taurus entende que
este é um momento muito especial, e uma oportunidade que a Taurus tem de vir e
esclarecer pontos muito importantes com relação à qualidade dos produtos da
Taurus.
É importante informar aos senhores que a Taurus foi recentemente adquirida
pela CBC. A aquisição, a rigor, foi em 2014, mas nós assumimos a Taurus no
segundo semestre de 2015. Esse período, esse hiato foi por conta da avaliação do
CADE com relação à operação.
Eu gostaria de fazer um parêntese para me apresentar. Eu, além de VicePresidente da Taurus, um cargo que assumo há menos de um ano, também sou
Vice-Presidente da CBC. Eu trabalho na CBC há 26 anos. Eu fui designado pela
CBC para ir para a Taurus e levar para lá o DNA da CBC — o DNA de uma empresa
que tem 90 anos de mercado e que detém outras empresas fora do Brasil.
Essa caminhada da Taurus, mencionada pelo Dr. Rabih, representa o esforço
da nova administração — e muito esforço — para implementá-la. Nós assumimos a
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
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Questionamentos sobre a qualidade de produtos existem em relação a todos
os fabricantes. Atenção: não vamos cair na tentação de escolher um alvo aqui no
Brasil, uma indústria nacional, tradicional, estratégica, e dizer que os produtos da
Taurus são ruins. Todas as fabricantes de armas enfrentam no mundo inteiro
questionamentos como esses que estão sendo feitos aqui. Então, não tenhamos
essa impressão de que nós no Brasil estamos mal, enquanto outros têm acesso às
melhores armas. Vou me permitir discordar disso claramente. Eu acho que isso faz
parte de um debate civilizado.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Rabih
Nasser.
Concedo a palavra neste momento ao Sr. Salésio Nuhs, Vice-Presidente
Comercial e de Relações Institucionais da Companhia Brasileira de Cartuchos —
CBC.
O SR. SALÉSIO NUHS - Exmo. Sr. Presidente, Deputado Alexandre Baldy;
Sr. General Robson Santana de Carvalho; Coronel Muniz; Dr. Rabih; Srs.
Deputados; senhoras e senhores aqui presentes, primeiramente, gostaria de
agradecer o convite para participar desta audiência pública. A Taurus entende que
este é um momento muito especial, e uma oportunidade que a Taurus tem de vir e
esclarecer pontos muito importantes com relação à qualidade dos produtos da
Taurus.
É importante informar aos senhores que a Taurus foi recentemente adquirida
pela CBC. A aquisição, a rigor, foi em 2014, mas nós assumimos a Taurus no
segundo semestre de 2015. Esse período, esse hiato foi por conta da avaliação do
CADE com relação à operação.
Eu gostaria de fazer um parêntese para me apresentar. Eu, além de VicePresidente da Taurus, um cargo que assumo há menos de um ano, também sou
Vice-Presidente da CBC. Eu trabalho na CBC há 26 anos. Eu fui designado pela
CBC para ir para a Taurus e levar para lá o DNA da CBC — o DNA de uma empresa
que tem 90 anos de mercado e que detém outras empresas fora do Brasil.
Essa caminhada da Taurus, mencionada pelo Dr. Rabih, representa o esforço
da nova administração — e muito esforço — para implementá-la. Nós assumimos a
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Taurus com a missão de reconduzi-la ao lugar de destaque que sempre teve,
nesses 76 anos, a uma condição de empresa estratégica de defesa que é.
A Taurus tem uma história brilhante, uma história de muito sucesso. Nós
exportamos para mais de 80 países, nós somos a 4ª marca mais vendida nos
Estados Unidos. A Taurus tem um portfólio de produtos completo, diferentemente da
maioria das empresas fabricantes de uma arma só. A Taurus fabrica revólveres do
calibre 22 ao calibre .500, pistolas dos mais variados calibres e nos mais variados
modelos; nós temos uma linha de carabinas, submetralhadoras e fuzis, e também
uma linha de armas longas para caça. Esse é um dos motivos que faz a Taurus uma
marca de sucesso e de posição de destaque não só no Brasil, como no mundo
inteiro.
Atualmente, a Taurus fabrica 4 mil armas por dia. Basicamente, essas armas
são exportadas para os Estados Unidos. Os Estados Unidos, como todos os
senhores sabem, são o maior mercado mundial de arma de fogo. E nós atendemos,
como o Dr. Rabih falou, a maioria do mercado civil americano.
A Taurus tinha, no Rio Grande do Sul, 3 fábricas que produziam armas de
fogo. Em todo esse processo de gestão da nova Taurus, nós unificamos isso tudo
num único endereço, numa única planta, em São Leopoldo. Esta planta possui hoje
linhas de produção automatizadas que privilegiam a qualidade dos produtos; a
estabilidade do processo e a qualidade do produto. Essa nova fábrica foi inaugurada
no início deste ano de 2016.
A Taurus hoje emprega 3 mil funcionários. E, como o Dr. Rabih bem falou,
são 3 mil funcionários que têm orgulho de trabalhar na Taurus. Na Região
Metropolitana de Porto Alegre, nós empregamos 3 mil funcionários. Somos uma
empresa brasileira, uma empresa que investiu, nesse último ano — apenas nesse
último ano —, mais de 100 milhões de reais, sempre no sentido de aprimorar os
nossos processos de fabricação e a qualidade dos nossos produtos.
A Taurus, nesses 76 anos, Deputado Major Olimpio, acumulou 32 prêmios de
qualidade. É importante destacar também que temos 45 patentes, Deputado
Eduardo Bolsonaro, 45 patentes no Brasil e no mundo.
Essas são algumas coisas que fazem com que a Taurus seja reconhecida
mundialmente pela qualidade dos seus produtos. Um fabricante não produz a 4ª
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Taurus com a missão de reconduzi-la ao lugar de destaque que sempre teve,
nesses 76 anos, a uma condição de empresa estratégica de defesa que é.
A Taurus tem uma história brilhante, uma história de muito sucesso. Nós
exportamos para mais de 80 países, nós somos a 4ª marca mais vendida nos
Estados Unidos. A Taurus tem um portfólio de produtos completo, diferentemente da
maioria das empresas fabricantes de uma arma só. A Taurus fabrica revólveres do
calibre 22 ao calibre .500, pistolas dos mais variados calibres e nos mais variados
modelos; nós temos uma linha de carabinas, submetralhadoras e fuzis, e também
uma linha de armas longas para caça. Esse é um dos motivos que faz a Taurus uma
marca de sucesso e de posição de destaque não só no Brasil, como no mundo
inteiro.
Atualmente, a Taurus fabrica 4 mil armas por dia. Basicamente, essas armas
são exportadas para os Estados Unidos. Os Estados Unidos, como todos os
senhores sabem, são o maior mercado mundial de arma de fogo. E nós atendemos,
como o Dr. Rabih falou, a maioria do mercado civil americano.
A Taurus tinha, no Rio Grande do Sul, 3 fábricas que produziam armas de
fogo. Em todo esse processo de gestão da nova Taurus, nós unificamos isso tudo
num único endereço, numa única planta, em São Leopoldo. Esta planta possui hoje
linhas de produção automatizadas que privilegiam a qualidade dos produtos; a
estabilidade do processo e a qualidade do produto. Essa nova fábrica foi inaugurada
no início deste ano de 2016.
A Taurus hoje emprega 3 mil funcionários. E, como o Dr. Rabih bem falou,
são 3 mil funcionários que têm orgulho de trabalhar na Taurus. Na Região
Metropolitana de Porto Alegre, nós empregamos 3 mil funcionários. Somos uma
empresa brasileira, uma empresa que investiu, nesse último ano — apenas nesse
último ano —, mais de 100 milhões de reais, sempre no sentido de aprimorar os
nossos processos de fabricação e a qualidade dos nossos produtos.
A Taurus, nesses 76 anos, Deputado Major Olimpio, acumulou 32 prêmios de
qualidade. É importante destacar também que temos 45 patentes, Deputado
Eduardo Bolsonaro, 45 patentes no Brasil e no mundo.
Essas são algumas coisas que fazem com que a Taurus seja reconhecida
mundialmente pela qualidade dos seus produtos. Um fabricante não produz a 4ª
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arma mais vendida nos Estados Unidos por acaso. Isso é importante refletir,
Deputado Eduardo Bolsonaro. V.Exa. conhece o mercado americano. Eu tenho visto
na sua página que V.Exa. tem participado, inclusive, de feiras internacionais. Estar
entre os 4 maiores fabricantes de armas nos Estados Unidos não é por acaso.
Com relação aos casos aqui citados, e que foram o objeto desta audiência,
conforme o Dr. Rabih falou, nós realmente lamentamos profundamente os acidentes
ocorridos. Porém, acho que os peritos, os técnicos — acho, não; tenho certeza —
vão falar desses acidentes.
Eu queria me deter, então, um pouco mais no que o Dr. Rabih expressou, que
é hoje a vontade da Taurus. Eu diria para os senhores que o ponto mais importante
desta nova gestão da Taurus é se aproximar dos seus consumidores, dos seus
clientes, prestar-lhes informação.
Nós temos, hoje, um site desenvolvido exclusivamente para dar informação
aos clientes com relação à montagem e desmontagem dos produtos, à necessidade
de manutenção, aos cuidados especiais com a arma de fogo. Nós estabelecemos
uma ligação direta com todos os clientes institucionais, que compraram direto da
fábrica. Nós oficiamos a todos os Comandantes de Polícias Militares e Polícias Civis
no Brasil, dizendo mais ou menos o seguinte: “Se você tem algum desconforto,
alguma insegurança com relação aos nossos produtos, por favor, nos procure, que
nós vamos fazer a revisão preventiva, a manutenção preventiva, em todos esses
armamentos”. Isso foi oficiado a todos os Comandos de Polícias Militares e Polícias
Civis do Brasil.
Nós também estamos, conforme o Dr. Rabih falou, procurando as autoridades
no sentido de dar esse esclarecimento. Os senhores podem ter absoluta certeza de
que a Taurus, nesse contexto, é a mais interessada em esclarecer esses acidentes
e em evitar esses acidentes. Sem dúvida nenhuma, a Taurus é a maior interessada
nisso.
Para finalizar, eu gostaria de dizer e reforçar que, talvez, o ponto mais
importante desta nova gestão é conversar com as pessoas. E aí, Major Olimpio, eu
confirmo o que V.Exa. falou. Eu o procurei e pedi ajuda para resolver o assunto de
São Paulo. É um assunto de 2012 — o senhor sabe bem —, das submetralhadoras.
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arma mais vendida nos Estados Unidos por acaso. Isso é importante refletir,
Deputado Eduardo Bolsonaro. V.Exa. conhece o mercado americano. Eu tenho visto
na sua página que V.Exa. tem participado, inclusive, de feiras internacionais. Estar
entre os 4 maiores fabricantes de armas nos Estados Unidos não é por acaso.
Com relação aos casos aqui citados, e que foram o objeto desta audiência,
conforme o Dr. Rabih falou, nós realmente lamentamos profundamente os acidentes
ocorridos. Porém, acho que os peritos, os técnicos — acho, não; tenho certeza —
vão falar desses acidentes.
Eu queria me deter, então, um pouco mais no que o Dr. Rabih expressou, que
é hoje a vontade da Taurus. Eu diria para os senhores que o ponto mais importante
desta nova gestão da Taurus é se aproximar dos seus consumidores, dos seus
clientes, prestar-lhes informação.
Nós temos, hoje, um site desenvolvido exclusivamente para dar informação
aos clientes com relação à montagem e desmontagem dos produtos, à necessidade
de manutenção, aos cuidados especiais com a arma de fogo. Nós estabelecemos
uma ligação direta com todos os clientes institucionais, que compraram direto da
fábrica. Nós oficiamos a todos os Comandantes de Polícias Militares e Polícias Civis
no Brasil, dizendo mais ou menos o seguinte: “Se você tem algum desconforto,
alguma insegurança com relação aos nossos produtos, por favor, nos procure, que
nós vamos fazer a revisão preventiva, a manutenção preventiva, em todos esses
armamentos”. Isso foi oficiado a todos os Comandos de Polícias Militares e Polícias
Civis do Brasil.
Nós também estamos, conforme o Dr. Rabih falou, procurando as autoridades
no sentido de dar esse esclarecimento. Os senhores podem ter absoluta certeza de
que a Taurus, nesse contexto, é a mais interessada em esclarecer esses acidentes
e em evitar esses acidentes. Sem dúvida nenhuma, a Taurus é a maior interessada
nisso.
Para finalizar, eu gostaria de dizer e reforçar que, talvez, o ponto mais
importante desta nova gestão é conversar com as pessoas. E aí, Major Olimpio, eu
confirmo o que V.Exa. falou. Eu o procurei e pedi ajuda para resolver o assunto de
São Paulo. É um assunto de 2012 — o senhor sabe bem —, das submetralhadoras.
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E eu procurei o senhor no sentido de resolver o assunto. Eu quero resolver o
assunto. A Taurus quer resolver o assunto. E foi nesse sentido...
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - A Polícia Militar...
O SR. SALÉSIO NUHS - Mas eu pedi ajuda ao senhor...
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - A Polícia Militar está dizendo que os
senhores não cumpriram o contrato, que os senhores não têm respeito pela Polícia
Militar de São Paulo. É bom que fique muito bem claro isso!
O SR. SALÉSIO NUHS - É bom que fique bem claro, realmente, e eu
agradeço ao senhor esta oportunidade de eu poder esclarecer esse ponto. A Taurus
ofereceu à Polícia Militar de São Paulo — e isso está comprovado por ofícios, que
eu posso consignar aqui à Mesa — a troca daquelas submetralhadoras não por
outro calibre, mas também por outro calibre, se fosse a escolha da Polícia Militar.
Naquele momento, Deputado, a Polícia Militar fez a opção pelo Calibre 40 porque o
Calibre 9 mm ainda não era permitido às Polícias Militares.
Então, o que a companhia fez? É fato, e eu estou dizendo aqui aos senhores,
que realmente esta é nossa intenção: procurar todas as instituições e resolver todos
os problemas. Eu reafirmo que essa, talvez, tenha sido a maior atitude desta nova
gestão: procurar as pessoas, dar informações e resolver os problemas.
Dessa forma, eu gostaria de agradecer e de me colocar à disposição dos
senhores para qualquer esclarecimento necessário.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Salésio
Nuhs, Vice-Presidente Comercial, e agradeço aos palestrantes desta Mesa,
solicitando a V.Sas. que nos permitam convidar, para tomar assento, os senhores
que participarão da próxima etapa.
Agradeço ao General Robson, muito obrigado. Também agradeço ao Sr.
Salésio, ao Coronel Muniz e ao Sr. Rabih.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Sr. Presidente, V.Exa. me
permite só um questionamento? Os participantes ficarão aqui para as perguntas que
os Deputados eventualmente queiram formular ao final?
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E eu procurei o senhor no sentido de resolver o assunto. Eu quero resolver o
assunto. A Taurus quer resolver o assunto. E foi nesse sentido...
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - A Polícia Militar...
O SR. SALÉSIO NUHS - Mas eu pedi ajuda ao senhor...
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - A Polícia Militar está dizendo que os
senhores não cumpriram o contrato, que os senhores não têm respeito pela Polícia
Militar de São Paulo. É bom que fique muito bem claro isso!
O SR. SALÉSIO NUHS - É bom que fique bem claro, realmente, e eu
agradeço ao senhor esta oportunidade de eu poder esclarecer esse ponto. A Taurus
ofereceu à Polícia Militar de São Paulo — e isso está comprovado por ofícios, que
eu posso consignar aqui à Mesa — a troca daquelas submetralhadoras não por
outro calibre, mas também por outro calibre, se fosse a escolha da Polícia Militar.
Naquele momento, Deputado, a Polícia Militar fez a opção pelo Calibre 40 porque o
Calibre 9 mm ainda não era permitido às Polícias Militares.
Então, o que a companhia fez? É fato, e eu estou dizendo aqui aos senhores,
que realmente esta é nossa intenção: procurar todas as instituições e resolver todos
os problemas. Eu reafirmo que essa, talvez, tenha sido a maior atitude desta nova
gestão: procurar as pessoas, dar informações e resolver os problemas.
Dessa forma, eu gostaria de agradecer e de me colocar à disposição dos
senhores para qualquer esclarecimento necessário.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Salésio
Nuhs, Vice-Presidente Comercial, e agradeço aos palestrantes desta Mesa,
solicitando a V.Sas. que nos permitam convidar, para tomar assento, os senhores
que participarão da próxima etapa.
Agradeço ao General Robson, muito obrigado. Também agradeço ao Sr.
Salésio, ao Coronel Muniz e ao Sr. Rabih.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Sr. Presidente, V.Exa. me
permite só um questionamento? Os participantes ficarão aqui para as perguntas que
os Deputados eventualmente queiram formular ao final?
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O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - É uma deliberação de
cada um, Deputado Eduardo. Eles estão convidados para que possam prestar algum
esclarecimento.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Se pudessem, por gentileza,
eu gostaria que eles ficassem, porque acredito que outros Deputados também
tenham tomado nota para algumas indagações. Quer-se também deixar bem claros
os procedimentos referentes a esta audiência.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeitamente. Agradeço
aos senhores. Muito obrigado.
Convido, para tomar assento à mesa, o Sr. Carlos Frederico de Oliveira
Pereira, Subprocurador-Geral da Justiça Militar; o Sr. Domingos Tocchetto, Perito
Criminal; o Sr. Geraldo Bertolo, Perito Criminal; e o Sr. Ladislau Brito Santos Júnior,
Perito Criminal.
Concedo a palavra, neste momento, ao Sr. Domingos Tocchetto, Perito
Criminal, por 15 minutos.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Boa tarde aos senhores, eu quero
cumprimentar o Presidente e os demais Deputados integrantes desta sessão.
Agradeço o convite que me foi formulado para vir aqui, na qualidade de perito, e
tentarei esclarecer algo que possa ajudar a evitar ou, pelo menos, minimizar os
acidentes com armas de fogo.
Eu quero dizer que me solidarizo com todos aqueles que se manifestaram
aqui. Eu trabalho como perito, eu sou perito criminalista aposentado do Estado do
Rio Grande do Sul, onde trabalhei por mais de 20 anos.
Eu lido com armas de fogo desde 1972 e, apesar de estar aposentado, tento
manter-me atualizado, pois sou autor de vários livros sobre armas de fogo, e que
são usados pela maioria dos peritos no Brasil. Tenho responsabilidade porque eu
coloco no papel algo que os colegas do Ministério Público ou do Poder Judiciário
usam, às vezes, para tomar decisões. Então, eu considero isso uma grande
responsabilidade nas minhas costas e também pelo fato de eu ser um dos peritos
que mais tempo tem em trabalho contínuo na área da balística.
Agradeço o convite, e eu gostaria de me dirigir para lá, para usar o Power
Point e fazer a minha exposição.
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O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - É uma deliberação de
cada um, Deputado Eduardo. Eles estão convidados para que possam prestar algum
esclarecimento.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Se pudessem, por gentileza,
eu gostaria que eles ficassem, porque acredito que outros Deputados também
tenham tomado nota para algumas indagações. Quer-se também deixar bem claros
os procedimentos referentes a esta audiência.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Perfeitamente. Agradeço
aos senhores. Muito obrigado.
Convido, para tomar assento à mesa, o Sr. Carlos Frederico de Oliveira
Pereira, Subprocurador-Geral da Justiça Militar; o Sr. Domingos Tocchetto, Perito
Criminal; o Sr. Geraldo Bertolo, Perito Criminal; e o Sr. Ladislau Brito Santos Júnior,
Perito Criminal.
Concedo a palavra, neste momento, ao Sr. Domingos Tocchetto, Perito
Criminal, por 15 minutos.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Boa tarde aos senhores, eu quero
cumprimentar o Presidente e os demais Deputados integrantes desta sessão.
Agradeço o convite que me foi formulado para vir aqui, na qualidade de perito, e
tentarei esclarecer algo que possa ajudar a evitar ou, pelo menos, minimizar os
acidentes com armas de fogo.
Eu quero dizer que me solidarizo com todos aqueles que se manifestaram
aqui. Eu trabalho como perito, eu sou perito criminalista aposentado do Estado do
Rio Grande do Sul, onde trabalhei por mais de 20 anos.
Eu lido com armas de fogo desde 1972 e, apesar de estar aposentado, tento
manter-me atualizado, pois sou autor de vários livros sobre armas de fogo, e que
são usados pela maioria dos peritos no Brasil. Tenho responsabilidade porque eu
coloco no papel algo que os colegas do Ministério Público ou do Poder Judiciário
usam, às vezes, para tomar decisões. Então, eu considero isso uma grande
responsabilidade nas minhas costas e também pelo fato de eu ser um dos peritos
que mais tempo tem em trabalho contínuo na área da balística.
Agradeço o convite, e eu gostaria de me dirigir para lá, para usar o Power
Point e fazer a minha exposição.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
(Segue-se exibição de imagens.)
Vejam os senhores que a minha manifestação aqui é para tentar interpretar e
esclarecer laudos dentro de processos de algum dos senhores presentes aqui.
Muitas pessoas, às vezes, leem um laudo e não sabem interpretá-lo. Existem termos
técnicos, e é isso que eu e o colega Geraldo Bertolo vamos tentar explicar.
Existem duas normas que são usadas para a perícia. Vejam que o perito não
pode inventar uma norma: quando o perito recebe uma arma de fogo, ele tem que
submeter essa arma a uma determinada norma, a um teste que existe e que está
regrado.
Existe uma norma brasileira, que o Geraldo apresentou, que é a NEB 267,
para pistolas e revólveres, e existe uma norma americana, a NIJ, que é para pistolas
de uso policial nos Estados Unidos. Os senhores vão ver que, em alguns laudos, os
colegas usaram a NIJ; em outros, usaram a NEB e, em outros laudos, inclusive,
extrapolaram e usaram testes além dessas duas normas.
Eu inicio com os laudos existentes. É o caso do Luciano Gomes, e quero dizer
que todas as informações que eu vou colocar aqui estão no processo e, portanto,
podem ser consultadas a qualquer momento.
Vejam que a pistola do Luciano é a arma PT 24/7 e, segundo o relato dele,
ele se dirigia ao seu quarto com a arma travada, municiada e alimentada, e ao retirála do coldre da cintura, a sua pistola caiu ao chão e produziu um disparo, um tiro que
o feriu. Aqui, eu chamo a atenção que o procedimento pericial foi feito corretamente.
Houve lesão corporal? E o que diz o Código de Processo Penal nesse caso? Deve
ser feita a comunicação e requisitada a perícia; o perito tem que ir ao local, examinar
o local e colher os vestígios. Então, nesse caso, foi obedecida à norma pericial, à
norma técnica.
O primeiro exame foi feito no local, onde os peritos recolheram e encontraram
os vestígios, como uma pistola, um carregador, 14 cartuchos, um estojo, um projetil
e um coldre. O vestígio que chamou a atenção dos peritos foi um trincamento no
piso, que era de porcelanato. Ao final do laudo, os peritos dizem que devolveram a
pistola, o carregador, o cartucho, o projetil, mas não fizeram referência à devolução
do coldre.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
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Número: 0933/16
03/08/2016
(Segue-se exibição de imagens.)
Vejam os senhores que a minha manifestação aqui é para tentar interpretar e
esclarecer laudos dentro de processos de algum dos senhores presentes aqui.
Muitas pessoas, às vezes, leem um laudo e não sabem interpretá-lo. Existem termos
técnicos, e é isso que eu e o colega Geraldo Bertolo vamos tentar explicar.
Existem duas normas que são usadas para a perícia. Vejam que o perito não
pode inventar uma norma: quando o perito recebe uma arma de fogo, ele tem que
submeter essa arma a uma determinada norma, a um teste que existe e que está
regrado.
Existe uma norma brasileira, que o Geraldo apresentou, que é a NEB 267,
para pistolas e revólveres, e existe uma norma americana, a NIJ, que é para pistolas
de uso policial nos Estados Unidos. Os senhores vão ver que, em alguns laudos, os
colegas usaram a NIJ; em outros, usaram a NEB e, em outros laudos, inclusive,
extrapolaram e usaram testes além dessas duas normas.
Eu inicio com os laudos existentes. É o caso do Luciano Gomes, e quero dizer
que todas as informações que eu vou colocar aqui estão no processo e, portanto,
podem ser consultadas a qualquer momento.
Vejam que a pistola do Luciano é a arma PT 24/7 e, segundo o relato dele,
ele se dirigia ao seu quarto com a arma travada, municiada e alimentada, e ao retirála do coldre da cintura, a sua pistola caiu ao chão e produziu um disparo, um tiro que
o feriu. Aqui, eu chamo a atenção que o procedimento pericial foi feito corretamente.
Houve lesão corporal? E o que diz o Código de Processo Penal nesse caso? Deve
ser feita a comunicação e requisitada a perícia; o perito tem que ir ao local, examinar
o local e colher os vestígios. Então, nesse caso, foi obedecida à norma pericial, à
norma técnica.
O primeiro exame foi feito no local, onde os peritos recolheram e encontraram
os vestígios, como uma pistola, um carregador, 14 cartuchos, um estojo, um projetil
e um coldre. O vestígio que chamou a atenção dos peritos foi um trincamento no
piso, que era de porcelanato. Ao final do laudo, os peritos dizem que devolveram a
pistola, o carregador, o cartucho, o projetil, mas não fizeram referência à devolução
do coldre.
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03/08/2016
O primeiro exame dessa arma consta numa informação técnica, feita pelo
Instituto de Criminalística do Distrito Federal, em que eles submeteram a arma a um
teste de quedas, segundo a NEB, e na realidade eles foram um pouco além da NEB.
A NEB manda fazer o teste de queda a 1 metro e 20 de altura, e eles fizeram o teste
de queda a 50 centímetros, a 1 metro e a 1 metro e meio do chão; 3 quedas em
cada posição, com a arma engatilhada e desengatilhada, com a arma com o tambor
vazio e com o tambor cheio. Então, somando, foram 36 quedas dessa pistola.
O resultado final, a conclusão dos peritos é que não ocorreu a percussão na
espoleta em nenhum desses ensaios, após 36 quedas, sendo que as últimas quedas
foram a 1 metro e 50 centímetros de altura, acima de qualquer norma nacional e
internacional.
Houve um segundo laudo, já em 2014. O fato aconteceu em 2011, foram
encaminhadas 3 armas, e novamente o Instituto Criminalística examinou a arma do
Luciano, que é a arma 2, a arma do Cassius e a arma do Carlos. Nesse caso, foram
elas submetidas aos testes, segundo a norma NIJ, a norma americana, e qual foi o
resultado? As armas do Cassius e do Carlos não marcaram espoleta em 100%; a
arma do Luciano, numa queda, numa posição, marcou a espoleta. Só que a
marcação da espoleta, na norma NIJ, não é considerada critério de falha, admite-se.
O que não pode é a detonação do cartucho, e isso a norma diz claramente.
E, mais, o que fizeram os peritos? Após essas quedas, eles submeteram ao
teste pós-queda, isto é, desmontaram as armas, examinaram as peças, remontaram
as armas e produziram uma série de 20 tiros com cada arma, mas não houve
nenhuma falha. Portanto, segundo o critério, segundo as perícias feitas, essas
armas estavam em condições adequadas pela exigência da norma brasileira e da
americana.
O segundo caso é do Alexandre, referente a uma pistola 9 milímetros, uma
PT 99 AF, uma pistola antiga porque foi fabricada em 1995. Não houve nesse caso a
requisição da perícia local, ou pelo menos nos autos não aparece a realização da
perícia pelo Instituto de Criminalística na pistola, nem a apreensão formal dessa
pistola, do estojo e do projetil, ou seja, não houve a localização disso nos autos.
Qual foi o histórico? Ao abrir a porta do quarto, sua pistola caiu ao chão, ou
escorregou da mão, vindo a produzir um tiro acidental. Dentro dos depoimentos, foi
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O primeiro exame dessa arma consta numa informação técnica, feita pelo
Instituto de Criminalística do Distrito Federal, em que eles submeteram a arma a um
teste de quedas, segundo a NEB, e na realidade eles foram um pouco além da NEB.
A NEB manda fazer o teste de queda a 1 metro e 20 de altura, e eles fizeram o teste
de queda a 50 centímetros, a 1 metro e a 1 metro e meio do chão; 3 quedas em
cada posição, com a arma engatilhada e desengatilhada, com a arma com o tambor
vazio e com o tambor cheio. Então, somando, foram 36 quedas dessa pistola.
O resultado final, a conclusão dos peritos é que não ocorreu a percussão na
espoleta em nenhum desses ensaios, após 36 quedas, sendo que as últimas quedas
foram a 1 metro e 50 centímetros de altura, acima de qualquer norma nacional e
internacional.
Houve um segundo laudo, já em 2014. O fato aconteceu em 2011, foram
encaminhadas 3 armas, e novamente o Instituto Criminalística examinou a arma do
Luciano, que é a arma 2, a arma do Cassius e a arma do Carlos. Nesse caso, foram
elas submetidas aos testes, segundo a norma NIJ, a norma americana, e qual foi o
resultado? As armas do Cassius e do Carlos não marcaram espoleta em 100%; a
arma do Luciano, numa queda, numa posição, marcou a espoleta. Só que a
marcação da espoleta, na norma NIJ, não é considerada critério de falha, admite-se.
O que não pode é a detonação do cartucho, e isso a norma diz claramente.
E, mais, o que fizeram os peritos? Após essas quedas, eles submeteram ao
teste pós-queda, isto é, desmontaram as armas, examinaram as peças, remontaram
as armas e produziram uma série de 20 tiros com cada arma, mas não houve
nenhuma falha. Portanto, segundo o critério, segundo as perícias feitas, essas
armas estavam em condições adequadas pela exigência da norma brasileira e da
americana.
O segundo caso é do Alexandre, referente a uma pistola 9 milímetros, uma
PT 99 AF, uma pistola antiga porque foi fabricada em 1995. Não houve nesse caso a
requisição da perícia local, ou pelo menos nos autos não aparece a realização da
perícia pelo Instituto de Criminalística na pistola, nem a apreensão formal dessa
pistola, do estojo e do projetil, ou seja, não houve a localização disso nos autos.
Qual foi o histórico? Ao abrir a porta do quarto, sua pistola caiu ao chão, ou
escorregou da mão, vindo a produzir um tiro acidental. Dentro dos depoimentos, foi
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informado que as pistolas 9 milímetros eram antigas e estavam na reserva do
armamento da Academia há muito tempo e, algumas vezes, essa pistola deu pane,
como dupla alimentação; isso consta dos autos.
O primeiro exame realizado nessa pistola — aliás, o único exame real — foi
feito pelos armeiros da Divisão de Material Bélico da PM de Goiás. Eles fizeram uma
avaliação. Eles desmontaram a arma e examinaram peça por peça, e concluíram
que nenhuma dessas peças apresentava defeito, nenhuma apresentava trincas. A
conclusão dessa avaliação é que, durante a inspeção, não foi detectada nenhuma
falha no mecanismo de funcionamento, bem como no sistema de segurança da
arma, e emitiram um parecer para que fosse reempregada. Essa foi a avaliação da
Divisão de Material Bélico.
O Alexandre juntou um laudo que não era relativo à arma dele, mas era um
laudo que foi feito também aqui no Distrito Federal, pelo Instituto de Criminalística,
de 25 pistolas 24/7. Os peritos submeteram essas pistolas a dois conjuntos de teste.
No primeiro conjunto, de acordo com a norma NIJ, a norma americana, dessas 25
pistolas, em todos as quedas que eles fizeram, apenas uma pistola numa queda
marcou a espoleta; as demais foram aprovadas segundo a norma NIJ. A que marcou
a espoleta não foi reprovada, porque marcar a espoleta numa queda não é
considerado falha no teste segundo a norma NIJ.
Vejam que o correto seria que, após essa série de queda, abrir a arma,
examinar peça por peça, para poder ver o quê? A trinca ou o desajuste de peças ou
eventuais danos à arma, para, então, remontá-la.
Os peritos, infelizmente, não fizeram isso. Imediatamente, fizeram um
segundo teste, com as quedas previstas na norma NIJ — só que sobre um piso de
concreto, e não sobre o piso determinado pela norma. No piso de concreto, 3
pistolas, em uma queda, detonaram um cartucho, e 6 marcaram a espoleta. Isso
constatado, a conclusão dos peritos foi que o primeiro escalão não apresentou
trincamentos nem danos às peças. No teste final, após todas as quedas, produziram
10 tiros e não obtiveram nenhuma falha.
O terceiro caso, com Eduardo Bruno, envolveu uma pistola PT 24/7. Segundo
o relato, quando o autor tentou pegar a arma de fogo que estava sobre a mesa, ela
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informado que as pistolas 9 milímetros eram antigas e estavam na reserva do
armamento da Academia há muito tempo e, algumas vezes, essa pistola deu pane,
como dupla alimentação; isso consta dos autos.
O primeiro exame realizado nessa pistola — aliás, o único exame real — foi
feito pelos armeiros da Divisão de Material Bélico da PM de Goiás. Eles fizeram uma
avaliação. Eles desmontaram a arma e examinaram peça por peça, e concluíram
que nenhuma dessas peças apresentava defeito, nenhuma apresentava trincas. A
conclusão dessa avaliação é que, durante a inspeção, não foi detectada nenhuma
falha no mecanismo de funcionamento, bem como no sistema de segurança da
arma, e emitiram um parecer para que fosse reempregada. Essa foi a avaliação da
Divisão de Material Bélico.
O Alexandre juntou um laudo que não era relativo à arma dele, mas era um
laudo que foi feito também aqui no Distrito Federal, pelo Instituto de Criminalística,
de 25 pistolas 24/7. Os peritos submeteram essas pistolas a dois conjuntos de teste.
No primeiro conjunto, de acordo com a norma NIJ, a norma americana, dessas 25
pistolas, em todos as quedas que eles fizeram, apenas uma pistola numa queda
marcou a espoleta; as demais foram aprovadas segundo a norma NIJ. A que marcou
a espoleta não foi reprovada, porque marcar a espoleta numa queda não é
considerado falha no teste segundo a norma NIJ.
Vejam que o correto seria que, após essa série de queda, abrir a arma,
examinar peça por peça, para poder ver o quê? A trinca ou o desajuste de peças ou
eventuais danos à arma, para, então, remontá-la.
Os peritos, infelizmente, não fizeram isso. Imediatamente, fizeram um
segundo teste, com as quedas previstas na norma NIJ — só que sobre um piso de
concreto, e não sobre o piso determinado pela norma. No piso de concreto, 3
pistolas, em uma queda, detonaram um cartucho, e 6 marcaram a espoleta. Isso
constatado, a conclusão dos peritos foi que o primeiro escalão não apresentou
trincamentos nem danos às peças. No teste final, após todas as quedas, produziram
10 tiros e não obtiveram nenhuma falha.
O terceiro caso, com Eduardo Bruno, envolveu uma pistola PT 24/7. Segundo
o relato, quando o autor tentou pegar a arma de fogo que estava sobre a mesa, ela
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escapuliu de sua mão e caiu, produzindo um disparo que o atingiu em sua região
abdominal.
Nesse caso, não houve — pelo menos, não consta dos autos — apreensão
formal do estojo, do projetil e realização em juntada aos autos de perícia da pistola
para verificar suas condições de segurança quanto a testes de queda. O relato feito
pelo autor é este. A pistola teria caído em um piso de cerâmica, um piso dourado,
segundo os peritos informaram.
Houve um exame do local, e os peritos, então, recolheram a arma. Após o
exame do funcionamento, a encaminharam para uma perícia na seção de balística
forense. O resultado desse exame preliminar, feito no local e na arma, revela que a
arma mostrou-se naturalmente perigosa, uma vez que seus dispositivos não
apresentavam trava de segurança.
É preciso fazer uma correção: esse modelo não possui trava externa, mas
possui trava do percussor e trava do gatilho.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Não, trava externa!
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Sim. Essa arma não apresentava trava de
segurança. Só que ela não tem trava externa, mas tem, como elemento de
segurança, a trava do percursor e a trava do gatilho.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - O modelo não tem trava externa
nenhuma. É semelhante à Glock. A maioria dos modelos Glock tem um sistema
parecido com esse. Não tem trava externa, mas tem trava do gatilho e trava do
percussor.
Houve, sim, a realização de um laudo pericial na arma, que não foi juntado
ainda aos autos. Localizando esse laudo, vejam que os peritos dizem que o estado
geral da arma era ruim quando a receberam. Havia um abaulamento na parte inferior
do trilho do ferrolho, que impedia o seu fechamento. Os peritos dizem que o histórico
de quedas dessa arma é insuficiente para, isoladamente, produzir o dano
encontrado. Para eles poderem realizar os testes, tiveram que corrigir esse defeito,
esse abaulamento.
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escapuliu de sua mão e caiu, produzindo um disparo que o atingiu em sua região
abdominal.
Nesse caso, não houve — pelo menos, não consta dos autos — apreensão
formal do estojo, do projetil e realização em juntada aos autos de perícia da pistola
para verificar suas condições de segurança quanto a testes de queda. O relato feito
pelo autor é este. A pistola teria caído em um piso de cerâmica, um piso dourado,
segundo os peritos informaram.
Houve um exame do local, e os peritos, então, recolheram a arma. Após o
exame do funcionamento, a encaminharam para uma perícia na seção de balística
forense. O resultado desse exame preliminar, feito no local e na arma, revela que a
arma mostrou-se naturalmente perigosa, uma vez que seus dispositivos não
apresentavam trava de segurança.
É preciso fazer uma correção: esse modelo não possui trava externa, mas
possui trava do percussor e trava do gatilho.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Não, trava externa!
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Sim. Essa arma não apresentava trava de
segurança. Só que ela não tem trava externa, mas tem, como elemento de
segurança, a trava do percursor e a trava do gatilho.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - O modelo não tem trava externa
nenhuma. É semelhante à Glock. A maioria dos modelos Glock tem um sistema
parecido com esse. Não tem trava externa, mas tem trava do gatilho e trava do
percussor.
Houve, sim, a realização de um laudo pericial na arma, que não foi juntado
ainda aos autos. Localizando esse laudo, vejam que os peritos dizem que o estado
geral da arma era ruim quando a receberam. Havia um abaulamento na parte inferior
do trilho do ferrolho, que impedia o seu fechamento. Os peritos dizem que o histórico
de quedas dessa arma é insuficiente para, isoladamente, produzir o dano
encontrado. Para eles poderem realizar os testes, tiveram que corrigir esse defeito,
esse abaulamento.
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Fizeram testes de queda: 3 quedas em cada uma das alturas — 50
centímetros, 1 metro e 1 metro e meio, acima de qualquer norma internacional —,
em 6 posições diferentes, num total de 54 quedas. E o resultado foi o seguinte: em
nenhum caso houve a percussão, a marcação da espoleta. Foram 54 quedas, as
últimas a 1 metro e meio de altura.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Sim, de acordo com a norma NIJ. Piso de
borracha.
(Não identificado) - Cinquenta e quatro quedas em piso de borracha?
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Sim.
Eu gostaria de chamar atenção para o fato de que o perito faz.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Não, a norma NIJ é americana.
Gostaria de dizer que o objetivo da minha participação aqui é fazer a análise
dos laudos e, talvez, ajudar a encontrar uma solução técnica e jurídica para o
problema. Essa é a minha intenção.
(Não identificado) - Se cair na cerâmica, ela dispara. Se cair no piso de
borracha, ela não dispara?
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Não. Em que altura caiu? De que forma
caiu na cerâmica? Nós não temos esse relato e esse registro.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Estou analisando o que consta nos
laudos. Eu não fiz perícia na arma, não testei a arma. Isso é feito por peritos de
instituto de criminalística.
Nesse teste, os peritos dizem que extrapolaram em relação aos testes
normais, no intuito de verificar qualquer outra possibilidade de ocorrência de tiro
acidental.
Extrapolações dos peritos nos testes: em vez de uma queda, produziram 3
quedas em cada posição; 2ª - Em vez de realizar as quedas de uma única altura,
realizaram as quedas de 3 alturas diferentes: meio metro, 1 metro e 1 metro e meio;
3ª - Em vez de usar a altura máxima, prevista na Norma NIJ, de 1,22 metros, o
terceiro conjunto de quedas foi de 1,50 metros.
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Fizeram testes de queda: 3 quedas em cada uma das alturas — 50
centímetros, 1 metro e 1 metro e meio, acima de qualquer norma internacional —,
em 6 posições diferentes, num total de 54 quedas. E o resultado foi o seguinte: em
nenhum caso houve a percussão, a marcação da espoleta. Foram 54 quedas, as
últimas a 1 metro e meio de altura.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Sim, de acordo com a norma NIJ. Piso de
borracha.
(Não identificado) - Cinquenta e quatro quedas em piso de borracha?
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Sim.
Eu gostaria de chamar atenção para o fato de que o perito faz.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Não, a norma NIJ é americana.
Gostaria de dizer que o objetivo da minha participação aqui é fazer a análise
dos laudos e, talvez, ajudar a encontrar uma solução técnica e jurídica para o
problema. Essa é a minha intenção.
(Não identificado) - Se cair na cerâmica, ela dispara. Se cair no piso de
borracha, ela não dispara?
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Não. Em que altura caiu? De que forma
caiu na cerâmica? Nós não temos esse relato e esse registro.
(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Estou analisando o que consta nos
laudos. Eu não fiz perícia na arma, não testei a arma. Isso é feito por peritos de
instituto de criminalística.
Nesse teste, os peritos dizem que extrapolaram em relação aos testes
normais, no intuito de verificar qualquer outra possibilidade de ocorrência de tiro
acidental.
Extrapolações dos peritos nos testes: em vez de uma queda, produziram 3
quedas em cada posição; 2ª - Em vez de realizar as quedas de uma única altura,
realizaram as quedas de 3 alturas diferentes: meio metro, 1 metro e 1 metro e meio;
3ª - Em vez de usar a altura máxima, prevista na Norma NIJ, de 1,22 metros, o
terceiro conjunto de quedas foi de 1,50 metros.
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No caso do Cleomar, novamente uma pistola PT 24/7. Houve apreensão da
arma. E, segundo relato, o acidente teria ocorrido pelo fato de a arma ter ficado
presa na cintura ou na camisa. E, quando ela caiu, o tiro atingiu o pé de Eraldo Vilar
de Medeiros.
Essa arma, segundo consta nos autos, foi encaminhada para um armeiro,
após o fato. Vejam, não foi apreendida nem submetida diretamente a uma perícia
oficial. No primeiro laudo de exame pericial da arma, o resultado foi: o estado geral
da arma de fogo era bom. O exame revelou que ela estava apta para realização de
disparos. Esse foi o resultado da primeira perícia.
No segundo laudo de perícia criminal, os resultados dos testes feitos segundo
a norma NIJ, no segundo grupo de testes: detonação da espoleta numa queda sobre
o piso de concreto (fora da norma). Mas, sobre o piso de borracha, como diz a
norma, não houve nenhuma detonação.
Testes após a queda: 20 tiros, sem nenhuma falha de tiro.
A arma do Cassius foi periciada junto com a arma do Luciano. O resultado já
foi comentado aqui. A arma PT 24/7 foi submetida a testes. A arma não apresentava
problemas, segundo os testes realizados pelos peritos.
Testes de queda realizados segundo a norma NIJ. Resultados: Aprovada
(mais 20 tiros); não foram encontrados danos ou trincamentos; não marcou a
espoleta.
No caso de Carlos Zardo, a arma também foi periciada, juntamente com as
armas do Cassius e do Luciano, naquele laudo do Instituto de Criminalística aqui de
Brasília. Trata-se da mesma situação da arma do Cassius.
A conclusão do laudo, segundo os testes da norma NIJ: aprovada. Foi
submetida ao teste pós-queda — 20 tiros — e funcionou. Não foram encontrados
danos ou trincamentos. Foi considerada apta para disparos em série.
Aqui há algumas situações que eu gostaria de colocar. Nenhuma arma de
fogo dispara sozinha. Não existe isso. O tiro tem que ser precedido de um disparo,
isto é, de alguma maneira tem que ser colocado em movimento o mecanismo de
disparo da arma, senão não há produção de tiro. Voluntária ou involuntariamente,
por acidente, de alguma maneira tem que se movimentar o mecanismo de disparo
para se produzir o tiro. Não há como afirmar que arma de fogo dispara sozinha. Isso
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No caso do Cleomar, novamente uma pistola PT 24/7. Houve apreensão da
arma. E, segundo relato, o acidente teria ocorrido pelo fato de a arma ter ficado
presa na cintura ou na camisa. E, quando ela caiu, o tiro atingiu o pé de Eraldo Vilar
de Medeiros.
Essa arma, segundo consta nos autos, foi encaminhada para um armeiro,
após o fato. Vejam, não foi apreendida nem submetida diretamente a uma perícia
oficial. No primeiro laudo de exame pericial da arma, o resultado foi: o estado geral
da arma de fogo era bom. O exame revelou que ela estava apta para realização de
disparos. Esse foi o resultado da primeira perícia.
No segundo laudo de perícia criminal, os resultados dos testes feitos segundo
a norma NIJ, no segundo grupo de testes: detonação da espoleta numa queda sobre
o piso de concreto (fora da norma). Mas, sobre o piso de borracha, como diz a
norma, não houve nenhuma detonação.
Testes após a queda: 20 tiros, sem nenhuma falha de tiro.
A arma do Cassius foi periciada junto com a arma do Luciano. O resultado já
foi comentado aqui. A arma PT 24/7 foi submetida a testes. A arma não apresentava
problemas, segundo os testes realizados pelos peritos.
Testes de queda realizados segundo a norma NIJ. Resultados: Aprovada
(mais 20 tiros); não foram encontrados danos ou trincamentos; não marcou a
espoleta.
No caso de Carlos Zardo, a arma também foi periciada, juntamente com as
armas do Cassius e do Luciano, naquele laudo do Instituto de Criminalística aqui de
Brasília. Trata-se da mesma situação da arma do Cassius.
A conclusão do laudo, segundo os testes da norma NIJ: aprovada. Foi
submetida ao teste pós-queda — 20 tiros — e funcionou. Não foram encontrados
danos ou trincamentos. Foi considerada apta para disparos em série.
Aqui há algumas situações que eu gostaria de colocar. Nenhuma arma de
fogo dispara sozinha. Não existe isso. O tiro tem que ser precedido de um disparo,
isto é, de alguma maneira tem que ser colocado em movimento o mecanismo de
disparo da arma, senão não há produção de tiro. Voluntária ou involuntariamente,
por acidente, de alguma maneira tem que se movimentar o mecanismo de disparo
para se produzir o tiro. Não há como afirmar que arma de fogo dispara sozinha. Isso
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não existe. De algum modo, em alguma circunstância, foi acionado o mecanismo de
disparo da arma que produziu o tiro.
Segundo, tiro acidental por queda pode ocorrer com qualquer arma de fogo,
dependendo das condições de queda, altura, piso e do estado de conservação da
arma.
Eu trabalho com arma de fogo desde 1972. Eu faço o desafio para que
alguém me prove que alguma marca, alguma arma está 100% segura. Ela pode
estar segura dentro de determinada conservação da arma. Se a arma for
perfeitamente conservada e estiver dentro das normas, ela não pode produzir tiro
por queda, dentro daquelas alturas previstas na norma nacional e na norma
americana. Descuidos com as regras básicas de segurança, como a falta de
manutenção, podem provocar interrupções de tiros, acidentes de tiros e até tiros
indesejáveis.
Essa é a minha participação. Eu agradeço. Depois, ficarei à disposição para
esclarecimentos.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr.
Domingos Tocchetto. Passo a palavra ao Sr. Geraldo Bertolo, perito criminal.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Pela ordem, Sr. Presidente, só para
colaborar. Depois, eu vou passar para o Sr. Domingos Tocchetto. Em suas
manifestações de 17 de dezembro de 2012 e, depois, em 6 de fevereiro de 2013, ele
questionava e criticava esses mesmos laudos, no caso do Luciano.
O
SR.
PRESIDENTE
(Deputado
Alexandre
Baldy)
-
Encaminhe
o
questionamento, Deputado Major Olimpio, para que no final ele possa responder.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Quando o senhor estava verificando
tecnicamente lá atrás… Respeito o senhor, que desde 1972 mexe com armas, mas
a sua posição migra muito rápido.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Com a palavra o Sr.
Geraldo Bertolo.
O SR. GERALDO BERTOLO - Sr. Presidente, Deputado Alexandre Baldy,
que preside esta Mesa e, em nome de quem, cumprimento os demais Deputados;
Deputado Onyx Lorenzoni, da nossa terra; servidores desta Casa; imprensa;
senhoras e senhores, eu gostaria de também fazer uma apresentação.
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não existe. De algum modo, em alguma circunstância, foi acionado o mecanismo de
disparo da arma que produziu o tiro.
Segundo, tiro acidental por queda pode ocorrer com qualquer arma de fogo,
dependendo das condições de queda, altura, piso e do estado de conservação da
arma.
Eu trabalho com arma de fogo desde 1972. Eu faço o desafio para que
alguém me prove que alguma marca, alguma arma está 100% segura. Ela pode
estar segura dentro de determinada conservação da arma. Se a arma for
perfeitamente conservada e estiver dentro das normas, ela não pode produzir tiro
por queda, dentro daquelas alturas previstas na norma nacional e na norma
americana. Descuidos com as regras básicas de segurança, como a falta de
manutenção, podem provocar interrupções de tiros, acidentes de tiros e até tiros
indesejáveis.
Essa é a minha participação. Eu agradeço. Depois, ficarei à disposição para
esclarecimentos.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr.
Domingos Tocchetto. Passo a palavra ao Sr. Geraldo Bertolo, perito criminal.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Pela ordem, Sr. Presidente, só para
colaborar. Depois, eu vou passar para o Sr. Domingos Tocchetto. Em suas
manifestações de 17 de dezembro de 2012 e, depois, em 6 de fevereiro de 2013, ele
questionava e criticava esses mesmos laudos, no caso do Luciano.
O
SR.
PRESIDENTE
(Deputado
Alexandre
Baldy)
-
Encaminhe
o
questionamento, Deputado Major Olimpio, para que no final ele possa responder.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Quando o senhor estava verificando
tecnicamente lá atrás… Respeito o senhor, que desde 1972 mexe com armas, mas
a sua posição migra muito rápido.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Com a palavra o Sr.
Geraldo Bertolo.
O SR. GERALDO BERTOLO - Sr. Presidente, Deputado Alexandre Baldy,
que preside esta Mesa e, em nome de quem, cumprimento os demais Deputados;
Deputado Onyx Lorenzoni, da nossa terra; servidores desta Casa; imprensa;
senhoras e senhores, eu gostaria de também fazer uma apresentação.
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(Segue-se exibição de imagens.)
Senhores, a minha participação aqui, assim como a do Dr. Domingos
Tocchetto, é no sentido de analisar alguns laudos e trazer informações que deles
consubstanciamos.
Vou me apresentar: meu nome é Geraldo Bertolo. Eu sou Perito da Polícia
Federal, na qual trabalhei por 33 anos. Lá, galguei os postos mais elevados de
Perito, chegando a Diretor Técnico-Científico, certamente porque eu sempre tive por
norma os limites da atuação da perícia.
Eu trouxe esse eslaide para mostrar aos senhores que o perito tem limites na
sua atuação. O primeiro aspecto desses limites é o legal e está traçado no Código
de Processo Penal, nos arts. 158 a 184. Aliás, está bem no início do capítulo
referente às provas, exatamente porque o legislador à época entendeu que era uma
prova de excelência.
O segundo aspecto, tão importante quanto o primeiro, é o técnico. O aspecto
técnico é universal. O mundo inteiro aplica as mesmas normas, tanto que 190
países, salvo engano, são ligados à ONU, e esta, de certa forma, orienta os países
no sentido de seguirem as normas aplicadas à perícia criminal.
No Brasil, nós temos, publicados pelo Ministério da Justiça, pela Secretaria
Nacional de Segurança Pública, os Procedimentos Operacionais Padrão — POPs,
dos quais o perito se vale para fazer o seu laudo. Esses procedimentos definem,
dentro das várias áreas periciais, e também no caso da Balística Forense, como
deve atuar o perito criminal.
Além disso, o General Robson apresentou aos senhores algumas normas
específicas sobre sistema de segurança e queda livre da arma. A norma brasileira é
a E-267 A, que, no seu item 7, fala da altura da queda.
Subsidiariamente — inclusive o General também tocou no assunto — o
Exército Brasileiro utilizou também a norma americana, a NIJ 0112.03, que é similar
à norma brasileira.
Feitas essas considerações e falado do limite da atuação — o perito não pode
tudo, pode ir até onde a norma, a lei e os procedimentos permitem —, nós vamos
analisar casos de alguns senhores que estão presentes aqui.
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(Segue-se exibição de imagens.)
Senhores, a minha participação aqui, assim como a do Dr. Domingos
Tocchetto, é no sentido de analisar alguns laudos e trazer informações que deles
consubstanciamos.
Vou me apresentar: meu nome é Geraldo Bertolo. Eu sou Perito da Polícia
Federal, na qual trabalhei por 33 anos. Lá, galguei os postos mais elevados de
Perito, chegando a Diretor Técnico-Científico, certamente porque eu sempre tive por
norma os limites da atuação da perícia.
Eu trouxe esse eslaide para mostrar aos senhores que o perito tem limites na
sua atuação. O primeiro aspecto desses limites é o legal e está traçado no Código
de Processo Penal, nos arts. 158 a 184. Aliás, está bem no início do capítulo
referente às provas, exatamente porque o legislador à época entendeu que era uma
prova de excelência.
O segundo aspecto, tão importante quanto o primeiro, é o técnico. O aspecto
técnico é universal. O mundo inteiro aplica as mesmas normas, tanto que 190
países, salvo engano, são ligados à ONU, e esta, de certa forma, orienta os países
no sentido de seguirem as normas aplicadas à perícia criminal.
No Brasil, nós temos, publicados pelo Ministério da Justiça, pela Secretaria
Nacional de Segurança Pública, os Procedimentos Operacionais Padrão — POPs,
dos quais o perito se vale para fazer o seu laudo. Esses procedimentos definem,
dentro das várias áreas periciais, e também no caso da Balística Forense, como
deve atuar o perito criminal.
Além disso, o General Robson apresentou aos senhores algumas normas
específicas sobre sistema de segurança e queda livre da arma. A norma brasileira é
a E-267 A, que, no seu item 7, fala da altura da queda.
Subsidiariamente — inclusive o General também tocou no assunto — o
Exército Brasileiro utilizou também a norma americana, a NIJ 0112.03, que é similar
à norma brasileira.
Feitas essas considerações e falado do limite da atuação — o perito não pode
tudo, pode ir até onde a norma, a lei e os procedimentos permitem —, nós vamos
analisar casos de alguns senhores que estão presentes aqui.
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Eu quero aproveitar para lamentar também, somando-me a todos os que aqui
estiveram, e dizer que às vezes a voz até embarga, porque a situação realmente se
mostra triste, mas nós, como peritos criminais, examinamos tecnicamente o caso.
O primeiro caso é o de Patrício, que está presente. O caso foi o de uma
pistola PT 24/7 PRO, fabricada em 2009. O exame foi feito no Instituto de
Criminalística de Brasília, portanto por peritos criminais de Brasília, em abril de 2015.
Eles aplicaram estas duas normas: os POPs, a partir dos quais estruturaram o laudo;
e a norma NIJ, para verificar o sistema.
O relato do acidente é de que Patrício, que é agente penitenciário, estava
caminhando no pátio e, quando foi subir uma rampa de acesso — ele portava em
suas mãos alguns itens, alguns materiais —, a arma teria disparado sozinha,
atingindo, então, a sua perna esquerda. Esse é o relato que nós tiramos de parte do
laudo.
No caso de Patrício, o resultado da perícia, quanto aos mecanismos de
segurança, aplicando-se a NIJ, norma americana, foi: “O mecanismo de segurança
externo da arma enviada (conjunto da trava de gatilho) encontra-se em
funcionamento regular”. Isso está no laudo, nas folhas 9, item 7. Então, o
mecanismo de segurança estava sem problema: encontrava-se articulado e atuante
quando solicitado.
O teste de queda, no caso, nem seria necessário, porque, pelo relato, a arma
não caiu, ela teria disparado sozinha. Mesmo assim, eles aplicaram a norma NIJ e
fizeram o teste de queda, verificando que “não foram observados indícios que
pudessem ser apontados como indicadores de falhas nos ensaios seguindo a
integralidade da norma NIJ 0112.03”.
Então, o sistema de segurança da arma estava articulado e atuante e, depois
de fazer todos aqueles experimentos do teste de queda, eles chegaram à conclusão
de que ela não apresentou falhas, embora tenha sido projetada várias vezes
naquelas seis quedas, como a norma determina.
(Não identificado) - Ela disparou no concreto. Ela disparou.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu queria solicitar que
deixemos o Dr. Geraldo apresentar, porque ele é um perito e está aqui a nosso
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Eu quero aproveitar para lamentar também, somando-me a todos os que aqui
estiveram, e dizer que às vezes a voz até embarga, porque a situação realmente se
mostra triste, mas nós, como peritos criminais, examinamos tecnicamente o caso.
O primeiro caso é o de Patrício, que está presente. O caso foi o de uma
pistola PT 24/7 PRO, fabricada em 2009. O exame foi feito no Instituto de
Criminalística de Brasília, portanto por peritos criminais de Brasília, em abril de 2015.
Eles aplicaram estas duas normas: os POPs, a partir dos quais estruturaram o laudo;
e a norma NIJ, para verificar o sistema.
O relato do acidente é de que Patrício, que é agente penitenciário, estava
caminhando no pátio e, quando foi subir uma rampa de acesso — ele portava em
suas mãos alguns itens, alguns materiais —, a arma teria disparado sozinha,
atingindo, então, a sua perna esquerda. Esse é o relato que nós tiramos de parte do
laudo.
No caso de Patrício, o resultado da perícia, quanto aos mecanismos de
segurança, aplicando-se a NIJ, norma americana, foi: “O mecanismo de segurança
externo da arma enviada (conjunto da trava de gatilho) encontra-se em
funcionamento regular”. Isso está no laudo, nas folhas 9, item 7. Então, o
mecanismo de segurança estava sem problema: encontrava-se articulado e atuante
quando solicitado.
O teste de queda, no caso, nem seria necessário, porque, pelo relato, a arma
não caiu, ela teria disparado sozinha. Mesmo assim, eles aplicaram a norma NIJ e
fizeram o teste de queda, verificando que “não foram observados indícios que
pudessem ser apontados como indicadores de falhas nos ensaios seguindo a
integralidade da norma NIJ 0112.03”.
Então, o sistema de segurança da arma estava articulado e atuante e, depois
de fazer todos aqueles experimentos do teste de queda, eles chegaram à conclusão
de que ela não apresentou falhas, embora tenha sido projetada várias vezes
naquelas seis quedas, como a norma determina.
(Não identificado) - Ela disparou no concreto. Ela disparou.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu queria solicitar que
deixemos o Dr. Geraldo apresentar, porque ele é um perito e está aqui a nosso
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convite, solicitado por requerimento de Parlamentares, para que nós possamos dar
continuidade aos trabalhos.
O SR. GERALDO BERTOLO - Como eu disse aos senhores, o limite é a
norma.
(Não identificado) - Mas ela disparou em concreto?
O SR. GERALDO BERTOLO - Vamos adiante.
(Não identificado) - Sim ou não?
O SR. GERALDO BERTOLO - No concreto?
(Não identificado) - Sim.
O SR. GERALDO BERTOLO - Sim, no concreto disparou.
O segundo caso é o da Julyane Rodrigues. A arma também foi uma PT 24/7,
mas fabricada no ano de 2005. O laudo também foi feito aplicando-se os POPS e a
norma NIJ.
O relato do acidente é de que a arma teria sofrido uma queda ao solo. O
resultado da perícia, quanto ao teste de segurança de queda, foi: “Não foi observada
nenhuma marca de percussão na espoleta que pudesse ser apontada como
indicadora de falha quando os ensaios foram realizados utilizando-se de todos os
requisitos da norma NIJ 0112.03”. Isso está nas folhas 7 e 8 do item 5.2.6 do laudo.
O limite do perito é a norma. Ele não pode ir além dela, até porque nós temos
o aspecto legal e o técnico. Esses são os limites.
(Não identificado) - O perito não observou o local, não?
O SR. GERALDO BERTOLO - Neste caso, não há laudo de local.
O terceiro caso é o de Leandro. O laudo foi feito em Goiânia. O ano em que
foram feitos os exames foi 2015. Ele relata que, ao chegar do serviço, guardou sua
pistola Taurus PT 100.40 no guarda-roupa, ligou o ar-condicionado e foi dormir.
Quando a esposa dele chegou, ela foi pegar o cobertor, e a arma veio a cair.
Nesse caso, ele disse que a queda se deu a 2,05 metros de altura. Nós
tínhamos aí um parâmetro, visto que ele tomou como base o guarda-roupa.
Nos testes realizados com base nas normas, a 50 centímetros, a 1 metro e a
1metro e 50 centímetros, e a critério dos peritos, inclusive na altura de 2,05 metros,
a arma não disparou. Também se aplicou a norma NEB/T E-267 A, a norma do
Exército Brasileiro, que se refere a um piso de borracha com 25 milímetros de
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convite, solicitado por requerimento de Parlamentares, para que nós possamos dar
continuidade aos trabalhos.
O SR. GERALDO BERTOLO - Como eu disse aos senhores, o limite é a
norma.
(Não identificado) - Mas ela disparou em concreto?
O SR. GERALDO BERTOLO - Vamos adiante.
(Não identificado) - Sim ou não?
O SR. GERALDO BERTOLO - No concreto?
(Não identificado) - Sim.
O SR. GERALDO BERTOLO - Sim, no concreto disparou.
O segundo caso é o da Julyane Rodrigues. A arma também foi uma PT 24/7,
mas fabricada no ano de 2005. O laudo também foi feito aplicando-se os POPS e a
norma NIJ.
O relato do acidente é de que a arma teria sofrido uma queda ao solo. O
resultado da perícia, quanto ao teste de segurança de queda, foi: “Não foi observada
nenhuma marca de percussão na espoleta que pudesse ser apontada como
indicadora de falha quando os ensaios foram realizados utilizando-se de todos os
requisitos da norma NIJ 0112.03”. Isso está nas folhas 7 e 8 do item 5.2.6 do laudo.
O limite do perito é a norma. Ele não pode ir além dela, até porque nós temos
o aspecto legal e o técnico. Esses são os limites.
(Não identificado) - O perito não observou o local, não?
O SR. GERALDO BERTOLO - Neste caso, não há laudo de local.
O terceiro caso é o de Leandro. O laudo foi feito em Goiânia. O ano em que
foram feitos os exames foi 2015. Ele relata que, ao chegar do serviço, guardou sua
pistola Taurus PT 100.40 no guarda-roupa, ligou o ar-condicionado e foi dormir.
Quando a esposa dele chegou, ela foi pegar o cobertor, e a arma veio a cair.
Nesse caso, ele disse que a queda se deu a 2,05 metros de altura. Nós
tínhamos aí um parâmetro, visto que ele tomou como base o guarda-roupa.
Nos testes realizados com base nas normas, a 50 centímetros, a 1 metro e a
1metro e 50 centímetros, e a critério dos peritos, inclusive na altura de 2,05 metros,
a arma não disparou. Também se aplicou a norma NEB/T E-267 A, a norma do
Exército Brasileiro, que se refere a um piso de borracha com 25 milímetros de
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espessura e dureza 50/60 shore A. Essa é a norma. Não foi especificado no laudo o
tipo de piso que havia lá. Só se dizia que era um piso limpo que não era protegido
por tapete ou por carpete.
Resultado da perícia: depois de todas essas quedas, não houve percussão da
espoleta. A autoridade policial elaborou dois quesitos. Aí, sim, o perito vai além,
porque ele responde ao quesito da autoridade. O que o delegado perguntou? “O
disparo deu-se em virtude de queda, ou a arma foi disparada mecanicamente?” A
resposta no laudo: “O resultado do teste de queda livre aponta que tecnicamente
não ocorreu tiro acidental”.
O caso seguinte é o de Igor, de São Paulo. A pistola é uma PT 640, cujo ano
de fabricação é 2003. Foram feitos dois laudos. Neste caso, assoma uma referência
a Facebook. A Pistola Taurus teria caído de um banco com pouco mais 80
centímetros de altura e disparado, acertando o seu punho esquerdo. Esse é o
histórico.
Vamos analisar. No primeiro laudo, os peritos limitaram-se a responder aos
quesitos formulados. “Qual a natureza da arma examinada?” Eles falam sobre a
arma examinada e vão além: explicam que “a parte posterior do ferrolho da arma
exibe avarias em seu terço inferior direito, com características de terem sido
produzidas por forte embate contra superfície rígida”. Isso está na página 3 do laudo.
Esse é um aspecto a ser considerado.
Depois vêm alguns quesitos. “Qual o seu calibre?” O calibre é .40. “Achava-se
carregada?” No momento dos exames, não; quando foi apresentada, não. “Que
espécie de munição acompanhava a arma?” Calibre .40 S&W, que é o recomendado
para essa arma. Quinto quesito: “No estado em que se encontrava, podia ter sido
utilizada
na
realização
de
disparo?”
Resposta:
”Sim,
conforme
ensaios
experimentais aqui realizados”. Isso está no laudo.
Há um laudo complementar. Nesse laudo o perito também se reporta aos
quesitos.
Primeiro quesito: “A arma de fogo em questão possui sistema de segurança
impedindo acionamento do percussor que não pelo acionamento regular do gatilho?”
Resposta: “Sim. Esta arma dispõe de trava de percussor, sistema de segurança que
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espessura e dureza 50/60 shore A. Essa é a norma. Não foi especificado no laudo o
tipo de piso que havia lá. Só se dizia que era um piso limpo que não era protegido
por tapete ou por carpete.
Resultado da perícia: depois de todas essas quedas, não houve percussão da
espoleta. A autoridade policial elaborou dois quesitos. Aí, sim, o perito vai além,
porque ele responde ao quesito da autoridade. O que o delegado perguntou? “O
disparo deu-se em virtude de queda, ou a arma foi disparada mecanicamente?” A
resposta no laudo: “O resultado do teste de queda livre aponta que tecnicamente
não ocorreu tiro acidental”.
O caso seguinte é o de Igor, de São Paulo. A pistola é uma PT 640, cujo ano
de fabricação é 2003. Foram feitos dois laudos. Neste caso, assoma uma referência
a Facebook. A Pistola Taurus teria caído de um banco com pouco mais 80
centímetros de altura e disparado, acertando o seu punho esquerdo. Esse é o
histórico.
Vamos analisar. No primeiro laudo, os peritos limitaram-se a responder aos
quesitos formulados. “Qual a natureza da arma examinada?” Eles falam sobre a
arma examinada e vão além: explicam que “a parte posterior do ferrolho da arma
exibe avarias em seu terço inferior direito, com características de terem sido
produzidas por forte embate contra superfície rígida”. Isso está na página 3 do laudo.
Esse é um aspecto a ser considerado.
Depois vêm alguns quesitos. “Qual o seu calibre?” O calibre é .40. “Achava-se
carregada?” No momento dos exames, não; quando foi apresentada, não. “Que
espécie de munição acompanhava a arma?” Calibre .40 S&W, que é o recomendado
para essa arma. Quinto quesito: “No estado em que se encontrava, podia ter sido
utilizada
na
realização
de
disparo?”
Resposta:
”Sim,
conforme
ensaios
experimentais aqui realizados”. Isso está no laudo.
Há um laudo complementar. Nesse laudo o perito também se reporta aos
quesitos.
Primeiro quesito: “A arma de fogo em questão possui sistema de segurança
impedindo acionamento do percussor que não pelo acionamento regular do gatilho?”
Resposta: “Sim. Esta arma dispõe de trava de percussor, sistema de segurança que
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libera o percussor somente após o acionamento do gatilho”. Então, ela só libera o
percussor uma vez acionado o gatilho.
Com relação ao quesito 2: “Em caso positivo ao quesito anterior e a resposta
foi positiva, se tal dispositivo estava funcionando regularmente quando o ocorrido”.
Resposta: “Sim, a trava do percussor mostrou-se eficaz e atuante durante os
exames aqui realizados”. Isso está na página 2 do laudo complementar àquele
inicial.
Tiramos algumas conclusões de tudo que examinamos: nós não verificamos,
em nenhum dos casos, registro ou comunicação de que a arma estaria
apresentando algum defeito anteriormente ao fato. Da mesma forma, não havia
registro de quando esta arma — nós vimos que havia uma arma que tinha mais de
10 anos de utilização — teria sido encaminhada a um exame de segundo escalão.
Então, deixamos aqui essas duas observações.
Fico à disposição dos senhores para algum questionamento.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Geraldo
Bertolo.
Neste momento eu concedo a palavra ao Sr. Ladislau Brito Santos Júnior,
perito criminal.
O SR. LADISLAU BRITO SANTOS JÚNIOR - Boa tarde a todos.
Cumprimento todos os Parlamentares, todos os policiais e servidores da
segurança pública, as vítimas e as demais pessoas presentes, assim como meus
familiares, meu pai e minha avó, que vieram aqui para assistir à apresentação.
Sou Perito Criminal da Polícia Civil do Estado do Amazonas e da Força
Nacional de Segurança Pública e tenho trabalhado ao longo da minha carreira
profissional com balística forense.
Quando ocorrem falhas no armamento que causam a interrupção temporária
do tiro, como uma arma que chamamos simplesmente de arma engasgada ou uma
falha de injeção ou até mesmo acidentes que causem danos materiais, lesões ou
mortes, existe a necessidade da atuação da Perícia Criminal. Defeitos nas armas ou
na munição podem fazer com que os policiais fiquem temporariamente indefesos em
uma situação de confronto. Nós sabemos que em um caso como esse até uma
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libera o percussor somente após o acionamento do gatilho”. Então, ela só libera o
percussor uma vez acionado o gatilho.
Com relação ao quesito 2: “Em caso positivo ao quesito anterior e a resposta
foi positiva, se tal dispositivo estava funcionando regularmente quando o ocorrido”.
Resposta: “Sim, a trava do percussor mostrou-se eficaz e atuante durante os
exames aqui realizados”. Isso está na página 2 do laudo complementar àquele
inicial.
Tiramos algumas conclusões de tudo que examinamos: nós não verificamos,
em nenhum dos casos, registro ou comunicação de que a arma estaria
apresentando algum defeito anteriormente ao fato. Da mesma forma, não havia
registro de quando esta arma — nós vimos que havia uma arma que tinha mais de
10 anos de utilização — teria sido encaminhada a um exame de segundo escalão.
Então, deixamos aqui essas duas observações.
Fico à disposição dos senhores para algum questionamento.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Geraldo
Bertolo.
Neste momento eu concedo a palavra ao Sr. Ladislau Brito Santos Júnior,
perito criminal.
O SR. LADISLAU BRITO SANTOS JÚNIOR - Boa tarde a todos.
Cumprimento todos os Parlamentares, todos os policiais e servidores da
segurança pública, as vítimas e as demais pessoas presentes, assim como meus
familiares, meu pai e minha avó, que vieram aqui para assistir à apresentação.
Sou Perito Criminal da Polícia Civil do Estado do Amazonas e da Força
Nacional de Segurança Pública e tenho trabalhado ao longo da minha carreira
profissional com balística forense.
Quando ocorrem falhas no armamento que causam a interrupção temporária
do tiro, como uma arma que chamamos simplesmente de arma engasgada ou uma
falha de injeção ou até mesmo acidentes que causem danos materiais, lesões ou
mortes, existe a necessidade da atuação da Perícia Criminal. Defeitos nas armas ou
na munição podem fazer com que os policiais fiquem temporariamente indefesos em
uma situação de confronto. Nós sabemos que em um caso como esse até uma
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simples pane, que pode ser sanada em questões de segundos, pode significar a
diferença entre a vida e a morte de um policial.
Existem também casos de armas defeituosas que podem atirar durante
queda, manuseio ou diversas outras condições, sem que ocorra o acionamento
regular da tecla do gatilho. Quando essas situações ocorrem, as armas podem
vitimar os próprios policiais que portam essas armas ou outras pessoas, causando
lesões e até mesmo a morte. Nós temos muitos exemplos de casos como esses.
Os policiais precisam confiar nas armas que eles portam. Isso é fundamental.
Eu sou policial também; se eu não conseguir confiar na minha arma, na arma que eu
porto, como é que terei condições de agir? Como o policial vai ter condições de
enfrentar um crime se não tiver certeza de que seu armamento vai ser eficiente, de
que ele não vai travar no meio de um confronto? Então, muitas vezes, falhas nos
armamentos e falta de confiança dos policiais no uso do armamento estimulam a
omissão policial.
Onde entra necessariamente a atuação da perícia criminal nesses casos? O
perito criminal é o profissional adequado para realizar a perícia, confeccionar o laudo
pericial e indicar as causas do acidente devido às características intrínsecas ao
perito e à perícia criminal. Digo isso porque há vários pareceres técnicos de
armeiros, e dos fabricantes, dentre outros relatórios que são produzidos, além dos
laudos periciais.
Quais são as características que o perito oficial de natureza criminal possui
que o qualificam a realizar esse tipo de atividade? Qualificação técnico-científica,
uso de metodologia apropriada, respaldo jurídico, imparcialidade e isenção,
compromisso com a verdade. Eles possuem os mesmos critérios de suspeição que
os juízes e também estão sujeitos à disciplina judiciária.
Quando falamos em acidentes com armas de fogos, existem várias partes
envolvidas. No que se refere aos fabricantes, sabemos que existe, naturalmente,
uma parcialidade dos fabricantes de armas que apresentam defeitos ao lidar com
essa questão, por um motivo muito simples: o fabricante não tem interesse nenhum
em atribuir as falhas à falta de qualidade do seu armamento, quando ocorrem,
porque a constatação desses defeitos traz danos à imagem da empresa, com
consequentes prejuízos econômicos, independentemente da empresa. E essas
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simples pane, que pode ser sanada em questões de segundos, pode significar a
diferença entre a vida e a morte de um policial.
Existem também casos de armas defeituosas que podem atirar durante
queda, manuseio ou diversas outras condições, sem que ocorra o acionamento
regular da tecla do gatilho. Quando essas situações ocorrem, as armas podem
vitimar os próprios policiais que portam essas armas ou outras pessoas, causando
lesões e até mesmo a morte. Nós temos muitos exemplos de casos como esses.
Os policiais precisam confiar nas armas que eles portam. Isso é fundamental.
Eu sou policial também; se eu não conseguir confiar na minha arma, na arma que eu
porto, como é que terei condições de agir? Como o policial vai ter condições de
enfrentar um crime se não tiver certeza de que seu armamento vai ser eficiente, de
que ele não vai travar no meio de um confronto? Então, muitas vezes, falhas nos
armamentos e falta de confiança dos policiais no uso do armamento estimulam a
omissão policial.
Onde entra necessariamente a atuação da perícia criminal nesses casos? O
perito criminal é o profissional adequado para realizar a perícia, confeccionar o laudo
pericial e indicar as causas do acidente devido às características intrínsecas ao
perito e à perícia criminal. Digo isso porque há vários pareceres técnicos de
armeiros, e dos fabricantes, dentre outros relatórios que são produzidos, além dos
laudos periciais.
Quais são as características que o perito oficial de natureza criminal possui
que o qualificam a realizar esse tipo de atividade? Qualificação técnico-científica,
uso de metodologia apropriada, respaldo jurídico, imparcialidade e isenção,
compromisso com a verdade. Eles possuem os mesmos critérios de suspeição que
os juízes e também estão sujeitos à disciplina judiciária.
Quando falamos em acidentes com armas de fogos, existem várias partes
envolvidas. No que se refere aos fabricantes, sabemos que existe, naturalmente,
uma parcialidade dos fabricantes de armas que apresentam defeitos ao lidar com
essa questão, por um motivo muito simples: o fabricante não tem interesse nenhum
em atribuir as falhas à falta de qualidade do seu armamento, quando ocorrem,
porque a constatação desses defeitos traz danos à imagem da empresa, com
consequentes prejuízos econômicos, independentemente da empresa. E essas
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análises e esses pareceres técnicos que são emitidos pelos fabricantes são
totalmente revestidos de parcialidade. Essa é uma questão.
No que se refere à questão dos acidentes com as vítimas, que sofrem danos,
lesões pelas armas de fogo, sabemos que podem ocorrer situações em que o
manejo é inadequado e que podem ocorrer situações em que esses acidentes
ocorrem devido a falhas no armamento. Para esse diagnóstico, somente a perícia
criminal terá as condições adequadas de constatar as causas desses acidentes: se
foi devido a um provável manejo inadequado do armamento ou se foi devido a um
defeito de fabricação ou a um erro de projeto da arma, por exemplo.
E quando falamos dessa realidade no Brasil, começamos a juntar as coisas e
a perceber que existe um grande número de casos envolvendo acidentes com
armas de fogo. Mas eu gostaria de dizer que isso é apenas a ponta do iceberg.
Existe uma subnotificação no Brasil dos acidentes que envolvem armas de fogo, por
diversos fatores.
Falando-se do âmbito da segurança pública e das Forças Armadas, por
exemplo, os policiais militares só notificam oficialmente os acidentes quando existem
mortes, lesões ou testemunhas capazes de informar aos superiores.
Normalmente, quando um policial maneja a sua arma e a deixa cair no chão e
ela dispara e não atinge ninguém, isso não é registrado. Por quê? Por um motivo
muito simples: a nossa legislação e a nossa cultura de segurança pública é muito
arcaica e precisa passar por uma grande revisão. Existe o temor das represálias nos
âmbitos administrativo e penal, além da cultura de descrédito do profissional que
passa por tal situação. Infelizmente, muitos dos colegas que são vítimas da Taurus e
que estão aqui relataram que estão respondendo a processos administrativos, estão
respondendo à Justiça por isso, e é exatamente por ter medo de responder por um
disparo de arma de fogo ou por passar por situações como essa que grande parte
dos acidentes não são registrados oficialmente.
E dizemos isso sobre armas que estão presentes no âmbito da segurança
pública. Quando falamos desses tiros acidentais que acontecem com armas de fogo
particulares, de empresa privada ou de empresa de segurança privada, por exemplo,
basicamente não existem registros. Torna-se muito difícil conhecermos essa
realidade, fazer esse diagnóstico. Não existe um cadastro nacional que consiga
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análises e esses pareceres técnicos que são emitidos pelos fabricantes são
totalmente revestidos de parcialidade. Essa é uma questão.
No que se refere à questão dos acidentes com as vítimas, que sofrem danos,
lesões pelas armas de fogo, sabemos que podem ocorrer situações em que o
manejo é inadequado e que podem ocorrer situações em que esses acidentes
ocorrem devido a falhas no armamento. Para esse diagnóstico, somente a perícia
criminal terá as condições adequadas de constatar as causas desses acidentes: se
foi devido a um provável manejo inadequado do armamento ou se foi devido a um
defeito de fabricação ou a um erro de projeto da arma, por exemplo.
E quando falamos dessa realidade no Brasil, começamos a juntar as coisas e
a perceber que existe um grande número de casos envolvendo acidentes com
armas de fogo. Mas eu gostaria de dizer que isso é apenas a ponta do iceberg.
Existe uma subnotificação no Brasil dos acidentes que envolvem armas de fogo, por
diversos fatores.
Falando-se do âmbito da segurança pública e das Forças Armadas, por
exemplo, os policiais militares só notificam oficialmente os acidentes quando existem
mortes, lesões ou testemunhas capazes de informar aos superiores.
Normalmente, quando um policial maneja a sua arma e a deixa cair no chão e
ela dispara e não atinge ninguém, isso não é registrado. Por quê? Por um motivo
muito simples: a nossa legislação e a nossa cultura de segurança pública é muito
arcaica e precisa passar por uma grande revisão. Existe o temor das represálias nos
âmbitos administrativo e penal, além da cultura de descrédito do profissional que
passa por tal situação. Infelizmente, muitos dos colegas que são vítimas da Taurus e
que estão aqui relataram que estão respondendo a processos administrativos, estão
respondendo à Justiça por isso, e é exatamente por ter medo de responder por um
disparo de arma de fogo ou por passar por situações como essa que grande parte
dos acidentes não são registrados oficialmente.
E dizemos isso sobre armas que estão presentes no âmbito da segurança
pública. Quando falamos desses tiros acidentais que acontecem com armas de fogo
particulares, de empresa privada ou de empresa de segurança privada, por exemplo,
basicamente não existem registros. Torna-se muito difícil conhecermos essa
realidade, fazer esse diagnóstico. Não existe um cadastro nacional que consiga
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reunir todas essas informações para que possamos ter a ideia de um panorama
completo do que acontece no Brasil.
E aí fica a grande pergunta: quem será capaz de abrir essa caixa de
Pandora? A quem interessa isso?
Quando falamos da perícia é muito importante manter a cadeia de custódia,
termos a rastreabilidade, a confiabilidade de todos os vestígios envolvidos na
análise, na perícia. E percebemos que existem muitos erros de procedimento que
ocorrem logo após os acidentes envolvendo essas armas de fogo.
Muitas vezes, a primeira coisa que as instituições fazem, tanto as policiais
quanto as militares, é enviar a arma diretamente aos armeiros das instituições. Em
vez disso, o local deveria ser isolado. É claro que a vítima ser socorrida está em
primeiro lugar; o mais importante é preservar a vida. Dentro do possível, deve-se
isolar o local, preservar os vestígios, lacrar a arma e enviá-la à perícia, de forma que
não haja nenhuma alteração. Muitas vezes, a arma é enviada ao armeiro, que abre a
arma, mexe na arma, detecta o problema, soluciona esse problema e depois envia a
arma à perícia.
Muitas vezes, ocorrem situações em que a perícia vai realizar o seu trabalho,
vai confeccionar um laudo, e esse defeito não vai ser constatado devido a essa
quebra da cadeia de custódia e a erro de procedimento das instituições de
segurança pública.
A perícia age mediante requisição e quesitação. Os quesitos direcionam os
exames. Nós percebemos, até pelos exemplos que alguns colegas citaram, quesitos
que nada têm a ver especificamente com a questão apresentada, que não
direcionam os exames. Muitas vezes, um policial tem uma arma que caiu no chão e
disparou. Quando a arma chega ao perito, ele tem que saber o histórico dessa arma,
para saber que tipo de exame vai realizar e qual metodologia vai ter que escolher, a
que tipo de questionamento ele vai ter que responder, o que ele vai ter que provar
com aquilo. Eu recebo uma arma com a quesitação, e a pergunta é se ela é
eficiente, se tem trava, se a trava é eficiente. Isso é tranquilo. Eu faço esses exames
para responder a essas perguntas, mas isso não vai responder se ela é capaz de
cair com uma munição na câmara, destravada, a 1 metro e 20 centímetros, em um
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reunir todas essas informações para que possamos ter a ideia de um panorama
completo do que acontece no Brasil.
E aí fica a grande pergunta: quem será capaz de abrir essa caixa de
Pandora? A quem interessa isso?
Quando falamos da perícia é muito importante manter a cadeia de custódia,
termos a rastreabilidade, a confiabilidade de todos os vestígios envolvidos na
análise, na perícia. E percebemos que existem muitos erros de procedimento que
ocorrem logo após os acidentes envolvendo essas armas de fogo.
Muitas vezes, a primeira coisa que as instituições fazem, tanto as policiais
quanto as militares, é enviar a arma diretamente aos armeiros das instituições. Em
vez disso, o local deveria ser isolado. É claro que a vítima ser socorrida está em
primeiro lugar; o mais importante é preservar a vida. Dentro do possível, deve-se
isolar o local, preservar os vestígios, lacrar a arma e enviá-la à perícia, de forma que
não haja nenhuma alteração. Muitas vezes, a arma é enviada ao armeiro, que abre a
arma, mexe na arma, detecta o problema, soluciona esse problema e depois envia a
arma à perícia.
Muitas vezes, ocorrem situações em que a perícia vai realizar o seu trabalho,
vai confeccionar um laudo, e esse defeito não vai ser constatado devido a essa
quebra da cadeia de custódia e a erro de procedimento das instituições de
segurança pública.
A perícia age mediante requisição e quesitação. Os quesitos direcionam os
exames. Nós percebemos, até pelos exemplos que alguns colegas citaram, quesitos
que nada têm a ver especificamente com a questão apresentada, que não
direcionam os exames. Muitas vezes, um policial tem uma arma que caiu no chão e
disparou. Quando a arma chega ao perito, ele tem que saber o histórico dessa arma,
para saber que tipo de exame vai realizar e qual metodologia vai ter que escolher, a
que tipo de questionamento ele vai ter que responder, o que ele vai ter que provar
com aquilo. Eu recebo uma arma com a quesitação, e a pergunta é se ela é
eficiente, se tem trava, se a trava é eficiente. Isso é tranquilo. Eu faço esses exames
para responder a essas perguntas, mas isso não vai responder se ela é capaz de
cair com uma munição na câmara, destravada, a 1 metro e 20 centímetros, em um
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pavimento de azulejo, de asfalto ou de concreto e disparar, como aconteceu na
situação real.
Então, isso traz um grande prejuízo à perícia criminal. Infelizmente, isso é
muito comum na perícia criminal. E o perito deve, necessariamente, ter acesso a
todas as informações detalhadas. Todo o histórico deve ser encaminhado junto com
a arma, o que normalmente não acontece.
Normalmente, quando recebemos a arma, temos que buscar descobrir, pedir
informações, enquanto todas as informações deveriam chegar até nós. O papel da
perícia é tentar fazer certa reprodução do que aconteceu da forma mais fidedigna
possível, para que possamos usar a metodologia científica para revelar a verdade,
para constatá-la.
Inclusive, as recomendações de todas as informações que vão direcionar os
exames estão presentes na literatura. O Dr. Domingos Tocchetto, que é muito
famoso, um ilustre e reconhecido perito no Brasil, também cita nos seus livros a
necessidade de haver todo esse histórico detalhado. E para quê? Isso não é à toa,
mas para adaptarmos os nossos exames à realidade.
Só para exemplificar, vou falar de uma situação que ocorreu no Estado de
Alagoas com a Força Nacional. No ano passado, a Secretaria de Estado da
Segurança Pública adquiriu 2 mil pistolas modelo Taurus PT 100 Plus para Polícia
Militar de Alagoas e 500 pistolas Taurus PT 940 para a Polícia Civil. Quando as
armas foram entregues aos policiais e alguns começaram a testá-las, eles
começaram a reclamar de que elas apresentam muitas falhas, muitas incidências de
tiros.
O Secretário da Segurança Pública e outro perito criminal da Força Nacional
procuraram-me e solicitaram essa perícia. Realizamos a perícia, fizemos uma
amostragem e constatamos um índice inaceitável de falhas de ejeção, de extração,
de dupla alimentação, entre outros tipos de falha. Inclusive, essas falhas estavam
em desacordo com normas internacionais, como a NIJ, que foi citada e que é uma
norma de padrão internacional adotada pelos Estados Unidos.
Diante dessa situação, juntamente com outro perito, nós reprovamos todos os
lotes e demos a recomendação de recolhimento imediato. Essas armas eram
impróprias para o uso na atividade policial e deveriam ser recolhidas pelo fabricante,
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pavimento de azulejo, de asfalto ou de concreto e disparar, como aconteceu na
situação real.
Então, isso traz um grande prejuízo à perícia criminal. Infelizmente, isso é
muito comum na perícia criminal. E o perito deve, necessariamente, ter acesso a
todas as informações detalhadas. Todo o histórico deve ser encaminhado junto com
a arma, o que normalmente não acontece.
Normalmente, quando recebemos a arma, temos que buscar descobrir, pedir
informações, enquanto todas as informações deveriam chegar até nós. O papel da
perícia é tentar fazer certa reprodução do que aconteceu da forma mais fidedigna
possível, para que possamos usar a metodologia científica para revelar a verdade,
para constatá-la.
Inclusive, as recomendações de todas as informações que vão direcionar os
exames estão presentes na literatura. O Dr. Domingos Tocchetto, que é muito
famoso, um ilustre e reconhecido perito no Brasil, também cita nos seus livros a
necessidade de haver todo esse histórico detalhado. E para quê? Isso não é à toa,
mas para adaptarmos os nossos exames à realidade.
Só para exemplificar, vou falar de uma situação que ocorreu no Estado de
Alagoas com a Força Nacional. No ano passado, a Secretaria de Estado da
Segurança Pública adquiriu 2 mil pistolas modelo Taurus PT 100 Plus para Polícia
Militar de Alagoas e 500 pistolas Taurus PT 940 para a Polícia Civil. Quando as
armas foram entregues aos policiais e alguns começaram a testá-las, eles
começaram a reclamar de que elas apresentam muitas falhas, muitas incidências de
tiros.
O Secretário da Segurança Pública e outro perito criminal da Força Nacional
procuraram-me e solicitaram essa perícia. Realizamos a perícia, fizemos uma
amostragem e constatamos um índice inaceitável de falhas de ejeção, de extração,
de dupla alimentação, entre outros tipos de falha. Inclusive, essas falhas estavam
em desacordo com normas internacionais, como a NIJ, que foi citada e que é uma
norma de padrão internacional adotada pelos Estados Unidos.
Diante dessa situação, juntamente com outro perito, nós reprovamos todos os
lotes e demos a recomendação de recolhimento imediato. Essas armas eram
impróprias para o uso na atividade policial e deveriam ser recolhidas pelo fabricante,
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trocadas ou reparadas para, posteriormente, passarem por uma nova perícia. Foi o
que aconteceu lá. A Polícia Militar enviou essas 2 mil pistolas à fábrica da Taurus no
Rio Grande do Sul. Vale ressaltar que os técnicos representantes da Taurus
acompanharam todas as etapas dos exames, assim como os policiais. Tudo foi feito
de uma forma muito clara e transparente.
Depois que passaram pelo reparo, as pistolas retornaram a Alagoas. O
Secretário da Segurança Pública na época e o Comandante da Polícia Militar
disseram: “É a perícia que vai dizer se a segurança pública de Alagoas vai ficar com
essas armas ou não”. Procedemos a testes rigorosos de avaliação baseados na NIJ,
uma norma internacional, e conseguimos aprovar 97% das pistolas amostradas. Ou
seja, de fato, houve uma correção de problema. Isso só foi possível porque ocorreu
a devida comprovação, mediante laudo pericial, e porque os gestores da segurança
pública seguiram todas as recomendações da Perícia Criminal.
Em relação a laudos periciais comprovando falha nos armamentos, além
dessa perícia que eu conduzi, nós temos diversos exemplos no Brasil afora.
Trabalhando pela Força Nacional, eu já atuei em vários Estados do Brasil e já
trabalhei praticamente com peritos de todas as Unidades da Federação. Nós
trocamos informações, conversamos, trocamos laudos, e isso é constatado. Se o
Ministério Público Federal tiver interesse em solicitar a todos os Estados, fica fácil
conseguir essa informação.
Dentre os vários defeitos constatados, há casos clássicos na Perícia, como o
da Taurus 24/7, principalmente no Distrito Federal. Essa arma foi adquirida pelo
Distrito Federal, tanto pela Polícia Civil quanto pela Polícia Militar, por São Paulo e
por grande parte dos Estados. Existem laudos do Instituto de Criminalística do
Distrito Federal que comprovam que elas disparam ao cair. Em piso de concreto?
Sim. Isso está em desacordo com a norma NIJ? Eu quero dizer o seguinte: não
existe uma norma brasileira para a realização de perícia. A norma que nós temos é a
do Exército, para a qualificação de um protótipo.
A norma NIJ é uma norma internacional que não é obrigatória nem nos
Estados Unidos, muito menos no Brasil. Cabe ao perito fazer as adaptações
necessárias para que os exames sejam mais próximos da realidade. Foi o que os
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trocadas ou reparadas para, posteriormente, passarem por uma nova perícia. Foi o
que aconteceu lá. A Polícia Militar enviou essas 2 mil pistolas à fábrica da Taurus no
Rio Grande do Sul. Vale ressaltar que os técnicos representantes da Taurus
acompanharam todas as etapas dos exames, assim como os policiais. Tudo foi feito
de uma forma muito clara e transparente.
Depois que passaram pelo reparo, as pistolas retornaram a Alagoas. O
Secretário da Segurança Pública na época e o Comandante da Polícia Militar
disseram: “É a perícia que vai dizer se a segurança pública de Alagoas vai ficar com
essas armas ou não”. Procedemos a testes rigorosos de avaliação baseados na NIJ,
uma norma internacional, e conseguimos aprovar 97% das pistolas amostradas. Ou
seja, de fato, houve uma correção de problema. Isso só foi possível porque ocorreu
a devida comprovação, mediante laudo pericial, e porque os gestores da segurança
pública seguiram todas as recomendações da Perícia Criminal.
Em relação a laudos periciais comprovando falha nos armamentos, além
dessa perícia que eu conduzi, nós temos diversos exemplos no Brasil afora.
Trabalhando pela Força Nacional, eu já atuei em vários Estados do Brasil e já
trabalhei praticamente com peritos de todas as Unidades da Federação. Nós
trocamos informações, conversamos, trocamos laudos, e isso é constatado. Se o
Ministério Público Federal tiver interesse em solicitar a todos os Estados, fica fácil
conseguir essa informação.
Dentre os vários defeitos constatados, há casos clássicos na Perícia, como o
da Taurus 24/7, principalmente no Distrito Federal. Essa arma foi adquirida pelo
Distrito Federal, tanto pela Polícia Civil quanto pela Polícia Militar, por São Paulo e
por grande parte dos Estados. Existem laudos do Instituto de Criminalística do
Distrito Federal que comprovam que elas disparam ao cair. Em piso de concreto?
Sim. Isso está em desacordo com a norma NIJ? Eu quero dizer o seguinte: não
existe uma norma brasileira para a realização de perícia. A norma que nós temos é a
do Exército, para a qualificação de um protótipo.
A norma NIJ é uma norma internacional que não é obrigatória nem nos
Estados Unidos, muito menos no Brasil. Cabe ao perito fazer as adaptações
necessárias para que os exames sejam mais próximos da realidade. Foi o que os
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peritos do Distrito Federal fizeram ao colocar o piso de concreto. Por quê? A arma
do policial não vai cair em um piso emborrachado, vai cair em um piso de concreto.
Além de tudo, nós temos a Lei nº 12.030, de 2009, que garante autonomia
técnico-científica e funcional aos peritos criminais. O que isso quer dizer? Não existe
nenhuma norma que eu, como perito, seja obrigado a utilizar para a realização
desses exames. (Palmas na plateia.) Cabe a mim e aos profissionais, com base em
critérios técnicos, escolher a metodologia adequada. É claro que isso é feito com o
uso de metodologia técnico-científica.
Então, diante de todo esse contexto, fica a grande pergunta: por que as
armas adquiridas pela Polícia no Brasil apresentam tantas falhas? Em primeiro
lugar, antes de serem adquiridas, essas armas não passam por testes de
qualificação. Compram-se armas para a Polícia da mesma forma que um
computador ou uma cadeira para escritório. Ou seja, há uma especificação técnica
definida e, de certa forma, grosso modo, direcionada somente para as armas
nacionais. Após receber as armas, algumas instituições resolvem testá-las ou
entregá-las aos policiais. É aí que os problemas começam a aparecer. As armas não
passam por testes de validação. Um dos objetivos da NIJ nos Estados Unidos é
direcionar os exames para a aquisição dessas armas pelas instituições de
segurança pública.
Normalmente, os peritos criminais que têm conhecimento técnico-científico
não participam dessas licitações. A legislação brasileira não prioriza a qualidade das
armas, porque restringe a aquisição das armas às fabricadas nacionalmente.
Nós temos um monopólio nacional, sim, de fabricação das armas nacionais.
Então, existe uma empresa particular que fabrica as pistolas, a Forjas Taurus/CBC,
que também tem o monopólio de munições, e a IMBEL, que é uma empresa pública.
Quando existe monopólio, a qualidade não é um diferencial, porque não há opção.
Nos Estados Unidos, por exemplo, há rigor no uso de armas de vários fabricantes.
E, dentre as recomendações, podemos citar: criação de comissões
multidisciplinares para aquisição de armas de fogo com a participação de peritos
criminais — recomendação inclusive do Dr. Tocchetto e de vários congressos
internacionais; criação de um protocolo nacional adaptado às nossas condições;
revisão do Decreto nº R-105, com a participação da Segurança Pública, incluindo os
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peritos do Distrito Federal fizeram ao colocar o piso de concreto. Por quê? A arma
do policial não vai cair em um piso emborrachado, vai cair em um piso de concreto.
Além de tudo, nós temos a Lei nº 12.030, de 2009, que garante autonomia
técnico-científica e funcional aos peritos criminais. O que isso quer dizer? Não existe
nenhuma norma que eu, como perito, seja obrigado a utilizar para a realização
desses exames. (Palmas na plateia.) Cabe a mim e aos profissionais, com base em
critérios técnicos, escolher a metodologia adequada. É claro que isso é feito com o
uso de metodologia técnico-científica.
Então, diante de todo esse contexto, fica a grande pergunta: por que as
armas adquiridas pela Polícia no Brasil apresentam tantas falhas? Em primeiro
lugar, antes de serem adquiridas, essas armas não passam por testes de
qualificação. Compram-se armas para a Polícia da mesma forma que um
computador ou uma cadeira para escritório. Ou seja, há uma especificação técnica
definida e, de certa forma, grosso modo, direcionada somente para as armas
nacionais. Após receber as armas, algumas instituições resolvem testá-las ou
entregá-las aos policiais. É aí que os problemas começam a aparecer. As armas não
passam por testes de validação. Um dos objetivos da NIJ nos Estados Unidos é
direcionar os exames para a aquisição dessas armas pelas instituições de
segurança pública.
Normalmente, os peritos criminais que têm conhecimento técnico-científico
não participam dessas licitações. A legislação brasileira não prioriza a qualidade das
armas, porque restringe a aquisição das armas às fabricadas nacionalmente.
Nós temos um monopólio nacional, sim, de fabricação das armas nacionais.
Então, existe uma empresa particular que fabrica as pistolas, a Forjas Taurus/CBC,
que também tem o monopólio de munições, e a IMBEL, que é uma empresa pública.
Quando existe monopólio, a qualidade não é um diferencial, porque não há opção.
Nos Estados Unidos, por exemplo, há rigor no uso de armas de vários fabricantes.
E, dentre as recomendações, podemos citar: criação de comissões
multidisciplinares para aquisição de armas de fogo com a participação de peritos
criminais — recomendação inclusive do Dr. Tocchetto e de vários congressos
internacionais; criação de um protocolo nacional adaptado às nossas condições;
revisão do Decreto nº R-105, com a participação da Segurança Pública, incluindo os
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peritos criminais; alteração na legislação para permitir a participação de fabricantes
de armas importadas nas licitações e possibilitar que fábricas de armas estrangeiras
se estabeleçam no Brasil; mudança na legislação para possibilitar que integrantes
da segurança pública — policiais, peritos, bombeiros — adquiram armas nacionais e
importadas com isenção fiscal e possibilitar que os peritos criminais tenham livre
acesso a todas as instalações fabris, técnicas, manuais, materiais, cursos e
treinamentos fornecidos e custeados pelos próprios fabricantes; regulamentação da
cadeia de custódia e procedimentos envolvendo acidentes com armas de fogo, para
que esses erros da própria instituição não venham a ocorrer, prejudicando a
realização das perícias; e a inclusão da perícia criminal na Constituição Federal,
para garantir maior possibilidade de intercâmbio de informações, equipar e estruturar
de forma mais adequada a perícia, permitindo diagnósticos mais precisos e
eficientes. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Ladislau.
O SR. LADISLAU BRITO SANTOS JÚNIOR - Obrigado. Sr. Presidente. Eu
apenas gostaria de fazer um agradecimento a algumas instituições, se for possível.
Eu quero agradecer ao Departamento de Polícia Técnico-Científica da Polícia
Civil do Amazonas, da qual eu faço parte; à Força Nacional de Segurança Pública; à
Associação Brasileira de Criminalística, da qual eu sou membro da Diretoria; ao
Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Amazonas — SINPOEAM; ao Sindicato
de Policiais Civis do Estado do Amazonas — SINPOL-AM; e à Secretaria de
Segurança Pública do Estado de Alagoas pela oportunidade de realizar esse
trabalho e pelo exemplo de valorização da segurança pública e da perícia.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Muito obrigado, Sr.
Ladislau.
Neste momento, concedo a palavra ao Sr. Carlos Frederico de Oliveira
Pereira, Subprocurador-Geral da Justiça Militar.
O SR. CARLOS FREDERICO DE OLIVEIRA PEREIRA - Saúdo o Exmo. Sr.
Deputado Alexandre Baldy, digno Presidente desta mesa, na pessoa de quem eu
cumprimento os demais integrantes: Exmo. Sr. Deputado Alberto Fraga, Exmo.
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peritos criminais; alteração na legislação para permitir a participação de fabricantes
de armas importadas nas licitações e possibilitar que fábricas de armas estrangeiras
se estabeleçam no Brasil; mudança na legislação para possibilitar que integrantes
da segurança pública — policiais, peritos, bombeiros — adquiram armas nacionais e
importadas com isenção fiscal e possibilitar que os peritos criminais tenham livre
acesso a todas as instalações fabris, técnicas, manuais, materiais, cursos e
treinamentos fornecidos e custeados pelos próprios fabricantes; regulamentação da
cadeia de custódia e procedimentos envolvendo acidentes com armas de fogo, para
que esses erros da própria instituição não venham a ocorrer, prejudicando a
realização das perícias; e a inclusão da perícia criminal na Constituição Federal,
para garantir maior possibilidade de intercâmbio de informações, equipar e estruturar
de forma mais adequada a perícia, permitindo diagnósticos mais precisos e
eficientes. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr. Ladislau.
O SR. LADISLAU BRITO SANTOS JÚNIOR - Obrigado. Sr. Presidente. Eu
apenas gostaria de fazer um agradecimento a algumas instituições, se for possível.
Eu quero agradecer ao Departamento de Polícia Técnico-Científica da Polícia
Civil do Amazonas, da qual eu faço parte; à Força Nacional de Segurança Pública; à
Associação Brasileira de Criminalística, da qual eu sou membro da Diretoria; ao
Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Amazonas — SINPOEAM; ao Sindicato
de Policiais Civis do Estado do Amazonas — SINPOL-AM; e à Secretaria de
Segurança Pública do Estado de Alagoas pela oportunidade de realizar esse
trabalho e pelo exemplo de valorização da segurança pública e da perícia.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Muito obrigado, Sr.
Ladislau.
Neste momento, concedo a palavra ao Sr. Carlos Frederico de Oliveira
Pereira, Subprocurador-Geral da Justiça Militar.
O SR. CARLOS FREDERICO DE OLIVEIRA PEREIRA - Saúdo o Exmo. Sr.
Deputado Alexandre Baldy, digno Presidente desta mesa, na pessoa de quem eu
cumprimento os demais integrantes: Exmo. Sr. Deputado Alberto Fraga, Exmo.
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COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
Deputado Major Olimpio e demais Deputados presentes; Exmo. Sr. General Robson
Santana de Carvalho, Srs. Oficiais do Exército e da Polícia Militar, Srs. Policiais.
Contamos também com a presença de uma colega do Ministério Público
Militar — MPM que atuou neste caso que eu vou explicar um pouco aqui. Talvez a
minha participação seja até por causa disso.
No âmbito do MPM, nós temos algumas investigações em curso a respeito de
material bélico. Trata-se de situações relacionadas, por exemplo, a capacete
balístico, a coletes, a blindagem de veículos. Há alguns procedimentos em curso.
Há alguns questionamentos em curso na Procuradoria da Justiça Militar de
São Paulo também sobre a questão de serviços de produtos controlados e da
atuação do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados — SFPC.
Em vista dessa quantidade de assuntos, surgiu este outro, que vem a ser a
quantidade, que nos vem causando certa surpresa, de notícias de acidentes com
armas, normalmente armas utilizadas pela polícia. Como esse número é muito
grande e os próprios colegas vêm reportando-nos sobre essa situação, eu achei por
bem oficiar a nossa Procuradoria em Brasília, que já estava atuando em um assunto
sobre material bélico, que então instaurasse um procedimento a respeito, e assim foi
feito.
Essa Procuradoria vem coletando muitas informações a respeito, e nós
também o fazemos, quando podemos, porque o procedimento não é da
Subprocuradoria-Geral, é da Procuradoria da 1ª Instância. Mas, à medida que
aparece algum documento, eu acabo enviando à Procuradora que está conduzindo
o caso, a Dra. Ester, que está ali no fundo, inclusive.
A nossa preocupação, neste caso, é basicamente a seguinte: o Exército
Brasileiro é a instituição encarregada de fiscalizar os produtos controlados; entre
eles, as armas de fogo. Ao Exército, por força da Lei nº 10.826, compete fiscalizar
inclusive a produção. Então, nossa preocupação neste tema é especificamente isso.
São muitos os acidentes. A quantidade de informações que vêm chegando a todos
nós é muito grande. Nós temos reportagens na imprensa. Então, tem realmente
aparecido bastante informação a respeito disso.
A nossa indagação é: como está sendo feita a fiscalização dessa atividade? A
nossa preocupação é: esses produtos, essas armas, que estão sendo questionadas,
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Deputado Major Olimpio e demais Deputados presentes; Exmo. Sr. General Robson
Santana de Carvalho, Srs. Oficiais do Exército e da Polícia Militar, Srs. Policiais.
Contamos também com a presença de uma colega do Ministério Público
Militar — MPM que atuou neste caso que eu vou explicar um pouco aqui. Talvez a
minha participação seja até por causa disso.
No âmbito do MPM, nós temos algumas investigações em curso a respeito de
material bélico. Trata-se de situações relacionadas, por exemplo, a capacete
balístico, a coletes, a blindagem de veículos. Há alguns procedimentos em curso.
Há alguns questionamentos em curso na Procuradoria da Justiça Militar de
São Paulo também sobre a questão de serviços de produtos controlados e da
atuação do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados — SFPC.
Em vista dessa quantidade de assuntos, surgiu este outro, que vem a ser a
quantidade, que nos vem causando certa surpresa, de notícias de acidentes com
armas, normalmente armas utilizadas pela polícia. Como esse número é muito
grande e os próprios colegas vêm reportando-nos sobre essa situação, eu achei por
bem oficiar a nossa Procuradoria em Brasília, que já estava atuando em um assunto
sobre material bélico, que então instaurasse um procedimento a respeito, e assim foi
feito.
Essa Procuradoria vem coletando muitas informações a respeito, e nós
também o fazemos, quando podemos, porque o procedimento não é da
Subprocuradoria-Geral, é da Procuradoria da 1ª Instância. Mas, à medida que
aparece algum documento, eu acabo enviando à Procuradora que está conduzindo
o caso, a Dra. Ester, que está ali no fundo, inclusive.
A nossa preocupação, neste caso, é basicamente a seguinte: o Exército
Brasileiro é a instituição encarregada de fiscalizar os produtos controlados; entre
eles, as armas de fogo. Ao Exército, por força da Lei nº 10.826, compete fiscalizar
inclusive a produção. Então, nossa preocupação neste tema é especificamente isso.
São muitos os acidentes. A quantidade de informações que vêm chegando a todos
nós é muito grande. Nós temos reportagens na imprensa. Então, tem realmente
aparecido bastante informação a respeito disso.
A nossa indagação é: como está sendo feita a fiscalização dessa atividade? A
nossa preocupação é: esses produtos, essas armas, que estão sendo questionadas,
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passaram pela avaliação do Exército. É claro, porque é ao Exército que compete
fiscalizar esses produtos. Então, nós queremos saber do Exército como
efetivamente esses produtos receberam autorização.
Nós queremos saber também, em vista dessas inúmeras notícias de
acidentes, que procedimentos estão sendo tomados para fiscalizar in loco. Sobre
isso, a Dra. Procuradora solicitou uma vistoria, que está em andamento.
Nós queremos descobrir realmente, em primeiro lugar, se esses produtos
efetivamente não têm qualidade e foram atestados como se tivessem ou, então, se
eles têm qualidade, se eles são produtos de qualidade.
A atividade do Exército é antiga nisso, eles têm tradição nessa atividade. O
mais provável é que eles tenham atestado a qualidade dos produtos, porém, em
algum momento nessa fabricação, tenha havido alguma falha.
Se isso acontece, que tipo de fiscalização, que tipo de procedimento o
Exército toma dentro dessas unidades fabris em relação a determinado produto que
se desvia do padrão que o órgão exige? O Exército exige a qualidade desse
produto.
Nós estamos diligenciando isso. A investigação não é minha, é da
procuradora, mas ela me informa oficiosamente. Seria até melhor que ela estivesse
aqui, mas ela vem me passando informações. Realmente, o Exército forneceu ao
Ministério Público Militar uma série de documentos que comprovam isso que S.Exa.
demonstrou, ou seja, que são feitos testes.
Imaginemos, por exemplo, que esses testes fossem feitos em um celular. Se
você fosse colocar um celular à venda, supondo-se que esse produto fosse
controlado, pelos documentos que foram juntados, algumas peças não vão ser
aprovadas. Em determinado momento, algum RETEX — esse é o nome correto —
não foi aprovado.
A nossa preocupação particular, no caso do MPM, é saber exatamente como
se conduz agora, em vista desse produto que não sofreu uma avaliação positiva no
RETEX, ou então, em um segundo momento, dentro da notícia, da ocorrência de
acidentes, se existe algum procedimento do Exército dentro dessas unidades fabris.
O Exército recentemente tomou providência muito séria em relação a coletes
balísticos, por exemplo. Ele tem o poder de política administrativa nesse tema. Pode
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passaram pela avaliação do Exército. É claro, porque é ao Exército que compete
fiscalizar esses produtos. Então, nós queremos saber do Exército como
efetivamente esses produtos receberam autorização.
Nós queremos saber também, em vista dessas inúmeras notícias de
acidentes, que procedimentos estão sendo tomados para fiscalizar in loco. Sobre
isso, a Dra. Procuradora solicitou uma vistoria, que está em andamento.
Nós queremos descobrir realmente, em primeiro lugar, se esses produtos
efetivamente não têm qualidade e foram atestados como se tivessem ou, então, se
eles têm qualidade, se eles são produtos de qualidade.
A atividade do Exército é antiga nisso, eles têm tradição nessa atividade. O
mais provável é que eles tenham atestado a qualidade dos produtos, porém, em
algum momento nessa fabricação, tenha havido alguma falha.
Se isso acontece, que tipo de fiscalização, que tipo de procedimento o
Exército toma dentro dessas unidades fabris em relação a determinado produto que
se desvia do padrão que o órgão exige? O Exército exige a qualidade desse
produto.
Nós estamos diligenciando isso. A investigação não é minha, é da
procuradora, mas ela me informa oficiosamente. Seria até melhor que ela estivesse
aqui, mas ela vem me passando informações. Realmente, o Exército forneceu ao
Ministério Público Militar uma série de documentos que comprovam isso que S.Exa.
demonstrou, ou seja, que são feitos testes.
Imaginemos, por exemplo, que esses testes fossem feitos em um celular. Se
você fosse colocar um celular à venda, supondo-se que esse produto fosse
controlado, pelos documentos que foram juntados, algumas peças não vão ser
aprovadas. Em determinado momento, algum RETEX — esse é o nome correto —
não foi aprovado.
A nossa preocupação particular, no caso do MPM, é saber exatamente como
se conduz agora, em vista desse produto que não sofreu uma avaliação positiva no
RETEX, ou então, em um segundo momento, dentro da notícia, da ocorrência de
acidentes, se existe algum procedimento do Exército dentro dessas unidades fabris.
O Exército recentemente tomou providência muito séria em relação a coletes
balísticos, por exemplo. Ele tem o poder de política administrativa nesse tema. Pode
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eventualmente suspender a autorização de fabricação de um determinado produto
que se revelou inadequado, que perdeu a sua qualidade.
São duas situações. Na situação A, o produto não tem qualidade e não
deveria ter sido aprovado. Essa é uma situação que eu acho mais difícil, pelo que
observamos. Pelos documentos que nós estamos recebendo, esses produtos
passam realmente por uma rigorosa fiscalização. Na situação B, será que esse
produto, uma vez autorizado, no decorrer do seu processo de fabricação, perdeu a
sua qualidade? Que meios o Exército dispõe hoje para acompanhar de perto a
fabricação desses produtos?
Essa questão de monopólio não nos interessa, entendam bem. Isso poderá
ser questionado por outros Ministérios Públicos. Vejam bem, do mesmo jeito que
existe a nossa investigação, existem outros Ministérios Públicos, inclusive o
Ministério Público Federal, investigando o assunto. A nossa questão versa
exatamente sobre o Exército, sobre o tipo de fiscalização que está acontecendo.
Eu vi aqui uma situação que me chamou a atenção. É importante que os
órgãos de segurança pública, em vista dessas situações, comuniquem o Exército. É
importantíssimo que isso aconteça, porque, se ninguém reporta ao Exército esses
acidentes, ele não vai agir, a não ser que, por acaso, ele tropece no problema. Então
é importante que essas informações cheguem até o Exército. É esse o nosso objeto
de investigação.
Da minha parte, pessoalmente — eu não sou dono da investigação, é outro
colega —, entendo que, sem dúvida, existe a preocupação de qualidade, mas, dada
a complexidade da segurança pública no País hoje, considerando que estamos em
um País que tem 200 milhões de pessoas com problemas de segurança enormes,
em toda a Nação, envolvendo armas de fogo, na minha opinião, esses serviços de
produtos controlados deveriam hoje receber uma atenção muito especial, deveriam
aumentar ainda mais.
Deveríamos ter uma fiscalização muito maior, independentemente de se
manterem duas ou três fábricas e de se admitirem hoje outras ou não. Vamos supor
que entrassem outras fábricas aqui. O quadro atual seria suficiente? Não sei.
Quanto mais fiscalização houver, tendo em vista um acidente noticiado, melhor
serão as condições para evitarmos no futuro outros acidentes. Essa é a verdade.
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COM REDAÇÃO FINAL
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eventualmente suspender a autorização de fabricação de um determinado produto
que se revelou inadequado, que perdeu a sua qualidade.
São duas situações. Na situação A, o produto não tem qualidade e não
deveria ter sido aprovado. Essa é uma situação que eu acho mais difícil, pelo que
observamos. Pelos documentos que nós estamos recebendo, esses produtos
passam realmente por uma rigorosa fiscalização. Na situação B, será que esse
produto, uma vez autorizado, no decorrer do seu processo de fabricação, perdeu a
sua qualidade? Que meios o Exército dispõe hoje para acompanhar de perto a
fabricação desses produtos?
Essa questão de monopólio não nos interessa, entendam bem. Isso poderá
ser questionado por outros Ministérios Públicos. Vejam bem, do mesmo jeito que
existe a nossa investigação, existem outros Ministérios Públicos, inclusive o
Ministério Público Federal, investigando o assunto. A nossa questão versa
exatamente sobre o Exército, sobre o tipo de fiscalização que está acontecendo.
Eu vi aqui uma situação que me chamou a atenção. É importante que os
órgãos de segurança pública, em vista dessas situações, comuniquem o Exército. É
importantíssimo que isso aconteça, porque, se ninguém reporta ao Exército esses
acidentes, ele não vai agir, a não ser que, por acaso, ele tropece no problema. Então
é importante que essas informações cheguem até o Exército. É esse o nosso objeto
de investigação.
Da minha parte, pessoalmente — eu não sou dono da investigação, é outro
colega —, entendo que, sem dúvida, existe a preocupação de qualidade, mas, dada
a complexidade da segurança pública no País hoje, considerando que estamos em
um País que tem 200 milhões de pessoas com problemas de segurança enormes,
em toda a Nação, envolvendo armas de fogo, na minha opinião, esses serviços de
produtos controlados deveriam hoje receber uma atenção muito especial, deveriam
aumentar ainda mais.
Deveríamos ter uma fiscalização muito maior, independentemente de se
manterem duas ou três fábricas e de se admitirem hoje outras ou não. Vamos supor
que entrassem outras fábricas aqui. O quadro atual seria suficiente? Não sei.
Quanto mais fiscalização houver, tendo em vista um acidente noticiado, melhor
serão as condições para evitarmos no futuro outros acidentes. Essa é a verdade.
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No caso mencionado pelo perito, eu solicitei pessoalmente esse documento
sobre a questão de Alagoas. Esse é um procedimento que poderia ter sido padrão.
O Exército tem sua responsabilidade independentemente de qualquer coisa, mas, se
um organismo de segurança vai comprar arma — imaginemos que houvesse aqui
outras fábricas, não só as duas que existem —, alguém tem que ir lá testar o
produto. Não se pode simplesmente comprá-lo e responder: “Valeu, obrigado!” Não
pode acontecer esse tipo de coisa.
A arma é a caneta, é o instrumento de trabalho do policial; ela não pode
falhar. Armas falham? Falham. Qualquer produto industrial no mundo é passível de
falha, mas, no caso de arma para policial, é muito sério.
O que foi feito na polícia de Alagoas realmente foi um padrão maravilhoso, foi
interessantíssimo. Foi feita uma análise do produto. Ele foi devolvido à fábrica e
retornou. Foi feita uma avaliação, e eles a atestaram. Isso poderia ser repetido em
todas as unidades, independentemente de o Exército continuar fiscalizando. Se
acontecerem acidentes, tem que ir lá na unidade fabril.
Nós queremos, nesse procedimento, avaliar todas as circunstâncias, como
está sendo fiscalizado isso e como podemos melhorar essa fiscalização para evitar
futuros acidentes.
Essa situação de Alagoas eu achei perfeita. Eles me mandaram os
documentos relativos a esse evento. Realmente isso poderia ser padrão.
O ideal, independentemente de ser arma, celular ou qualquer outra coisa, é
que a própria fábrica tenha os seus procedimentos internos de controle de
qualidade. O Exército não pode virar uma unidade de controle de qualidade de arma.
O Exército diz para fiscalizar. Não é possível que se fabrique uma arma e se diga:
“Será que ela é boa?” “Vamos ver lá no Exército”. Não pode ser assim.
Pelos documentos que estamos avaliando, já temos muitas informações
sobre produtos que não foram aprovados, mas queremos saber da continuidade
dessa fiscalização. Isso é importante. Eu não falo pelo MPM, mas por outros órgãos,
lembrando que existem outros procedimentos investigatórios que poderão
questionar essa situação. Questionar o quê? O Exército não é a unidade da fábrica
para controle de qualidade. Isso tem que acontecer antes, com muito rigor.
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No caso mencionado pelo perito, eu solicitei pessoalmente esse documento
sobre a questão de Alagoas. Esse é um procedimento que poderia ter sido padrão.
O Exército tem sua responsabilidade independentemente de qualquer coisa, mas, se
um organismo de segurança vai comprar arma — imaginemos que houvesse aqui
outras fábricas, não só as duas que existem —, alguém tem que ir lá testar o
produto. Não se pode simplesmente comprá-lo e responder: “Valeu, obrigado!” Não
pode acontecer esse tipo de coisa.
A arma é a caneta, é o instrumento de trabalho do policial; ela não pode
falhar. Armas falham? Falham. Qualquer produto industrial no mundo é passível de
falha, mas, no caso de arma para policial, é muito sério.
O que foi feito na polícia de Alagoas realmente foi um padrão maravilhoso, foi
interessantíssimo. Foi feita uma análise do produto. Ele foi devolvido à fábrica e
retornou. Foi feita uma avaliação, e eles a atestaram. Isso poderia ser repetido em
todas as unidades, independentemente de o Exército continuar fiscalizando. Se
acontecerem acidentes, tem que ir lá na unidade fabril.
Nós queremos, nesse procedimento, avaliar todas as circunstâncias, como
está sendo fiscalizado isso e como podemos melhorar essa fiscalização para evitar
futuros acidentes.
Essa situação de Alagoas eu achei perfeita. Eles me mandaram os
documentos relativos a esse evento. Realmente isso poderia ser padrão.
O ideal, independentemente de ser arma, celular ou qualquer outra coisa, é
que a própria fábrica tenha os seus procedimentos internos de controle de
qualidade. O Exército não pode virar uma unidade de controle de qualidade de arma.
O Exército diz para fiscalizar. Não é possível que se fabrique uma arma e se diga:
“Será que ela é boa?” “Vamos ver lá no Exército”. Não pode ser assim.
Pelos documentos que estamos avaliando, já temos muitas informações
sobre produtos que não foram aprovados, mas queremos saber da continuidade
dessa fiscalização. Isso é importante. Eu não falo pelo MPM, mas por outros órgãos,
lembrando que existem outros procedimentos investigatórios que poderão
questionar essa situação. Questionar o quê? O Exército não é a unidade da fábrica
para controle de qualidade. Isso tem que acontecer antes, com muito rigor.
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Essas armas de Alagoas foram consertadas. Por que eles não começaram a
fazer isso antes? Por que elas não chegaram direitinho à Secretaria de Segurança
de Alagoas? Foi preciso movimentar todo o aparato de segurança.
Sr. Presidente, eu agradeço a oportunidade de falar um pouco sobre o que
está em apuração.
Obrigado. (Palmas.)
O
SR.
PRESIDENTE
(Deputado
Alexandre
Baldy)
-
Agradeço
ao
Subprocurador-Geral da Justiça Militar, Sr. Carlos Frederico.
Findas as exposições, eu gostaria de agradecer a todos os expositores, aos
peritos, ao Subprocurador. Demos oportunidade aqui àqueles que sofreram os
incidentes, que fabricaram os equipamentos e que avaliaram, obviamente, a
qualidade dos equipamentos, para que realizássemos uma audiência imparcial.
Agora vamos colocar a palavra em discussão, para que possamos debater com os
Srs. Parlamentares que requisitaram esta audiência, a fim de que isso possa ser o
início de algo transparente, necessário à realidade da população, dos utilizadores,
dos usuários e também do fabricante.
Representando essa população, que possamos, da forma mais transparente e
esclarecedora, levar esse assunto sempre adiante para que todos os envolvidos
possam ter as respostas necessárias.
Agradeço a todos os expositores que participam desta audiência.
Eu gostaria que cada interpelante fizesse sua formulação em, no máximo, 3
minutos, tendo o convidado igual tempo para responder. Serão permitidas as
réplicas e tréplicas por prazo igual, improrrogável.
Eu concederei a palavra primeiramente aos autores dos requerimentos para
que possam falar por 3 minutos.
Concedo a palavra ao Deputado Alberto Fraga, autor de dois requerimentos.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sr. Presidente, serão 3 minutos para
todos?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Exatamente, Deputado.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Primeiramente, eu quero dizer que
não existe apenas uma verdade; existem duas verdades.
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Essas armas de Alagoas foram consertadas. Por que eles não começaram a
fazer isso antes? Por que elas não chegaram direitinho à Secretaria de Segurança
de Alagoas? Foi preciso movimentar todo o aparato de segurança.
Sr. Presidente, eu agradeço a oportunidade de falar um pouco sobre o que
está em apuração.
Obrigado. (Palmas.)
O
SR.
PRESIDENTE
(Deputado
Alexandre
Baldy)
-
Agradeço
ao
Subprocurador-Geral da Justiça Militar, Sr. Carlos Frederico.
Findas as exposições, eu gostaria de agradecer a todos os expositores, aos
peritos, ao Subprocurador. Demos oportunidade aqui àqueles que sofreram os
incidentes, que fabricaram os equipamentos e que avaliaram, obviamente, a
qualidade dos equipamentos, para que realizássemos uma audiência imparcial.
Agora vamos colocar a palavra em discussão, para que possamos debater com os
Srs. Parlamentares que requisitaram esta audiência, a fim de que isso possa ser o
início de algo transparente, necessário à realidade da população, dos utilizadores,
dos usuários e também do fabricante.
Representando essa população, que possamos, da forma mais transparente e
esclarecedora, levar esse assunto sempre adiante para que todos os envolvidos
possam ter as respostas necessárias.
Agradeço a todos os expositores que participam desta audiência.
Eu gostaria que cada interpelante fizesse sua formulação em, no máximo, 3
minutos, tendo o convidado igual tempo para responder. Serão permitidas as
réplicas e tréplicas por prazo igual, improrrogável.
Eu concederei a palavra primeiramente aos autores dos requerimentos para
que possam falar por 3 minutos.
Concedo a palavra ao Deputado Alberto Fraga, autor de dois requerimentos.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Sr. Presidente, serão 3 minutos para
todos?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Exatamente, Deputado.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Primeiramente, eu quero dizer que
não existe apenas uma verdade; existem duas verdades.
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Eu tenho 30 anos de experiência de armas na Polícia Militar e nunca tive,
graças a Deus, nenhum tipo de acidente. Eu também quero lamentar profundamente
os acidentes cujos relatos nós ouvimos aqui.
É bem verdade que as perícias apresentadas hoje aqui isentaram qualquer
tipo de problema nas armas daqueles que deixaram suas armas caírem. A empresa
demonstrou disposição de corrigir eventuais problemas. Isso é muito importante.
Nós temos que cobrar isso. Eu acho que a Taurus precisa demonstrar, na prática,
que quer verdadeiramente corrigir os problemas surgidos.
Eu até vou sugerir que se crie um grupo de trabalho para podermos
acompanhar tudo. Inclusive, eu tinha sugerido uma visita à Taurus para exatamente
saber como é que são feitas as armas.
Sr. Presidente, quero dizer que lamento profundamente que o Vice-Presidente
tenha dito que os policiais erraram. Ele errou, quando falou essa frase.
Pode haver nesta Casa alguém que lute pelos policiais como eu, porém, mais
do que eu, duvido, até mesmo porque sou o mais antigo nesta Casa — tenho quatro
mandatos. Eu sei o que estou falando. Evidentemente, não me deixo impressionar
por certas firulas. Não estou dizendo que esse é o caso das nossas vítimas.
Eu queria perguntar quais os testes que são feitos — o general explicou. Eu
tinha a preocupação de saber se essas armas são realmente testadas.
Quantas armas são fabricadas por dia? Quatro mil armas. Essa é a quarta
marca dos Estados Unidos. Ou alguém aqui não sabe que o consumidor mais
exigente do mundo é o americano? Se essas armas fossem desastrosas como
falaram aqui, o americano não as compraria e elas não seriam 30% do mercado de
armas leves nos Estados Unidos.
Ontem nós aprovamos um projeto nesta Comissão que diz que o INMETRO
poderia também ser responsabilizado a fazer o teste nessas armas, sem desprezar,
evidentemente, a função do Exército brasileiro, o que acho muito importante nesse
contexto. Se o Exército brasileiro estiver aprovando essas armas sem fazer os
devidos testes, está havendo irresponsabilidade.
Eu queria perguntar finalmente quantos processos existem contra a Taurus e
a IMBEL. Dentro do que foi mostrado, conforme os testes, na diferença de piso,
apenas uma arma disparou. Foi uma ou foram duas?
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Eu tenho 30 anos de experiência de armas na Polícia Militar e nunca tive,
graças a Deus, nenhum tipo de acidente. Eu também quero lamentar profundamente
os acidentes cujos relatos nós ouvimos aqui.
É bem verdade que as perícias apresentadas hoje aqui isentaram qualquer
tipo de problema nas armas daqueles que deixaram suas armas caírem. A empresa
demonstrou disposição de corrigir eventuais problemas. Isso é muito importante.
Nós temos que cobrar isso. Eu acho que a Taurus precisa demonstrar, na prática,
que quer verdadeiramente corrigir os problemas surgidos.
Eu até vou sugerir que se crie um grupo de trabalho para podermos
acompanhar tudo. Inclusive, eu tinha sugerido uma visita à Taurus para exatamente
saber como é que são feitas as armas.
Sr. Presidente, quero dizer que lamento profundamente que o Vice-Presidente
tenha dito que os policiais erraram. Ele errou, quando falou essa frase.
Pode haver nesta Casa alguém que lute pelos policiais como eu, porém, mais
do que eu, duvido, até mesmo porque sou o mais antigo nesta Casa — tenho quatro
mandatos. Eu sei o que estou falando. Evidentemente, não me deixo impressionar
por certas firulas. Não estou dizendo que esse é o caso das nossas vítimas.
Eu queria perguntar quais os testes que são feitos — o general explicou. Eu
tinha a preocupação de saber se essas armas são realmente testadas.
Quantas armas são fabricadas por dia? Quatro mil armas. Essa é a quarta
marca dos Estados Unidos. Ou alguém aqui não sabe que o consumidor mais
exigente do mundo é o americano? Se essas armas fossem desastrosas como
falaram aqui, o americano não as compraria e elas não seriam 30% do mercado de
armas leves nos Estados Unidos.
Ontem nós aprovamos um projeto nesta Comissão que diz que o INMETRO
poderia também ser responsabilizado a fazer o teste nessas armas, sem desprezar,
evidentemente, a função do Exército brasileiro, o que acho muito importante nesse
contexto. Se o Exército brasileiro estiver aprovando essas armas sem fazer os
devidos testes, está havendo irresponsabilidade.
Eu queria perguntar finalmente quantos processos existem contra a Taurus e
a IMBEL. Dentro do que foi mostrado, conforme os testes, na diferença de piso,
apenas uma arma disparou. Foi uma ou foram duas?
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(Não identificado) - Foram dez.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Dez? Desculpem-me.
(Não identificado) - Foram 33 laudos.
O
SR.
DEPUTADO
ALBERTO
FRAGA
-
Então,
não
podemos
verdadeiramente ficar sustentando uma tese em cima de uma norma que exige o
piso de borracha quando, na verdade, o policial trabalha nas intempéries. Isso não
pode persistir. Evidentemente que não há a menor chance de isso acontecer.
Essa era a pergunta sobre os processos. Eu queria falar sobre outros casos,
mas vou ter que aguardar. Eu achei o tempo de 3 minutos muito curto, mas terei
paciência.
A pergunta que eu fiz foi para saber quantos processos existem.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - A pergunta é endereçada
a quem, Deputado Fraga?
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - À IMBEL e à Taurus, com relação a
incidentes de tiros a vítimas dessas empresas.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu vou dividir o tempo e
dar 1 minuto e meio para cada um.
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - A minha resposta é rápida: não há
processo contra a IMBEL, Deputado.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - E quanto à Taurus?
O SR. RABIH NASSER - A Taurus tem por volta de 35 ações...
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. RABIH NASSER - Não, a informação é que há por volta de 35 a 37
ações judiciais, em que se discute disparo acidental e em que se procura atribuir a
ela a responsabilidade. Esse é o número que a companhia me informou. Não sou eu
que conduzo essas ações. O número é 35, não passa de 40 ações. Em algumas
delas, conforme propostas feitas pelas pessoas que expuseram aqui os acidentes,
busca-se indenização. Está sendo realizada a discussão técnica, inclusive com base
nos elementos que foram trazidos e comentados aqui pelos peritos. Essa é a
informação.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
(Não identificado) - Foram dez.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Dez? Desculpem-me.
(Não identificado) - Foram 33 laudos.
O
SR.
DEPUTADO
ALBERTO
FRAGA
-
Então,
não
podemos
verdadeiramente ficar sustentando uma tese em cima de uma norma que exige o
piso de borracha quando, na verdade, o policial trabalha nas intempéries. Isso não
pode persistir. Evidentemente que não há a menor chance de isso acontecer.
Essa era a pergunta sobre os processos. Eu queria falar sobre outros casos,
mas vou ter que aguardar. Eu achei o tempo de 3 minutos muito curto, mas terei
paciência.
A pergunta que eu fiz foi para saber quantos processos existem.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - A pergunta é endereçada
a quem, Deputado Fraga?
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - À IMBEL e à Taurus, com relação a
incidentes de tiros a vítimas dessas empresas.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu vou dividir o tempo e
dar 1 minuto e meio para cada um.
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - A minha resposta é rápida: não há
processo contra a IMBEL, Deputado.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - E quanto à Taurus?
O SR. RABIH NASSER - A Taurus tem por volta de 35 ações...
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. RABIH NASSER - Não, a informação é que há por volta de 35 a 37
ações judiciais, em que se discute disparo acidental e em que se procura atribuir a
ela a responsabilidade. Esse é o número que a companhia me informou. Não sou eu
que conduzo essas ações. O número é 35, não passa de 40 ações. Em algumas
delas, conforme propostas feitas pelas pessoas que expuseram aqui os acidentes,
busca-se indenização. Está sendo realizada a discussão técnica, inclusive com base
nos elementos que foram trazidos e comentados aqui pelos peritos. Essa é a
informação.
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COM REDAÇÃO FINAL
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Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu só queria complementar a minha
parte, lendo aqui um artigo que acabei de ver no Los Angeles Times, cujo título é
Por que a Polícia não deveria usar Glock.
A verdade é que a Glock é propensa a acidentes.
As armas Glock contribuíram para mais de 120 tiros
acidentais na área do Departamento de Polícia de
Washington, de 1988 a 1998. Histórias de tiros acidentais
acompanham essa arma há mais de 30 anos onde quer
que seja adotada, por forças policiais ou cidadãos
comuns. Em 2015, um policial foi morto por um colega
após uma sessão de treinamento com a pistola Glock.
Ou seja, em termos de projeto mecânico, há falhas tanto na Glock, quanto na
Taurus, na CZ e em todas as marcas de armas, porque são máquinas, são
equipamentos, e não são infalíveis. Elas podem, sim, apresentar defeitos. Mas
evidentemente que, a respeito daqueles defeitos que forem apresentados por
negligência, por imprudência ou por imperícia, temos que ver caso a caso.
Sr. Presidente, preocupo-me muito com isso. Eu aqui realmente sou defensor
do armamento do cidadão brasileiro. Fui Presidente da Frente que defendia o “não”
no referendo e me orgulho muito disso. Chamam-me de líder da bancada da bala.
Prefiro ser da bala a ser da mala. Mas não me venham falar que, por eu conhecer o
processo e estar nele há 30 anos, estou defendendo a empresa tal. Não! O que
estou defendendo é o policial, porque ele, a partir do momento que essa história
começar a pegar vulto, como disse o perito Ladislau, vai ter problemas na rua. Se
ele não confiar na arma que está portando na sua cintura, terei pena do que vai
acontecer com ele, inclusive diante dessa chacina, dessa caçada de policiais que
está acontecendo no nosso País. Isso é preocupante.
Eu sou contra o monopólio, sempre disse isso aqui. Não pensem que não há
uma história por baixo disso, porque há. Portanto, se vier a CPI, será ótimo. Que
haja essa CPI. Eu não vou fugir das minhas obrigações de coronel de Polícia,
Deputado Federal eleito por uma categoria e defensor da segurança pública. Por
isso, Sr. Presidente, eu fico muito à vontade.
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03/08/2016
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Eu só queria complementar a minha
parte, lendo aqui um artigo que acabei de ver no Los Angeles Times, cujo título é
Por que a Polícia não deveria usar Glock.
A verdade é que a Glock é propensa a acidentes.
As armas Glock contribuíram para mais de 120 tiros
acidentais na área do Departamento de Polícia de
Washington, de 1988 a 1998. Histórias de tiros acidentais
acompanham essa arma há mais de 30 anos onde quer
que seja adotada, por forças policiais ou cidadãos
comuns. Em 2015, um policial foi morto por um colega
após uma sessão de treinamento com a pistola Glock.
Ou seja, em termos de projeto mecânico, há falhas tanto na Glock, quanto na
Taurus, na CZ e em todas as marcas de armas, porque são máquinas, são
equipamentos, e não são infalíveis. Elas podem, sim, apresentar defeitos. Mas
evidentemente que, a respeito daqueles defeitos que forem apresentados por
negligência, por imprudência ou por imperícia, temos que ver caso a caso.
Sr. Presidente, preocupo-me muito com isso. Eu aqui realmente sou defensor
do armamento do cidadão brasileiro. Fui Presidente da Frente que defendia o “não”
no referendo e me orgulho muito disso. Chamam-me de líder da bancada da bala.
Prefiro ser da bala a ser da mala. Mas não me venham falar que, por eu conhecer o
processo e estar nele há 30 anos, estou defendendo a empresa tal. Não! O que
estou defendendo é o policial, porque ele, a partir do momento que essa história
começar a pegar vulto, como disse o perito Ladislau, vai ter problemas na rua. Se
ele não confiar na arma que está portando na sua cintura, terei pena do que vai
acontecer com ele, inclusive diante dessa chacina, dessa caçada de policiais que
está acontecendo no nosso País. Isso é preocupante.
Eu sou contra o monopólio, sempre disse isso aqui. Não pensem que não há
uma história por baixo disso, porque há. Portanto, se vier a CPI, será ótimo. Que
haja essa CPI. Eu não vou fugir das minhas obrigações de coronel de Polícia,
Deputado Federal eleito por uma categoria e defensor da segurança pública. Por
isso, Sr. Presidente, eu fico muito à vontade.
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Lamento mais uma vez essas histórias, pois é triste ver relatos como esses.
Isso já aconteceu com policiais meus, enquanto eu era comandante. Às vezes
vemos ocorrer estresse, mas esse não foi o caso deles, não. No caso deles, a arma
caiu, houve queda de arma. Há casos em que apertaram o gatilho sem querer. As
empresas, as fábricas, no afã de mostrar um produto muito bom, tornam os gatilhos
cada vez mais sensíveis. É isso que tem provocado os disparos acidentais,
lamentavelmente. Todos os casos aqui relatados foram de quedas, mas fiquei
surpreso quando vi o laudo, que dizia que, na maioria dos casos, as armas foram
testadas 20, 30, 36 vezes.
Eu finalizo dizendo que lamento profundamente, Dr. Domingos Tocchetto,
que, no seu parecer, um Deputado tenha sido descortês com o senhor. Não leve
isso em consideração. Acho que a verdade tem que existir dos dois lados. Dizer que
o senhor está mentindo, que a sua opinião mudou da noite para o dia...
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu vou ler o que ele disse, fique
sossegado.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Isso é deselegante. Acho que nós
temos que acreditar não apenas no que é bom para os nossos ouvidos. Nós temos
que ouvir a verdade de todo mundo, e cada um faz o seu juízo de valor. Mas agredir
os outros devido a sua crença eu acho que é deselegante.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço, Deputado
Fraga.
Eu passo a palavra para o outro requerente da audiência, o Deputado Major
Olimpio, por até 3 minutos.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Sr. Presidente, em primeiro lugar, eu
não estou aqui para fazer firula. Se não foi a vítima que disse isso, então o Deputado
Fraga disse que a firula é minha. Eu não estou fazendo firula. Não estou aqui para
fazer a defesa da Glock.
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Então, eu não sei quem fez a firula.
Não estou aqui para firula. A coisa é horrorosa.
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Lamento mais uma vez essas histórias, pois é triste ver relatos como esses.
Isso já aconteceu com policiais meus, enquanto eu era comandante. Às vezes
vemos ocorrer estresse, mas esse não foi o caso deles, não. No caso deles, a arma
caiu, houve queda de arma. Há casos em que apertaram o gatilho sem querer. As
empresas, as fábricas, no afã de mostrar um produto muito bom, tornam os gatilhos
cada vez mais sensíveis. É isso que tem provocado os disparos acidentais,
lamentavelmente. Todos os casos aqui relatados foram de quedas, mas fiquei
surpreso quando vi o laudo, que dizia que, na maioria dos casos, as armas foram
testadas 20, 30, 36 vezes.
Eu finalizo dizendo que lamento profundamente, Dr. Domingos Tocchetto,
que, no seu parecer, um Deputado tenha sido descortês com o senhor. Não leve
isso em consideração. Acho que a verdade tem que existir dos dois lados. Dizer que
o senhor está mentindo, que a sua opinião mudou da noite para o dia...
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Eu vou ler o que ele disse, fique
sossegado.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Isso é deselegante. Acho que nós
temos que acreditar não apenas no que é bom para os nossos ouvidos. Nós temos
que ouvir a verdade de todo mundo, e cada um faz o seu juízo de valor. Mas agredir
os outros devido a sua crença eu acho que é deselegante.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço, Deputado
Fraga.
Eu passo a palavra para o outro requerente da audiência, o Deputado Major
Olimpio, por até 3 minutos.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Sr. Presidente, em primeiro lugar, eu
não estou aqui para fazer firula. Se não foi a vítima que disse isso, então o Deputado
Fraga disse que a firula é minha. Eu não estou fazendo firula. Não estou aqui para
fazer a defesa da Glock.
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Então, eu não sei quem fez a firula.
Não estou aqui para firula. A coisa é horrorosa.
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O senhor está aqui como convidado — nós o agradecemos. Aliás, eu
pergunto: o senhor tem algum vínculo contratual ou empregatício com a Taurus ou
veio aqui voluntariamente, pelos conhecimentos que tem como autor de livro?
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - O senhor foi contratado? Então está
aqui como contratado?
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Sr. Geraldo, o senhor também está
aqui como contratado?
(Não identificado) - Sr. Presidente...
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - O senhor também está aqui como
contratado? Então são funcionários da Taurus.
(Não identificado) - Sr. Presidente...
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Vieram para corrigir, para analisar
os laudos.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Espere, a palavra está comigo por 3
minutos. Depois V.Exa. continua sendo advogado da Taurus.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Vieram para analisar os laudos. Que
fique claro!
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Então os dois são contratados.
Em 2012, quando não era contratado pela Taurus, o senhor escreveu para
uma das vítimas, criticando o relatório dela, dizendo que, em primeiro lugar, não
informaram se na câmara do câmbio dessa pistola estava alojada um cartucho ou
apenas um estojo com a espoleta; e, em segundo lugar, que também não
informaram que tipo de ensaio realizaram. Não informaram se aquelas quedas nas
alturas e posições estratégicas estão no livro Armas Taurus — Uma Garantia de
Segurança ou se foram as que constataram nas normas do Exército. Também não
simularam a queda sobre um (ininteligível). É tudo o que o senhor disse
contrariamente agora. Como contratado, o senhor disse isso de forma diferente.
Quando o senhor estava orientando-o, disse-lhe que pedisse para o juiz que
fizesse a perícia.
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O senhor está aqui como convidado — nós o agradecemos. Aliás, eu
pergunto: o senhor tem algum vínculo contratual ou empregatício com a Taurus ou
veio aqui voluntariamente, pelos conhecimentos que tem como autor de livro?
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - O senhor foi contratado? Então está
aqui como contratado?
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Sr. Geraldo, o senhor também está
aqui como contratado?
(Não identificado) - Sr. Presidente...
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - O senhor também está aqui como
contratado? Então são funcionários da Taurus.
(Não identificado) - Sr. Presidente...
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Vieram para corrigir, para analisar
os laudos.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Espere, a palavra está comigo por 3
minutos. Depois V.Exa. continua sendo advogado da Taurus.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Vieram para analisar os laudos. Que
fique claro!
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Então os dois são contratados.
Em 2012, quando não era contratado pela Taurus, o senhor escreveu para
uma das vítimas, criticando o relatório dela, dizendo que, em primeiro lugar, não
informaram se na câmara do câmbio dessa pistola estava alojada um cartucho ou
apenas um estojo com a espoleta; e, em segundo lugar, que também não
informaram que tipo de ensaio realizaram. Não informaram se aquelas quedas nas
alturas e posições estratégicas estão no livro Armas Taurus — Uma Garantia de
Segurança ou se foram as que constataram nas normas do Exército. Também não
simularam a queda sobre um (ininteligível). É tudo o que o senhor disse
contrariamente agora. Como contratado, o senhor disse isso de forma diferente.
Quando o senhor estava orientando-o, disse-lhe que pedisse para o juiz que
fizesse a perícia.
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Está aqui a sentença do juiz, com base no que o senhor afirmou, com seu
conhecimento. O senhor disse que era importante pedir ao juiz que fizesse uma
nova perícia da arma por um Instituto de Criminalística de outro Estado, tendo em
vista que nos testes com a sua pistola não foi reproduzido o fato como ocorreu. A
arma não caiu, por exemplo, no mesmo tipo de piso. Na mesma petição, requer
ainda que seja permitida a indicação de assistente técnico.
Não estou aqui para fazer firula ou outra coisa. Aliás, se fôssemos falar de
conhecimento de armas, isso é uma das poucas coisas que aprendi na vida, em 25
anos como instrutor de armas e escritor de livro sobre isso. Esses vinte processos a
que se refere o Deputado Fraga sobre a Glock são de 1988 a 1998. A única coisa
que tenho da Glock é uma arma que comprei há mais de 20 anos. Não tenho
contatos; não sou lobista. Nenhuma empresa de armas nunca me deu um centavo
para campanha nem para porcaria nenhuma. (Palmas.)
Eu digo de peito aberto que estou com dó de que essa desgraça continue.
Disse o Ministério Público Militar, com muita propriedade, que nós temos que rever o
que está acontecendo. Isso não pode continuar, porque todos os policiais estão com
medo da arma que usam na cintura. Imaginem a população!
Eu disse que nós vamos fazer uma CPI para discutir o comércio de armas. O
Deputado Fraga me disse que não tem medo da CPI. Não tem nada a ver uma coisa
com outra. Espero que V.Exa. assine comigo o requerimento de criação da CPI,
para apurarmos os crimes praticados em relação ao comércio de armas da forma
como está sendo feito nosso País.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Daqui a pouco V.Exa. vai dizer que
eu sou sócio dessas empresas.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Não faço firula com nada. Nós
estamos aqui para debater o que é justo e legítimo.
Eu vou embora hoje com muito mais certeza. Admiro, doutor, a sua perícia. O
senhor veio aqui voluntariamente dar-nos esses esclarecimentos.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - V.Exa. fará alguma
pergunta?
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Se for possível, no final, eu gostaria
que fosse passado um vídeo mostrando várias armas disparando sozinhas. A
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Está aqui a sentença do juiz, com base no que o senhor afirmou, com seu
conhecimento. O senhor disse que era importante pedir ao juiz que fizesse uma
nova perícia da arma por um Instituto de Criminalística de outro Estado, tendo em
vista que nos testes com a sua pistola não foi reproduzido o fato como ocorreu. A
arma não caiu, por exemplo, no mesmo tipo de piso. Na mesma petição, requer
ainda que seja permitida a indicação de assistente técnico.
Não estou aqui para fazer firula ou outra coisa. Aliás, se fôssemos falar de
conhecimento de armas, isso é uma das poucas coisas que aprendi na vida, em 25
anos como instrutor de armas e escritor de livro sobre isso. Esses vinte processos a
que se refere o Deputado Fraga sobre a Glock são de 1988 a 1998. A única coisa
que tenho da Glock é uma arma que comprei há mais de 20 anos. Não tenho
contatos; não sou lobista. Nenhuma empresa de armas nunca me deu um centavo
para campanha nem para porcaria nenhuma. (Palmas.)
Eu digo de peito aberto que estou com dó de que essa desgraça continue.
Disse o Ministério Público Militar, com muita propriedade, que nós temos que rever o
que está acontecendo. Isso não pode continuar, porque todos os policiais estão com
medo da arma que usam na cintura. Imaginem a população!
Eu disse que nós vamos fazer uma CPI para discutir o comércio de armas. O
Deputado Fraga me disse que não tem medo da CPI. Não tem nada a ver uma coisa
com outra. Espero que V.Exa. assine comigo o requerimento de criação da CPI,
para apurarmos os crimes praticados em relação ao comércio de armas da forma
como está sendo feito nosso País.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Daqui a pouco V.Exa. vai dizer que
eu sou sócio dessas empresas.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Não faço firula com nada. Nós
estamos aqui para debater o que é justo e legítimo.
Eu vou embora hoje com muito mais certeza. Admiro, doutor, a sua perícia. O
senhor veio aqui voluntariamente dar-nos esses esclarecimentos.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - V.Exa. fará alguma
pergunta?
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Se for possível, no final, eu gostaria
que fosse passado um vídeo mostrando várias armas disparando sozinhas. A
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Número: 0933/16
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imprensa no mundo todo já noticiou isso. Fica parecendo que nada disso está
acontecendo.
Eu não tenho mais questionamentos a fazer. Os senhores já me responderam
que foram contratados pela Taurus para estarem aqui. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Obrigado, Deputado
Major Olimpio.
Eu passo a palavra ao Deputado Eduardo Bolsonaro.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Sr. Presidente, de fato, o
tempo é muito curto para tamanhos questionamentos, mas eu vou tentar ser o mais
sucinto possível.
Primeiramente, acredito que a IMBEL não deveria nem estar aqui, porque
estamos falando das armas Taurus.
Uma crítica, coronel, com todo o respeito, é que não tem como dizer que há
concorrência no Brasil, data maxima venia. Eu fui quase obrigado a comprar uma
arma Taurus. Eu queria comprar uma Glock, mas no Brasil o melhor preço que
consegui foi 16 mil reais com um amigo que é atirador, sendo que essa arma custa
500 dólares lá fora.
Dois terços do faturamento da Taurus vêm dos Estados Unidos. Nos Estados
Unidos, prezado Deputado Major Olimpio, em 2005, Birmann, Presidente e sócio da
Taurus, foi multado em 91 milhões por fraude a acionistas. Em 2015, autoridades
brasileiras apreenderam uma propriedade sua, um iate, de 23 milhões de reais, que
estava registrado em um paraíso fiscal. Desde 2013, as ações da Taurus caíram
95% nos Estados Unidos.
A minha pergunta é: ressalvada a pequena parte que a IMBEL tem do
mercado, considerando que é uma empresa pública voltada para a fabricação de
armas para as Forças Armadas, se a Taurus falir, onde vai parar a nossa defesa
nacional? Onde vai parar a arma que o nosso policial vai usar? Ou será que ele vai
parar de usar armas?
Fiquei de fato impressionado, prezado Dr. Tocchetto, com relação às perícias.
Em uma troca de tiro, quando há uma vítima no local, o senhor, como perito, vai
refazer os testes em um piso emborrachado ou, com seus conhecimentos de perícia,
vai fazer ali o ricochete e tentar simular ao máximo a realidade possível daquela
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imprensa no mundo todo já noticiou isso. Fica parecendo que nada disso está
acontecendo.
Eu não tenho mais questionamentos a fazer. Os senhores já me responderam
que foram contratados pela Taurus para estarem aqui. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Obrigado, Deputado
Major Olimpio.
Eu passo a palavra ao Deputado Eduardo Bolsonaro.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Sr. Presidente, de fato, o
tempo é muito curto para tamanhos questionamentos, mas eu vou tentar ser o mais
sucinto possível.
Primeiramente, acredito que a IMBEL não deveria nem estar aqui, porque
estamos falando das armas Taurus.
Uma crítica, coronel, com todo o respeito, é que não tem como dizer que há
concorrência no Brasil, data maxima venia. Eu fui quase obrigado a comprar uma
arma Taurus. Eu queria comprar uma Glock, mas no Brasil o melhor preço que
consegui foi 16 mil reais com um amigo que é atirador, sendo que essa arma custa
500 dólares lá fora.
Dois terços do faturamento da Taurus vêm dos Estados Unidos. Nos Estados
Unidos, prezado Deputado Major Olimpio, em 2005, Birmann, Presidente e sócio da
Taurus, foi multado em 91 milhões por fraude a acionistas. Em 2015, autoridades
brasileiras apreenderam uma propriedade sua, um iate, de 23 milhões de reais, que
estava registrado em um paraíso fiscal. Desde 2013, as ações da Taurus caíram
95% nos Estados Unidos.
A minha pergunta é: ressalvada a pequena parte que a IMBEL tem do
mercado, considerando que é uma empresa pública voltada para a fabricação de
armas para as Forças Armadas, se a Taurus falir, onde vai parar a nossa defesa
nacional? Onde vai parar a arma que o nosso policial vai usar? Ou será que ele vai
parar de usar armas?
Fiquei de fato impressionado, prezado Dr. Tocchetto, com relação às perícias.
Em uma troca de tiro, quando há uma vítima no local, o senhor, como perito, vai
refazer os testes em um piso emborrachado ou, com seus conhecimentos de perícia,
vai fazer ali o ricochete e tentar simular ao máximo a realidade possível daquela
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arma, nas suas condições reais? Se vale para ferrar com a vida do policial, por que
não vale para ajudar essas vítimas?
Prezado perito, o senhor escreveu o livro Armas Taurus — Uma Garantia de
Segurança. O senhor acredita que há isenção na sua palavra ao defender aqui a
empresa Taurus da maneira como fez?
Por esses motivos, prezado Presidente, eu peço desculpas. Não gostaria de
passar esse tipo de constrangimento. O senhor foi totalmente desconstruído por um
jovem, o perito Ladislau. Isso só me deixa mais convicto de que, sim, prezado
Deputado Major Olimpio, nós precisamos criar uma CPI para discutir essa matéria,
pois há muita fumaça nesse meio.
Uma crítica severa tem de ser feita também ao Ministério da Defesa. Eu quero
crer que, na primeira oportunidade, o Ministro Raul Jungmann vai criticar esse
nefasto decreto de 2006, que fala em “similar nacional”, que acaba por impedir a
importação de armas. É com base nisso que foi criada a pistola 24/7 e outros
modelos, porque a Taurus, com uma similar nacional, evitaria que importações
viessem para o Brasil e garantiria a sua reserva de mercado.
Esse monopólio tem que acabar. Ninguém aqui se feriu porque quis, não.
Com certeza, isso ocorreu por defeito de fabricação. Sabemos que a Taurus
apresenta um protótipo para o Exército e, na hora da fabricação, faz o que bem
entende. O Exército só fiscaliza esse protótipo, não faz uma fiscalização dia a dia.
Já me encaminhando para o final, Sr. Presidente, eu tenho algumas
indagações a fazer.
Além dessa pergunta sobre a garantia da defesa nacional, caso haja uma
falência da Taurus, eu gostaria de saber também...
Só mais uma observação: nós fazemos de tudo aqui, como requerimento de
informação, ofício para a PM e para a Polícia Civil, a fim de saber quantos disparos
acidentais ocorreram nas Forças. Até agora, eu tive a resposta apenas de nove
comandos da Polícia Militar; da Polícia Civil, até agora, ninguém respondeu ao meu
ofício.
Na verdade, tenho mais críticas do que de fato perguntas.
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
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arma, nas suas condições reais? Se vale para ferrar com a vida do policial, por que
não vale para ajudar essas vítimas?
Prezado perito, o senhor escreveu o livro Armas Taurus — Uma Garantia de
Segurança. O senhor acredita que há isenção na sua palavra ao defender aqui a
empresa Taurus da maneira como fez?
Por esses motivos, prezado Presidente, eu peço desculpas. Não gostaria de
passar esse tipo de constrangimento. O senhor foi totalmente desconstruído por um
jovem, o perito Ladislau. Isso só me deixa mais convicto de que, sim, prezado
Deputado Major Olimpio, nós precisamos criar uma CPI para discutir essa matéria,
pois há muita fumaça nesse meio.
Uma crítica severa tem de ser feita também ao Ministério da Defesa. Eu quero
crer que, na primeira oportunidade, o Ministro Raul Jungmann vai criticar esse
nefasto decreto de 2006, que fala em “similar nacional”, que acaba por impedir a
importação de armas. É com base nisso que foi criada a pistola 24/7 e outros
modelos, porque a Taurus, com uma similar nacional, evitaria que importações
viessem para o Brasil e garantiria a sua reserva de mercado.
Esse monopólio tem que acabar. Ninguém aqui se feriu porque quis, não.
Com certeza, isso ocorreu por defeito de fabricação. Sabemos que a Taurus
apresenta um protótipo para o Exército e, na hora da fabricação, faz o que bem
entende. O Exército só fiscaliza esse protótipo, não faz uma fiscalização dia a dia.
Já me encaminhando para o final, Sr. Presidente, eu tenho algumas
indagações a fazer.
Além dessa pergunta sobre a garantia da defesa nacional, caso haja uma
falência da Taurus, eu gostaria de saber também...
Só mais uma observação: nós fazemos de tudo aqui, como requerimento de
informação, ofício para a PM e para a Polícia Civil, a fim de saber quantos disparos
acidentais ocorreram nas Forças. Até agora, eu tive a resposta apenas de nove
comandos da Polícia Militar; da Polícia Civil, até agora, ninguém respondeu ao meu
ofício.
Na verdade, tenho mais críticas do que de fato perguntas.
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Quais são os números?
Existem alguns registros de disparos acidentais. O curioso é que, na Polícia Civil,
ninguém respondeu ainda. Quando eu tiver o balanço completo, passo aos
senhores. Mas acredito que já temos informações suficientes para a abertura desta
CPI.
Eu queria passar um vídeo, que tem 15 a 20 segundos de duração, para que
os peritos nos dissessem onde é que foi colocado o dedo no gatinho, onde é que
ocorreu o coldreamento errado.
(Exibição de vídeo.)
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Prezado perito Tocchetto, o
senhor disse aqui que não há como uma arma disparar sem que o seu acionamento,
seu funcionamento seja realizado manualmente. Explique, por favor, o que o senhor
disse. Nós que somos do meio policial entendemos isso. O leigo que está nos
assistindo pela TV Câmara entendeu que a arma só dispara com o dedo no gatilho.
Fique à vontade para nos explicar.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Deputado, eu vou passar
a pergunta à IMBEL e depois ao perito, para que V.Exa. possa ter o tempo da
réplica. Darei 1 minuto e meio a cada um.
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - A minha explicação é breve. Até
cumprindo a própria destinação de criação da IMBEL, o seu cliente preferencial e
principal é o Exército brasileiro. É claro que, ao longo do tempo, a IMBEL passou a
produzir pistolas, atendendo a requisitos das polícias, e as fornecia às Polícias
Militares, mas logicamente não é objetivo da IMBEL suprir as necessidades dos
órgãos de segurança pública. Ela faz isso, mas não temos registros, como eu afirmei
anteriormente, de problemas ocorridos com as nossas armas. Porém, hoje nós não
teríamos condições, por exemplo, de voltar para o mercado, de maneira nenhuma.
(Não identificado) - Não há concorrência?
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - Não. Quando eu me referi ao monopólio,
Deputado — peço, por favor, que o perito entenda também —, é que muita gente
não conhece a IMBEL e acha que só existe um fabricante nacional. Eu não vou
entrar no mérito da abertura do mercado, só estou dizendo que existe outra empresa
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O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Quais são os números?
Existem alguns registros de disparos acidentais. O curioso é que, na Polícia Civil,
ninguém respondeu ainda. Quando eu tiver o balanço completo, passo aos
senhores. Mas acredito que já temos informações suficientes para a abertura desta
CPI.
Eu queria passar um vídeo, que tem 15 a 20 segundos de duração, para que
os peritos nos dissessem onde é que foi colocado o dedo no gatinho, onde é que
ocorreu o coldreamento errado.
(Exibição de vídeo.)
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Prezado perito Tocchetto, o
senhor disse aqui que não há como uma arma disparar sem que o seu acionamento,
seu funcionamento seja realizado manualmente. Explique, por favor, o que o senhor
disse. Nós que somos do meio policial entendemos isso. O leigo que está nos
assistindo pela TV Câmara entendeu que a arma só dispara com o dedo no gatilho.
Fique à vontade para nos explicar.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Deputado, eu vou passar
a pergunta à IMBEL e depois ao perito, para que V.Exa. possa ter o tempo da
réplica. Darei 1 minuto e meio a cada um.
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - A minha explicação é breve. Até
cumprindo a própria destinação de criação da IMBEL, o seu cliente preferencial e
principal é o Exército brasileiro. É claro que, ao longo do tempo, a IMBEL passou a
produzir pistolas, atendendo a requisitos das polícias, e as fornecia às Polícias
Militares, mas logicamente não é objetivo da IMBEL suprir as necessidades dos
órgãos de segurança pública. Ela faz isso, mas não temos registros, como eu afirmei
anteriormente, de problemas ocorridos com as nossas armas. Porém, hoje nós não
teríamos condições, por exemplo, de voltar para o mercado, de maneira nenhuma.
(Não identificado) - Não há concorrência?
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - Não. Quando eu me referi ao monopólio,
Deputado — peço, por favor, que o perito entenda também —, é que muita gente
não conhece a IMBEL e acha que só existe um fabricante nacional. Eu não vou
entrar no mérito da abertura do mercado, só estou dizendo que existe outra empresa
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que também fornece armas leves para órgãos de segurança pública e para clientes
privados.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Passo a palavra ao Dr.
Domingos Tocchetto.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Só um instantinho, Sr.
Presidente, quero voltar a pergunta ao coronel.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Vamos deixá-lo
responder, Deputado. Depois, V.Exa. volta com a réplica.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - A pergunta é pertinente; é
jogo rápido.
Caso haja falência da Taurus, a IMBEL daria conta de, em pouco tempo,
suprir esse mercado nacional inteiro?
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - Não, em pouco tempo, não. Até como
empresa pública, seria muito difícil ela fazer isso em curto espaço de tempo.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Não há produto similar. Nesse caso,
a importação está permitida. Pelo amor de Deus, Deputado Eduardo! (Manifestação
na plateia.)
Se a empresa faliu...
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO- O decreto de 2006 é claro.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - É claro. Se não há produto similar
no mercado, a importação está garantida.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - A IMBEL tem esse similar.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Não, ele está falando que só produz
para o Exército.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Em primeiro lugar, eu gostaria de
responder — infelizmente, o Deputado Major Olimpio não se encontra — que o fato
de eu ter sido contratado para realizar estes laudos aqui não me tira a qualidade de
perito. O perito tem uma obrigação: dizer a verdade.
Se eu tenho mais de 40 anos de perícia, — aqui está um colega que assistiu
a algumas palestras minhas — eu questiono, sim, os laudos. Publiquei o livro
intitulado Estudo de Casos em Balística, onde aponto falhas em laudos. Coloco qual
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que também fornece armas leves para órgãos de segurança pública e para clientes
privados.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Passo a palavra ao Dr.
Domingos Tocchetto.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Só um instantinho, Sr.
Presidente, quero voltar a pergunta ao coronel.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Vamos deixá-lo
responder, Deputado. Depois, V.Exa. volta com a réplica.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - A pergunta é pertinente; é
jogo rápido.
Caso haja falência da Taurus, a IMBEL daria conta de, em pouco tempo,
suprir esse mercado nacional inteiro?
O SR. MARCELO MUNIZ COSTA - Não, em pouco tempo, não. Até como
empresa pública, seria muito difícil ela fazer isso em curto espaço de tempo.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Não há produto similar. Nesse caso,
a importação está permitida. Pelo amor de Deus, Deputado Eduardo! (Manifestação
na plateia.)
Se a empresa faliu...
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO- O decreto de 2006 é claro.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - É claro. Se não há produto similar
no mercado, a importação está garantida.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - A IMBEL tem esse similar.
O SR. DEPUTADO ALBERTO FRAGA - Não, ele está falando que só produz
para o Exército.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Em primeiro lugar, eu gostaria de
responder — infelizmente, o Deputado Major Olimpio não se encontra — que o fato
de eu ter sido contratado para realizar estes laudos aqui não me tira a qualidade de
perito. O perito tem uma obrigação: dizer a verdade.
Se eu tenho mais de 40 anos de perícia, — aqui está um colega que assistiu
a algumas palestras minhas — eu questiono, sim, os laudos. Publiquei o livro
intitulado Estudo de Casos em Balística, onde aponto falhas em laudos. Coloco qual
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o resultado final da decisão judicial, se foi aceito o laudo oficial ou o meu e como é
que ocorreu isso.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO- Então esses laudos que o
senhor leu são válidos para essas vítimas que estão aqui atrás?
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Não, por favor! Não mudei de opinião.
Eu sugiro aos presentes aqui que sofreram acidentes que exijam que a
autoridade policial requisite perícia em arma de fogo com queda sobre o piso no qual
ela caiu. Só que para isso tem de haver o quê? Um laudo do local. O perito tem que
ter a requisição da autoridade policial com quesitos formulados explicitamente, para
saber qual o tipo de piso, a altura em que ocorreu o acidente, como é que estava a
arma. Essa arma, no momento do acidente — o Código de Processo Penal prevê
isso —, teria que ser apreendida e lacrada, como o colega bem explicou, a fim de ir
para a perícia naquele estado.
Não estou desdizendo aquilo que eu informei ao Luciano, continuo com a
mesma opinião, ou seja, que os colegas não fizeram o teste da queda em cima
daquele piso, mas em cima do piso de borracha, seguindo o quê? A norma.
Houve, no seu caso, por parte da autoridade policial, essa pergunta ou esse
pedido?
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - E os peritos fizeram?
(Não identificado) - Isso vai ser realizado esta semana.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Então, vejam, é um caso concreto; vão
realizar o teste. Por que isso? Porque, conseguindo que esse laudo seja feito, os
senhores poderão ser isentados de um processo administrativo e até de um
processo penal. Quer dizer, se a perícia provar que a arma, ao cair naquelas
condições que os senhores alegam ter caído produz tiro acidental, ou seja, sobre
aquele tipo de piso, fica provado pericialmente que o fato ocorreu de acordo com as
alegações dos senhores. Com isso, creio que qualquer juiz não os condenará; não
haverá, portanto, condenação por lesão corporal ou algo similar.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Dr. Tocchetto, então, como
foram feitos esses testes feitos em piso emborrachado, por exemplo?
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o resultado final da decisão judicial, se foi aceito o laudo oficial ou o meu e como é
que ocorreu isso.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO- Então esses laudos que o
senhor leu são válidos para essas vítimas que estão aqui atrás?
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Não, por favor! Não mudei de opinião.
Eu sugiro aos presentes aqui que sofreram acidentes que exijam que a
autoridade policial requisite perícia em arma de fogo com queda sobre o piso no qual
ela caiu. Só que para isso tem de haver o quê? Um laudo do local. O perito tem que
ter a requisição da autoridade policial com quesitos formulados explicitamente, para
saber qual o tipo de piso, a altura em que ocorreu o acidente, como é que estava a
arma. Essa arma, no momento do acidente — o Código de Processo Penal prevê
isso —, teria que ser apreendida e lacrada, como o colega bem explicou, a fim de ir
para a perícia naquele estado.
Não estou desdizendo aquilo que eu informei ao Luciano, continuo com a
mesma opinião, ou seja, que os colegas não fizeram o teste da queda em cima
daquele piso, mas em cima do piso de borracha, seguindo o quê? A norma.
Houve, no seu caso, por parte da autoridade policial, essa pergunta ou esse
pedido?
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - E os peritos fizeram?
(Não identificado) - Isso vai ser realizado esta semana.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Então, vejam, é um caso concreto; vão
realizar o teste. Por que isso? Porque, conseguindo que esse laudo seja feito, os
senhores poderão ser isentados de um processo administrativo e até de um
processo penal. Quer dizer, se a perícia provar que a arma, ao cair naquelas
condições que os senhores alegam ter caído produz tiro acidental, ou seja, sobre
aquele tipo de piso, fica provado pericialmente que o fato ocorreu de acordo com as
alegações dos senhores. Com isso, creio que qualquer juiz não os condenará; não
haverá, portanto, condenação por lesão corporal ou algo similar.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Dr. Tocchetto, então, como
foram feitos esses testes feitos em piso emborrachado, por exemplo?
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O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Eles foram feitos dentro de uma norma.
Será que a autoridade policial requisitou testes diferentes dos previstos na norma?
Não. O perito não pode ir além da requisição da autoridade. É a mesma situação.
O senhor falou que tem que se reproduzir o fato. Ótimo! Mas houve perícia do
local? O perito que vai fazer a perícia na arma tentou usar essas informações, como
o colega disse? A autoridade policial requisitou aquele tipo de exame, aquele tipo de
queda?
Se a autoridade requisitou isso — o Luciano está me informando que será
feita nova perícia na arma dele —, ótimo! Eu acho que todos deveriam fazer isso.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Então, esses dados relatados
pelo senhor de nada servem em relação às vítimas das armas Taurus. Eles servem
apenas para levar a opinião pública a crer que a arma Taurus é de excelente
qualidade, sendo que os testes foram realizados em pisos emborrachados. De nada
servem esses dados! Essa dissertação toda do senhor aqui não valeu de nada!
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Veja: não fui eu que fiz a perícia, foram
peritos de vários locais, vários institutos e vários Estados.
Como disse aqui o próprio perito Geraldo Bertolo, eles seguiram uma norma.
Se houver uma requisição para um teste de queda a 1,8 ou 2 metros de altura, o
perito vai fazer.
Nesse caso específico, houve pedido de perícia para a arma?
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Aquilo, se não me engano,
ocorreu durante uma perícia.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Hem?
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Aquilo ocorreu durante uma
perícia.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - E essa perícia era oficial? Havia um
perito? Ela foi requisitada?
Infelizmente, naqueles casos que nós examinamos, qual é a obrigação do
perito? Se ocorrer tiro acidental por queda, ele tem que fazer o teste e dizer:
“Ocorreu”. Ele tem que abrir a arma, examinar peça por peça e dizer qual foi a causa
do tiro acidental por queda, qual peça não está com a segurança adequada.
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Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Eles foram feitos dentro de uma norma.
Será que a autoridade policial requisitou testes diferentes dos previstos na norma?
Não. O perito não pode ir além da requisição da autoridade. É a mesma situação.
O senhor falou que tem que se reproduzir o fato. Ótimo! Mas houve perícia do
local? O perito que vai fazer a perícia na arma tentou usar essas informações, como
o colega disse? A autoridade policial requisitou aquele tipo de exame, aquele tipo de
queda?
Se a autoridade requisitou isso — o Luciano está me informando que será
feita nova perícia na arma dele —, ótimo! Eu acho que todos deveriam fazer isso.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Então, esses dados relatados
pelo senhor de nada servem em relação às vítimas das armas Taurus. Eles servem
apenas para levar a opinião pública a crer que a arma Taurus é de excelente
qualidade, sendo que os testes foram realizados em pisos emborrachados. De nada
servem esses dados! Essa dissertação toda do senhor aqui não valeu de nada!
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Veja: não fui eu que fiz a perícia, foram
peritos de vários locais, vários institutos e vários Estados.
Como disse aqui o próprio perito Geraldo Bertolo, eles seguiram uma norma.
Se houver uma requisição para um teste de queda a 1,8 ou 2 metros de altura, o
perito vai fazer.
Nesse caso específico, houve pedido de perícia para a arma?
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Aquilo, se não me engano,
ocorreu durante uma perícia.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - Hem?
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Aquilo ocorreu durante uma
perícia.
O SR. DOMINGOS TOCCHETTO - E essa perícia era oficial? Havia um
perito? Ela foi requisitada?
Infelizmente, naqueles casos que nós examinamos, qual é a obrigação do
perito? Se ocorrer tiro acidental por queda, ele tem que fazer o teste e dizer:
“Ocorreu”. Ele tem que abrir a arma, examinar peça por peça e dizer qual foi a causa
do tiro acidental por queda, qual peça não está com a segurança adequada.
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Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr.
Domingos Tocchetto.
Vou passar a palavra agora ao Deputado Onyx Lorenzoni.
O SR. DEPUTADO ONYX LORENZONI - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
aqueles que participam desta reunião, eu estou aqui fazendo uma reflexão e quero
trazer uma contribuição.
Só para que tenhamos uma ideia, a Taurus é uma empresa que atua no meu
Estado, onde gera 3 mil empregos diretos e existe há 70 anos. Ela não está
produzindo porcaria há 70 anos. Exporta para 80 países. Então, é uma empresa
que, no mínimo, merece respeito. Ela não pode carregar a culpa de todos os males
da insegurança que afetam o cidadão e os agentes policiais.
Quem tiver responsabilidade civil e criminal que pague a conta. Agora, eu vi
destruírem a VARIG. Colocaram qual empresa no lugar mesmo?
Eu quero trazer uma palavra sobre uma pessoa que conheço há quase 30
anos, o Dr. Domingos Tocchetto, um dos mais brilhantes peritos brasileiros. Não é a
troco de nada que ele é respeitado de norte a sul do Brasil. Cada situação necessita
de uma análise específica.
A mesma referência faço sobre o Dr. Geraldo Bertolo, que também é outra
pessoa que merece todo o nosso respeito.
Quero saudar o Ladislau porque acho que ele nos trouxe um caminho. Quero
propor, Sr. Presidente, que seja criada uma subcomissão especial dentro da
Comissão de Segurança, para que ela reúna todos os interessados e faça a análise
de toda as circunstâncias, para modificar a legislação.
Não é possível que, quando o policial em ação tem qualquer problema, ele
tenha medo de comunicar esse problema. Isso é um absurdo!
Participei
de 12 Comissões Parlamentares de Inquérito no Parlamento
brasileiro. Quero sugerir, Deputado Major Olimpio, até porque há uma fila na
Câmara — V.Exa. sabe disso —, que tentemos rapidamente tirar todos esses
gargalos, usando a inteligência e o talento do Dr. Ladislau, que nos trouxe um
caminho.
Deputado Eduardo, uma subcomissão dentro da Comissão de Segurança,
com a participação de todos os membros interessados, pode identificar, em 60 ou 90
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O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Agradeço ao Sr.
Domingos Tocchetto.
Vou passar a palavra agora ao Deputado Onyx Lorenzoni.
O SR. DEPUTADO ONYX LORENZONI - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
aqueles que participam desta reunião, eu estou aqui fazendo uma reflexão e quero
trazer uma contribuição.
Só para que tenhamos uma ideia, a Taurus é uma empresa que atua no meu
Estado, onde gera 3 mil empregos diretos e existe há 70 anos. Ela não está
produzindo porcaria há 70 anos. Exporta para 80 países. Então, é uma empresa
que, no mínimo, merece respeito. Ela não pode carregar a culpa de todos os males
da insegurança que afetam o cidadão e os agentes policiais.
Quem tiver responsabilidade civil e criminal que pague a conta. Agora, eu vi
destruírem a VARIG. Colocaram qual empresa no lugar mesmo?
Eu quero trazer uma palavra sobre uma pessoa que conheço há quase 30
anos, o Dr. Domingos Tocchetto, um dos mais brilhantes peritos brasileiros. Não é a
troco de nada que ele é respeitado de norte a sul do Brasil. Cada situação necessita
de uma análise específica.
A mesma referência faço sobre o Dr. Geraldo Bertolo, que também é outra
pessoa que merece todo o nosso respeito.
Quero saudar o Ladislau porque acho que ele nos trouxe um caminho. Quero
propor, Sr. Presidente, que seja criada uma subcomissão especial dentro da
Comissão de Segurança, para que ela reúna todos os interessados e faça a análise
de toda as circunstâncias, para modificar a legislação.
Não é possível que, quando o policial em ação tem qualquer problema, ele
tenha medo de comunicar esse problema. Isso é um absurdo!
Participei
de 12 Comissões Parlamentares de Inquérito no Parlamento
brasileiro. Quero sugerir, Deputado Major Olimpio, até porque há uma fila na
Câmara — V.Exa. sabe disso —, que tentemos rapidamente tirar todos esses
gargalos, usando a inteligência e o talento do Dr. Ladislau, que nos trouxe um
caminho.
Deputado Eduardo, uma subcomissão dentro da Comissão de Segurança,
com a participação de todos os membros interessados, pode identificar, em 60 ou 90
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dias, os pontos de gargalo que afetam as notificações, fazer as estatísticas e tudo
aquilo que é necessário para que possamos ter equipamentos seguros. Um policial
militar, um policial civil, assim como eu, um cidadão, tem que ter uma arma em que
confie.
A empresa Taurus construiu seu nome aqui e no exterior vendendo produtos
de confiança. Nos últimos anos, ela teve problemas, sim. Eu sou lá da terra e sei
quais problemas foram estes: de pessoas inadequadas, que comandaram uma
empresa sem nenhum conhecimento sobre o que significava produzir uma arma. E
os resultados estão aí.
É evidente que a empresa tem que pagar pelos erros cometidos. Agora,
precisamos achar um caminho de solução rápida. E colocação que eu deixo é esta:
a empresa tem que pagar por aquilo que for de sua responsabilidade civil e criminal,
no entanto, não se pode destruir uma empresa que exporta para 80 países e tem
mais de 70 anos de vida útil no Brasil, colaborando hoje. Hoje não sei quantos
milhares de armas Taurus estão nas mãos de cidadãos e cidadãs, de policiais civis e
militares no Brasil.
Então, precisamos achar uma solução para o problema. E o caminho para
isso, na minha visão, é fazer uma revisão da legislação urgentemente. Naquilo que
couber, é preciso haver mecanismos de compensação, para que as forças policiais
possam buscar equipamentos alternativos. Além do mais, a empresa Taurus e a
IMBEL devem ser submetidas a uma competição saudável, inclusive com a chegada
dos que querem vender armas no Brasil.
Mas eu tenho que lembrar um fator: a Taurus e a CBC têm fábricas na
Alemanha e nos Estados Unidos, porque, para vender lá, é preciso fabricar lá.
Então, os de fora podem vir vender suas armas aqui, desde que montem fábricas
aqui e contratem brasileiros e brasileiras. Não há nenhum problema. Precisamos é
dar equipamentos seguros aos nossos policiais.
Eu quero dizer, Deputado Major Olimpio, que assino a CPI de V.Exa. sem
problema nenhum. Agora, V.Exa. sabe que há uma fila e que talvez só possamos
instalá-la no ano que vem. Então, não vamos esperar para o ano que vem, não.
Vamos abaixar a cabeça e trabalhar. O Presidente pode instituir uma subcomissão
especial no âmbito da Comissão de Segurança. V.Exa. pode contar comigo.
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dias, os pontos de gargalo que afetam as notificações, fazer as estatísticas e tudo
aquilo que é necessário para que possamos ter equipamentos seguros. Um policial
militar, um policial civil, assim como eu, um cidadão, tem que ter uma arma em que
confie.
A empresa Taurus construiu seu nome aqui e no exterior vendendo produtos
de confiança. Nos últimos anos, ela teve problemas, sim. Eu sou lá da terra e sei
quais problemas foram estes: de pessoas inadequadas, que comandaram uma
empresa sem nenhum conhecimento sobre o que significava produzir uma arma. E
os resultados estão aí.
É evidente que a empresa tem que pagar pelos erros cometidos. Agora,
precisamos achar um caminho de solução rápida. E colocação que eu deixo é esta:
a empresa tem que pagar por aquilo que for de sua responsabilidade civil e criminal,
no entanto, não se pode destruir uma empresa que exporta para 80 países e tem
mais de 70 anos de vida útil no Brasil, colaborando hoje. Hoje não sei quantos
milhares de armas Taurus estão nas mãos de cidadãos e cidadãs, de policiais civis e
militares no Brasil.
Então, precisamos achar uma solução para o problema. E o caminho para
isso, na minha visão, é fazer uma revisão da legislação urgentemente. Naquilo que
couber, é preciso haver mecanismos de compensação, para que as forças policiais
possam buscar equipamentos alternativos. Além do mais, a empresa Taurus e a
IMBEL devem ser submetidas a uma competição saudável, inclusive com a chegada
dos que querem vender armas no Brasil.
Mas eu tenho que lembrar um fator: a Taurus e a CBC têm fábricas na
Alemanha e nos Estados Unidos, porque, para vender lá, é preciso fabricar lá.
Então, os de fora podem vir vender suas armas aqui, desde que montem fábricas
aqui e contratem brasileiros e brasileiras. Não há nenhum problema. Precisamos é
dar equipamentos seguros aos nossos policiais.
Eu quero dizer, Deputado Major Olimpio, que assino a CPI de V.Exa. sem
problema nenhum. Agora, V.Exa. sabe que há uma fila e que talvez só possamos
instalá-la no ano que vem. Então, não vamos esperar para o ano que vem, não.
Vamos abaixar a cabeça e trabalhar. O Presidente pode instituir uma subcomissão
especial no âmbito da Comissão de Segurança. V.Exa. pode contar comigo.
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O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Então, vamos protocolar o
requerimento da subcomissão. Inicialmente nós vemos os gargalos e, lá na frente,
vemos onde estão os crimes.
O SR. DEPUTADO ONYX LORENZONI - Exatamente. Não há problema
nenhum. O importante é buscarmos soluções. Do jeito que está, não pode ficar.
Agora, o único aspecto que quero trazer é o de que não dá para se destruir
uma empresa que, há 7 décadas, gera empregos e impostos e que serviu o Brasil
em muitos momentos. Ela pode estar num período de dificuldade? Pode. Mas eu
sempre a conheci como uma empresa responsável, que pagou responsavelmente
pelos seus erros.
Portanto, vamos ter que ter um pouquinho de equilíbrio para não transformar
alguém que sempre ajudou o Brasil no monstro dos últimos meses ou dos últimos
anos. Vamos tentar ter equilíbrio e bom senso.
Sou parceiro de V.Exa., Deputado Major Olimpio, para construirmos caminhos
de solução para esse problema. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu queria agradecer
novamente as colocações dos nobres Deputados e Deputadas e dizer a S.Exas. que
concordo com a criação, no âmbito da Comissão, de qualquer instrumento que
possa nos auxiliar a continuar averiguando e avaliando essas situações.
Eu me solidarizo com todas as vítimas, tanto as que estão aqui quanto as que
não puderam vir.
Concordo com V.Exa., Deputado Onyx Lorenzoni, quando diz que, se há
culpa, devemos punir e devemos melhorar. Mas, como industrial que sou, acredito
que não podemos punir a indústria brasileira e dizer que ela é incapaz ou
impossível. Se ela é incapaz, não existe proteção de mercado nos mais variados
segmentos.
Então, é preciso que se criem normas que também sejam capazes de exigir
que, onde houver acidentes ou incidentes, os vitimados sigam certos procedimentos,
para que também a requisição, como disse o Procurador, não venha de forma
errada. O perito tem que analisar dentro daquilo que foi requisitado pelo órgão,
dentro daquilo que foi requisitado pelo agente. A norma não segue, obviamente, o
procedimento ou a realidade, Deputado Eduardo Bolsonaro, evitando que se possa
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COM REDAÇÃO FINAL
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
Número: 0933/16
03/08/2016
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Então, vamos protocolar o
requerimento da subcomissão. Inicialmente nós vemos os gargalos e, lá na frente,
vemos onde estão os crimes.
O SR. DEPUTADO ONYX LORENZONI - Exatamente. Não há problema
nenhum. O importante é buscarmos soluções. Do jeito que está, não pode ficar.
Agora, o único aspecto que quero trazer é o de que não dá para se destruir
uma empresa que, há 7 décadas, gera empregos e impostos e que serviu o Brasil
em muitos momentos. Ela pode estar num período de dificuldade? Pode. Mas eu
sempre a conheci como uma empresa responsável, que pagou responsavelmente
pelos seus erros.
Portanto, vamos ter que ter um pouquinho de equilíbrio para não transformar
alguém que sempre ajudou o Brasil no monstro dos últimos meses ou dos últimos
anos. Vamos tentar ter equilíbrio e bom senso.
Sou parceiro de V.Exa., Deputado Major Olimpio, para construirmos caminhos
de solução para esse problema. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Eu queria agradecer
novamente as colocações dos nobres Deputados e Deputadas e dizer a S.Exas. que
concordo com a criação, no âmbito da Comissão, de qualquer instrumento que
possa nos auxiliar a continuar averiguando e avaliando essas situações.
Eu me solidarizo com todas as vítimas, tanto as que estão aqui quanto as que
não puderam vir.
Concordo com V.Exa., Deputado Onyx Lorenzoni, quando diz que, se há
culpa, devemos punir e devemos melhorar. Mas, como industrial que sou, acredito
que não podemos punir a indústria brasileira e dizer que ela é incapaz ou
impossível. Se ela é incapaz, não existe proteção de mercado nos mais variados
segmentos.
Então, é preciso que se criem normas que também sejam capazes de exigir
que, onde houver acidentes ou incidentes, os vitimados sigam certos procedimentos,
para que também a requisição, como disse o Procurador, não venha de forma
errada. O perito tem que analisar dentro daquilo que foi requisitado pelo órgão,
dentro daquilo que foi requisitado pelo agente. A norma não segue, obviamente, o
procedimento ou a realidade, Deputado Eduardo Bolsonaro, evitando que se possa
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cobrar da companhia que fabrica e daqueles que são vitimados. É preciso que haja
normas e procedimentos dos órgãos, seja o Exército ou outro — agradeço a
participação do General.
Também pode ser avaliada a criação ou formulação de órgãos que vão
fiscalizar isso, seja o Exército, seja o INMETRO ou quem quer seja. Nós estamos
aqui representando a população. Os policiais, os industriais, todos são parte dos
nossos representados.
Devemos, sim, continuar o desafio desse debate, para que, definitivamente,
com o empenho do Deputado Major Olimpio, do Deputado Alberto Fraga, que saiu, e
de todos, possamos encerrar com esses incidentes, provar se a indústria nacional é
capaz e trazer outros fabricantes.
Aqui no Brasil criaram-se fórmulas as mais variadas possíveis. A
PETROBRAS, tema em que V.Exa. atuou tão bem, criou a fórmula dos
componentes nacionais, que foi positiva em alguns aspectos e negativa em outros.
Nós temos que avaliar um aspecto bem amplo. Mas, no âmbito da Comissão
de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, essa discussão terá o meu
total e irrestrito apoio, seja para beneficiar as vítimas, seja para averiguar a
responsabilidade dos fabricantes. Precisamos ter imparcialidade e responsabilidade,
para que encontremos uma solução que a população espera e anseia.
Dos mais de 5 mil Municípios brasileiros, quase a totalidade ou a maioria
expressiva exige uma resposta nossa ou dos agentes e servidores públicos no que
diz respeito à segurança pública. Obviamente, o armamento faz parte disso, pois
auxilia o ser humano, que é o mais importante para a nossa defesa, a executar uma
segurança pública de qualidade.
Agradeço muito a todos aqueles que participaram deste debate.
Deputado Onyx Lorenzoni, V.Exa. quer fazer mais alguma colocação?
O SR. DEPUTADO ONYX LORENZONI - Sr. Presidente, só queria reiterar o
que disse, porque acredito que as pessoas aqui vieram em busca de respostas, e é
dever de todos nós buscar essas respostas.
Portanto, quero insistir que V.Exa. analise a possibilidade da montagem
dessa subcomissão no âmbito da Comissão de Segurança. Serão uns 5 ou 6
Deputados que irão se debruçar sobre isso. Vamos chamar e ouvir as pessoas. Ela
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cobrar da companhia que fabrica e daqueles que são vitimados. É preciso que haja
normas e procedimentos dos órgãos, seja o Exército ou outro — agradeço a
participação do General.
Também pode ser avaliada a criação ou formulação de órgãos que vão
fiscalizar isso, seja o Exército, seja o INMETRO ou quem quer seja. Nós estamos
aqui representando a população. Os policiais, os industriais, todos são parte dos
nossos representados.
Devemos, sim, continuar o desafio desse debate, para que, definitivamente,
com o empenho do Deputado Major Olimpio, do Deputado Alberto Fraga, que saiu, e
de todos, possamos encerrar com esses incidentes, provar se a indústria nacional é
capaz e trazer outros fabricantes.
Aqui no Brasil criaram-se fórmulas as mais variadas possíveis. A
PETROBRAS, tema em que V.Exa. atuou tão bem, criou a fórmula dos
componentes nacionais, que foi positiva em alguns aspectos e negativa em outros.
Nós temos que avaliar um aspecto bem amplo. Mas, no âmbito da Comissão
de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, essa discussão terá o meu
total e irrestrito apoio, seja para beneficiar as vítimas, seja para averiguar a
responsabilidade dos fabricantes. Precisamos ter imparcialidade e responsabilidade,
para que encontremos uma solução que a população espera e anseia.
Dos mais de 5 mil Municípios brasileiros, quase a totalidade ou a maioria
expressiva exige uma resposta nossa ou dos agentes e servidores públicos no que
diz respeito à segurança pública. Obviamente, o armamento faz parte disso, pois
auxilia o ser humano, que é o mais importante para a nossa defesa, a executar uma
segurança pública de qualidade.
Agradeço muito a todos aqueles que participaram deste debate.
Deputado Onyx Lorenzoni, V.Exa. quer fazer mais alguma colocação?
O SR. DEPUTADO ONYX LORENZONI - Sr. Presidente, só queria reiterar o
que disse, porque acredito que as pessoas aqui vieram em busca de respostas, e é
dever de todos nós buscar essas respostas.
Portanto, quero insistir que V.Exa. analise a possibilidade da montagem
dessa subcomissão no âmbito da Comissão de Segurança. Serão uns 5 ou 6
Deputados que irão se debruçar sobre isso. Vamos chamar e ouvir as pessoas. Ela
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terá um prazo de 90 dias no máximo para produzir as medidas que farão com que
nós legisladores possamos mudar essa questão aqui, mudando a realidade
daqueles que estão lá na rua, defendendo a nossa vida. Não podemos exigir que
eles se suicidem em muitos momentos ou sacrifiquem a sua vida para proteger a
nossa. Nós já sabemos da missão espinhosa que têm.
Portanto, se há gargalos, como disse o Dr. Ladislau, nós temos o dever de
solucioná-los legislativamente. Aliás, fomos eleitos para isso. Esse é o nosso
trabalho, esse é o trabalho que temos que cumprir. Quero insistir nessa tese com
V.Exa.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Deputado Onyx, V.Exa.
tenha a convicção de que terá o meu irrestrito apoio a iniciativa para tomarmos as
medidas devidas, seja com a criação de uma subcomissão ou qualquer outra
formulação, a fim de que possamos encaminhar o assunto.
Quero aqui afirmar o interesse pelo assunto dos Srs. Deputados que estão
aqui hoje, representando a sua população, representando todos os interessados de
ambas as partes. A grande maioria dos Parlamentares não pôde estar aqui
presente. Mas eu afirmo e reitero a participação e a preocupação de S.Exas. com a
segurança pública, principalmente para que possamos dirimir um assunto tão
polêmico quanto este.
O Deputado Eduardo Bolsonaro tem a palavra.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Sr. Presidente Baldy, apenas
quero fazer uma consideração e deixar claro que, de forma alguma, o objetivo aqui é
fazer falir a empresa Taurus.
A ideia aqui é fazer com que a pessoa possa escolher a arma em que sinta
confiança. Isso se chama liberdade. Assim como nós podemos escolher um Fiat, um
Volkswagen ou até uma BMW, eu quero ter a mesma liberdade quando falar em
arma de fogo. É apenas isso.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Por isso eu citei,
Deputado Eduardo, outras fórmulas que foram criadas em diversos setores e criaram
condições para que empresas possam aqui se instalar — algumas foram bemsucedidas, outras não.
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terá um prazo de 90 dias no máximo para produzir as medidas que farão com que
nós legisladores possamos mudar essa questão aqui, mudando a realidade
daqueles que estão lá na rua, defendendo a nossa vida. Não podemos exigir que
eles se suicidem em muitos momentos ou sacrifiquem a sua vida para proteger a
nossa. Nós já sabemos da missão espinhosa que têm.
Portanto, se há gargalos, como disse o Dr. Ladislau, nós temos o dever de
solucioná-los legislativamente. Aliás, fomos eleitos para isso. Esse é o nosso
trabalho, esse é o trabalho que temos que cumprir. Quero insistir nessa tese com
V.Exa.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Deputado Onyx, V.Exa.
tenha a convicção de que terá o meu irrestrito apoio a iniciativa para tomarmos as
medidas devidas, seja com a criação de uma subcomissão ou qualquer outra
formulação, a fim de que possamos encaminhar o assunto.
Quero aqui afirmar o interesse pelo assunto dos Srs. Deputados que estão
aqui hoje, representando a sua população, representando todos os interessados de
ambas as partes. A grande maioria dos Parlamentares não pôde estar aqui
presente. Mas eu afirmo e reitero a participação e a preocupação de S.Exas. com a
segurança pública, principalmente para que possamos dirimir um assunto tão
polêmico quanto este.
O Deputado Eduardo Bolsonaro tem a palavra.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Sr. Presidente Baldy, apenas
quero fazer uma consideração e deixar claro que, de forma alguma, o objetivo aqui é
fazer falir a empresa Taurus.
A ideia aqui é fazer com que a pessoa possa escolher a arma em que sinta
confiança. Isso se chama liberdade. Assim como nós podemos escolher um Fiat, um
Volkswagen ou até uma BMW, eu quero ter a mesma liberdade quando falar em
arma de fogo. É apenas isso.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Por isso eu citei,
Deputado Eduardo, outras fórmulas que foram criadas em diversos setores e criaram
condições para que empresas possam aqui se instalar — algumas foram bemsucedidas, outras não.
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Como disse o nobre colega, se as empresas querem vir comercializar aqui,
que se instalem no Brasil. Isso deve ser feito da forma correta, para que possamos
gerar competividade, sem punir a indústria nacional e os trabalhadores brasileiros.
Então, devemos ver os interesses dos que utilizam armas e, obviamente,
daqueles que trabalham para produzir os nossos equipamentos.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Há muitos anos, existe o
interesse de empresas internacionais em vir para cá. Elas não conseguem vir
porque esbarram em interesses outros, escusos, quando querem implantar a sua
indústria aqui no País.
É por isso que acho que vem em boa hora, sim, a CPI das Armas aqui.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Quero apenas fazer uma
consideração em cima do que disse o Deputado Eduardo Bolsonaro.
Deputado Onyx Lorenzoni, ninguém quer destruir essa indústria. Agora, a que
está aí está não pode vender a morte em vez de vender segurança.
Quero dizer exatamente que há possibilidade, sim, na legislação, de se
implantarem fábricas de armas e munições no Brasil. Só que ninguém consegue se
implantar aqui. E aí a CPI também é importante exatamente para separar o porquê
do por quê. Ela poderá averiguar onde está a reserva de mercado, onde está o
cargo e o emprego para alguns que têm a obrigação de cumprir a lei, sim, mas não
podem colocar impedimentos usando a função pública.
Então, a CPI é mais do que necessária, sim. Nós vamos fazer a coleta das
assinaturas; criamos a subcomissão; e entramos na fila da CPI, como deve ser.
E digo que muita gente já tentou colocar fábricas de munição e armas no
Brasil. Isso é impossível hoje, na prática.
Quero dizer, Deputado Baldy, que eu me orgulho de tê-lo como Presidente
desta Comissão. Eu sei do seu esforço e da sua coragem moral no exercício do seu
mandato como nosso Presidente, para que este momento acontecesse. Isso vai ser
um marco para a segurança pública, vai ser um marco para a população brasileira,
vai ser um marco para os profissionais, as vítimas e aqueles milhares que estão com
receio de utilizar um instrumento de defesa porque não confiam, não dá para confiar
nele. Isso vai marcar todos nós.
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Como disse o nobre colega, se as empresas querem vir comercializar aqui,
que se instalem no Brasil. Isso deve ser feito da forma correta, para que possamos
gerar competividade, sem punir a indústria nacional e os trabalhadores brasileiros.
Então, devemos ver os interesses dos que utilizam armas e, obviamente,
daqueles que trabalham para produzir os nossos equipamentos.
O SR. DEPUTADO EDUARDO BOLSONARO - Há muitos anos, existe o
interesse de empresas internacionais em vir para cá. Elas não conseguem vir
porque esbarram em interesses outros, escusos, quando querem implantar a sua
indústria aqui no País.
É por isso que acho que vem em boa hora, sim, a CPI das Armas aqui.
O SR. DEPUTADO MAJOR OLIMPIO - Quero apenas fazer uma
consideração em cima do que disse o Deputado Eduardo Bolsonaro.
Deputado Onyx Lorenzoni, ninguém quer destruir essa indústria. Agora, a que
está aí está não pode vender a morte em vez de vender segurança.
Quero dizer exatamente que há possibilidade, sim, na legislação, de se
implantarem fábricas de armas e munições no Brasil. Só que ninguém consegue se
implantar aqui. E aí a CPI também é importante exatamente para separar o porquê
do por quê. Ela poderá averiguar onde está a reserva de mercado, onde está o
cargo e o emprego para alguns que têm a obrigação de cumprir a lei, sim, mas não
podem colocar impedimentos usando a função pública.
Então, a CPI é mais do que necessária, sim. Nós vamos fazer a coleta das
assinaturas; criamos a subcomissão; e entramos na fila da CPI, como deve ser.
E digo que muita gente já tentou colocar fábricas de munição e armas no
Brasil. Isso é impossível hoje, na prática.
Quero dizer, Deputado Baldy, que eu me orgulho de tê-lo como Presidente
desta Comissão. Eu sei do seu esforço e da sua coragem moral no exercício do seu
mandato como nosso Presidente, para que este momento acontecesse. Isso vai ser
um marco para a segurança pública, vai ser um marco para a população brasileira,
vai ser um marco para os profissionais, as vítimas e aqueles milhares que estão com
receio de utilizar um instrumento de defesa porque não confiam, não dá para confiar
nele. Isso vai marcar todos nós.
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Então, eu só posso agradecer a V.Exa. por ter proposto esta audiência
pública no primeiro dia de funcionamento da Comissão de Segurança Pública. E eu
sei o quanto se fez de força para que ela não se realizasse, uma vez o resultado
seria exatamente este: o sentimento de que é preciso mudar.
Então, parabéns a V.Exa. e a toda a Comissão.
Quero agradecer a todos os que se deslocaram até aqui: as nossas
autoridades do Exército e do Ministério Público, os convidados e as vítimas que
falaram por tantas outras dezenas de vítimas.
Aqui nós tivemos uma aula: a de que precisamos aprender muito para
construir. Tenha certeza, Deputado Onyx, que vamos construir juntos. Parabéns!
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Obrigado aos Srs.
Deputados Major Olimpio, Onyx Lorenzoni e Eduardo Bolsonaro.
Obrigado às vítimas que participaram conosco, às empresas que se
dispuseram a estar aqui e fazer sua apresentação.
Obrigado ao General, aos peritos e ao Subprocurador.
Agradeço a todos os que requisitaram esta audiência. Espero que aqui seja o
início de um trabalho, para definitivamente chegarmos a uma solução positiva para o
Brasil.
Muito obrigado a todos.
Declaro encerrada a audiência pública.
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Então, eu só posso agradecer a V.Exa. por ter proposto esta audiência
pública no primeiro dia de funcionamento da Comissão de Segurança Pública. E eu
sei o quanto se fez de força para que ela não se realizasse, uma vez o resultado
seria exatamente este: o sentimento de que é preciso mudar.
Então, parabéns a V.Exa. e a toda a Comissão.
Quero agradecer a todos os que se deslocaram até aqui: as nossas
autoridades do Exército e do Ministério Público, os convidados e as vítimas que
falaram por tantas outras dezenas de vítimas.
Aqui nós tivemos uma aula: a de que precisamos aprender muito para
construir. Tenha certeza, Deputado Onyx, que vamos construir juntos. Parabéns!
O SR. PRESIDENTE (Deputado Alexandre Baldy) - Obrigado aos Srs.
Deputados Major Olimpio, Onyx Lorenzoni e Eduardo Bolsonaro.
Obrigado às vítimas que participaram conosco, às empresas que se
dispuseram a estar aqui e fazer sua apresentação.
Obrigado ao General, aos peritos e ao Subprocurador.
Agradeço a todos os que requisitaram esta audiência. Espero que aqui seja o
início de um trabalho, para definitivamente chegarmos a uma solução positiva para o
Brasil.
Muito obrigado a todos.
Declaro encerrada a audiência pública.
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